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terça-feira, maio 18, 2010

Área Livre de Crianças


Pode parecer meio intolerante pensar em ambientes livre de crianças, mas eu realmente acho um absurdo que uma pessoa que não gosta de crianças, que não terá filhos, seja obrigado a conviver com crianças. Assim como o não-fumante tem o direito de não ser incomodado pela fumaça do fumante, porque alguém que não gosta de criança tem que agüentar choro, manha, grito, falta de educação de uma criança?

A idéia de uma área livre de crianças não é uma restrição às crianças, é simplesmente fazer valer o direito de quem não ser incomodado por elas. Por exemplo. No caso de viagens de ônibus e aviões, pelo menos um horário é livre de crianças. Os pais podem viajar em todos os outros. Quem não quer viajar com crianças, se não quiser esse contato, limitar-se-á ao horário “livre de crianças”. A mesma coisa com cinemas, teatros, passeios turísticos.

Poria aqui a idéia de uma missa sem crianças; embora o reino dos céus seja para aqueles que como na parábola são como elas, é praticamente impossível transcender com choro e manha. Mas como a Igreja é um lugar de tolerâncias, não faz sentido esta regra. Exatamente por isso que adoro Santa Cecília, porque talvez eu seja a pessoa mais nova ali!

Na verdade, sempre penso nesta coisa de uma área livre de crianças quando viajo. Eu nem acho tão absurdo as atitudes das crianças, mas sim a dos pais, que acham que as outras pessoas têm que entender o show de seus filhos simplesmente porque são crianças. Não, as pessoas não têm que aturar nada, senhores pais, vocês sim têm que educar seus filhos a viver em sociedade. Afinal, a escolha de ter filhos foi dos senhores, não minha, a minha foi exatamente contrária a isso!

Eu realmente acho que é uma coisa a ser pensada. Tenho certeza que se a ANTT ou ANAC permitissem viagens livres de crianças, essas viagens seriam as mais rentáveis. A mesma coisa se um prédio decidisse em condomínio que não fosse permitido crianças.

Quero só deixar claro que não sou nenhum psicopata ou assassino de crianças. Tenho meu sobrinho, ganharei uma sobrinha, gosto de brincar com eles, me emociono quando ele me chama de Tio Renato, acho legal quando um casal decide ter filhos. O que eu não quero é ter meu direito ao silêncio, meu direito ao sono numa viagem ou a prestar atenção num passeio turístico negado porque um pai sem noção de civilidade não consegue controlar seu filho!

É isso, quem sabe um dia essa idéia cresce! Oxalá!

sexta-feira, janeiro 22, 2010

O terçol e a modernidade

Estou terminando meu primeiro Giddens e fiquei admirado com a questão da confiança como um elemento chave da modernidade. Afinal, há tantos sistemas peritos cujo funcionamento não sabemos e que cremos como se fosse uma coisa divina, embora saibamos que seja ciência. Considerando ainda que sem esta crença ou confiança nestes sistemas não podemos viver a modernidade, afinal, ninguém quer saber como funciona toda a rede de instituições e pessoas que o simples uso do bilhete único, do cartão de crédito ou do celular envolve.

O único problema é que todos esses sistemas altamente especializados esbarram numa porta que, deveria segundo o Giddens, fazer com que nossa confiança nesses sistemas fosse construída. Assim a certeza de que o piloto de avião ou o corretor da bolsa sabem muito bem o que fazem nos daria confiança no avião e no mercado de ações.

Mas o que fazemos com um médico que ao ver um terçol simplesmente diz: isso é assim mesmo? Oras, ao fazer isso, esse médico insensato colocou em xeque toda a confiança que eu poderia ter na medicina. Pois bem, desde abril do ano passado já tive um bom número de terçois, sendo que alguns deixaram cicatrizes nas minhas pálpebras. Já fui algumas vezes ao pronto-socorro oftalmológico e já fui a um oftalmologista e a resposta foi sempre que isso é assim mesmo. Mas como pode ser assim mesmo??

Pois bem, tentando manter a confiança, saí da Vila Madalena e fui até a Mooca para ver um médico. Três linhas de metrô e uma de ônibus depois, com toda a confiança do mundo no funcionamento do bilhete único; cheguei ao especialista, minha porta de entrada num sistema perito e a resposta foi, tenta uma compressa, isso é assim mesmo...
É mais fácil confiar na previsão do tempo!

terça-feira, janeiro 12, 2010

Foi o Dilúvio!

Quando se fala que houve uma catástrofe natural, naturalmente se naturaliza a catástrofe, esquecem-se as causas e todos se compadecem nas conseqüências, como se fosse a coisa mais natural, uma sina, a catástrofe natural. No entanto, não foi Deus que fez a cheia do Rio Paraitinga e puniu São Luiz pelo carnaval famoso da cidade. Talvez se perguntássemos ao índio que deu o nome de Paraitinga ao rio ou ao português que pôs São Luiz na garganta dele, ambos confirmariam que o rio enche. A única vez que fui a São Luiz do Paraitinga, no estio, vi uma rua inundada e marcas nas casas da inundação anterior, de tal forma que cheia não é uma ato divino e sim algo recorrente.

O que quero dizer é que ao invés da comoção, das promessas de reconstrução, da comunhão entristecida da vanguarda preocupada com a reconstrução do monumento histórico e do carnaval folclórico, não houve um jornal que se propôs a investigar a causa da tragédia. Foi a chuva, oras. Mas chuva, embora aleatória, não é um fenômeno desconhecido e o que não se conhece da chuva, se mede, se faz estatística e estudar chuva é uma ciência; prever enchentes, não quando, mas como, é o que faz os hidrólogos e que deveria fazer um comitê de bacias, ainda mais de uma bacia, como a do Rio Paraíba do Sul que tem praticamente todo seu potencial hidrelétrico explorado e o comitê de bacia mais bem estabelecido do país.

No mínimo se deveria fazer um inquérito e chamar o presidente do comitê de bacia e o chefe do DAEE para explicar como uma curva de remanso de uma hidrelétrica pode inundar uma cidade e chamar o chefe da Defesa Civil para explicar como numa cidade acostumada com cheias não houve nenhum alerta.

Estas tragédias de começo de ano são tão previsíveis que até dá preguiça em comentar. O problema é que o foco é sempre na solidariedade do povo comovido e na autoridade que viajou. Deste mal já padeceram tucanos como Eduardo Azeredo e petistas como a Marta Suplicy, padeceu este ano Sérgio Cabral e se eu fosse governador ou prefeito nunca tiraria férias no ano novo. No entanto, ninguém se pergunta do porquê das tragédias e fica tudo como se fosse uma tragédia que aconteceu para unir o povo, este ente que sem a participação das autoridades é capaz de se ajudar, já que somos brasileiros, povo bom que se une na adversidade, que não desiste nunca. Balela.