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terça-feira, março 08, 2011

Feliz dia Internacional da Mulher

Contradição do mundo é o dia das mulheres cair em plena terça-feira de carnaval. Não que o carnaval tem que ser machista por definição, mas quando se vê uma mulher gritando “meu nome é Valeska e o apelido é quero dar, dá-dá-dá-dá-dá-dá-dá, o apelido é quero dar” você fica meio suspeito que a Valeska não está lá muito ligando para o fato das mulheres ainda ganharem menos que os homens, sofrerem violência doméstica e precisarem de uma lei específica para isso ou que a igualdade do serviço doméstico é uma ilusão na maior parte dos lares.

Talvez a Valeska ganhe mais que os homens de sua convivência, de repente a violência doméstica pode lhe render alguma grana (se não se converter numa loucura do tipo goleiro-Bruno) ou que o serviço doméstico seja uma coisa tão abstrata que nem se torne um problema, mas afinal, se esse é o papel da mulher no carnaval a Valeska Quero Dar esteja cumprindo o papel que lhe foi designado.

Enfim, é uma pena que o Dia Internacional das Mulheres foi eclipsado pelo carnaval. É necessário alguma luta para que até Valeska Quero Dar cumpra qualquer papel que deseje, mas que esse papel não lhe seja imposto e sim decidido.

De qualquer maneira, feliz Dia Internacional das Mulheres!

É carnaval!

Não conseguia imaginar outra coisa para os quatro dias de carnaval além de dormir e pôr a leitura em dia. Poderia ir a praia, viajar, mas só pensava na sua casa. O tempo o fez prisioneiro da casa, choveu, fez frio, a garganta inflamou, no olho apareceram terçóis que o deixaram sem nenhum tesão de por a cara na rua; cortou o indicador de uma maneira estúpida e agora estava reduzido a um homem sem o efeito pinça, o que lhe impedia até de segurar um copo da maneira como havia aprendido.

Ligar a TV se tornou um suplício, não agüentava ver nem desfiles, nem tampouco os bastidores dele. No pouco tempo que assistiu sentiu-se deslocado do mundo já que não reconhecia mais as celebridades. Leu o jornal, estudou um pouco para a pós e cozinhou. Comeu atum, estas latas não precisam de um efeito pinça para serem abertas.

Na terça-feira gorda, acordou, olhou o dia cinza, leu o jornal, checou o facebook. Já teve carnavais mais animados, já teve carnavais mais agitados, mas nunca se sentiu tão em casa num carnaval. Tinha companhia, saia de casa para dar uma volta no bairro, correu da chuva, namorou um pouco, viu filmes, se propôs a ir ao cinema e desistiu. Escutou músicas que não se escutaria no carnaval, mas que não tinha tempo para escutar no dia a dia. Visitou um casal amigo e conversaram de coisas que não tinham mais tempo para conversar.

Fez do carnaval sua pequena quaresma.