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terça-feira, novembro 02, 2010

Como se vive sem Smartphone?

Eu não sei como se pode viver sem um smartphone. A necessidade é mãe de virtudes, estive num ambiente totalmente isolado, há meses estou numa empresa de internet restrita, eis que como um raio surgiu uma vontade incontrolável de voltar ao mundo e acabei comprando um smartphone que foi minha salvação e será minha ruína.

Claro, que não conhecendo lhufas de nada de tecnologia acabei comprando um plano onde a navegação é cara, mas é um prazer tão bom que o caro é compensado. Caí num mundo de Android, tomei uma decisão pró-Google, sem saber se devia, somente na confiança da marca e de que eles são uns caras legais contra a Apple que me parecia do mal (embora mais charmosa). Entre a decisão e a digitação da senha do cartão foram dois dias de profundos pensamentos e acabei com um novo brinquedo.

O problema de chegar aos trinta é que nossos brinquedos se tornam caros demais, mas igual aos brinquedos das crianças, além do próprio prazer intrínseco ao brinquedo, a gente se torna igual entre nossos pares. Eu que não ando de carro, agora já posso dar informação sobre trânsito!

sábado, abril 10, 2010

Mr. America – Andy Warhol

Adorei a exposição do Andy Warhol na Estação Pinacoteca. Talvez ele tenha compreendido o espírito do capitalismo de uma maneira crítica, mas não hipócrita. Ao definir-se como americano por excelência, trouxe para si toda sua cultura, cultura real. Acabou levando o popular para a vanguarda. Quando igualou os ícones de Marilyn com a foice e o martelo, mostrou a massificação dos dois lados daquele mundo bipolar que viveu.

No entanto, o que mais gostei foram as cores, as oportunidades de representação, as experimentações e brincadeiras com coisas sérias. Representou todo o fascínio de Kennedy, criticou Nixon de uma maneira engraçada; seria interessante fazer um paralelo dele com Reagan, as poucas imagens de Reagan já permitiria esse caminho, afinal, Reagan foi um Warhol da política. (ok, tenho um fascínio por Reagan, confesso e não nego).

O mais marcante, porém, foi um vídeo chamado Boquete (Blow Job). È impossível assistir inteiro porque são mais de 40 minutos de repetição. A câmera fica parada no rosto de um cara que se presume está recebendo o boquete. No começo, a sensação de prazer é muito incômoda, tanto que passei pela sala e rapidamente saí. Fiquei olhando depois as outras pessoas e vi que a maioria fazia o mesmo. Mas, depois que você passa pela sala, vai até o fim da exposição, fica a vontade de rever a cena. Entrando na sala pela segunda vez, mesmo que o filme esteja no mesmo ponto que você viu quando passou pela primeira vez, o prazer do homem não é mais um incômodo, vira uma curiosidade em ver, e é incrível como o prazer tem horas que se parece com a dor, e como a câmera é fixa no rosto do cara, você fica vendo expressões gravadas que nos remetem tanto ao prazer e a dor e acaba imaginando seu rosto nisso. No fim, a cena fica meio hipnotizante, passei pela sala um monte de vezes. Não é pornografia, já que não é prazeroso ver o prazer daquele cara, sei lá o que é!

Como boa pop art, no fim, tive vontade de comprar alguma coisa, o catálogo era muito caro e desisti, comprei dois lápis, pus no meu estojo, e comprei algo que lembra o Andy Warhol. Ainda volto lá antes do fim da exposição.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

O terçol e a modernidade

Estou terminando meu primeiro Giddens e fiquei admirado com a questão da confiança como um elemento chave da modernidade. Afinal, há tantos sistemas peritos cujo funcionamento não sabemos e que cremos como se fosse uma coisa divina, embora saibamos que seja ciência. Considerando ainda que sem esta crença ou confiança nestes sistemas não podemos viver a modernidade, afinal, ninguém quer saber como funciona toda a rede de instituições e pessoas que o simples uso do bilhete único, do cartão de crédito ou do celular envolve.

O único problema é que todos esses sistemas altamente especializados esbarram numa porta que, deveria segundo o Giddens, fazer com que nossa confiança nesses sistemas fosse construída. Assim a certeza de que o piloto de avião ou o corretor da bolsa sabem muito bem o que fazem nos daria confiança no avião e no mercado de ações.

Mas o que fazemos com um médico que ao ver um terçol simplesmente diz: isso é assim mesmo? Oras, ao fazer isso, esse médico insensato colocou em xeque toda a confiança que eu poderia ter na medicina. Pois bem, desde abril do ano passado já tive um bom número de terçois, sendo que alguns deixaram cicatrizes nas minhas pálpebras. Já fui algumas vezes ao pronto-socorro oftalmológico e já fui a um oftalmologista e a resposta foi sempre que isso é assim mesmo. Mas como pode ser assim mesmo??

Pois bem, tentando manter a confiança, saí da Vila Madalena e fui até a Mooca para ver um médico. Três linhas de metrô e uma de ônibus depois, com toda a confiança do mundo no funcionamento do bilhete único; cheguei ao especialista, minha porta de entrada num sistema perito e a resposta foi, tenta uma compressa, isso é assim mesmo...
É mais fácil confiar na previsão do tempo!