quinta-feira, fevereiro 25, 2010
Discussões no Congresso
quarta-feira, outubro 28, 2009
Golpe de Ar
Fabrício Corsaletti
Se havia uma coisa que me encucava era o fato de não ler nenhum autor da minha idade. Não conhecia nenhum, e esse fato gerava em mim a sensação de que minha geração fiara imune ao choque geracional que outros escritores de outras gerações conseguiram mostrar em seus livros como o Quarup ou Gracias por el fuego.
No entanto, graça à Revista Bravo, que eu achava insuportavelmente chata, tenho descoberto escritores, até mais jovens do que eu que já não sou tão jovem assim, que talvez sintetizem um pouco minha geração; que não é mais a da luta de classes como em Gracias por el fuego, mas que pertence a era dos interesses difusos e coletivos como em Cordilheira e Golpe de Ar.
O bom de Golpe de Ar é que em nenhum momento você precisa imaginar situações já que o que está escrito lá, todo mundo com vinte e muitos anos já passou. Como a narrativa é cortada, as frases curtas, o texto se fragmenta como nosso tempo, sem perder a coerência. Achei fantástico o fato do livro deixar alguns segredos em aberto e esses segredos não atrapalharem a narrativa e sim tornarem-se símbolo da individualidade que não nega o coletivo (frase meio clichê, mas se pode encontrar algumas verdades nos clichês também).
Nosso mal estar geracional não está exposto ali, mas você o sente a medida que lê. Terminei o livro pensando que talvez a futilidade que todos reclamam é realmente futilidade, mas o incômodo com ela pode ser a porta para o entendimento e a resolução deste mal tão pouco explícito, tão difuso, tão coletivo.
O livro se passa em Buenos Aires que com vinte e poucos anos também foi minha fuga, talvez por isso a identificação seja maior (ou não). Gostei do livro!
sexta-feira, setembro 04, 2009
No tan Buenos Aires
Así como en las otras películas que he mirado, no sólo en la Muestra, como en los pocos filmes que llegan desde Argentina hacia acá, se consigue hacer un contorno del significado de ser argentino, que quizás sea más homogéneo do que el ser brasileño. No que homogéneo acá signifique más sencillo, porque lo único que no se puede decir del argentino es que sean un pueblo sencillo, pero que su complejidad sea más radical y esto por si sólo nos permite mirar a los detalles.
Si en él parágrafo arriba lo puse de un modo amplío, ahora lo puedo hablar de estas contradicciones que hacen la complejidad de los argentinos que están presentes tanto en las películas de los sesenta (algo como una nouvelle vague argentina) como en el nuevo cine argentino. Así como se hacen una autocrítica brutal, dejando clarísimo la naturaleza de un país de oficinas y jubilados, una clase media con valores un poco conservadores y hasta al límite reaccionaria, pueden traer también temas muy delicados como el aborto, el divorcio, la eutanasia y las discusiones familiares que no podrían venir al telón se no hubieran sido puesto bajo a la luz de la autocrítica.
Por ser así, a mí, me parece mucho más realista una película argentina de los sesenta que habla del aborto bajo esta mirada sobre la sociedad que una brasileña que quizás no tenga la misma radicalidad en su complejidad. De ser así, nuestras películas traen consigo algo de artificial, que puede ser resultado del facto de hacer falta esta crítica que es cara a los argentinos o, lo que sería más lastimoso, quizás porque no hago parte del universo de los temas de las películas brasileñas.
No puedo negar que mismo en la crisis, como en las luchas, los piquetes y con la ya famosa decadencia de Argentina, todavía es un país que me encanta. Puede ser que el castellano de este texto sea tan trucho como mi análisis del cine argentino, pero al mirar las películas, lo quise escribir algo en castellano, un homenaje a uno de los lugares que más me siento bien.
quarta-feira, maio 27, 2009
A minha Buenos Aires
Sete anos depois eu voltei e vi que continua a minha cidade, mais que uma foto, um lugar, a graça de Buenos Aires é vivê-la e como viver é uma experiência singular, subjetiva, lá encontrei uma Buenos Aires inacessível aos outros, era a minha Buenos Aires restaurada.
Confesso que ela se alargou um pouco e novas percepções foram captadas e ainda serão reveladas.
O ciclo porteño ainda não acabou!
terça-feira, maio 26, 2009
gabriela + mauricio + francisco = vos
Pois bem, faltou explicar o título e os personagens. Mauricio Macri é o chefe de governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires (um prefeito com mais poder ou um governador com menos), Gabriela Michetti é a primeira candidata a deputada federal na lista do PRO para as eleições legislativas, Francisco de Narvaez é o primeiro candidato a deputado federal na lista do PRO + peronismo dissidente na Província de Buenos Aires. O PRO é o partido que Macri fundou e que acabou reunindo boa parte da direita difusa, da UCR dissidente, dos apoiadores de Ricardo López Murphy (3º colocado na eleição de Nestor Kirchner) e agora o peronismo dissidente. Peronismo dissidente é a parte do Partido Justicialista que não está alinhada com o casal Kirchner e que na Província de Buenos Aires é representado pelo ex-governador Felipe Solá e pelo ex-presidente Eduardo Duhalde e que tem quase o mesmo número de prefeitos que os prefeitos-K no conurbano. Prefeitos-K são os prefeitos peronistas ou radicais alinhados ao casal Kirchner e conurbano é a região metropolitana da cidade de Buenos Aires que está dentro da Província de Buenos Aires, e é onde estão os distritos eleitorais mais densos.
O título é tema da campanha que aparece na cidade de Buenos Aires e conseqüentemente em toda região metropolitana de Buenos Aires (que está na Província de Buenos Aires). A idéia é que frente a fórmula “ou minha eleição ou o fim da democracia” que o casal Kirchner quer imprimir na campanha, existe uma maneira pragmática e de defesa da democracia em jogo, e esta está no título.
Segundo as pesquisas é quase certo que Michetti ganhe as eleições porteñas e De Narvaez tem chance de ganhar, mas se não ganhar, conseguirá um bom número de deputados para o bloco nas eleições bonaerenses. De qualquer maneira, este novo partido sairá das eleições maior do que entrou e se posicionará como um pólo opositor ao casal Kirchner, num grupo muito mais coeso que a aliança à esquerda (Elisa Carrió, UCR, Socialistas e Partido Obrero), que como esquerda em todo lugar é sempre desunida.
O que quero deixar claro aqui é que existe um sentimento, que talvez seja predominante nas classes médias, que está sendo negligenciado pelos dois pólos de poder no Brasil (PT x PSDB) e deveria ser reunido por alguém. Este alguém na minha opinião seriam os Democratas, numa roupagem nova. No entanto é preciso ter a visão estratégica de Macri para conseguir se firmar como tal. Bem, as eleições de 2010 são legislativas e todo bom partido deve ter uma boa bancada, começa por aí.
Política argentina é emocionante. A questão das listas da uma dimensão partidária tremenda sobre as eleições legislativas, que falta no Brasil. Existem as peculiaridades locais, como não há propaganda gratuita, os únicos comerciais que se vê na tv são dos partidos que tem dinheiro como o PRO e os do governo (que manterá a fama de não ganhar na Capital). No entanto, a cidade já está no clima de eleição, mesmo faltando 34 dias.
quarta-feira, março 25, 2009
Cordilheira - Daniel Galera
Pode parecer um motivo bem absurdo o porquê de que peguei este livro na biblioteca. Na verdade foram dois motivos. O primeiro é que o autor tem minha idade e não costumo ler gente viva. O segundo é mais banal ainda, o romance se passa em Buenos Aires, o que me fez lembrar muito um gallego muito engraçado que conheci no albergue e me fez percorrer um circuito Borges e terminei num show de tango fantástico no Café Tortoni.
Na verdade a graça do livro está em mostrar a facilidade com que incorporamos personagens. Sempre lembro de uma frase que diz que o homem em sua história percorre por si só todos os caminhos de sua civilização. Numa civilização que criou e cultivou o individualismo (sim, somos ocidentais, periféricos, mas ocidentais) e principalmente após o Romantismo, temos uma gama enorme de personagens para nos guiar, nos fazer refletir, para absorver e absolver.
Podemos trocar de personagens ao sabor dos acontecimentos e num mundo de pacotes CVC, Azul e Bed and Breakfast até podemos trocar de cenários possíveis.
E assim o universal se dissolve em personagens, alguns bens construídos e outros clichês, alguns trágicos e outros dramáticos; arquétipos de inúmeras teorias. Tão diversos e tão difusos que até podem se reduzir ao indivíduo. Nosso próprio personagem que construímos.
Há momentos que o charme do livro está na previsibilidade. O personagem mais autêntico é aquele que a gente pode encontrar no trabalho, no metrô e que por não se envolver em nenhuma trama sinistra ou intelectualóide, se apresenta sem máscaras, ou somente com a máscara da modernidade.
Sou um péssimo crítico. Analiso sem estrutura, sem prestar atenção nas frases. O livro vale ser lido e o título é fantástico já que Buenos Aires não tem Cordilheira e a Cordilheira é também um personagem a ser incorporado.
domingo, março 22, 2009
Como transformar Franco da Rocha em Puerto Madero
Franco da Rocha foi fundada ao redor de uma estação centenária. A estação precisa ser reconstruída para atender a demanda e adaptar-se a lei de acessibilidade; enquanto a estação centenária precisa ser preservada, uma vez que é patrimônio histórico do período áureo do café.
A relação entre ambas é evidente: o porto abandonado que trouxe o boom imobiliário a uma cidade tida como decadente também era do período áureo da Argentina exportadora de carne e, assim como Franco da Rocha, também estava próximo do centro da capital argentina.
A boa intenção se uniria com o bom projeto numa passarela Calatrava atravessando a faixa ferroviária com harmonia, no lado norte da estação, num prédio restaurado poríamos um Outback, no lado sul, um ateliê de xilografias. Num segundo momento o mercado imobiliário de Franco da Rocha iria inflar. As casas seriam substituídas por lofts e apartamentos com varandas gigantescas. Seria cool morar em Franco da Rocha. Em frente a estação uma escultura da Tomie Othaka.
Estaria aberto o círculo virtuoso, em menos de 10 anos Franco da Rocha seria um Tatuapé mais sofisticado, com um shopping ainda mais bonito que o Anália Franco.
Como é bom saber que a modificação do espaço urbano, requalifica as pessoas, suas atividades, seus deslocamentos. Uns chamam isso de progresso, outros de fascismo, muita gente chama de planejamento.
Onde vamos adaptar o transmilênio?
segunda-feira, agosto 18, 2008
Los Paraguas de Buenos Aires
Voz de Amelita Baltar
Letra de Horacio Ferrer
Musica de Astor Piazzolla
Está lloviendo en Buenos Aires, llueve
Y en los que vuelven a sus casas pienso
Y en la función de los teatritos pobres
Y en los fruteros que a las rubias besan
Pensando en quienes ni paraguas tienen
Siento que el mío para arriba tira
"No ha sido el viento si no hay viento", digo
Cuando de pronto mi paraguas vuela
"No ha sido el viento si no hay viento", digo
Cuando de pronto mi paraguas vuela
Vuela...
Y cruza lluvias de hace mucho tiempo
La que al final mojó tu cara triste
La que alegró el primer abrazo nuestro
La que llovió sin conocernos antes
Y desandamos tanta lluvia, tantas
Que el agua esta recién nacida, vamos
Que está lloviendo para arriba, llueve
Y con los dos nuestro paraguas sube
Que está lloviendo para arriba, llueve
Y con los dos nuestro paraguas sube
Sube...
A tanta altura va querido mío
Camino de un desaforado cielo
Donde la lluvia a sus orillas tiene
Y está el principio de los días claros
Tan alta el agua nos disuelve juntos
Y nos convierte en uno solo uno
Y solo uno para siempre, siempre
En uno solo, solo, solo, pienso
Y solo uno para siempre, siempre
En uno solo, solo, solo, pienso
Pienso...
Pienso en quien vuelve hacia su casa
Y en la alegría del frutero
Y en fin, lloviendo en Buenos Aires sigue
Yo no he traido ni paraguas, llueve
Y en fin, lloviendo en Buenos Aires sigue
Yo no he traido ni paraguas, llueve
Llueve...
