domingo, março 07, 2010
Lugar de mulher é na Revolução!
sábado, março 06, 2010
Cada coisa em seu lugar e a seu tempo
terça-feira, janeiro 05, 2010
Choque Geracional
terça-feira, dezembro 15, 2009
De volta às cores
Depois de três semanas entre tons pastéis, cinzas e verossimilhança de Woody Allen, foi fantástico assistir a Abraços Partidos de Almodóvar. Voltaram as cores, como se toda a terapia do primeiro viesse desabar no inconsciente do segundo. Como tudo beira ao absurdo, mas um absurdo tão possível em Abraços Partidos, não se perde a humanidade, a gente se sente a ultrapassando.
Acho fantástico como Almodóvar consegue mostrar pessoas em situações limites, até esterotipando-as, sem, no entanto, perder a verossimilhança. É como se num instante pudéssemos sair de nossas situações sob controle e chegarmos à extremos. Uma paixão avassaladora, um ciúme doentio, uma busca frenética, tudo é muito simples de ser alcançado, mesmo para quem vive dentro dos padrões. Nestas situações o vermelho fica bem mais vermelho, o amarelo brilha, o azul se torna anil, a realidade vira surrealidade.
O filme é interessante por ser, como disse a Bravo, o filme masculino do Almodóvar, embora o masculino ali tenha humores que são essenciais ao feminino. Bom filme, um filme que é uma boa diversão, bonito de ver. Além disso, as referências à Mulheres à beira de um ataque de nervos são hilárias.
Castelhano
Eu realmente sou apaixonado pelo castelhano, adoro as s aspiradas, o z diferente, a rapidez, as colocações pronominais, as elípticas, o cuidado com os objetos e os artigos. Que língua trágica! Uma língua onde até um texto científico torna-se um melodrama. Como é gostoso ouvir as pessoas falando castelhano, e de repente, um “dale” ou uma outra expressão qualquer e você se sente a vontade de tutear com o filme, ele já é seu íntimo.
sexta-feira, dezembro 04, 2009
As mulheres e a crise financeira
A matéria mostra três faces de como a mulher pode comandar uma verdadeira revolução econômica capaz de superar a crise. Na primeira, explora o fato de que elas são decisivas na escolha dos gastos das famílias e chefiam a maioria delas, portanto, uma empresa ou um governo que conta com as mulheres na produção de suas “mercadorias” e políticas sociais atingiria mais facilmente o mercado principal, garantindo uma retomada mais rápida do crescimento. A segunda face está no fato de que uma organização (empresa ou Estado) que conta com uma maior participação da mulher e também com um maior empoderamento (a palavra é empowerment) delas, contaria com um maior capital humano, combinando o melhor dos gêneros e promovendo um ambiente de tolerância fundamental num mundo de interesses difusos e coletivos. O terceiro argumento foi o que mais me intrigou, na verdade ele baseava a crise econômica como a decadência de uma economia baseada no mundo dos homens e que a crise onde a igualdade era maior, foi menos intensa.
Os dois argumentos acabam sempre numa lógica de um direito da mulher por ser uma consumidora como os homens e me desagrada um pouco a idéia de que a igualdade entre os sexos seja uma apenas uma relação de troca econômica, acredito que tenha uma questão moral aí importante a ser discutida. O segundo argumento ainda conta com a diferença entre os gêneros, o que é bem interessante quando a gente vê, principalmente no mercado de trabalho e na política, uma masculinização da mulher, que abandona sua feminilidade para entrar num mundo masculino.
No entanto o terceiro argumento faz pensar. Afinal, não é o mundo realmente um lugar muito masculino. Não foram a jornada de trabalho, as leis trabalhistas, os códigos sociais todos feitos para o homem? Não é a competitividade e a agressividade o elemento mais destacado nas revistas de negócios e não são estas mesmas categorias totalmente associadas à masculinidade? Dá até pra pensar se não tem fundamento mesmo o fato de que o desequilíbrio entre homens e mulheres possa ter causado um desequilíbrio maior.
Abstrações a parte, achei interessante o fato de pôr a questão do gênero num assunto onde a universalidade não permite verificar as diferenças gritantes que esta questão tem no mercado de hoje. Afinal, por que a mulher continua ganhando menos que os homens? Por que a jornada de trabalho não respeita as diferenças entre os gêneros? Por que a maternidade não é mais protegida no mercado de trabalho e é até uma barreira para o sucesso profissional das mulheres?
Acho que é um bom tema para se pensar, afinal, no meio dos outros interesses difusos, parece que o feminismo tem sido eclipsado pelo ambientalismo, pela questão da raça e da diversidade sexual. Esta semana passou no Senado a lei do divórcio imediato e nem foi muito noticiada, e pensar que nos anos 70 esta foi uma bandeira feminista e onde talvez elas tiveram mais sucesso. Ainda há outros temas importantes a serem discutidos como a igualdade no serviço doméstico, a maior representação política e o grande tema do aborto a ser confrontado. Se a economia está em crise, uma sociedade em ebulição geralmente dá boas respostas econômicas.
segunda-feira, novembro 02, 2009
O Machismo e o Vestidinho
Depois de tanta luta contra o machismo, como é possível que uma mulher seja hostilizada e tenha que sair escoltada pela polícia por causa de um vestido? Como é possível que dentro de uma universidade, onde o saber de diferentes correntes é ensinado e estudado possa ter um ritual tão medieval contra a mulher? E como a imprensa, ao invés de investigar a causa de tal reação inconsciente e coletiva, de uma moral chauvinista, pode ter se concentrado apenas no vestido e não no acontecimento?
Nestas viagens de férias acabei topando com um livro fantástico do Philip Roth, Indignação, onde ele conta um caso chamado de “noite das calcinhas brancas” onde estudantes WASPs invadiram os dormitórios das meninas, expondo-as, e expondo suas calcinhas como troféus. No livro, o fato se dava num ambiente de profunda repressão sexual e de uma moral protestante ascética profunda. Agora, é possível pensar que na Uniban estamos num ambiente de profunda repressão sexual e de uma moral protestante ascética?
Para mim é machismo e nada mais que isso, machismo estimulado pela imprensa e pela universidade que é incapaz de superar este mal. Se uma mulher não pode se vestir do jeito que ela bem entender, ela não está sendo respeitada como mulher, como ser que é igual a todos. E às meninas que justificaram a barbárie pelo tamanho do vestido, estas são mais machistas ainda, já que para se posicionarem no mundo tiveram que renunciar a diferença, embarcando por conta própria no machismo reinante.
Depois de um século onde tabus sexuais foram derrubados, onde a mulher entrou no mercado de trabalho, que a mulher conseguiu se colocar no mundo não renunciando sua feminilidade e sim a ressaltando e buscando o direito de ser mulher, depois do Segundo Sexo e da geração pós-Segundo Sexo, depois de Camille Paglia, a mim, só resta a vergonha de conviver num mundo onde um vestido curto, que até pode ser inadequado, justifica o vandalismo, justifica uma caça ao diferente.
sábado, dezembro 20, 2008
Sábado a la mañana
Acordou. Por causa do feriado de Natal que praticamente o deixará sem faxina até o Ano Novo, passou roupa para ter roupa para viajar. Enquanto isso, aproveitou para lavar outras roupas. Charles Aznavour tocando. A trilha sonora não combina com serviços domésticos, mas a música e os serviços domésticos até são um bom paradigma da vida que leva. Até pensou que essa cena caberia num filme do Truffaut. A trilha sonora era deslocada no tempo, acabou rindo ao pensar que passar roupa na virada de 2008 para 2009 também não é lá uma coisa muito contemporânea.
Que modernidade é essa que ainda faz as pessoas serem escravas de um ferro de passar? Talvez aí a trilha sonora faria sentido. Imaginou a série de compromissos natalinos e nos presentes que ainda faltavam. Odeio Natal, já havia repetido isso na fila da livraria e esperando mesa num bar. Acabaram-se as roupas, a máquina ainda estava funcionando, e as 40 canções de ouro do Aznavour acabaram também. Se não enfrentasse o sábado, não daria tempo de fazer tudo que se propusera no último sábado antes do Natal.
No entanto, a vontade era aprofundar ainda mais o lapso temporal da manhã e tomar um drink. O que tomaria Danuza Leão? Um Ricard? Uma vodka-au-poivre? Que belo nome para um Bloody Mary! Se a tivesse em casa, abriria uma garrafinha de Malzbier que é sua referência etílica a almoço em casa. Se pelo menos tivesse o que comer em casa, manteria o clima de sábado em casa. Ao relembrar dos compromissos do Natal teve vontade de sair para comprar algumas coisas no mercado, fazer um bom almoço e tomar sua Malzbier e depois ler um livro, dormir e curtir a casa.
Ficou com tanta vontade de ficar só em casa. Faz tanto tempo que não fazia isso.
domingo, agosto 10, 2008
Claudia (ou Marina?)
Tenho trabalhado ultimamente com algumas mulheres tão machistas, tão retrógradas, que para mim é até uma surpresa ver uma manifestação de feminismo em algum lugar, e aí entra a Revista Cláudia. Lógico, que a revista representa um certo tipo de mulher que provavelmente não anda de trem, que tem faxineira, que tem um certo dinheiro, mas que também têm um certo orgulho de ser mulher, que têm sonhos, que convive com famílias modernas, que passam por conflitos na criação de seus filhos. Acho que o grande mérito da revista é mostrar o conflito entre a realização dos sonhos de uma mulher, sem perder sua feminilidade.
Para algumas feministas as tais páginas de sexo e de moda e de decoração que fizeram a revista famosa, o jeito com que esses assuntos são tratados pode parecer machismo. Mas será que uma mulher moderna, além do trabalho, não continua se preocupando com moda e sexo? Aí aparece para mim o desafio interessante, como ser mulher num mundo de trabalho totalmente masculino? Bem, tanto na Cebrace como na CPTM, tirando raras exceções, ou as mulheres se tornavam totalmente masculinizadas para enfrentar esse mundo, ou se portavam como mulheres-vítimas, utilizando-se de charminho e dengo para enfrentar o mundo dos homens, se colocando num papel machista horrendo, trazendo nelas mesmas todos os preconceitos da sociedade contra as mulheres. Que mulheres retrógradas! (vide a estagiária de secretária da CPTM que mereceria não só um post a parte, como também um estudo de caso de um psicanalista, ou de uma feminista tal como Camille Paglia)
Neste ponto a Revista Cláudia é uma prova, um pouco meio idealizada, de uma mulher que nos 80 tomou para si uma vanguarda, mas que anda meio sumida nestes 00, pelo menos nos meus círculos de amizades. Danusa Leão escreve textos hipermodernos, muito sensíveis, de alguém que soube ser feminista e feminina. Além disso, a psicanálise ainda é muito presente naquela revista. Que, talvez mais simplificada do que era nos 80, ainda assim mostra um jeito diferente de abordagem que nenhuma outra revista tem.
Por mim, todos deveriam ler uma revista bem acabada assim. Homens, para entender as mulheres e perceberem os restos do machismo ancestral que ainda persiste; mulheres, para se livrar das armadilhas deste machismo que ainda cobre como um véu que ilude as relações.
Bem, vou terminar com uma música da Marina, que é o símbolo de tudo isso que eu falei!
Pra Começar
(Marina/Antônio Cícero)
Pra começar
