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sexta-feira, novembro 13, 2009

São José dos Campos


Sensação estranha de nunca ter vivido ali ao mesmo tempo em que reconhecia prédios e me lembrava dos nomes das ruas. Mudei tanto que o simbolismo que poderia existir ali não simbolizava mais nada. Era só uma cidade vazia de significados que até poderia ser resignificada caso não estivesse ali somente para buscar um documento.

O efeito colateral de viver intensamente é que não havendo espaço emocional para tanta intensidade, a intensidade do passado é totalmente decomposta; transfiguram-se alguns elementos para que estes se sintetizem com o instante presente e o restante vire uma “natureza morta” ou se perca.

De minha passagem por São José dos Campos restaram algumas manias e tiques que já foram totalmente desnaturalizados para se incorporarem em mim como se não tivessem uma origem geográfica além de mim. Restaram também alguns nomes de ruas e o banhado, paisagem maravilhosa que não me evoca sentimento algum. Não lembro de grandes alegrias nem tristezas e as pessoas viraram personagens.

sexta-feira, setembro 04, 2009

No tan Buenos Aires

Ayer miré a una película argentina antigua, del inicio de la decadencia argentina pos-Perón. Pues bien, lo que más me impresionó en ella fue cómo se puede mirar Buenos Aires desde allí con los mismo ojos con que la miré en julio cuanto estuve allá. Tanto el Kavanagh, la Plaza San Martín, la Torre de los Ingleses, las baldosas rotas en las veredas, estaban todos allá en la película, cómo si no hubiera pasado casi cincuenta años entre las dos miradas.

Así como en las otras películas que he mirado, no sólo en la Muestra, como en los pocos filmes que llegan desde Argentina hacia acá, se consigue hacer un contorno del significado de ser argentino, que quizás sea más homogéneo do que el ser brasileño. No que homogéneo acá signifique más sencillo, porque lo único que no se puede decir del argentino es que sean un pueblo sencillo, pero que su complejidad sea más radical y esto por si sólo nos permite mirar a los detalles.

Si en él parágrafo arriba lo puse de un modo amplío, ahora lo puedo hablar de estas contradicciones que hacen la complejidad de los argentinos que están presentes tanto en las películas de los sesenta (algo como una nouvelle vague argentina) como en el nuevo cine argentino. Así como se hacen una autocrítica brutal, dejando clarísimo la naturaleza de un país de oficinas y jubilados, una clase media con valores un poco conservadores y hasta al límite reaccionaria, pueden traer también temas muy delicados como el aborto, el divorcio, la eutanasia y las discusiones familiares que no podrían venir al telón se no hubieran sido puesto bajo a la luz de la autocrítica.

Por ser así, a mí, me parece mucho más realista una película argentina de los sesenta que habla del aborto bajo esta mirada sobre la sociedad que una brasileña que quizás no tenga la misma radicalidad en su complejidad. De ser así, nuestras películas traen consigo algo de artificial, que puede ser resultado del facto de hacer falta esta crítica que es cara a los argentinos o, lo que sería más lastimoso, quizás porque no hago parte del universo de los temas de las películas brasileñas.

No puedo negar que mismo en la crisis, como en las luchas, los piquetes y con la ya famosa decadencia de Argentina, todavía es un país que me encanta. Puede ser que el castellano de este texto sea tan trucho como mi análisis del cine argentino, pero al mirar las películas, lo quise escribir algo en castellano, un homenaje a uno de los lugares que más me siento bien.

sábado, março 28, 2009

Nova Brasil FM

Depois de quase 1 ano de São Paulo descobri a Nova Brasil FM. Está tocando agora no rádio, e já tocou o dia todo enquanto estive em casa. Que sensação estranha, meio nostálgica da vida campineira. Essa rádio não combina com São Paulo, combina com Campinas, seja a Campinas no climinha Unicamp, seja a Campinas do Cambuí. Aquela coisa meio apartamento de solteiro ou recém-casado, nível universitário, na labuta do dia-a-dia, classe média, ordinary people!

Acho estranho falar de vida campineira. Na verdade são alguns precipitados de fatos, acontecimentos, sentimentos, emoções e omissões boas, combinadas numa cidade sui generis que dá uma sensação boa de ter vivido lá. Conheci tanta coisa nessa fase! Fase transformadora, assim é a vida campineira que me refiro: uma mistura de Panetteria di Capri com a Luísa, lagoa da Unicamp, trevos super-rápidos, parati do Alfredo, biblioteca do IEL e Cine Paradiso. Discussões acaloradas sobre política, educação e música. Li o Quarup, o Crepúsculo do Macho, conheci F.Scott Fitzgerald, aprendi a ouvir Beatles e Legião Urbana.

Mas Nova Brasil FM é um acontecimento, merece um post! E o mais incrível: enquanto escrevi este post, já tocou “O dia em que a Terra parou” e a Ana Carolina já cantou duas vezes!

É isso aí, moderna e brasileira!

terça-feira, março 10, 2009

Qual é a próxima rua?

O menino adorava mapas. Ficava fascinado quando via um, era capaz de identificar qualquer lugar num mapa certo. Quando não podia, mentia. Mentia com critério, como depois aprendeu a justificar. O vínculo com o pai passou a ser geográfico. Um estimulava o outro sobre o nome das cidades, dos rios, das ruas. Enquanto as ausências sempre foram próximas, as proximidades eram bem distantes. Conheciam-se mais por saberem como chegar a qualquer lugar do que sobre o que acontecia na vida de cada um.

Eram os únicos que se mantinham acordados em todas as viagens. Enquanto um dirigia, o outro se orientava; em qualquer estrada, em qualquer cidade. A cumplicidade só poderia acontecer quando os outros adormeciam. Neste momento adormeciam também todos os fatores de estranhamento.

Qual o nome da próxima rua? Um provocava o outro e se sentiam felizes ao saber que o outro saberia a resposta. Além do sono dos outros, naquele momento não havia superação edipiana ou qualquer forma de conflito de gerações. Eram cúmplices.
As viagens diminuíram, assim como o sono dos outros. Os papéis no carro mudaram e os meios de transporte também. O menino cresceu e mesmo em cidades onde o pai jamais esteve, quando acerta o nome de uma rua ou estrada, reforça a lembrança. Vínculo que talvez não seja mais geográfico, não freqüentam mais a mesma geografia. Os nomes das ruas agora são o confronto das gerações.

sábado, novembro 29, 2008

10 anos

10 anos que saí do Colégio Técnico e 10 anos que entrei na Unicamp.

O problema nem é tanto a questão do tempo que passa, acho que com isso sou bem resolvido. Mas interessante vai ser encontrar pessoas que depois desse tempo todo, serão praticamente desconhecidas e cujo único laço é termos estudados juntos. São pessoas que têm outra vida, ou vidas muito distintas e que vão se encontrar para viver um passado que talvez não tenha sido nem tão bom assim; mas como somos Românticos (com R maiúsculo) transformamos tudo numa coisa idílica.

Não que não tenha trazido boas lembranças, as tenho e estão bem conservadas. Assim como trouxe alguns amigos que também estão muito bem guardados comigo.

Pois bem, pensando nisso, acordando com um pouco de ressaca depois de sair com amigos que não têm nenhum vínculo com nenhuma dessas comemoração, lembrei-me de uma música da Françoise Hardy que posto abaixo. (que fique bem claro que não acordei triste nem bêbado!)

L'Amitie

Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la terre

Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse

Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi tu viendras
Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse

Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines

Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton bois

domingo, novembro 09, 2008

Felicidade é jogar buraco!

Dois casais se reúnem para conversar. Dois deles são amigos de faculdade e os outros dois são os “agregados”. Adoro quando recebo um convite onde se diz que podemos levar os agregados. E não deixam de ser agregados, mais do que uma boca agregada, agregam também o diferente, o inovador. Agregam a semelhança que os fizeram amigos na faculdade. Agregam uma certa dose de hábitos e costumes, uma certa repetição dos encontros dos pais com os tios e amigos.

Ser casal só é possível com um casal amigo. Numa mesa com dois casais se consegue perceber o significado social de ser casal, a existência comungada. Quatro garrafas de vinho depois surge a possibilidade de verificar como a felicidade de ser um casal é reunir-se com outros casais. Quando era criança, meus pais costumavam jogar buraco com alguns outros casais aos sábados; às crianças, cabia assistir televisão após a pizza enquanto os mais velhos jogavam baralho. Talvez venha daí meu fascínio por encontros de casais. Associei ser adulto com o baralho e a bebida, porei mais um vício, fumar, e teremos os três vícios fundamentais. Ser adulto é beber, fumar e jogar acompanhado e em companhia de outro casal.

Abandonarás teu pai e tua mãe e beberás, fumarás e jogarás baralho com seu agregado junto a outro casal! Com isso, poderás constituir família, se portar como um ser civilizado, e principalmente ser adulto. Não é uma felicidade burguesa, é uma felicidade transversal. Proletários ou burgueses, ricos ou pobres, só serão um casal de verdade quando visitarem um outro casal! Se jogarem buraco, melhor. Ali também aprenderam a trabalhar em equipe e aumentarão a chance de viverem felizes para sempre.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Um dia bom

Acordaram tarde. Estava um calor absurdo e ainda tinham que votar. O que era dever cívico (que clichê!) se tornara turismo. Embora deslocados da cidade, tomaram um café na rua e pegaram um ônibus. Nada como ter contato com os problemas da cidade em pleno dia de eleição. Demoraram um pouco, atravessaram algumas paisagens e desembarcaram num bairro bem simbólico. Petit bourgeoisie! Árvores nas calçadas, ruas calmas, algumas de paralelepípedo. Prédios antigos, petit bourgeoisie desde os anos 30. Feliz a cidade que teve uma City Light!

O voto foi até que rápido, teve lances de arrependimentos e confissões. Voltando para o centro, fizeram compras e tomaram uma cerveja em uma praça. Se fosse no Rio seria um chope, mas era em São Paulo e pediram uma Original. Na mesa ao lado, duas mulheres falando em inglês, na mesa de trás, uma família almoçando, alguns homens sem camisa bebiam a mesma cerveja e nem repararam que o copo não era um copo americano. Leram jornal, discutiram eleições, Mostra Internacional de Cinema, dálmatas, burocracia e o Gabeira.

Divagavam na mesa do bar. Um pensa alto:
- Até que a gente tem uma vida boa, né?
- Realmente, acho que merecemos!

sábado, agosto 30, 2008

Como eram bons os tempos do Fernando Henrique

Sou de uma geração da era Fernando Henrique. Tudo que me acontecer na vida, na minha vivência como cidadão, em minha experiência como um homem social, econômico e ambiental, sempre será percebido, analisado e refletido sobre esse grande paradigma que foi a base de toda minha consciência.

Bastou um almoço e um assunto trivial para que isso ficasse claro em minha memória, nós, que fomos criados na era Fernando Henrique, talvez não sejamos a maioria, mas temos uma ação comunal própria, percebemos o mundo de uma maneira diferente, e acho que o mundo era percebido diferente pós 1995. Embora a era Lula tenha se apropriado de algumas características da era Fernando Henrique, estas foram distorcidas, ficaram as ações e não os fundamentos.

Éramos modernos em 1999 e hoje somos retrógrados. A peça inaugural desta era foi o discurso de despedida do Senado do ex-presidente, nele se decretava o fim da Era Vargas, as pessoas queriam o novo, o diferente, queríamos, e digo queríamos porque a maioria dos eleitores quis, um novo ciclo de desenvolvimento, de estabilidade, de abertura econômica, de uma nova relação Estado-mercado, que traria uma nova relação Estado-comunidade. Também seria uma era de transparência, da verdade orçamentária, e também da verdade política e da verdade social.

Foi preciso discutir Previdência, Tributação, Privatização, Ensino Fundamental e Superior, e discutir sem tabus, o que é o charme e o princípio desta era, e aí era necessário fazer escolhas, Déficit ou Reforma? Modernidade nos serviços públicos ou ineficiência estatal? Priorizar o ensino fundamental ou o superior? Não sei vocês, mas durante todo o governo Fernando Henrique discuti muito destas coisas, acho que se existiu um momento favorável a alguns indicadores que eu considero de modernidade (casamento gay, aborto e legalização das drogas) foi este período. Na verdade não é estimulante ter no ministério gente que sempre esteve ligado com a luta da democracia? (e que acreditava nela)

Participamos do mundo e o mundo participava da gente. Hoje, estamos num espetáculo da caretice. Se a associação com uma parte do conservadorismo, principalmente o ligado ao liberalismo durante os anos Fernando Henrique, foi necessário para romper e criar uma nova era, hoje é a cooptação pela cooptação, e acho que esta bela vanguarda que está no poder hoje descobriu-se muito mais próximo dos coronéis do que a gente pensa. O país tem problemas e isso não se discute, com um plano cosmético para tudo, as mesmas pessoas que não votaram no Fundeb criaram outros mecanismos que travestidos de inclusivos, são mostra de autoritarismo e populismo.

Perdeu-se a discussão, afinal, como se pode discutir com a verdade absoluta? E aí, a gente vê o avanço evangélico nas escolas, na política, o esvaziamento do congresso, afinal, para que uma casa de discussão, se o centralismo democrático é a solução? Só a desmoralização da política pela política pode gerar escândalos como mensalão, abuso de poder econômico nas campanhas, grampos nos ministros do Supremo.

Chamem de ressentimento, no entanto, eu realmente acho que a democracia e o clima de modernidade que tínhamos na era Fernando Henrique não temos na era Lula. Talvez as pessoas não quisessem saber de déficits, reformas, talvez foi acomodação, afinal é melhor parar de discutir isso e ter uma bolsa maior e melhor, mesmo que seja para estudar numa faculdade ruim ou para viver para sempre com uma bolsa.

Na era Fernando Henrique tínhamos a impressão que a ascensão econômica e social estava em nossas mãos, na era Lula, está no Estado de novo, ou num Estado Novo. O jeito é estudarmos para um concurso público.


A propósito

O almoço e o assunto trivial foi uma conversa fantástica sobre o Manhattan Connection, que para mim é o grande exemplo da era Fernando Henrique, aposto e ganho que 90% dos ministros do governo Fernando Henrique assistiam e que nem 20% do governo Lula sabe o que é, e que os que sabem só assistem para falar mal do Diogo Mainardi que me abstenho de comentar, ele não era desta era. Uma das conclusões é que os apresentadores são arquétipos tucanos, mas infelizmente, Alckmin e Aécio também não se encontram lá representados.

sexta-feira, agosto 15, 2008

Cómo dos extraños

Um tango pra fazer companhia pro Calamaro abaixo. Bastou eu ler um livro do Cortázar pra me argentinizar novamente:

Cómo Dos Extraños
Roberto Goyeneche

Me acobardó la soledad
y el miedo enorme de morir lejos de tí
que ganas tuve de llorar
sintiendo junto a mi
la burla de la realidad

Y el corazón
me suplicó
que te buscara y que le diera tu querer
me lo pedía el corazón y entonces te busqué
Creyendo que mi salvación

Y ahora que estoy frente a tí
parecemos, ya ves, dos extraños
lección que por fín aprendí
como cambian las cosas los años
angustía de saber muerta ya
la ilusión y la fe
perdón si me ves lagrimear
los recuerdos me han hecho mal

Palideció la luz del sol
al escucharte friamente conversar
fue tan distinto nuestro amor
y duele comprobar que todo,
que todo terminó

Que gran error volverte a ver
para llevarme destrozado el corazón
son mil fantasmas al volver burlandose de mí
las horas de ese muerto ayer

Y ahora que estoy frente a tí
parecemos, ya ves, dos extraños
lección que por fín aprendí
como cambian las cosas los años
angustía de saber muerta ya
la ilusión y la feperdón si me ves lagrimear
los recuerdos me han hecho mal

http://b.radio.musica.uol.com.br/radio/index.php?ad=on&ref=Musica&busca=como+dos+extra%F1os&param1=homebusca&q=como+dos+extra%F1os&check=musica&x=43&y=6

quinta-feira, agosto 14, 2008

Un recuerdo encontrado

Sabe quando você acorda com uma música na cabeça?
Acordei com Para no olvidar, e tentando não esquecê-la perdi hora, perdi a paciência de ficar sentado num escritório. Lembrei de recuerdos não tão prohibidos mas um pouco intrometido.
Foi um dia de lembranças.
Antes de voltar pra casa passei no Largo São Francisco só para ver o Álvares de Azevedo e dediquei a ele este dia.



http://www.rock.com.ar/letras/3/3931.shtml