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sábado, maio 15, 2010

A mulher do lado

Num surto consumista acabei comprando uma caixa de filmes do Truffaut, talvez numa tentativa de acabar com ciclo Woody Allen meio que a força. Então veio, A mulher do lado, O último metrô e Um só pecado. Como realmente é legal assistir um filme com história, que foi pensado para você pensar na história, que não é só uma história, mas uma história filmada, onde cada objeto ou música é um elemento importante na forma de contar esta história.

Pois bem, A mulher do lado é um filme sobre um amor que volta. Um casal que teve uma paixão violenta com fim abrupto volta a se encontrar depois de oito anos como vizinhos numa vila, de maneira que não existe outra maneira se não restabelecer o contato. Mas qual o contato? Bem, acho que é isso o que o filme conta.


Achei interessante que se o filme fosse óbvio, a paixão voltaria, mas a vida real e o filme não é bem assim, e aí a forma com que ambos conduzem esta situação muda muito conforme o filme passa e também, na maioria das vezes, não coincide com a que o outro tenta conduzir.

Claro que se estamos falando de paixão, é nesse campo que a coisa vai se desenrolar. O desapaixonar-se é tão interessante quanto o apaixonar, também parte da mesma violência e acho que no filme esse apaixonar-desapaixonar-apaixonar é muito bem explorado. Deve ser uma coisa tão comum essa do filme e eu nunca tinha visto isso num filme.

Fiquei pensando depois do filme que talvez se o Truffaut fosse vivo, teria se tornado um Woody Allen e aí acabei vendo Noivo Neurótico, Noiva Nervosa.

sábado, março 06, 2010

Cada coisa em seu lugar e a seu tempo

Conversando com Guilherme sobre como gosto de escutar um disco na sequencia em que as músicas foram postas no álbum, lembrei-me de uma entrevista do Truffaut sobre Domicílio Conjugal, onde ele diz:


"Quando Jean-Pierre Léaud vive uma aventura com uma japonesa, sua mulher toma conhecimento, e quando ele volta à casa, abre a porta e sua mulher está no fundo do apartamento vestida de japonesa. Eu sabia que as pessoas ririam, então faço-o avançar no cômodo, faço um travelling sobre ela e, quando passo a um close sobre ela, o público percebe que há uma lágrima no seu rosto, então o riso é bloqueado e as pessoas sentem vergonha de ter rido (...)"


Pois bem, guardei a ideia porque achei tão fantástico que um diretor pensasse nisso, que comecei a respeitar mais as sequências. Talvez a maioria das vezes não tenham tanto significado, mas lembrar-me do quanto me senti mal com a cena e saber que o diretor do filme pensou microscopicamente nesse sentimento que eu teria, me deixou mais fissurado pelo Truffaut.

Aliás, sabendo que a cena é sobre adultério e lendo que ele quis que as pessoas que riram se sentissem mal, pode parecer uma posição muito conservadora para quem foi personagem no maio de 68, no entanto, na mesma entrevista, ele fala sobre o adultério.


"... quando falamos de adultério, não conseguimos ser engraçados, a não ser que mintamos, como em certas comédias americanas. Tratado com um certo realismo, o adultério é forçosamente triste"


Lembrando do baque que é assistir "Um só pecado", esta questão talvez não seja conservadorismo, e sim um ato extremamente revolucionário ao recuperar um valor não pela sua tradição, mas pelo seu humanismo.

Fiquei com estas duas coisas na cabeça, a importância da sequencia e a tristeza do adultério. Enfim, acho que com a meia-idade chegando, considero muito ambas.