sábado, junho 23, 2007

Corpos Ardentes

¡Qué Calor!




Mas afinal, o que é um bom filme? Essa questão pode provocar confusão, afinal, classificar um filme como bom mexe com algumas convicções muito individuais.

Acabei de assistir um filme que eu adorei: Corpos Ardentes (Body Heat). É incrível o papel que o calor tem neste filme, talvez o calor seja um personagem maior que o William Hurt. Achei as cenas tão sufocantes que parecia que o mormaço do filme se transferiu para a sala e antes de chegar nos 40 minutos eu já tinha abandonado o edredon. Os primeiros 40 minutos do filme são vermelhos e amarelos, mas não é um vermelho Almodóvar, é um vermelho calor, calor de Jacareí praticamente.

Mas o engraçado de tudo é que o calor mexe realmente com a gente, o calor é sexy, intenso e eu acho que as reações seguem este mesmo ritmo. Há uma cena no início que o policial fala que o calor deixa as pessoas irritadas, que elas acordam suadas, e que elas se sentem desafiadas a romper a lei.

Após o crime o calor relaxa, até as noites dos filmes se tornam mais frescas e talvez a serenidade volte para os personagens também.

Fazia tempo que não via um filme tão sexy. A cena em que o William Hurt conhece a Katleen Turner é fantástica. Uma coisa bonita de ver, no limiar da baixaria. Adoro essas situações limites, e o filme todo é de situações limites, impulsionadas pelo calor.

Acabou o filme, desliguei a tevê e bebi um copo d’água. Que calor! William Hurt ganhou um fã. A meta agora é assistir O Beijo da Mulher Aranha que deu a ele um Oscar.

Amanhã estou indo para Campinas, vou passar o dia lá. Vou dormir torcendo para que dê 40 graus na sombra! Estou querendo intensidade! Não que não tenha encontrado no frio, mas que o calor dá um je ne sais quois, se dá!



segunda-feira, junho 18, 2007

Marta, Maria, Sabrina e um Sábado Fantástico



É contraditório, eu sei, mas se não fosse não seria Eu. No entanto uma lembrança inconsciente deste final semana foi a respeito do evangelho Marta Maria, que foi um episódio meio marcante na minha segunda volta à Igreja. O evangelho é praticamente sobre a dualidade entre a prática e a contemplação na vida de igreja. Na passagem Jesus entra na casa de Marta e esta se põe a servi-lo enquanto sua irmã, Maria, se põe a ouvi-lo. Num dado momento Marta pede a Jesus que mande Maria ajudá-la, mas ele responde: “Marta, Marta, andas preocupada e aflita com tantas coisas quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor e esta não lhe será tirada”.

Na verdade o que quer dizer o evangelho é que uma ação sem orientação não é válida. A ação de Marta seria posta a perder se não tivesse a contemplação e a orientação do evangelho que era representada por Maria.

Tudo isso para dizer que no sábado tive um momento Maria (ou será um momento Sabrina??). Fui para Campinas, passei um dia ótimo e este dia teve um sentido. Com certeza não foi um sentido evangélico, mas como Maria soube fazer uma contemplação do dia, tanto que até melhorei. Depois de 3 dias de convalescença. Foi ótimo andar um pouco no sol, sentir calor, tomar café (infelizmente estou tomando tantos remédios que não pude tomar nenhum drink), fazer algumas compras, ir ao cinema. Dia perfeito.

Cheguei hoje para trabalhar com um espírito Marta. Mas o tal mandante 50 não está disponível para login, de tal forma que faltou na equipe do projeto um momento Maria.


Dry Martini

Acabei procurando receitas de dry martini na internet para estreiar meus copinhos novos! Na verdade fiquei com vontade de comemorar o aniversário do Mauricio com Dry Martinis. É uma hipótese, não a descarto. Fiquei feliz com meu cartão de crédito este mês. Será que aprendi a domesticá-lo?

sexta-feira, junho 15, 2007

Reagan, Reaganomics e os mais espertos da sala


Os mais espertos da sala

Acabei de ver um documentário muito interessante sobre as fraudes que levaram a falência da Enron.

A questão da ideologia é realmente interessante. A cultura do mercado como regulador, de que a ação orientada a interesses é predominante e comum a todos, pode trazer certa nebulosidade sobre o ético e o justo. Afinal, a questão do mercado como uma arena onde todos se orientam de maneira semelhante e onde todos têm o mesmo direito e o mesmo acesso é realmente estimulante e vai realmente de encontro com a nossa noção de liberdade e individualidade. E sendo a regra do mercado você agir de acordo com seu interesse, não é justo você fazê-lo?

O liberalismo econômico é fantástico porque ela devolve para o cidadão o controle da sua vida, e essa sensação de progresso é fantástico! É a mesma sensação de quem tira uma carta e pode dirigir. Com o mercado você pode pôr suas regras e ganhar. É difícil tirar essa ilusão de uma pessoa.

Depois que vi o filme, fiquei com a impressão que muitas das pessoas envolvidas talvez não tenham nenhum sentimento de culpa porque se sentem injustiçadas, uma vez que acreditaram naquele mundo da fantasia e viveram de acordo com as regras que o acompanhava.

E se o importante era valorizar as ações da empresa, nada como ser inteligente, e conseguir ganhar dinheiro onde a lei não impedia (que pode não ser ético, mas é justo), e quando a lei impedia, poderia criar uma ilusão contábil até a lei permitir, ou até conseguir recuperar-se.


Reagan

No colegial apresentei um trabalho de Geografia sobre neoliberalismo e fiquei maravilhado com a figura de Ronald Reagan. Acho que a grande sacada de quem estuda ciências exatas é a concepção que a natureza é simples. E os pensamentos de Reagan eram simples. O Estado e o excesso de regras deformam a principal regra do mercado que é a livre competição. Apoiado numa crença em valores individuais, onde o coletivo é desconstruído em prol da figura do indivíduo, com livre-arbítrio. É muito mais fácil você se motivar com a idéia de que você pode prosperar dependendo exclusivamente de você, do que você é um ser envolvido dentro de um histórico de acontecimentos e que está socialmente determinado.

A idéia é tão cativante, que mesmo dez anos depois de ter contato com Reagan, no final do ano passado, li um livro, Freakonomics, onde tudo poderia ser explicado pelo incentivo, pela lei da compra e venda, da oferta e da procura.

Homo economicus o caralho.

Discutindo recentemente durante o almoço sobre vantagens e desvantagens de ser CLT, cheguei a conclusões horríveis sobre minha participação no mercado de trabalho. Não sou realmente um homo economicus, minhas escolhas geralmente apontam para o menor rendimento possível, talvez até por falta de uma educação econômica. No entanto, mesmo sabendo que poderia ganhar muito mais grana aplicando meu FGTS por aí, ou aplicando o dinheiro que o INSS me retém na fonte; prefiro deixar essa minha consciência na mão do governo. Afinal a tentação das compras é grande e é bem provável que eu me torne um velhinho indigente se esse mercado se regule. Não confio na minha habilidade de gerir fundos! Nem mundos!

A foto

Achei-a paradigmática

Convalescença

Estou de molho devido a uma gripe, que poderia resultar numa sinusite, que me obriga a tomar 6 remédios diários que me dão um sono do cão e que me fez perder a voz! Mas tudo bem!

quinta-feira, junho 14, 2007

Não se reprima!

Que isso? Inconsciente!

Dirigindo hoje surgiu, das profundezas do meu inconsciente a musiquinha dos Menudos.

Não se reprima

Canta, dança, sem parar
Sobe, desce, como quiser
Sonha, vive, como eu
Pula, grita, ô ô ô ô ô ô...

Não segure muito teus instintos
Porque isso não é natural
Sai do sério, fala Alto, dá um grito forte,
Quando queira evitar
É saudável, relaxante, recupera
E faz bem a cabeça
Por isso
canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô

Vá em frente, entra numa boa
Porque a vida é uma festa
Não console, não domine, não modere
Tudo isso faz muito mal
Deixe que a mente se relaxe
Faça o que mandar o coração
Por isso
canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

Não se reprima
Não se reprima
Pode gritar

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

Dança, canta, sobe, desce, vive, corre e pula como eu!

Canta, dança, sem parar
Sobe, desce, como quiser
Sonha, vive, como eu
Pula, grita, ô ô ô ô

Chega de fugir, de se esconder
E de deixar a vida pra depois
Não persiste mais, se o mundo quer,
O tempo corre, nada vai te esperar
Entra de cabeça nos seus sonhos
Só assim você vai ser feliz
Por isso canta, dança, grita, ô ô ô ô ô ô

REFRÃO

quarta-feira, junho 06, 2007

São José dos Campos

Ócio e Estatística

Aproveitando um momento de total ócio no meu trabalho, resolvi pesquisar se algumas impressões que tinha de São José dos Campos eram verdadeiras. Não pode ser levado ao pé da letra, escolhi cidades de maneira aleatória de forma a traçar um panorama de cidades grandes do interior. Algumas das cidades que julgava grande, não eram tão grandes assim. Mas vale o registro.

Pesquisei as seguintes cidades:

Bauru
Campinas
Jundiaí
Ribeirão Preto
São Carlos
São José dos Campos
São José do Rio Preto
Sorocaba
Taubaté

Algumas coisas interessantes:

São José dos Campos é uma cidade espalhada

Essa sensação é o primeiro impacto para uma pessoa que vem de fora e conhece São José dos Campos. A concentração de prédios está restrita a alguns lugares e a maioria dos prédios é nova. Além disso, são comuns áreas totalmente desabitadas no meio da cidade, em plena Avenida Cassiano Ricardo, você pode encontrar vacas!

São José dos Campos apresenta uma densidade de 519,2 hab/km2, contra uma densidade de 769,27 hab/km2 de Jundiaí ou 1161,10 hab/km2 em Campinas. Além disso, somente 12% dos domicílios joseenses são apartamentos. Jundiaí que é uma cidade menor apresenta 14% e Campinas, 21%.

São José dos Campos é uma cidade rica

Como cidadão, vejo o quanto os preços aqui são maiores que na minha terra. Talvez uma das causas seja que São José dos Campos é uma cidade rica, o PIB per capita aqui chega a R$ 30.014,11, enquanto Campinas, que sempre achei que fosse uma cidade rica tem um PIB per capita de R$ 14.262,06 para Campinas. Impressionou-me que Jundiaí tenha um PIB per capita de R$ 20.131,21.

Tenho a impressão de uma cidade menos desigual que Campinas, mas não achei um índice para medir isso, talvez o IDH (ano 2000), neste quesito São José dos Campos está em 11º lugar no Estado, atrás de Campinas e Jundiaí, mas a frente das outras.

São José dos Campos não tem um grande número de automóveis

Talvez pelo número de avenidas expressas, São José passa a impressão de uma população mais motorizada do que de outras cidades que conheci, ainda mais com a expansão dos condomínios, a existência de Miamis perdidas na cidade. No entanto, o índice de habitantes em relação ao número de automóveis aqui é de 3,80, o maior (só perdendo para Taubaté) das cidades analisadas.

Há muitos homens em São José dos Campos

Engraçado, das cidades analisadas, São José dos Campos apresenta o maior número de homens para um grupo de 100 mulheres: 97,49. O maior para as cidades analisadas. Em todas estas cidades há mais mulheres que homens, mas em São José dos Campos este índice é mais igualitário. Destaque para Ribeirão Preto, com 92,99.

Fiquei tão curioso que analisei para este item todas as cidades do Estado. A cidade com a menor proporção é Santos: 85,74. A com maior é uma cidade de Álvaro de Carvalho, com 145,74.

Nenhuma cidade com mais de 100 homens para cada 100 mulheres é uma cidade grande.

Já são cinco horas! Hora de ir embora!

A propósito, a foto acima é uma vista da cidade de São José dos Campos

terça-feira, junho 05, 2007

Erundina Sim!


Um governo democrático e popular


Acho que uma das coisas que mais me entusiasmou de criança foi a eleição para a Prefeitura de São Paulo em 1988. É engraçado; uma das imagens mais antigas que eu tenho na minha memória foi a eleição de Quércia em 1986. A eleição da Erundina já foi num momento de maior consciência.

Hoje, por acaso, acabei descobrindo uma entrevista da Erundina de 1990, completando 1 ano e meio da sua posse. Achei incrível como alguns assuntos são tão atuais e ao mesmo tempo, olhando sob a ótica com que acompanhamos política hoje, são tão radicais.

Cabe lembrar, que o governo Erundina e de outros petistas da mesma época, como Jacó Bittar em Campinas, sempre foi contestado pelo próprio partido como governos que se renderam ao capital. No entanto, não encontramos durante a gestão da Marta Suplicy, ou da Izalene Tiene em Campinas, propostas tão revolucionárias, e tão cativantes como às expostas pela Erundina nesta entrevista.

É incrível a percepção da dimensão do poder local, e como este pode ser articulado numa frente popular. Estimulam-se ali novas formas de participação popular, e com ela se pretende resolver os problemas que a cidade apresenta. Uma coisa também presente e que nós desconhecemos hoje, é um sentido de governo. Dá uma impressão que o governo sabia para onde estava andando.

E a partir daí pode se notar a estatização do transporte público, uma resposta do poder local frente a uma política nacional recessiva e conservadora, o restabelecimento dos canais de conversação com a sociedade.

Acho que esta entrevista me deu uma nova noção do poder local. Ele sim é base de grandes transformações, uma vez que o poder público interfere muito mais na nossa vida cotidiana, que a política nacional.

Sinto-me hoje um personagem apolítico na vida da minha cidade. Não usufruo de nenhum serviço público, minha noção de que o governo vai bem ou não se resume ao estado de conservação das ruas em que transito. Daí a necessidade de uma forma mais radical de governo, trazendo todos para a esfera pública.

Abaixo o link da entrevista:

http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=642

A revista é ligada ao PT, e por isso se torna ainda mais paradigmática esta entrevista. Existe também uma entrevista interessante de Jacó Bittar (praticamente expulso do PT durante sua gestão na prefeitura de Campinas) e de Florestan Fernandes.

sexta-feira, junho 01, 2007

Viernes a la noche

Friday night in the Paradise

Minha casa. Banho tomado, casa limpa, Nina Simone, divã Le Corbusier, bebidinhas. Esperar. Chegar. Sair. Drinks, cigarrinhos, comidinhas, pessoas bonitas, conversa animada, Heart of Glass. Beijo no elevador, cama queen size, lençol de algodão, banho demorado e acompanhado; todo o fim-de-semana pela frente.

Friday night in the Reality

Minha casa. Banho tomado, casa suja, roupa para lavar, Ella Fitzgerald, barulho da máquina. Esperar. Chegar, Ligar o computador, orkut, conversas, gente bonita, conversa animada, Heart of Glass. Beijo, boa noite, saudades. Cama estreita, lençóis sintéticos, Bebê de Rosemary na cama, medo de dormir, acordar e trocar o livro na biblioteca para mais um fim-de-semana.

Coucher

Lavar o rosto

Escovação
Fio dental
Gargarejo

Pegar o algodão
Passar a loção

Espremer
Espalhar

Movimento circulares
Hidratação rápida

Dormir

Lever

Lavar o rosto

Escovação
Fio dental
Gargarejo

Passar o algodão
Passar a loção

Espremer
Espalhar
Movimentos circulares
Hidratação rápida

Trabalhar

terça-feira, maio 29, 2007

Música e Divã

Algumas músicas para mim são a própria representação de um estado de espírito. É incrível como eu me ligo em umas músicas que ninguém ouve!

Felizmente, como agora divido meu carro com outros seres não tão nostálgicos como eu, pus um ponto final na fase Charles Aznavour, pelo menos enquanto durar o projeto SAP. O primeiro sintoma deste acontecimento foi a repentina melhora no meu humor matinal. Já posso rir antes das 10 horas, momentos antes em que eu sempre me lembrava de Hier Encore, e ficava imaginando o tempo perdido que era estar sentado ali.

Na mesma linha foi-se Laura Pausini, que era o outro lado dos dias Charles Aznavour. Geralmente gostava de ouvir Laura Pausini na volta. E realmente as lamentações dela faziam com que eu esquecesse as poucas coisas boas do dia.

No entanto a vida passou, mudei de área, de ares, e realmente ainda não sei se gostar destas músicas era causa ou conseqüência da minha sabrinice (atitudes inspiradas em Sabrina, aquelas, da Júlia e da Bianca). Eu acho que é tanto causa como conseqüência. Afinal, um sofrimento à la Aznavour é revigorante; e uma paixonite à la Laura Pausini é um objetivo.

Ainda acho um mistério o que me atrai neste tipo de música!

Escuto agora somente rádio pela manhã, e à tarde, quase sempre, esqueço de ligar o rádio, somente músicas comerciais, poperô da rádio pop daqui. Não tenho tanta emoção quanto antes, mas acho que ando descomplicando um pouco minha vida.

A propósito, estou postando ao som de músicas italianas dos anos 60. Mais precisamente ao som de Sapore di Sale, que é uma música fantástica, bonitinha, de um mundinho perfeito. Sem pretensão alguma.

Uma vez me disseram que eu me preocupo demais, acho que agora tenho as condições materiais para me preocupar menos. Incrível, ta andando tudo certo. Até já posso até me imaginar numa lambreta ao som de Al di lá, ou numa praia ao som de Sapore di Sale!

10 musiquinhas italianas!

1. Il mondo – Jimmy Fontana
2. Sapore di Sale – Gino Paoli
3. Cuore Matto – Little Tony
4. Il Cuore – Rita Pavone
5. Quando m’innamoro – Gigliola Cinquetti
6. Guarda come dondolo – Edoardo Vianello
7. Al di la – Etta Scolo
8. Nel blu dipinto di blu – Domenico Mondugno
9. O Mio Signore – Edoardo Vianello
10. Datemi un martelo – Rita Pavone

Acho que estou num bom estado de espírito hoje!


segunda-feira, maio 28, 2007

Heart of Glass

Heart of Glass

Faz um frio absurdo em São José dos Campos. Tive a brilhante idéia de tomar um café com um amigo e perdi o sono! Para ajudar, por ser domingo, acordei tarde, não fiz nada o dia todo e só me resta escrever um pouco.

Maurice me mandou um vídeo do youtube com uma apresentação de Blondie por esses dias, com uma senhora cantando uma das músicas ícone de uma era. Esta senhora não parece nenhum pouco Debora Harry que cantava esta música no final dos anos 70.

É incrível, conheci esta música assistindo um GNT fashion. Na verdade reconheci a música, afinal ela estava na minha memória de infância. A música é fantástica, revigorante, forneceu a frase que mais uso no MSN e no orkut: “What I find is pleasing and I’m feeling fine”. Esta frase por si só é sinônimo de toda juventude da música.

Como o tempo é implacável! Eu realmente fiquei impressionado com isso. Buscando no youtube um vídeo da época desta música, pude ver um vídeo vibrante, fantástico que estava longe do vídeo enviado por Maurice.

Declarar que “what I find is pleasing and I’m feeling fine” não é tarefa para qualquer um. Embora eu utilize muito esta frase, somente depois de um tempo de terapia que ela passou a ser realidade para mim!

Volto novamente na ladainha que a modernidade foi deixada pra traz, que somos conservadores hoje, blá blá blá blá. Mas será que temos uma música simbólica assim?

Por sorte, o próprio Maurice me apresentou a resposta, e a partir daí eu até acho que a modernidade não está tão abandonada assim. A música é “Las de la intuición” com a Shakira.

Deixo os três vídeos!






quinta-feira, maio 24, 2007

Um tempo novo de mudança vem surgindo


José Serra



O lado mais gaullista do meu ser se agita com o governador José Serra. Não votei nele, votei em Plínio de Arruda Sampaio para governador, no entanto, as suas ações após a eleição e principalmente seu discurso de posse, me fizeram ver um político diferente da imagem que eu tinha dele.

Por que gaullista? Eu realmente acho que o Serra é um tipo de político que pode seguir essa linha do General de Gaulle. É notório que ele varreu o Quercismo deste Estado, quercismo este que assombrou o governo Alckmin. Não é só um conservador, não é um político de direita no estilo do ex-governador Alckmin, dos seus aliados petebistas. Também não é, e nunca vai ser, uma peça chave que possa polarizar com o presidente Lula, mas é um político democrático e obediente a lei (ok, nunca procurei direito o que foi o tal do golpe da V República que de Gaulle produziu, mas a V República é bem mais República que a nossa República)

Há muito tempo atrás (nos tempos que eu lia a Barsa), li que o espectro político da direita se reúne em torno de quatro princípios: autoridade, propriedade, comunidade e hierarquia. Dependendo da ênfase em um destes quatro pilares, você teria uma corrente de pensamento.

Vejo no discurso do Serra os quatro pilares, mas esta autoridade e hierarquia estão de tal maneira inspirada numa ética pública que me causa uma certa comoção. Enquanto a nossa direita tradicional é de um discurso totalmente paternalista e patrimonialista. O discurso serrista atualiza certos valores comunitários, o que o faz um político sui generis. Dentro de um discurso da ordem (ordem não como suporte do status quo e sim como uma situação de não convulsão social); acredito que proponha uma construção democrática e plural do Estado, mantendo um Estado forte, com um papel ético definido.

Segue um trecho do discurso de posse:

“O que pretendo enfatizar aqui é a necessidade de uma prática transformadora na política brasileira, que vá além, muito além, de discursos. Não basta que se reconheça a necessidade do bem. É preciso praticá-lo. Não basta anunciar futuro glorioso para o povo brasileiro. É preciso construí-lo. Não basta que manifestemos reiteradamente nossos votos de uma vida melhor. É preciso mobilizar instrumentos e técnica para que ela seja realidade.

Em termos de poder público, aquela prática exige, antes de mais nada, que o Estado seja controlado por ele próprio, que o aparato governamental funcione como um todo coerente, do ponto de vista moral, da eficiência e dos objetivos perseguidos, que aja em em função do interesse público. Nada mais distante disso do que a banalização do mal na política brasileira, das vorazes tentativas neopatrimonialistas de privatização do Estado, que tanto tem prosperado em nosso país.





Em segundo lugar, é preciso que o Estado seja cada vez mais controlado pela sociedade, que esta possa se defender de seus abusos e nele possa influir alterando o rumos das ações públicas, na perspectiva da contínua democratização. E os governos, eu penso, têm de estar empenhados em contar uma parte da história do futuro, antecipando-se ao erro, cercando suas possibilidades, agindo com planejamento, abrindo o caminho e sinalizando a direção a seguir”.

É um discurso conservador, defendendo um Estado técnico, com a sociedade dando as direções a um Estado tecnicamente capaz de dar este rumo, que assume seu lado comunitário, baseado na hierarquia das instituições, na autoridade do Estado que é submisso a sociedade.

No entanto, se isso é desejável, se torna um convite a burocratização já que nem sempre o técnico (que por ser técnico se torna uma verdade quase absoluta, pelo menos como discurso) é o desejado pela população. Ainda mais um população conflitante, conflitante até na extensão da democracia. Neste instante, um modelo destes talvez seja presa fácil ao populismo-patrimonialismo-patriarcalismo seja ele da direita (focado na ordem), seja ele na esquerda (focado numa fraternidade e igualdade, pseuda ou não).

A sociedade civil não sendo um todo, pode não ser representada nesta democratização do Estado proposta, e o pior, com fraturas cada vez maior pode pôr em risco a governabilidade.

Destaco o texto abaixo, o trecho do discurso do governador a este respeito:

“Temos presente que a governabilidade é tarefa de quem obteve nas urnas o mandato para governar. Não me passa pela cabeça, por exemplo, transferir para a oposição o dever de assegurar a governabilidade do estado que me elegeu. Quem é altivo na derrota não se sujeita. Quem é humilde na vitória não exige sujeição. É assim que se faz uma República”.

Hoje eu vejo que o Estado de Serra está em um impasse que envolve estudantes atrás de uma barricada numa reitoria, que não reconhecem nas urnas uma derrota e são realmente altivos. A humildade das urnas não foi capaz de causar o respeito a todas as ações, e a sociedade reagiu de uma maneira não muito ordenada.

Não questiono a autoridade do governador. Eu até extrapolo e acho que o governador tocou num ponto interessante da autonomia universitária. É uma instituição que consome 10% dos impostos de todo Estado e se autogoverna, sem a interferência dos cidadãos que a bancam. É para o cidadão (não duvido do seu papel), mas não é submetida ao cidadão. A universidade e a população em geral andam em caminhos diferentes com alguns poucos pontos de contato, de tal forma que ninguém vai sair as ruas para defendê-la, nem tampouco para apoiar o governador.

E como se desata este nó? Talvez perdeu-se uma grande possibilidade de democratizar esta questão e envolver todos os cidadãos do Estado. Afinal, é louvável o nível e a autonomia das três universidades públicas paulistas, e a questão da transparência aumentaria ainda mais o seu lado público.

Estou achando interessantíssimo o desenrolar desta história, acho que ela pode abrir um bom debate.

A foto

Esta foto foi o maior erro político que um democrata poderia fazer. Está reproduzida em cartazes nas manifestações dos estudantes e servidores que o acusam de autoritário.

A imprensa

Como a imprensa é anti-greve!


Parágrafos


Os parágrafos desta merda se autogovernam! Não me obedecem!

segunda-feira, maio 21, 2007

Crime de Mestre


Domingo no cinema. Fui assistir a Crime de Mestre. Gostei do filme. História de Tribunal, certo suspense.

No entanto a justiça ali caminha em uma tênue linha moral que é interessante observar. O filme mostra um assassino que conhecendo a lei, planeja o crime perfeito. Embora existisse a consciência do crime, e até a confissão do criminoso, não existiam provas para que fosse considerada a culpa.

Essa busca de uma prova incriminadora acaba se tornando urgente frente a possibilidade de liberação do criminoso pela falta de provas. Em um momento, a promotoria se vê envolvida a plantar uma prova de forma a conseguir a condenação do assassino. Devo lembrar que não existe dúvida que o acusado é o assassino, o que não existe é uma prova que permita sua condenação.

O jeito que a história é contada faz com que o público comece a desejar que o promotor ultrapasse a linha da justiça e realmente consiga sua condenação. Aí mora o perigo. É incrível como a platéia fica instigada a querer que a promotoria ultrapasse esta linha e é igualmente incrível como ela fica decepcionada quando o promotor se mantém nesta linha.

A lembrança neste caso é de Menina Má.com, onde uma menina resolve fazer justiça com suas próprias mãos e o filme, e a reação do público a absolve. Supera-se o justo na busca do certo, criando uma lógica muito mais simples que a lógica do direito.

Por sorte (na verdade esse por sorte é uma opinião minha, afinal estava realmente preocupado com o precedente que o filme poderia abrir), o promotor se volta novamente para a justiça como forma de incriminar o culpado. Da mesma forma que o acusado usou o direito para se safar num primeiro instante (e ao mesmo tempo causar uma afronta ao promotor), o promotor usou do direito para pô-lo no banco dos réus.

Maria Antonieta e a ética revolucionária.

Estou a umas 80 páginas da morte de Maria Antonieta, e o filme me fez rever uma posição interessante na biografia. Como a revolução altera alguns aspectos éticos importantes. O fim da deidade do rei que abre espaço a uma política de insultos e o regicídio que não fazia parte da ética anterior.

Será que a presença de tantos filmes onde a justiça é superada frente a uma noção de certo cada vez mais maniqueísta não é um sintoma de uma nova ética que está sendo criada? Afinal superou-se uma política de direitos e deveres para uma simplificação da discussão (vou pôr aqui um momento que talvez seja clave deste movimento, a eleição de Reagan e a queda do muro, que abriu caminho para uma globalização de idéias simplificadas como o mercado).

Depois destes dois filmes, e vendo o apoio cada vez maior da pena capital no país, começo a ficar preocupado com isso.

domingo, maio 20, 2007

O Bebê de Rosemary


O programa deste sábado à noite foi assistir um DVD em casa, e com meus pais! Na verdade meu pai abandonou o projeto antes dos 20 minutos, sobrando somente minha mãe e eu na sala. É engraçado, mas a única vez que fomos ao cinema os três (eu, meu pai e minha mãe) foi para assistir A Profecia, de tal forma que vamos nos especializando em filmes de terror.

Comprei O Bebê de Rosemary numa fúria consumista que tive no sábado passado enquanto passeava pelo centro de São José dos Campos. Lembrava que tinha assistido o filme, mas não lembrava do filme. E não é que eu gostei muito do filme?

Adorei as cenas, pausadas, de uma ambigüidade tremenda entre o sonho e a realidade, durante todo o filme dá pra desconfiar se Rosemary estava mesmo esperando um filho do diabo. As cores, os prédios, as seqüências sem efeitos especiais, tudo isso contribui para um filme interessante. Achei interessante também a posição de Rosemary, uma mulher em vias de emancipação, não é uma mulher moderna, mas também já não é mais uma mulher dos anos 50.

Lembrei-me muito de uma explicação que o Mauricio me deu a respeito de A Bela da Tarde, onde o fato das cenas de sonho estar encadeadas com as cenas de realidade, sem cortes, ou sem introdução a esse espírito, fazia com que a Realidade fosse a grande discussão daquele filme. Não seria o mesmo caso aqui? Embora os fatos do dia a dia vão levando a perceber que o sonho de Rosemary é sim a realidade!

E no entanto, no fim, a maternidade supera o nojo, eu achei fantástico o final. De uma realidade, e de uma fantasia. A maternidade e a vaidade superam o nojo. A maternidade e vaidade superam também um limite ético. Não caberia a mãe matar o diabo?


Gostei do filme, achei um filme bonito, intrigante. Procurando no google sobre o diretor, fiquei com vontade de assistir outros dois filmes dele: Repulsa ao Sexo e O Inquilino. A ver.

segunda-feira, maio 14, 2007

Paroles, paroles, paroles


Mas é só a Economia?

Tenho olhado com interesse o desenrolar do PAC, um olhar de uma perspectiva diferente do que tenho olhado política ultimamente; talvez, pela primeira vez sem resquícios de faculdade, com um olhar de quem trabalha.

Na minha visão de trabalhador, vejo a economia indo bem, obrigado. Nestes dois anos que trabalho, tive dissídios maiores que a inflação do período, que me converte em um trabalhador com aumento real de salário. Ao mesmo tempo, talvez por descuido, talvez por falta de atenção, não tenho visto carestia, aumento de preços, no máximo variações sazonais. Os altos juros me afetam, uma vez que estou numa fase de expansão de crédito, e de dívida. Pago um carro em n parcelas, e isso me custa caro.

Por outro lado, talvez viva na parcela brasileira que tem um crescimento francês, imagino eu que na França as pessoas também tenham reajustes iguais ao meu dissídio e pagam o mesmo nível de impostos como eu. Embora eu não usufrua nenhum serviço público. Sou petit-bourgeois, vou trabalhar de carro, utilizo serviço de saúde privado; contribuo para a previdência pública, mas apostei minhas fichas na previdência privada.

Quando soube que uma parcela da população brasileira vive um crescimento chinês, fiquei feliz em saber que pelo menos meu imposto de renda estava sendo utilizado para promover uma diminuição da desigualdade social. Fiquei mais feliz ainda quando soube que a diferença entre o salário das mulheres e dos homens caiu, assim como a dos negros e dos brancos. A diminuição da desigualdade foi um tema importante para que eu deixasse o homem trabalhar, superei grandes obstáculos ideológicos para votar no Lula nas últimas eleições.

No entanto, existem alguns problemas graves que venho observando. Até que ponto é só a economia que deve reger a política no Brasil.

Mesmo tendo uma “opção pelos pobres”, este governo é um governo de banqueiros e industriários. Governa com olhos para o mercado financeiro, faz agrados getulistas ao patronato, operários, servidores e uma grande classe amorfa de dependentes das bolsas que o Estado mãe oferece.

Ao mesmo tempo que possui um discurso progressista, estamos vendo uma asfixia da sociedade civil. Sindicatos, partidos de oposição, Igreja, igrejas, estão todos num balaio que sustentam o governo, seja por apoio direto ou chapa-branca.

Não sei qual é o caminho pelo qual seguiremos, mas acredito que muito do discurso progressista vai fazer com que a sociedade retome seu papel. Essa população chinesa precisará de serviços, sentirá o impacto e vai querer viver como a população francesa.

(A analogia está péssima, mas acho que é fato que uma parte da população brasileira está auferindo ganhos que nunca teve, enquanto uma outra parte vive estagnada)

Neste momento, acredito que caminharemos para um momento surpreendente da sociedade brasileira, que pode ser um momento de afirmação de valores democráticos. Não será possível abdicar de uma discussão profunda sobre a questão ambiental, sobre a afirmação de direitos humanos, sobre a expansão de direitos civis (aborto, casamento gay, estado laico) e aí sim sobre até onde a economia regulará o direcionamento da sociedade (que faremos com a aposentadoria? Que faremos com quem está na informalidade?).

Quando pensei no argumento deste texto, me pareceu claro, que poderia caber a classe média, a classe francesa, a vanguarda deste movimento, que poderia levar esta nova massa que está sendo beneficiada pela redução da desigualdade a uma experiência mais radical de liberdades. Talvez essa classe média espremida financeiramente, mas filha das experiências libertárias do início da nova república pudesse ser a guia de uma nova guinada de liberdades no Brasil.

Talvez a lembrança do Marx como esta classe média é a traidora da história me deixou um pouco pessimista, talvez por lembrar a comoção dos meus pares pela visita do Papa, ou pelos votos no Clodovil, pelo Alckmin, pelo discurso religioso-obscurantista cada vez mais presente na tevê.

Mas que seria interessante, seria.

Selvagem?

A polícia apresenta suas armas:
Escudos transparentes, cassetetes, capacetes reluzentes,
E a determinação e manter tudo em seu lugar.

O governo apresenta suas armas:
Discurso reticente, novidades inconsistentes
E a liberdade cai por terra aos pés de um filme de Godard.

A cidade apresenta suas armas:
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê o grande monstro se criar.

Os negros apresentam suas armas:
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem quem ta cansado de apanhar.

Crepúsculo do Macho

Já até estou vendo a cara do Maurício quando ler o que eu vou escrever aqui. Mas acho que uma das experiências mais libertárias que tive foi ler “Crepúsculo do Macho” do Gabeira. Foi um pouco antes da descoberta dos interesses difusos!

domingo, maio 13, 2007

Tulipas


Tulipas

Hoje, dia das mães, presenteei a minha com uma flor tão linda, que resolvi que quando tiver uma casa mais estruturada, terei tulipas!

Encruzilhada

Meu trabalho está me encaminhando para uma encruzilhada. Ao mesmo tempo que eu vivo para o meu salário e dele tiro todas as coisas boas da vida (para as que não depende diretamente dele, preciso dele para me levar até elas). Não consigo me imaginar nesta função por muito tempo mais. O pior é que a hipótese de uma promoção me deixa mais angustiado. Acho que a função da minha chefe é mais estressante ainda!

Infelizmente, nenhum de meus hobbies ou interesses podem me levar a uma outra carreira, ando com uma sensação de tempo perdido.

Clodovil e a Homofobia

Era a coisa mais óbvia do mundo que o candidato a deputado Clodovil não seria um representante da comunidade gay no congresso, mais óbvio ainda que a sua visão de mundo era machista, homofóbica. A coisa se tornou histriônica uma vez que ele era candidato por um Partido Social Cristão (sic!)

Infelizmente, despejou-se um monte de votos nele e eu acho que a comunidade gay também ajudou. Talvez por troça, talvez por descrédito dos políticos, e ele se tornou um dos deputados mais votados do Estado.

Triste que o deputado mais assumidamente gay da história do parlamento esteja sendo acusado justamente de homofobia e machismo!

O Clodovil é a imagem do atraso, da caricatura, e principalmente da desmoralização do parlamento.

Outback

Rompendo um preconceito, fui tomar cerveja e comer a famosa cebola do outback. Juventude dourada campineira por todos os lados; eu acho que até posso ser um deles, se quiser (com um pouco de massa muscular, um carro melhor na garagem, uma garagem e alguns reais na conta).

Adorei o lugar! E a companhia!

Maria Antonieta

Vou voltar à biografia da Maria Antonieta! Caramba, estou viciado em biografias. Será um caminho natural para minha curiosidade alheia??

segunda-feira, maio 07, 2007

Viagens na minha terra

Viagens na minha terra
A minha casa está onde está o meu coração
Ele muda minha casa não

Era uma provocação. Pelo fato de ser do interior, todos na mesa disseram que eu tinha que mudar de cidade muitas vezes, enquanto eles da capital raramente saíam da sua cidade.

Pensando bem, acho que é verdade.

Minha casa está em São José dos Campos, trabalho em Jacareí, pelo meu sangue inglês estou ligado à Caçapava. Às vezes vou a Taubaté.

Quem amo está em Campinas, como eu amo a cidade também, vivo lá. Meus pais estão em Jundiaí, e quase sempre que vou à Campinas passo por lá. Em ocasiões especiais vou à Campo Limpo Paulista ver meus avós.

Neste verão a fuga preferida foi Ubatuba, no inverno com certeza não será Campos do Jordão.

Na capital tenho dois grandes amigos, mas acho que as minhas referências hoje estão mais no interior. No entanto, preciso de uma dose de capital para não me tornar um joseense, pelo menos no espírito.

Para ir a estas cidades eu posso escolher entre o esquecimento ou a descaso. Se escolho o esquecimento vou pela D. Pedro, e olho com curiosidade para Bom Jesus dos Perdões; se escolho o descaso, olho com tristeza para Guarulhos da Dutra.

Mesmo andando tudo isso, eu adoro estas viagens. Não me vejo, hoje, fazendo outra vida! Nem mudando de Estado!

Trilhas viajantes para viagens

R.E.M
Andrés Calamaro
Charles Aznavour
Beck
The Beatles

Sègoléne, les verts et les rouges

Pensei a viagem de volta inteira sobre este tema para um post...

Não estou com saco de desenvolver isso agora

sexta-feira, maio 04, 2007

Tender is the night

Ritz

Ontem a noite resolvi brincar de rico e fui visitar meu amigo internético orkutiano na capital. Acabei num bar (um restaurante?) que achei um charme. Bebidas bonitas, pratos maravilhosos, um ambiente fantástico. Quanta gente bonita!

Foi muito bom sair pra jantar longe daqui, quando a tensão ronda o meu trabalho, minha maior fuga é sair.

Minha vontade quando sentei aqui era fazer descrição realista do lugar, mas sou romântico, lembro sensações, distorço realidades; só consigo me lembrar de um ambiente com tons vermelhos (será a framboesa da caipirinha?), com espelhos, uma luz amarela envolvente, um burburinho, risadas, gente bonita, e eu fiquei realmente feliz ali. Fiquei imaginando que queria estar ali mais vezes, com mais pessoas, com todas as pessoas, com só uma, e muitas vezes.

A brincadeira saiu cara, mas acho que valeu a pena. Volto lá mais vezes

Livre Associação

Enquanto estive no bar, não consegui parar de lembrar de Suave é a noite de F.Scott Fitzgerald. Parecia que estava no livro, não na época, não com os personagens, mas no espírito do livro. As festas, uma gente despretensiosa (existe essa palavra), uma fluidez de conversas, de idéias. Sensação que o mundo está andando rápido (tudo que é sólido se desmancha no ar).

Que essa sensação não desague na segunda guerra como foi o fim da era do Jazz, mas sim numa serenidade, talvez nem tanto autista, como de Dick Diver, o personagem principal do livro.

Trilha sonora

Beck - lembrei muito das músicas que o Hugo gravou para mim.

quarta-feira, maio 02, 2007

Uma casa moderna

Residência Olívio Gomes - Parque da Cidade - São José dos Campos

Aproveitei o domingo de sol e fui levar a visita para conhecer o Parque da Cidade.

Acabei surpreendido. Já tinha visto a residência Olívio Gomes dentro do parque, mas desta vez, talvez por estar com alguém fissurado em design, me detive por mais tempo. Neste instante percebi que aquela residência não é uma residência qualquer. Planos, cores, murais, jardins, rampas, viveiros, venezianas, aberturas, elementos; uma casa conceitual! Impossível não imaginá-la habitada, com seus móveis modernistas, com pessoas modernas. Todo mundo numa varanda olhando um jardim exuberante.

O mais incrível é que quem a construiu, ou melhor, mandou construir, foi um gerente da Tecelagem Parahyba; um simples gerente. Para quem está acostumado com gerentes dentro de bay-windows e telhados recortados, encontrar esta residência foi um achado.

É uma pena que acasa está sendo destruída pelo tempo. Não consegui imaginar uma ocupação para ela sem ser casa (são fantásticos estes modernistas, estavam tão ligados na funcionalidade que a casa não pode ser outra coisa além de casa!). Acho que a cidade deveria restaurá-la, mobiliá-la e fazer dela uma casa-museu. Quem sabe o número de telhados recortados e prédios caixotes diminuem em São José dos Campos?


Residência Olívio Gomes
Parque da Cidade
Arquitetos: Primo Levi e Roberto Cerqueira César
Paisagismo e Murais: Roberto Burle Marx










sexta-feira, abril 27, 2007

Mas tem lugar para estacionar?

Uma onda de intolerância tomou conta de mim!!!

Não existe pergunta que me desperte mais ódio do que "mas tem lugar para estacionar?". Essa pergunta expressa toda a mediocridade que pode existir numa pessoa.

Pensemos desta maneira, se eu te convido para ir a algum lugar; você me questiona se há lugar para estacionar; eu respondo que não. Não ter lugar para estacionar o impede de ir a este lugar?

Se para você a resposta é sim, acredito que o carro lhe dominou! Na verdade o carro é o meio que leva você aos lugares e não o fim em si mesmo. Se eu realmente quiser ir a algum lugar, não será o estacionamento que me impedirá.

Ontem fui conhecer o novo barzinho da juventude dourada joseense, o Eivissa (adorei saber que é Ibiza em uma língua qualquer, me disseram basco, mas aposto que deve ser valenciano, catalão ou outra qualquer). Durante toda a semana, a pergunta que mais escutei foi o famoso "mas tem lugar para estacionar?". Considerando que o lugar fica numa avenida famosa da cidade (Av. Adhemar de Barros), num bairro rico e comercial (Vila Adyana), a pergunta se torna tão tosca que não sei como as pessoas tinham coragem de perguntar! Meu Deus, estacione na rua! Vão a pé, se estão com medo de que lhes roubem o carro! Sem contar que num bar caro como aquele, é impossível não ter serviço de vallet! Enfim, as cocotas e os rapagões deixaram seus carrões no serviço de vallet e puderam se descontrair no bar.

O pé rapado foi a pé! (Sou vizinho, pago pouco e moro bem!)

Enfim, o Eivissa!

Adorei o lugar. Adorei as companhias (contraditório, mas sou eu este ser contraditório!). Bebi um pouco demais. Dancei muito. Acho que é um dos ambientes mais interessantes que conheci em SJC, bem decorado, leve, um quê de sofisticado. Gostei!
Uma cidade industrial

Depois de todo esse stress a respeito do lugar para estacionar, lembrei-me da definição dos joseenses por novo amigo Ricardo. "É um povo cujo maior objetivo é comprar um carro!".

segunda-feira, abril 23, 2007

Segunda-feira INXS


Segunda-feira diferente!

Devido a muitas horas trabalhadas, umas férias não programadas e minha nova função de key-user do SAP, folguei esta segunda.

Sendo assim, segunda-feira de sol; calor bom, temperaturas agradáveis com tendências a esquentar, esfriar, esquentar; restituição do imposto de renda; transformei a segunda num sábado fantástico!



Achei a trilha sonora perfeita para esta segunda: INXS!

Não que houve excessos, mas como a música caiu bem para as coisas que fiz!


INXS - Never Tear Us Apart

Don't ask me
What you know is true
Don't have to tell you
I love your precious heart

I
I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never tear us apart

We could live
For a thousand years
But if I hurt you
I'd make wine from your tears

I told you
That we could fly
'Cause we all have wings
But some of us don't know why

I
I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never ever tear us apart



segunda-feira, abril 16, 2007



Ócio, Tédio, Programa Sílvio Santos e Woody Allen

Uma viagem me fez ficar em São José dos Campos este final de semana.

Espero toda semana pelo final de semana. Pelo ócio, o ócio criativo, o ócio que me faria sentir novamente no mundo dos pensantes, onde leria mais, ouviria mais, escreveria mais, conversaria com outras pessoas as quais não tenho acesso durante a semana. O fim de semana tranqüilo seria a solução para voltar à elite, aos meus amigos, meus anos dourados da faculdade. Poderia ligar para a Luísa, conversar com o Érico, de repente tomar umas margaritas (minha nova paixão). Combinar com meu irmão a viagem a Brasília. Enfim, por a vida em ordem.

Eis que o ócio se torna preguiça, e como conseqüência vem o Tédio!

Como é incrível a inércia que me move! Acabei passando o final de semana inteiro na Internet, ora acompanhando o Thiago enquanto ele trabalhava, ora procurando na Internet o que eu poderia fazer para vencer o tédio. Acabei lavando, passando, esfregando, cozinhando e pensando. Não li, não escrevi, não liguei (por sorte Luísa me ligou) e a vida passou.

O final de semana em que poria minha leitura em dia teve seu ápice no Programa Sílvio Santos, talvez o oposto do que eu julgava ser, a maior prova que o meio está em mim, ou talvez a lembrança ancestral que Jundiaí ainda está em mim. Como vicia, como prende, como dá esperança. Se não fosse Luísa ter me salvo, com certeza estaria atrás do meu carnê do Baú.

Acho que Luísa me salvou tanto, que depois do telefonema, criei coragem, tomei um banho, me barbeei e fui ao cinema, Woody Allen me distraiu até o tão esperado telefonema de domingo à noite, e o fim de semana acabou, já li a Veja e o sono demorado de manhã acabou me trazendo a insônia que me traz ao blog!

Promessa: Não passar mais nenhum fim de semana sem margaritas.

Scoop

Como eu me divirto com o Woody Allen. Ao todo, assisti na minha vida quatro filmes dele: Melinda e Melinda, Match Point, Annie Hall e agora Scoop (na ordem em que eu assisti). Os dois da fase inglesa, um totalmente americano e um na transição.

Como adoro o tema modernidade, acabo classificando tudo e todos na sua visão de modernidade. Acho o Woody Allen extremamente moderno. Mostra pessoas modernas em situações modernas de maneira moderna. Sem o clichê da neurose, ele é nosso lado cosmopolita ao extremo. Em todos me senti representado.

Achei engraçado como uma das coisas mais lógicas que imagino, o suspense, foi tratado de uma maneira lógica, mas sendo dado por uma coisa totalmente absurda, como um contato mediúnico! Existe lógica no absurdo? Talvez não, mas de repente uma coisa absurda pode ser lógica!

Por fim, na irracionalidade, nos personagens não maniqueístas, com personagens bons em vícios ruins, a história se desenrolou, me divertiu, e salvou este domingo!

Promessa: Preciso rever Match Point!

domingo, abril 08, 2007

Marie Antoinette


Fato marcante desta Páscoa: fui assistir Maria Antonieta no cinema!


Claro que este fato não ocorreu em São José dos Campos, onde este filme não passou e não vai passar. Com certeza os joseenses nem saberão da existência deste filme.


Eu achei tão incrível a maneira com que foi contada a história, a linguagem video-clipe utilizada em cenas que eram típicas do século XVIII.


Talvez a história seja um pouco conservadora ao afirmar que as inconsequências da juventude podem levar a um caminho sem volta. Só para ser clichê é importante afirmar que também temos um pouco de Maria Antonieta, talvez a música dos 80, lembre isso a todo instante!


Pontos a destacar:


Ótimo feriado. Devidamente descansado e com a pele ótima!.


Um filme bom fica melhor com uma companhia boa e um cigarro depois da sessão


Estou cada vez mais caseiro. Será a idade?

quinta-feira, abril 05, 2007

Campinas! Aí vou eu!

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux!

Balayés les amours
Et tous leurs trémolos
Balalyés pour toujours
Je repars à zéro!

Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui,
ça commence avec toi!

Eu realmente não me arrependo de nada!!!

Boa Páscoa!!!

segunda-feira, abril 02, 2007

E a Classe Operária vai ao Paraíso!


“Eu não trabalhava
Eu não sabia!
Que o homem criava
E também destruía!

Homem Primata!
Capitalismo Selvagem!”


Acabou mais uma overdose de trabalho!

Eu ando cada vez mais fascinado com a idéia do trabalho e do seu papel na sociedade. Talvez esteja me tornando um marxista convicto. Não tanto na idéia que o operário será a classe que porá fim a luta de classes construindo uma nova sociedade e acabando com o motor da história, mas acreditando piamente no papel do trabalho na formação do indivíduo e na sua capacidade de fazer-nos uma classe em si e para si.

Acho ainda a idéia de superação do capitalismo mais um desejo que uma tendência universal, ou melhor, talvez essa tendência universal tenha passado e os marxistas de plantão ainda não perceberam que levaram uma rasteira deste modus vivendi ocidental que opera em todos os níveis de nossa vida. Não é a toa que o Che vive em camisetas de pessoas que não sou o homem ideal, nascido da luta de classe.

Terminado esta loucura de trabalho, percebo como o trabalho pode sim moldar o indivíduo. Talvez assim como o sexo (aliás, essa percepção do sexo como um elemento não libertador, e sim como moldador da nossa vida em sociedade seja uma das discussões mais interessantes que já tive – valeu Mauricio! Ainda preciso ler Foucault!), o trabalho enraíza comportamentos, hierarquias, subserviência, mas também pode ser um elemento transformador, desde que seguido num ambiente não machista, de respeito, de respeito as individualidades.

Acho que depois desta jornada, comecei a olhar o trabalho de uma maneira muito peculiar. Espero que eu seja um elemento transformador do meu ambiente de trabalho e não simplesmente um moldado por ele. Embora seja uma postura não profissional, adoro observar o mise-en-scène dos meus diretores em busca do bem de todos e do seu bem próprio, e como seus subordinados os acompanham nos suas apresentações. Mas uma coisa que me tem chocado ultimamente, é como a possibilidade de um poder (que não é real, nem simbólico, e sim esperança), pode acabar com a solidariedade de classe. Como os peões de escritório têm esperança em ser gerente!

Amanhã é aniversário da cidade de Jacareí e é feriado. Talvez, se na fábrica, o paraíso da classe operária seja a greve; no escritório a classe operária vai ao paraíso quando chega um feriado, e aí todas as máscaras caem e todos criam uma nova realidade, as pessoas se percebem e todo mundo vai embora feliz e contente para suas casas.

Depois de três dias trabalhando mais que 12 horas dias (ainda bem que houve muitas lutas para uma jornada de 8 horas, caso contrário teria trabalho 16!), estou indo para minha casa gozar o feriado (oxalá bem gozado!!!)

Viva a cidade de Jacareí!

terça-feira, março 20, 2007

2011

O que será de mim em 2011??

Estive trabalhando no carnaval sobre um planejamento para o ano de 2012. Tive a maior certeza que se estiver fazendo este trabalho em 2012 mudo de profissão, pego meu FGTS (se ele ainda existir) e abro uma barraquinha de coco na praia!


No entanto, este ano de 2011 está se tornando cabalístico para mim. Talvez depois de dois anos aprendendo a planejar, comecei a planejar meus 30 anos. Então estabeleci aqui algumas metas:


- Ter um apartamento meu (pode ser financiado);

- Viver num apartamento tipo Casa Cláudia;

- Ter o mesmo peso que eu tenho hoje; mais, só se for músculos!

- Falar melhor o francês;

- Se o tempo me permitir, ter alguns fios de cabelo branco;

- Ir a ubatuba uma vez por mês;

- Não morar mais em São José dos Campos, gostaria de voltar pra Campinas;

- Férias todo ano! De preferência bem acompanhado, com consenso para marcar a data!

- Acampar de vez em quando;

- Poder escutar Charles Aznavour e não me identificar com as letras

- Estar bem acompanhado não só nas férias





Hier Encore

"Pai, afasta de mim este cálice!"....risos

sábado, março 10, 2007

Última etapa do inferno astral

Caramba!

Voltar este fim de semana está sendo tão diferente! Embora pareça o contrário, voltar pra casa não está sendo reacionário não, parece que eu estou perto de uma revolução. Será que é stress por causa do trabalho?


Roberto Carlos - O Portão

Eu cheguei em frente ao portão,
meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão,
eu voltei

Tudo estava igual como era antes,
quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei,
e voltei ...

Eu voltei,
agora pra ficar,
porque aqui,
aqui é o meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei,
eu voltei ...

Fui abrindo a porta devagar,
mas deixei a luz entrar primeiro
Todo meu passado iluminei,
e entrei ...

Meu retrato ainda na parede,
meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar por onde andei
e eu falei ...

Onde andei não deu para ficar,
porque aqui,
aqui é o meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei,
eu voltei ....

Sem saber depois de tanto tempo
se havia alguém a minha espera
Passos indecisos caminhei
e parei

Quando vi que dois braços abertos,
me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
e chorei ....

Eu voltei,
agora pra ficar
porque aqui,
aqui é o meu lugar

quinta-feira, março 08, 2007

Carnaval, Cinzas, Projeto 2011

Todo Carnaval tem fim?

Este carnaval descobri o Carnaval. Pela primeira vez precisei de um momento para extravasar que coincidiu com o Carnaval e aí eu descobri a festa. Foi preciso trabalhar para descobrir o ócio!

E aí que eu tive a maior surpresa! Meu Carnaval não acabou! Ainda estou vivendo as coisas do Carnaval. Só espero que Cinzas não venha logo, ou que quando vier, venha de maneira não traumática.

O melhor que estou vivendo o Carnaval sem aquela histeria toda, agora o Carnaval já está se enraizando, e está ótimo!

Viva o Carnaval!

Projeto Renato 2011

Novas fronteiras do projeto:

- Coca-light no almoço;
- Chá verde no café-da-manhã;
- Saladas (descobri que se vendem saladas lavadas e prontas no Villa Real) no jantar.

Passos a serem implantados:

- Controle das finanças para viver o carnaval eternamente!
- Exercícios
- Fazer o dever de Francês

Inferno Astral


Está acabando meu inferno astral. Dia 12/03 farei 26 anos e começará meu ano solar. Caramba, este inferno astral foi tão inferno astral em alguns pontos, mas em compensação em outros...

Estou feliz e continuo achando que os anos ímpares são ótimos!

Dia Internacional das Mulheres

Parabéns às mulheres!

Eu adoro esta data, acho que ela é tão simbólica que tem que ser comemorada. Ainda mais que esta data nasceu da luta da mulher no trabalho, e agora que eu trabalho vejo o quanto a mulher ainda tem o que conquistar. O mundo do trabalho é machista, masculino, impede a realização da mulher como mulher, obriga a uma masculinização, a uma padronização que fere as diferenças de gênero.

Então que as mulheres conquistem neste dia o direito de dispor do seu corpo como bem entender; de ser mulher, feminina e mesmo assim ser valorizada no mercado de trabalho; que consigam igualdade nos serviços domésticos e que vençam o machismo das próprias mulheres.

Por fim, achei o máximo o pronunciamento da ministra Nilcéia Freire, até que enfim uma atitude de esquerda neste governo conservador!

domingo, fevereiro 18, 2007

Nuvem Passageira

Brega, pero no mucho!

Estava fuçando na Rádio UOL atrás de um versão da Perla para a música Fernando, tudo motivado pelo nascimento de meu sobrinho, que está deixando todo mundo ansioso, eis que escuto uma música que achei interessantíssima.

Acho que representa bem um espírito dos 70, e um espírito que eu estou buscando...


Nuvem Passageira

Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai

Não adianta escrever meu nome numa pedra
Pois essa pedra em pó vai se transformar
Você não vê que a vida corre contra o tempo
Sou um castelo de areia na beira do mar

A lua cheia convida para um longo beijo
Mas o relógio te cobra o dia de amanhã
Estou sozinho, perdido e louco no meu leito
E a namorada analisada num divã

Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva
Não quero nem saber de me fazer ou me matar
Eu vou deixar em dia a vida e a minha energia
Sou um castelo de areia na beira do mar

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Reflexão!

Santo anjo do Senhor
Meu zeloso guardador
Se a ti me confiou a piedade divina
sempre me rege, guarde, governe e ilumina.


Esse mês de fevereiro está sendo uó (exceto as praias e quem eu encontro nelas).

Será o infeno astral?

domingo, fevereiro 04, 2007

Ubatuba, terra que só cheira amor!

Caramba, que fim de semana legal.

Não me conformo de morar em São José dos Campos há quase 1 ano e meio e nunca ter ido a Ubatuba! Como eu gostei deste lugar, cada praia, águas muito claras. Gostei tanto quanto Pernambuco!

Tomei sol, nadei, bebi caipirinha, beijei na boca na praia com direito a lua cheia, andei, conversei, dei muita risada. Tirei o mau olhado. Voltei pra São José dos Campos pronto para uma semana que promete ser do cão!

Estou com uma vontade de ir pra lá semana que vem! (se me convidarem...rs)

Música do Final de Semana

Vitiligo
Bonde do Role

Fui no butecão
pra tomar uma caipirinha
Espremeu limão errado,
manchou toda minha pelinha

As viadas tudo loca
Já criaram confusão
Perguntaram é vitiligo
Eu disse é mancha de limão

Vai vai vai vitiligo (4x)
Parece vitiligo mas é mancha de limão

Bem, isso já deve ter aparecido no blog do korn a muito tempo, mas só agora eu descobri!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

As Invasões Bárbaras

Não existe almoço grátis?

Depois de muito tempo onde todo mundo falava deste filme e aproveitando uma noite de tédio, resolvi assistir ao famoso Invasões Bárbaras.

Confesso que adorei o filme. Achei comovente, não dá pra não se encantar com o personagem principal, suas aventuras e sua postura diante da morte. Seus amigos recontam um tempo que não vivi e que queria viver; fantástico o conflito geracional às avessas. Como conseguimos abandonar uma postura de modernidade com que os jovens da década de 60 moveram mundo? Acho que o filme demonstra isso muito bem.

Essa sensação que percebo generalizada nas pessoas da minha idade talvez conduza minha geração a um novo Romantismo, enquanto os primeiros buscavam as origens, Napoleão, o refúgio no sentimento; minha geração caminha para a busca destes antepassados libertários ou para um carolismo crescente. Não é à toa que nas vésperas da parada gay de 2006 houve uma marcha para Jesus, igualmente multitudinária, igualmente composta de jovens.

Agora é triste a sensação que o filme me passou. Essa história de uma outra utopia possível só pode ser bancada e vivida, apoiada no que ela mesma nega. Somente o yuppie pode permitir ao velho esquerdista viver suas lembranças, somente o privado pode permitir um ideal público. O mercado e o dinheiro que permite aos esquerdistas do passado, utópicos, libertários, libertadores, reviverem seus sonhos e condenarem o próprio mercado!

Triste padrão ético mostrado no filme, o dinheiro vale muito mais que a utopia. O mesmo personagem que defende a estatização dos hospitais aproveita-se das benesses do capital.

Aliás, o Canadá nunca pareceu tão próximo como neste filme.

A propósito

Serra retém verbas da universidade paulistas

http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u19318.shtml

Fato notável, deu um tiro numa experiência fantástica (limitada para alguns, inovadora para as outras universidades) de autonomia universitária. Serra superou sua base, e conseguiu acabar com um avanço que nasceu do quercismo, superou Quércia na sua origem.

Sem conotação de valor

Quércia deixou duas experiências fantásticas, a vinculação de impostos à universidade pública, garantindo a autonomia (com pouca verba, mas garantindo o repasse automático) e a vinculação de impostos a CDHU que permitiu criar um novo sistema de habitação de baixa renda.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Uma canção por livre associação!

Sinhá Moça
(Vitor Martins/Guarabyra/Marcelo Barbosa/Bozzo Barretti)
Leonardo

Tão meiga que nem parece nascida nesse lugar
Anjo que tece as manhãs antes de clarear
Tem a força capaz de acalmar, de dar paz
De dar esperança e alento à todos os Ais

Sinhá Moça
Guia do seu próprio coração
Guardiã do sonho e da razão
É uma mulher
Sabe o que quer

Sinhá moça
Nada nada nada faz mudar
Seu jeito de ser e de viver
Sinhá moça minha guia
Minha estrela noite e dia

Lalalalalalalala

Sinhá Moça...

domingo, janeiro 28, 2007

Uh-hu Mogi-Guaçu!

Praticamente a Surrealidade!

Este sábado, aproveitando minha ida a Jundiaí, fui para Campinas para me divertir, a proximidade do dia 30 abriu esta janela de oportunidades e eu não desperdicei! Bem, estivemos no limite da surrealidade.

Voltei num dos lugares que eu mais gosto em Campinas, o City bar. Eu realmente quero voltar a morar numa cidade onde exista um city bar, onde no caminho da minha casa exista um bar na rua, com bêbados normais a bêbados alternativos, onde ainda impere o copo americano! Acho incrível que São José dos Campos, formada do mesmo barro, do café, da indústria de tecnologia, não conseguiu criar um espaço amigável onde a cidade se encontre democraticamente. Acho esta cidade o máximo da petit bourgeoisie, a cidade do trabalho, que dorme cedo, da diferença entre as regiões da cidade. Enfim...

Depois da hora da fila, fomos para a buatch mais popular que existe. Fazia muito tempo que eu não dava tanta risada. Acho que eu me dou super bem no meio do povo! Estava lendo que isso é uma característica do meu signo, e também é bom estar num lugar onde tudo pode acontecer.
Aí, neste ambiente propício, formou-se um trio que pode vir a explorar novos recantos deste mundo! Algumas sminorff ice (ok, ok, não tinha bebidas muito sofisticadas...), voltei pra Jundiaí com a sensação de dever cumprido e um pouco melhor com todo esse sacrifício fiscal que tenho feito para controlar minhas contas e afastar o vermelho da minha vida...

Carnaval tem mais!!!!

P.S.

1. Post totalmente inspirado em Korn que teve um final de semana muito mais chic que o meu.

2. O título: grande inspiração de Carlinha sobre a muvuca, uma adaptação do grito de guerra big-brotherniano de Fani para a Região Metropolitana de Campinas. Uh-hu Mogi-Guaçu!

terça-feira, janeiro 23, 2007

Momento Funk

Achei engraçado, valeu Rodrigo...rs

domingo, janeiro 21, 2007

Ser ou não ser vegetariano!

A questão dos argumentos
Eu não sou adpeto de maneira alguma do vegetarianismo, fui criado com hábitos alimentares carnívoros, gosto de comer carne e não pretendo rever isso. Embora seja sensível à vários argumentos como o de que a indústria da carne seja uma grande devastadora das matas tropicais, ou que os animais foram expostos a tortura e maus tratos; não pretendo me tornar vegetariano. Gosto e ponto. Posso sim tentar comer carne de uma maneira mais saudável, mas não penso em como uma pecuária não-extensiva pudesse dar conta de alimentar uma população gigante como a nossa.
Agora hoje eu consegui ler o argumento mais imbecil contra comer carne. Pode até não ser, mas é o cúmulo da inocência fazer com que o meu hábito ancestral seja o culpado do aquecimento global. Pode até ser, mas ainda não me convenci!
Abaixo o artigo:
Ah, o fantástico tá mostrando isso. O pum da vaca polui mais que o setor de transporte...

O Ilusionista

Sábado no cinema!

O Filme

Fazia muito tempo que não saia do cinema tão impressionado com um filme. Adoro filmes que tratam, ou que mostram, a tênue linha entre realidade e imaginação, e um filme de mágica não poderia ficar longe desta linha. O incrível é a total dúvida com que saí do filme, não sobre discussões sobre a realidade e a fantasia como em Vanilla Sky, Matrix ou Clube da Luta, mas sobre o que é real ou não no filme.

Coloquei fantasia ao invés de ilusão porque me lembrei de uma aula onde se falou que a fantasia está intimamente ligada com a visão, e o filme realça a visão, pena que meu inglês é péssimo e me torna dependente das legendas e não podia simplesmente ficar olhando. O filme prende, houve momentos que abstraí completamente para ficar olhando o ilusionista.

Achei o filme equilibrado, ficção, um quebra-cabeça fantástico, uma história de amor romântico, um ator bom, seqüências intrigantes.

Se as impressões do inspetor de polícia estiverem certas, temos um Romeu e Julieta que deu certo, ou não, na verdade não há certeza alguma da história.

Fiquei com uma idéia que a visão é o sentido mais fácil de ser enganado, não é a toa que todas as palavras da dúvida tem a ver com a visão, impressão, fantasia, ilusão.

Gostei do filme!

O Programa

Todos os trailers que vi me fizeram querer voltar ao cinema, acho que estava inspirado a ir ao cinema hoje.

O primeiro foi Antonia (que vontade de por um acento circunflexo!). Não assisti na tv e estou muito a fim de ver.

Mas o que me intrigou nos trailers foi The Last Kiss, pelo que dizia no trailer é igual a um filme italiano que assisti, L’ultimo baccio. Acredito que seja a mesma história. Quando vi este filme adiantei minha crise dos 30 anos em 5 anos, o filme italiano tem um charme, uma sutileza, espero que o americano também o tenha.

Agora convenhamos, escutar as pessoas comendo o tempo todo no cinema é péssimo! E como comem!

Coca Light

Hoje foi o dia da minha primeira coca light, mas um passo na minha luta para chegar aos 30 anos bonitão e estável financeiramente. Depois de correr no Parque Santos Dumont, quando fui pedir o refrigerante, não titubeei. Como é ruim! Ainda sinto o gosto do adoçante na minha boca. Será que é costume??

sábado, janeiro 20, 2007

Escutando coisas novas


Aracy de Almeida

Caramba, é impressionante que até semana passada Aracy de Almeida para mim era uma jurada jurássica do Sílvio Santos.

Depois de ler uma reportagem onde falava que ela era a maior intérprete das músicas dele, por curiosidade, busquei músicas dela na rádio uol. Fiquei fascinado com o deboche, com os assuntos. As músicas são muito inteligentes e a interpretação dela tem um ar diferente, não tem tanta formalidade das músicas antigas.

Acabei comprando um CD, que se chama, Ao vivo e a vontade, foi gravado em 1980. Na verdade, foi um show onde ela fala coisas incríveis entre as canções, sendo o ponto alto a descrição que ela dá para sapatão! Imagine, em 1980 uma senhora fala sobre lesbianismo enquanto em 1996 uma sapata choca ao falar que é bi! O CD chegou ontem, e ontem eu o escutei por 4 vezes!

Infelizmente minha falta de grana me impede de comprar outros cds...

O orvalho vem caindo
(Noel Rosa/Kid Pepe)

O orvalho vem caindo
Vai molhar o meu chapéu
E também vão sumindo
As estrelas lá do céu
Tenho andado tão mal
Minha cama é uma
Folha de jornal

Meu cortinado é o vasto céu anil
E o meu despertador é o guarda civil
(Que o salário ainda não viu!)
(Vai pra ponte que partiu!- Versão Aracy de Almeida)

A minha sopa não tem osso nem tem sal
Se um dia eu passo bem, dois ou três passo mal
(Isto é muito natural!)

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Momento Musical

Estou hiper encanado nesta música


Resposta ao Tempo
(Aldir Blanc/Cristóvão Bastos)


Batidas na porta da frente é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei

Num dia azul de verão sinto o vento
Há folhas no meu coração, é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar, eu também não sei

E gira em volta de mim,
Sussura que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
me esquecer

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Pelas barbas do Profeta!

Mudei!


Depois de um dia que não me reconhecia direito, nem nas minhas atitudes, nem na minha aparência, resolvi tirar a barba que deixei crescer com todo carinho durante as minhas férias. Acho que serviu também para dar um sinal de que as férias acabaram, e que agora só em setembro.


Consultei várias pessoas já que minha analista (não sei se é analista, afinal ela não é adepta à pscianálise e sim ao psicodrama) está de férias, e por fim o resultado foi que eu deveria tentar a mudança.


Estou com cara de tartaruga! Toda vez que eu passo em frente a um espelho fico me olhando como se não me reconhecesse em mim. Praticamente, estou em crise de identidade sem a minha barba!.


De qualquer maneira, teremos algumas mudanças, amanhã estreiarei um novo look, assumirei definitivamente um lado casual day e irei trabalhar de camisa pólo! (ok, está longe do visual chinelos e camiseta com que eu sonho trabalhar, mas é o que eu posso no instante). Depois, vou para São Paulo, visitar Luísa, dormir na casa dela, pôr a conversa em dia, curtir uma cidade grande, e se possível tentar gastar pouco.

post e barba feitos ao som do Bolero de Ravel. Estou gravando essa música no celular. Toda vez que precisar tomar uma decisão rápida, vou escutá-la no banheiro da fábrica!...rs

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Homenagem a volta do youtube

Em homenagem ao fim da censura, estou postando um comercial engraçado que eu vi no youtube!


segunda-feira, janeiro 08, 2007


São José dos Campos - Capital do Vale

Quando eu me mudei pra São José dos Campos e me deparei com o fumacê na rua, no primeiro momento, comecei a rir, achei uma coisa tão surreal passar um carro fumacê no centro de uma cidade industrial como São José que não acreditei. Num segundo instante chorei, fui dedetizado!

Passou o tempo e sempre que encontrava o fumacê praguejava. A coisa era tão surreal que no primeiro semestre de francês, a aula parava quando o fumacê passava na rua. Houve uma vez que andando com um amigo, ao virarmos uma esquina, caímos numa nuvem!

No entanto, desde que o inverno acabou, ainda não vi o fumacê e aí sim aconteceu uma coisa mais surreal: os pernilongos estão dominando esta cidade. Eu que acreditava que que os pernilongos não chegavam ao 8o. andar, estou dormindo com repelente!


Prefeito Eduardo Cury, meu, cadê o fumacê???

domingo, janeiro 07, 2007

Fim de semana Jude Law

Só para registro.


Nesta minha cruzada contra os gastos, fiz neste final de semana, o final de semana Jude Law. Aproveitando que ganhei uma cópia de I heart Huckabees do Maurício, aproveitei e assisti Alfie e Cold Mountain.


Adorei os três por motivos distintos. I heart Huckabees é fantástico, que senso de humor! Que filme bem feito! Divagações hilárias. Alfie é um pouco moralista, mas é de um cinismo não usual. Cold Mountain é uma novela, sensível, paisagens lindas.


Semana que vem pretendo ver O paciente inglês!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Dinheiro na mão é vendaval...

Só por hoje


Estou desde terça-feira sem gastar!

Não utilizei meu cartão de crédito para nada, tampouco tirei alguma nota da carteira. Para comer utilizei o que tinha na minha casa, e por incrível que pareça, consegui fazer coisas boas!

Isso se deve à uma ação de longo prazo com o objetivo de me capitalizar novamente. Depois do carro (à prazo) e da gastança de final de ano, decidi que este mês seria o mês M de combate ao gasto. Entrei na fase do capitalismo ascético!

Para comemorar tudo isso, amanhã vou ao Bar do Peixoto tomar uma cerveja! Afinal é sexta-feira, e já economizei para isso!

Será terrorismo?

Lula e o terrorismo

No seu discurso de posse o presidente Lula caracterizou os atos de violência entre os narcotraficantes e milíicas armadas que assolavam o Estado do Rio de Janeiro nas vésperas do ano-novo como uma ação terrorista.

Concordo com o presidente que a ação de criminosos com o intuito de causar o medo na população, de maneira a combater uma ação do Estado (seja ela uma política ou uma ação policial) é terrorismo; acredito eu, que o terrorismo esteve muito mais caracterizado com os acontecimentos de maio/06 no Estado de São Paulo, onde o alvo era o próprio Estado.

Mas sendo terrorismo, este é um ato contra a Segurança Nacional. Será que o discurso pode sinalizar uma maior intervenção do Governo Federal na Segurança Pública que é de competência dos Estados?

Embora tente não cair em teorias de conspiração, a alusão de Lula ao terrorismo me causou medo. Medo por ser o presidente um potencial Chavez, que interviu em hospitais na cidade do Rio de Janeiro, com objetivos políticos, e que poderia, em tese, intervir nos Estados para combater o terrorismo.

O Brasil não é Venezuela, mas...

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Diferenças Fundamentais em Discursos Paradigmáticos

Discurso de posse do Governador de São Paulo, José Serra.




Foi quase que por descuido que acompanhei um discurso que tem um potencial de ser tão paradigmático quanto o discurso de despedida do Senado do presidente Fernando Henrique em 1994. Tal como aquele, o discurso de posse do governador Serra, traz para si uma visão de Estado que pode diferenciar o atual governo do governo Fernando Henrique. Se seguido, pode trazer um ar de renovação ao PSDB, afastando o quercismo que dominou o Estado de SP no governo Alckmin.

Acredito que tratou de pontos que estão ausentes do governo Lula, como o papel do Estado, a posição do Estado frente a globalização, e uma clara linha econômica.

Foi um discurso de posse para o Governador do Estado de São Paulo, mas pode conter as linhas gerais de um discurso de posse para a Presidência da República em 2010.

Função da política

“Sem ampliar os limites conhecidos do possível jamais teríamos conseguido recuperar a situação financeira da prefeitura de São Paulo em apenas um ano, nem Fernando Henrique Cardoso teria vencido a inflação com o Plano Real. Não preciso me alongar aqui sobre como tem sido nocivo no Brasil a crença no mote tradicional que assegura ser a política a arte do possível. Não, a política deve ser a arte de alargar os horizontes e limites do possível”.

Papel do Estado

“O que pretendo enfatizar aqui é a necessidade de uma prática transformadora na política brasileira, que vá além, muito além, de discursos. Não basta que se reconheça a necessidade do bem. É preciso praticá-lo. Não basta anunciar futuro glorioso para o povo brasileiro. É preciso construí-lo. Não basta que manifestemos reiteradamente nossos votos de uma vida melhor. É preciso mobilizar instrumentos e técnica para que ela seja realidade.

Em termos de poder público, aquela prática exige, antes de mais nada, que o Estado seja controlado por ele próprio, que o aparato governamental funcione como um todo coerente, do ponto de vista moral, da eficiência e dos objetivos perseguidos, que aja em em função do interesse público. Nada mais distante disso do que a banalização do mal na política brasileira, das vorazes tentativas neopatrimonialistas de privatização do Estado, que tanto tem prosperado em nosso país.
Em segundo lugar, é preciso que o Estado seja cada vez mais controlado pela sociedade, que esta possa se defender de seus abusos e nele possa influir alterando o rumos das ações públicas, na perspectiva da contínua democratização. E os governos, eu penso, têm de estar empenhados em contar uma parte da história do futuro, antecipando-se ao erro, cercando suas possibilidades, agindo com planejamento, abrindo o caminho e sinalizando a direção a seguir”.

Nacionalismo versus Globalização

“Defendo o ativismo governamental. O poderoso Estado Nacional Desenvolvimentista do passado - produtor, regulador de toda a atividade econômica, patrono de todos os benefícios sociais - não tem mais lugar no presente, mas isto não significa que deva ser substituído pelo Estado da pasmaceira, avesso à produção, estagnacionista. Até porque aquele Estado ficou no passado, mas a questão nacional e a questão do desenvolvimento continuam no presente”.

“Tenhamos claro que o livre mercado globalizado não oferece as respostas para todos os nossos problemas. Basta lembrar que o conceito de cidadania envolve três dimensões: a dos direitos civis igualdade perante a lei, possibilidade de ir e vir, habeas corpus -, dos direitos políticos votar e ser votado -, e dos direitos sociais. Mas o cidadão global inexiste: no mundo de hoje o direito de ir e vir entre países está cerceado só podem ir e vir de um país a outro os capitais e em menor medida as mercadorias, mas, gente, de nenhum forma; o exercício dos direitos políticos está circunscrito às fronteiras nacionais; e se os direitos sociais mal permanecem de pé dentro dessas fronteiras, o que dizer da utopia de fazê-los valer em escala planetária? Ou seja, o objetivo de materializar as condições de uma plena cidadania em cada país exige políticas nacionais, exige ativismo governamental na procura do desenvolvimento e da maior igualdade social”.

Social Democracia (convergência entre capital e trabalho)

“A falta de desenvolvimento pune os mais necessitados; torna-os clientela cativa do assistencialismo. A assistência social é justa e necessária, mas a emancipação verdadeira, sair da pobreza, exige empregos e renda para as famílias, o que só pode acontecer com crescimento econômico. E não há escassez de capital para promover esse crescimento.

Ao contrário, o vertiginoso aumento das remessas de lucros das empresas estrangeiras aqui instaladas e dos investimentos de empresas nacionais no exterior, recursos que se vão a fim de criar empregos lá fora, mostra que não falta poupança ao Brasil para aumentar sua capacidade produtiva e seus empregos o que falta são oportunidades lucrativas de investimento, espantadas pela pior combinação de juros e câmbio do mundo, em meio a uma carga tributária sufocante”.

Outros trechos

Governabilidade

“Temos presente que a governabilidade é tarefa de quem obteve nas urnas o mandato para governar. Não me passa pela cabeça, por exemplo, transferir para a oposição o dever de assegurar a governabilidade do estado que me elegeu. Quem é altivo na derrota não se sujeita. Quem é humilde na vitória não exige sujeição. É assim que se faz uma República”.

Trecho emblemático

“Quero dizer aos paulistas e a todos os brasileiros que podem contar comigo para que tenhamos um País ordeiro, pautado pela estrita legalidade e pela cooperação entre os entes federativos. Mas reafirmo: nem com a humildade que se confunda com sujeição, nem com a altivez que se misture com arrogância. Esta é a cara de São Paulo”

O governador está falando sobre a relação entre Estado e União. Adorei a definição do Estado de São Paulo escrita no texto.

Só para constar

O presidente Lula está tomando posse hoje.

Toma posse sem ministério, sem candidato a presidência da Câmara e do Senado, sem um programa de governo que una sua base aliada.

Ou está desgovernado ou está brincando com o caos.