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terça-feira, fevereiro 23, 2010

O tempo de Maringá não é o tempo de São Paulo

Com certeza o tempo de Maringá não é o tempo de São Paulo, sempre fico com a impressão que a ação lá demora mais para acontecer. Até o imprevisto e o temporal tem sua formação mais demorada e quando ocorrem, ocorrem numa intensidade maior que aqui em São Paulo.

Lá em Maringá não existe a urgência daqui, o que permite que tudo se encaixe no seu devido tempo. A chuva aqui tem que cair e cairá com o arranjo que estiver disponível, com o que for possível, enquanto lá, ela acontece, quando todos seus elementos se encaixarem naturalmente.

Quando chego em Maringá minhas urgências não encontram circunstâncias e quando surgem as circunstâncias não há mais urgência e me sinto acelerado, um pouco angustiado por não interferir nas circunstâncias, já que estas simplesmente acontecem e me levam. Existe uma inércia do tempo que se sobrepõe ao banco que fecha, à loja que abre ou ao dia que rende.

O primeiro dia depois de Maringá é a afirmação do ser paulista. Volto a pelejar com o dia, a tentar extrair o máximo dele, a otimizar caminhos e intenções, a me admirar do quanto fiz render o dia; é uma mudança frenética das circunstâncias forçando seu encaixe. Vendo a chuva acontecer.

Chegando em casa, telefono para Maringá e o tempo da chamada se sobrepõe às duas realidades, tudo se encaixa naturalmente e com urgência, abarcando os dois mundos. É hora de dormir.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Curitiba e Maringá

"Suave é a noite, a noite que eu saio
Pra conhecer cidades e me perder por aí"


Não sei se os lugares influenciam as pessoas que nele habitam ou as pessoas que transformam seus habitats. É um pouco a discussão do ovo e da galinha. Acho que ambos interagem, transformando cada lugar numa coisa única, já que nele se desenvolvem todas as aspirações das pessoas que nele habitam, ainda mais se considerarmos cidades que são o máximo da nossa civilização. (ainda influência do Rouanet falando sobre a civilização ocidental...)

Pensando nesta relação lugar-pessoa, fiquei impressionado com o contraste entre Curitiba e Maringá. Se tivesse ido à Curitiba e numa outra viagem ido à Maringá, talvez a diferença não ficaria tão evidente. Como em menos de duas horas fui de uma a outra, qualquer pequena diferença se agigantou. Senti-me mudando de país.

Curitiba é cinza, organizada, funcional. Praticamente tudo que quero ser. Cidade racional. Lá você é bem tratado em todos os lugares, um lugar ótimo para sentir frio, ser você sem precisar ser simpático. Ninguém espera que você seja simpático e é ótimo não precisar ser simpático. A cidade clama para que você siga o regulamento, um regulamento não escrito e bem seguido e a vontade de segui-lo é imensa. Pessoas que não se comportam bem, que não sabem conviver em sociedade deveriam ser condenadas a viver em Curitiba. Se o que falei até agora pareceu uma crítica, na verdade foi um elogio. A cidade funciona, é viva e é organizada, é criativa sem sufoco nem choro, não existem imprevistos em Curitiba!

Maringá é amarela, quente. Cidade planejada com burburinho, trânsito; planejada sem desenhos mirabolantes nem segregação radical. Planejada para ser cidade, com gente, com gente real, com carrinho de cachorro quente na calçada; um lugar onde você pode atravessar fora da faixa de pedestre como em qualquer outro lugar do mundo (exceto Curitiba). O calor move a cidade, todo mundo parece estar na rua o que deixa a cidade com um aspecto feliz. Ás vezes o calor irrita, irrita saber que todos os filmes em cartaz são dublados, que os restaurantes fecham cedo e que se você não estiver de bom humor com certeza será mal atendido. O imprevisto nasce da entropia gerada pelo calor, calor continental. As características das pessoas se agigantam no calor, e o bonito se torna mais bonito, o feio mais feio e o calor acaba deixando a cidade sexy. Acho que “Corpos Ardentes” poderia ter sido filmado em Maringá. Quando amanheci na cidade lembrei do filme.

Voltei para São Paulo achando que esses dois Paranás não poderiam coexistir, mas talvez a diferença seja a graça de tudo, são diferenças complementares. É um pouco esquizofrênico mas encontrei-me em ambas!

segunda-feira, julho 13, 2009

Feriado em Curitiba

Morria de vontade de conhecer Curitiba. Talvez isso influenciou o tanto que eu gostei de lá. Vim embora com uma sensação que poderia morar e ser feliz em Curitiba.

Cidade sem afetações, sóbria, séria, fria. Como deve ser bom viver numa cidade onde os carros dão seta para virar! E como é fácil andar por Curitiba. Estive lá em dias de chuva, mas deve ser ótimo ir aos parques, ir pra rua.

Conheci um dos bares que entrou na minha lista dos 5 mais, Stuart bar, em pleno centro, um bar antigo, com chopp bom! E você vai andando pelo centro da cidade e se sente bem, mesmo sem ter polícia por perto (não sei a cor do uniforme da Polícia do Paraná, não vi um policial sequer!).

Ok, o Museu do Niemayer é um paradigma. Quando um museu ofusca o que está dentro dele, boa coisa não é. Mas no fim, a inserção radical de um olho de vidro suavizada por curvas deixa tudo mais normal, dá a sobriedade que Brasília não tem e que duvido que Niterói tenha. Deixa a coisa com uma cara de Curitiba!

Uma observação étnica

Beto Richa deveria declarar Glória Perez persona non grata na cidade, caso contrário teremos uma novela sobre ucranianos e esse povo tão simpático, tão alegre, tão trabalhador, não merece este castigo. Cheguei em Curitiba no auge do 48º Festival Folclórico e de Etnias do Paraná. Somente um Estado bem resolvido pode chegar a um festival destes! Vi uma apresentação de danças ucranianas e adoraria ser um ucraniano! O Teatro Guaíra estava cheio. Tinha até cambista vendendo ingressos. Na platéia, me senti um ET, a comunidade ucraniana em peso aplaudindo suas tradições em ucraniano. Pena que o restaurante ucraniano era tão caro e esta era uma viagem de poucos gastos!