segunda-feira, agosto 13, 2007

5+ Livros

Copiando idéias.

Tava fuçando no blog do Fernando e achei a idéia irresistível. Listar os 5 livros que mais me marcaram, na verdade nem vou pôr os que eu mais gostei, mas sim os 5 que tiveram alguma influência sobre mim:

Gente como a Gente (Ordinary People) – Judtih Guest

O livro conta a história de Conrad, que velejando junto com o irmão mais velho sofre um acidente que acaba causando a morte de seu irmão. Após um conflito interno ele tenta o suicídio. Depois da recuperação, volta para a casa onde enfrenta um conflito com sua mãe que é magnificamente contado através de passagens inesquecíveis. No fim, o livro cobre todo o processo de terapia de Conrad, onde este trata a questão da culpa, do sentimento de inferioridade em relação ao irmão morto. Crescer é transformar-se, abandonar alguns preceitos. Acho que o livro é sobre crescer.

Se eu pudesse dar uma trilha sonora para o livro seria Simon & Garfunkel. Acho o livro paradigmático, um tiro no peito da família a la Anos Incríveis que habitava a minha fantasia da família norte-americana. Sem contar que eu o li na minha transição Colégio-Unicamp.

Quarup – Antônio Callado

Também considero um livro sobre transformação, crescimento. Um jovem seminarista, amigo de um casal que se envolve na luta armada, se transcende no amigo revolucionário. Em alguns momentos se tem a sensação que esta transcendência se dá na própria imagem do Cristo. Nesta revolução interna experimenta um mundo em transformação. É fantástica a aproximação com o sexo e com o amor, que também não deixa de ser uma experiência transcendental.

Embora não o tenha lido muitas vezes como os outros, para mim, foi um dos mais prazerosos. É incrível como a gente acaba se influenciando por essas histórias. Até hoje, ainda lembro situações deste livro. Talvez foi a melhor influência de um grande amigo que eu tive na faculdade.

Suave é a noite (Tender is the night) – F. Scott Fitzgerald

Um jovem médico psiquiatra se casa com uma milionária doente, tendo como cenário a Riviera Francesa. Que imagem dos anos 20! Um savoir-vivre fantátisco. As aventuras destes exilados americanos milionários numa Europa sem tanto pudor. O mais incrível é que Dick Diver após uma experiência de bon vivant acaba retornando a seus valores ancestrais, de jovem pobre filho de pastor. Acho o envelhecimento deste personagem meio dialético, talvez ele prenunciasse o final da Era do Jazz, a grande depressão.

Tem uma passagem que eu sempre lembro. Dick afirma que mais vale uma camisa meio suja que mal passada. Lembro sempre disso porque minhas camisas são limpas, mas são muito mal passadas. Foi o primeiro livro da temporada joseense.

O Primo Basílio – Eça de Queirós

Fantástico. Que livro interessante. Um ótimo retrato de uma burguesia que embora distante habita em mim. Acho feminista na medida que mostra o quão perigoso é essa atmosfera idiotizante em que puseram Luisa. Não acho esse livro pessimista. Basílios e Jorges sempre haverá, infelizmente Luisas voltaram a ser de moda... Por fim, acho fantástico o desgaste de Luisa, o sofrimento de Jorge. E como toda aquela sociedade, que embora parecesse sólida, era permeável aos seus próprios valores.

Poucos povos experimentaram o regicidio, Portugal foi um deles. Acho que se pegarmos Os Maias, O Primo Basílio e A Relíquia; dá pra entender o fim trágico da monarquia portuguesa.

Vidas Secas – Graciliano Ramos

Não me lembro de outro livro em que eu chorei. Chorei com a morte da cachorrinha Baleia. Chorei com a pobreza.

Que história fascinante, arrepio-me de lembrar. Todo mundo tem que ler este livro. Traz em si uma angústia, uma depressão. Um retrato de uma pobreza que embora não seja nossa vizinha, é real, acontece, e sabemos que acontece. Parece um encontro com alguns valores, sem ser moralista. Graças a esse livro, acabei lendo Graciliano Ramos de batelada.


OBS.

1 – Só pus ficção. Acho que a beleza das grandes sabedorias está nas metáforas.

2 – De maneira nenhuma sou anti-americanista. F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway me deixaram com muita vontade de conhecer os Estados Unidos. Por eles, construí uma ilusão fantástica deste país, que deve ser tão contraditório como o nosso, mas com um senso de modernidade que me fascina.
3 – Bons tempos o do vestibular. Foi a época que mais li, e mais me impressionei com literatura.

terça-feira, agosto 07, 2007

À Heleninha

Camões! Afasta de mim este cálice!



Transforma-se o amador na coisa amada
Em virtude do muito imaginar
Não tenho logo mais o que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada


terça-feira, julho 31, 2007

Sessão da Tarde à noite!


Minha vida de Antoine

Todo mundo precisa de uma sessão da tarde. Hoje, diante de uma situação extrema, impedido pelo trabalho de ter minha sessão da tarde à tarde, resolvi fazer uma sessão da tarde à noite. A princípio seria depois do Jornal Nacional. No entanto, eu estava vendo as notícias e elas me pareciam velhas. Adiantei o horário e às 8:30 entrou no ar, aqui no apartamento 801 a sessão da tarde.

Comida na mão, edredon no colo, telefones afastados, volume ajustado (não tenho nenhum controle remoto, exceto o do dvd que é a coisa mais moderna dentro desta casa). Assisti a um filme incrível, leve, engraçado, inteligente, uma ótima sessão da tarde.

O filme foi Beijos Roubados (Baisers volés). Uma história fantástica. Só nos extras fui saber que era parte de uma seqüência de filmes com um personagem que é o alter ego de Truffaut; Caramba, me identifiquei demais com Antoine, ele é meio confuso, incompetente, inseguro, não adaptado ao trabalho, e com todas estas coisas ruins que descrevi dele, ao mesmo tempo ele é totalmente humano. Indulgência aos comportamentos humanos!

Por pouco, ao fim do filme, não comprei no Submarino Domicilio Conjugal. Resolvi esperar que o filme chegue na locadora.

Moral da História

Adoro filmes sem moral da história. No entanto, a moral da história é que para que alguma coisa seja boa não precisa vir acompanhada de uma profundidade obscura.

A segunda conclusão é que graças a Deus minha terapeuta volta de férias amanhã e eu pretendo viver numa sessão da tarde!


sexta-feira, julho 27, 2007

Hoje acordei meio Revolucionário!

Recursos Hídricos

Diante do marasmo do trabalho, do marasmo da novela das 8, do frio, de acompanhar o Hugo indo e vindo de concursos públicos; tomei uma decisão radical: vou prestar um concurso! O que me chamou a atenção foi um concurso para a Empresa de Pesquisa Energética. Há um cadastro de reserva para Analista de Pesquisa Energética Junior – Meio Ambiente/Recursos Hídricos cujo conteúdo da prova é exatamente as matérias que eu mais gostei na faculdade!

Ok, o salário é menor, a vaga é no Rio, e pra piorar é um cadastro de reserva, não existe garantia de vaga. Mas o simples de fato de me inscrever e começar a estudar me deu um ânimo tão grande que não consigo mais dormir sem olhar algum manual de estudo energético. Meus livros e apostilas estão em Jundiaí, só vou buscá-los no próximo fim-de-semana, no entanto, o pouco material que tenho aqui já me satisfaz bastante.

Talvez seja a maior contradição do mundo uma pessoa tão esquecida, tão descontrolada como eu gostar de planejamento, mas como eu gosto desta coisa de planejar estudo, controlar dados, verificar, séries históricas, modelos. Nunca vou esquecer um curso que fiz de Estudos de Enchentes onde manejamos uma montanha de dados para conseguir um simples dado de vazão máxima (aliás, um dos tópicos da prova).

Sendo assim, redescobri um prazer que estava a muito tempo adormecido, estudar. Não sei se vou passar, sou péssimo de memorização e não trabalho sob pressão, mas o fato de estar num rumo, já está me fazendo bem!

Non ducor, duco!

Pra quem já utilizou “não sou eu quem me navego, quem me navega é o mar” para preencher o quadrinho de “quem sou eu” no orkut; colocar algo como “non ducor, duco” é um grande passo. Acho que cansei um pouco de ser conduzido, preciso conduzir um pouco.

Um parêntesis

Engraçado, mas todas essas leis de regulação são assinadas pelo Fernando Henrique Cardoso. Talvez corrobore a minha tese que ele regulamentou o Estado Brasileiro. Talvez pela formação de engenheiro, talvez pelo tecnicismo, não consigo vê-las como leis autoritárias (estou falando aqui da Lei do Plano Nacional de Recursos Hídricos), consigo ver o tal dos interesses difusos coletivos e individuais representados dentro dos órgãos do Sistema Nacional de Recursos Hídricos pelas organizações civis. Talvez, essas organizações sejam muito técnicas e pouco populares. Mas a ação política (regulada pelas diretrizes do SNRH) cabe ao poder executivo, eleito pela maioria da população. As organizações como tais, representantes do interesses difusos coletivos e o Ministério Público, podem contrabalancear a ação do poder executivo.

No entanto, me peguei pensando agora, será que o movimento dos desalojados pelas barragens faz parte do conselho? Se não, cabe ao Ministério Público representá-los. Assim eu espero! Para não acabar com minha crença na lei!

Lei Trípoli

Talvez por ignorância, quando estava fazendo o parêntesis acima lembrei-me da Lei Trípoli que todo mundo fala muito mal, que a chamavam fascista, mas que achei a Lei interessante, plural e democrática a ponto de quase votar no Ricardo Trípoli nestas eleições. Ok, depois descobri outras pressões da SMA sobre alguns licenciamentos que acabaram com a mágica, mas acho que quando a lei é boa, já é um começo.

Queria ser um interesse difuso coletivo!

Adoro esse termo. Me lembra Emília Rutkowsky (a professora mais picareta que já conheci), Alain Tourine, lembra Lei Trípoli, Resíduos, Ciesp. Estava numa fase tão boa da minha vida quando fiz Ecologia! Apaixonei-me pelo Gabeira (principalmente depois de ler O Crepúsculo do Macho), conheci Cidades Invisíveis, comi muito no Gatti. Depois de tudo isso fui pra Argentina. Não que a Emília tenha feito alguma diferença nisso tudo, mas foi um símbolo!

quarta-feira, julho 25, 2007

E agora?

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

(...)

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Relaxa José! (by Maurício)

Contribuição para um dia de trabalho!

segunda-feira, julho 23, 2007

Uma visão política

Social Democrata??

A princípio, como princípio, considero-me um social democrata. Aquilo que Marx considera no 18 Brumário de Luís Bonaparte, como a tentativa de aliar dois componentes antagônicos do capitalismo moderno, capital e trabalho. Essa tentativa de aliar estes componentes se daria dentro da democracia burguesa, democracia parlamentar de voto direto, que uma vez criada dentro da ideologia burguesa impediria que esse equilíbrio fosse alcançado. Também existiria o fato da lógica do capital ser a exploração do trabalho assalariado, de tal forma que o equilíbrio desta forma seria impossível, uma vez que seria impossível desta forma estimular o trabalho per se, dentro de um regime capitalista.

No entanto, a própria lógica do capitalismo fez surgir novas diferenciações além da dicotomia capital x trabalho. Nesta lógica de diferenciação, surgiram outros interesses, que mais do que um problema da burguesia, atravessam a sociedade como um todo, como as questões de gênero, de raça, da ecologia; que também devem ser equilibradas dentro de uma concepção de Estado.

Acredito então que um Estado social democrata poderia ser uma espécie de indutor de um Estado revolucionário, a partir da experiência única de dar voz a outros participantes da nossa sociedade capitalista.

Desta forma um Estado social democrata deveria equilibrar entre as duas tendências, capital e trabalho, ora não restringindo a lógica do capital, ora preservando e estimulando o trabalho assalariado, da mesma forma que desse eco a todos os interesses difusos da sociedade moderna, que diferenciou-se muito além do capital e do trabalho, permitindo assim a acomodação das discussões sobre gênero, raça e ecologia.

Na busca deste equilíbrio, a construção da social democracia passa necessariamente na construção da democracia, garantindo a todos os atores sua representação, não só de forma parlamentar, mas também como democracia direta e participação na administração dos equipamentos do Estado. Neste contexto, formas como as plenárias setoriais (da Saúde, da Educação, da Assistência Social, do Orçamento Participativo) com sua representação plural do Estado, sindicatos patronais e de trabalhadores, além da própria sociedade; bem como formas de democracia direta, com plebiscitos e referendos; seria uma forma de conseguir estimular a participação de todos os interesses difusos da sociedade e ser um contrapeso a lógica do capital.

Existe aqui o problema da ideologia, uma vez que a própria base individual da sociedade é mais um ponto a favor para que o Capital seja privilegiado nesta balança de interesses. Acredito, porém, que o próprio surgimento de questões que atravessam todas as classes sociais, podem fazer surgir uma quebra na estrutura ideológica do capitalismo, do indivíduo, da eficiência, fazendo necessária uma abordagem coletiva destes problemas. Um exemplo que eu acho fantástico destas abordagens foi a recente entrega de título de propriedade a duas lésbicas num assentamento de reforma agrária. Um problema de uma minoria sexual associado com um problema estrutural de classe.

Mas para que o Estado seja capaz de absorver essas atribuições, cabe a ele se fundamentar como Estado, estimular assim a dominação legal, desestimulando as outras formas de dominação, como o carisma e a tradição. Não necessariamente com a construção de uma burocracia que seja uma elite, mas sim com uma burocracia que seja capaz de reproduzir em ações as ações necessárias para reproduzir a necessidade dos interesses difusos.

Portanto meu Estado ideal é um Estado participativo que consegue representar todos os interesses de todas as pessoas que o compõe, mas que ao mesmo tempo em que seja permeável, e que dê o peso a todos, seja um Estado que consiga se impor como tal.

E o governo FHC??

Bem, embora o lado trabalho tenha sido bem prejudicado em relação ao capital (aumento da informalidade, desprestígio dos funcionários públicos), me agrada a idéia de algumas regras para ação do Estado. Acho que o Estado brasileiro é muito mais formal, com instrumentos para ação hoje, que em 1994. Cabe aí, talvez com a possibilidade de olharmos pela lupa, a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas também o Estatuto das Cidades, a criação das Agências, onde o estatal se dissolve no público.

Privatização

Não acho esse assunto tão relevante. Mas entre uma casta que usufrua da estatal e uma empresa regulada por uma agência que funcione, prefiro a segunda.

Universidade Pública

Neste ponto eu acho que estou muito mais próximo da União Cívica Radical do que qualquer outro partido. Acredito realmente que a educação deve ser pública e laica, em todos os níveis. Acho que somente sobre a tutela do Estado pode-se criar uma consciência democrática. Para mim, a questão da universidade pública aqui, deve ter uma solução argentina. Deveríamos simplesmente abrir a universidade a todos. Ela sim é uma porta para inclusão, para a formação de uma consciência crítica da sociedade, e para criar quadros para a burocracia necessária para este Estado operacional. Mas não vai cair a qualidade? Bem, que pensemos soluções, não problemas!

Fim de uma era?

Acho que tanto o governo Lula quanto o Alckmin (e sua origem, Quércia) representam um retrocesso numa tentativa de sistematizar o Estado. Invocam muito mais o carisma, investem contra o parlamento. Para mim, ambos tem uma visão desenvolvimentista que é próxima ao Malufismo, com a vantagem para Lula, que está expandindo a universidade pública e com as bolsas-família que para o bem ou para o mal estão fazendo um papel de inclusão.

Eleições 2008

Não tenho idéia em quem vou votar ano que vem, não tenho nem idéia de onde vou votar na próxima eleição. Embora tenha feito uma ode ao tucanato, não penso em votar no PSDB por não me sentir representado. Emanuel Fernandes? Ary Fossen? Está faltando um pouco mais de José Serra neste partido. É bem provável que vote no PV, repetindo meu voto em 2004. Voto sem base popular, com pouca chance de vitória.

domingo, julho 15, 2007

Eu e o Romantismo


Mostras de um Renato Romântico e não tão romântico.


Acho que sempre quis ser identificado numa tribo. Talvez o fato de me reinventar muitas vezes, rompendo alguns destinos já bem traçados dos meus grupos anteriores, fez com que eu idealizasse as pessoas que se intitulavam punks, esportistas, comunistas, esquerdistas, hippies, diretoria e outros.

O mais próximo de um adjetivo que pudesse me completar talvez seja Romântico. Um Romântico até não muito romântico, mas ainda sim um Romântico. Numa viagem da Luísa ela achou essa definição e sempre que eu vejo grupos em ação, lembro-me dela.

Claro que as definições são limitadoras e que um indivíduo não é assim tão limitado como a própria definição. Mas existem categorias que acabam se encaixando tanto nos pensamentos e palavras, atos e omissões. Moderno, Romântico, não que não possa ser alguma coisa disso tudo, mas que talvez reaja de uma maneira muito mais Romântica.

Estou falando aqui daquele Romantismo da valorização do sentimento, das emoções, da interpretação subjetiva da realidade, que quando a realidade não o segue na sua interpretação subjetiva foge. E aí ele foge para uma sociedade ideal, para um mundo distante, para infância, para o amor ideal (graças a Deus eu fujo da fuga pela morte!).

Como não chamar Romântico alguém que foi a Buenos Aires e encontrou nesta cidade a mesma cidade que Gardel cantava? Ou que escuta Amália Rodrigues quando decide sofrer?

Acredito que o Serra é o nosso De Gaulle. Imagino o tipo-ideal de mulher brasileira como a Marina. Acho que o parlamento é formado por grandes políticos como o Gabeira, a Erundina, que ficam em segundo plano por poucos picaretas. Defendo o aborto como quem defende a modernidade. Vejo o mundo com olhos de Aurélia, e em sociedade tento ser Fernando Seixas. Quando perco o ônibus lembro de Cinco Minutos. Acredito até em social democracia como maior conquista de uma bourgeoise da qual me imagino filho e da qual não me sinto parte.

Neste cenário, como não tomar um drink em São Paulo com Maurice para esquecer destas contradições? Como não ir a Campinas para comemorar um aniversário com o Hugo? Como não conversar sobre cidades com o James? Oras. É fuga, é Romântica e me é comum!

Até na crítica eu me sinto representado. Luísa, Madame Bovary, Conselheiro Acácio, Carlos Eduardo da Maia. Todos eles me representam tão bem como Lucíola, Eurico, Eugênio, Simão Botelho.

Oxalá essa história de o indivíduo refazer por si só todos os passos da sua civilização seja verdadeiro e que eu chegue ainda antes dos 30 no Realismo, de maneira e me manter um pouco mais sereno e não odiar tanto a segunda-feira por lembrar que tenho que voltar a trabalhar.

quarta-feira, julho 11, 2007

Sindicalização, sim ou não?


Quatro vezes por ano eu tenho que fazer incríveis discursos por uma postura que até o momento, acredito eu, seja uma postura ideológica.

A questão é a seguinte: além da contribuição compulsória sindical que nos toma um dia dos nossos salários todo mês de março, o sindicato dos vidreiros cobra dos seus filiados uma contribuição mensal de alguns caraminguás (que não são lá tão caraminguás assim). Para que você não pague os tais caraminguás você deve entregar quatro cartas durante o ano denunciando a convenção coletiva do sindicato (caso contrário lhe tungam mais 1 dia do seu trabalho).

Na minha opinião, a questão é muito simples e de foro íntimo, no entanto... Se não fosse uma lei fascista baseada numa lei do Mussolini que obriga todos os trabalhadores a ser sindicalizado baseado numa distribuição de classes e lugares (por exemplo, Sindicato dos Vidreiros do Vale do Paraíba), todos estariam fora do sindicato e se sindicalizariam voluntariamente. No entanto, a lei subverte a voluntariedade do ato e obriga os que não querem, a escrever cartas ao sindicato sinalizando sua vontade de não ser sindicalizado.

Aí vem a palhaçada. Hoje e amanhã são os dias de entregarem as tais cartas no sindicato. Cria-se uma celeuma absurda em torno da ida ao sindicato. A fábrica, vestida em pele de cordeiro, estimula (em segredo, de uma maneira não muito discreta, diga-se de passagem) que os funcionários entreguem as malditas cartas. Grupos se reúnem para almoçarem fora e passar no sindicato. A vida floresce no escritório. Esquemas de carona se armam. A grande maioria entrega as cartas.

Como o mané aqui decidiu ser sindicalizado, diz a lenda que eu sou o único do escritório, tenho que defender a minha opinião sobre essa questão, lembrando que a campanha salarial começa exatamente agora, que nossa database é dezembro, e que, querendo ou não, pouco ou não, nosso dissídio é maior que a inflação todos os anos, que para mim é uma mostra de uma boa atuação sindical. Além do mais, como a entrega é um evento social, a não-entrega se torna um ato sui generis. Alegar que você é sindicalizado é quase que afirmar que você é um alcoólatra.

Essas discussões me desgastam. Meus incríveis colegas olham para mim como se eu fosse um idiota que está dando dinheiro pro sindicato. Os mais antigos me olham como se eu fosse subversivo. No dia das cartas almoço sozinho!

Enfim, sou sindicalizado, acho interessante um contraponto ao poder da empresa, acredito que este é um bom meio de negociação, e principalmente que o escritório é um lugar onde as máscaras são muito fortes. Pago, e ultimamente tenho orgulho de pagar.



segunda-feira, julho 02, 2007

Roadtrip com o Rei


Na estrada com Roberto Carlos

Confesso que minha admiração pelo Roberto Carlos é um pouco démodé, afinal ele é um símbolo da geração dos meus pais. No entanto ele cantou uma das épocas mais intensas da nossa civilização, suas músicas estão relacionadas com a revolução sexual, as mulheres das canções do Roberto Carlos são modernas, liberadas; também cantou o divórcio e outras transformações mais como o movimento ecologista, o movimento hippie.

Ok, pode aparecer até um pouco reacionário por suas voltas às origens que volta e meia apareciam em seu disco, ou até pela religiosidade. Mas nos anos 70 sua religiosidade não era carola, e até as canções de regresso, como O Portão ou Debaixo dos caracóis dos seus cabelos são canções que tem um certo quê moderno, mesmo cantando o regresso.

Aliás, eu realmente não consigo pensar num outro cantor que consiga cantar músicas românticas que cante um amor real, que está acontecendo, sem se tornar baixaria (Wando, Amado Batista, por exemplo), mas que está num limite, um limite até sexy (pensei no Marvin Gaye e no Frank Sinatra, que também caminham por esse limiar). Mesmo suas canções de separação são canções de superação, uma superação não rancorosa nem tampouco brega no estilo “ela me deixou e agora eu canto esta canção”.

Fui para casa esse fim de semana ouvindo Roberto Carlos. Interessante isso, quando preciso pensar, o Roberto Carlos me ajuda! Fui ouvindo 1968 – O Inimitável, e voltei escutando o 1971.

É bobo eu sei, mas fiz uma lista com 10 músicas:

Além do Horizonte (1975)

A minha favorita. Amor leve, Romântico com R maiúsculo, a busca de um lugar idílico. Dá vontade de sumir e aproveitar a “vida sem frescura”. Me dá uma paz essa canção!

Seus Botões (1976)

A música de amorzinho mais bonita que eu já ouvi. Aquela história “nos lençóis macios, amantes se dão, travesseiros soltos, roupas pelo chão” é uma descrição interessante. Eu acho bem sexy, aliás.

As canções que você fez para mim (1968)

Uma canção de fim de caso com um argumento interessante, a batida é meio black, a voz dele ainda está meio rock, o que deixa a música bem interessante.

Fé (1978)

Música religiosa, mas não tão focada no catolicismo, nem em culpa nem em arrependimento. É engraçado, mas eu acho que ela define bem Fé. Pelo menos eu sempre lembro da música quando quero relembrar a minha.

Lady Laura (1978)

Talvez seja a mais brega das minhas 10 mais, o clichê está no fato desta busca à mãe, mas não deixa de ser Romântica pela busca da infância como um lugar idílico.

Cama e Mesa (1981)

Passeando no limite da cafonice (se é que já não está, no entanto limiares são percepções muito pessoais). Acho fantástica a relação de sexo e comida, e que a saciedade de uma pode ser substituída pela outra. Sem contar que tem algumas passagens bem amorzinho-gostoso. Mas eu acho que a graça da canção está nesse crescente de frases que culminam num refrão bem legal.

Não serve pra mim (1967 – Em Ritmo de Aventura)

Uma música bem rockzinho, guitarras, tem metais também! E a música é muito chiclete! Descobri essa canção pelo IRA! Mas acho que gostei mais na voz do Roberto Carlos. É meio fossa, mas eu gosto dela.

Não há dinheiro que pague (1968 – O Inimitável)

Meio black essa música! Acho interessante, o tema é romântico, o som é datado, mas é uma canção moderninha.

O Portão (1974)

É um pouquinho reacionária, mas é interessante a volta pra casa relatada.

Amada, Amante (1971)

Amorzinho liberado esse! Um amor sem preconceitos que faz suas próprias leis! O som é datado também, mas a letra é interessante.

Cafonice

Na verdade eu tenho uma teoria sobre a cafonice. Eu acho que cafonice são metáforas e rimas pobres e clichês. O tema não faz uma música cafona, afinal existem músicas maravilhosas sobre temas batidos que graças ao autor se tornam músicas interessantes. Sendo assim, existem algumas músicas do Roberto Carlos que são hiper cafonas porque caem no lugar comum, mas outras, as metáforas são bem interessantes, por isso eu absolvo o Roberto Carlos da condenação geral que a minha geração o olha. Mas, as músicas que eu gosto são todas dos anos 70, talvez o ápice da carreira, amadureceu, cantou os 30 anos das suas fãs e a partir daí deu-se a tragédia.


Medo do Roberto Carlos??

Pois é, a maior lenda na minha casa é o fato que de criança eu morria de medo do Roberto Carlos. Principalmente esta foto que está no blog! Será que eu gosto de Roberto Carlos como forma de superação??

sexta-feira, junho 29, 2007

Dia de Sol no Parque


Achei que ficou bonita a colagem! Valeu Hugo =)


O divórcio eu não dou!

Separação

Realmente eu não estou numa fase como a do poema, mas, embora se tratando de um poema de separação, eu o achei tão interessante, que quis guardá-lo de alguma forma. Encontrei-o no blog do Marcelo Coelho, um colunista da folha que escreve para a Ilustrada. O poema é de um russo Ievguêni Ievtuchenko traduzido por Lauro Machado Coelho.


NÃO QUERO A METADE DE NADA

Não, não quero a metade de nada.
Dá-me toda a terra,
depõe todo o céu!
Os mares, os rios, os riachos nos montes
são meus! Não concordo com partilhas!

Não, vida, não me terás com meias caretas!
Deves-me tudo inteiro!
Só isso me contenta!
A metade da alegria eu não quero,
e nem da dor quero só a metade!

Mas quero a metade daquela almofada
onde, sob o rosto de leve apoiado,
estrela indefesa, estrela cadente,
na tua mão o anelzinho cintila...



Pode parecer meio psicopata, mas não é uma grande prova de amor a negação da separação? Lógico que sou a favor do divórcio, do direito das pessoas, mas, não deixa de ser amor...


Achei a parte final ótima, é o lado Maria Bethânia das pessoas se mostrando universal!



sábado, junho 23, 2007

Corpos Ardentes

¡Qué Calor!




Mas afinal, o que é um bom filme? Essa questão pode provocar confusão, afinal, classificar um filme como bom mexe com algumas convicções muito individuais.

Acabei de assistir um filme que eu adorei: Corpos Ardentes (Body Heat). É incrível o papel que o calor tem neste filme, talvez o calor seja um personagem maior que o William Hurt. Achei as cenas tão sufocantes que parecia que o mormaço do filme se transferiu para a sala e antes de chegar nos 40 minutos eu já tinha abandonado o edredon. Os primeiros 40 minutos do filme são vermelhos e amarelos, mas não é um vermelho Almodóvar, é um vermelho calor, calor de Jacareí praticamente.

Mas o engraçado de tudo é que o calor mexe realmente com a gente, o calor é sexy, intenso e eu acho que as reações seguem este mesmo ritmo. Há uma cena no início que o policial fala que o calor deixa as pessoas irritadas, que elas acordam suadas, e que elas se sentem desafiadas a romper a lei.

Após o crime o calor relaxa, até as noites dos filmes se tornam mais frescas e talvez a serenidade volte para os personagens também.

Fazia tempo que não via um filme tão sexy. A cena em que o William Hurt conhece a Katleen Turner é fantástica. Uma coisa bonita de ver, no limiar da baixaria. Adoro essas situações limites, e o filme todo é de situações limites, impulsionadas pelo calor.

Acabou o filme, desliguei a tevê e bebi um copo d’água. Que calor! William Hurt ganhou um fã. A meta agora é assistir O Beijo da Mulher Aranha que deu a ele um Oscar.

Amanhã estou indo para Campinas, vou passar o dia lá. Vou dormir torcendo para que dê 40 graus na sombra! Estou querendo intensidade! Não que não tenha encontrado no frio, mas que o calor dá um je ne sais quois, se dá!



segunda-feira, junho 18, 2007

Marta, Maria, Sabrina e um Sábado Fantástico



É contraditório, eu sei, mas se não fosse não seria Eu. No entanto uma lembrança inconsciente deste final semana foi a respeito do evangelho Marta Maria, que foi um episódio meio marcante na minha segunda volta à Igreja. O evangelho é praticamente sobre a dualidade entre a prática e a contemplação na vida de igreja. Na passagem Jesus entra na casa de Marta e esta se põe a servi-lo enquanto sua irmã, Maria, se põe a ouvi-lo. Num dado momento Marta pede a Jesus que mande Maria ajudá-la, mas ele responde: “Marta, Marta, andas preocupada e aflita com tantas coisas quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor e esta não lhe será tirada”.

Na verdade o que quer dizer o evangelho é que uma ação sem orientação não é válida. A ação de Marta seria posta a perder se não tivesse a contemplação e a orientação do evangelho que era representada por Maria.

Tudo isso para dizer que no sábado tive um momento Maria (ou será um momento Sabrina??). Fui para Campinas, passei um dia ótimo e este dia teve um sentido. Com certeza não foi um sentido evangélico, mas como Maria soube fazer uma contemplação do dia, tanto que até melhorei. Depois de 3 dias de convalescença. Foi ótimo andar um pouco no sol, sentir calor, tomar café (infelizmente estou tomando tantos remédios que não pude tomar nenhum drink), fazer algumas compras, ir ao cinema. Dia perfeito.

Cheguei hoje para trabalhar com um espírito Marta. Mas o tal mandante 50 não está disponível para login, de tal forma que faltou na equipe do projeto um momento Maria.


Dry Martini

Acabei procurando receitas de dry martini na internet para estreiar meus copinhos novos! Na verdade fiquei com vontade de comemorar o aniversário do Mauricio com Dry Martinis. É uma hipótese, não a descarto. Fiquei feliz com meu cartão de crédito este mês. Será que aprendi a domesticá-lo?

sexta-feira, junho 15, 2007

Reagan, Reaganomics e os mais espertos da sala


Os mais espertos da sala

Acabei de ver um documentário muito interessante sobre as fraudes que levaram a falência da Enron.

A questão da ideologia é realmente interessante. A cultura do mercado como regulador, de que a ação orientada a interesses é predominante e comum a todos, pode trazer certa nebulosidade sobre o ético e o justo. Afinal, a questão do mercado como uma arena onde todos se orientam de maneira semelhante e onde todos têm o mesmo direito e o mesmo acesso é realmente estimulante e vai realmente de encontro com a nossa noção de liberdade e individualidade. E sendo a regra do mercado você agir de acordo com seu interesse, não é justo você fazê-lo?

O liberalismo econômico é fantástico porque ela devolve para o cidadão o controle da sua vida, e essa sensação de progresso é fantástico! É a mesma sensação de quem tira uma carta e pode dirigir. Com o mercado você pode pôr suas regras e ganhar. É difícil tirar essa ilusão de uma pessoa.

Depois que vi o filme, fiquei com a impressão que muitas das pessoas envolvidas talvez não tenham nenhum sentimento de culpa porque se sentem injustiçadas, uma vez que acreditaram naquele mundo da fantasia e viveram de acordo com as regras que o acompanhava.

E se o importante era valorizar as ações da empresa, nada como ser inteligente, e conseguir ganhar dinheiro onde a lei não impedia (que pode não ser ético, mas é justo), e quando a lei impedia, poderia criar uma ilusão contábil até a lei permitir, ou até conseguir recuperar-se.


Reagan

No colegial apresentei um trabalho de Geografia sobre neoliberalismo e fiquei maravilhado com a figura de Ronald Reagan. Acho que a grande sacada de quem estuda ciências exatas é a concepção que a natureza é simples. E os pensamentos de Reagan eram simples. O Estado e o excesso de regras deformam a principal regra do mercado que é a livre competição. Apoiado numa crença em valores individuais, onde o coletivo é desconstruído em prol da figura do indivíduo, com livre-arbítrio. É muito mais fácil você se motivar com a idéia de que você pode prosperar dependendo exclusivamente de você, do que você é um ser envolvido dentro de um histórico de acontecimentos e que está socialmente determinado.

A idéia é tão cativante, que mesmo dez anos depois de ter contato com Reagan, no final do ano passado, li um livro, Freakonomics, onde tudo poderia ser explicado pelo incentivo, pela lei da compra e venda, da oferta e da procura.

Homo economicus o caralho.

Discutindo recentemente durante o almoço sobre vantagens e desvantagens de ser CLT, cheguei a conclusões horríveis sobre minha participação no mercado de trabalho. Não sou realmente um homo economicus, minhas escolhas geralmente apontam para o menor rendimento possível, talvez até por falta de uma educação econômica. No entanto, mesmo sabendo que poderia ganhar muito mais grana aplicando meu FGTS por aí, ou aplicando o dinheiro que o INSS me retém na fonte; prefiro deixar essa minha consciência na mão do governo. Afinal a tentação das compras é grande e é bem provável que eu me torne um velhinho indigente se esse mercado se regule. Não confio na minha habilidade de gerir fundos! Nem mundos!

A foto

Achei-a paradigmática

Convalescença

Estou de molho devido a uma gripe, que poderia resultar numa sinusite, que me obriga a tomar 6 remédios diários que me dão um sono do cão e que me fez perder a voz! Mas tudo bem!

quinta-feira, junho 14, 2007

Não se reprima!

Que isso? Inconsciente!

Dirigindo hoje surgiu, das profundezas do meu inconsciente a musiquinha dos Menudos.

Não se reprima

Canta, dança, sem parar
Sobe, desce, como quiser
Sonha, vive, como eu
Pula, grita, ô ô ô ô ô ô...

Não segure muito teus instintos
Porque isso não é natural
Sai do sério, fala Alto, dá um grito forte,
Quando queira evitar
É saudável, relaxante, recupera
E faz bem a cabeça
Por isso
canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô

Vá em frente, entra numa boa
Porque a vida é uma festa
Não console, não domine, não modere
Tudo isso faz muito mal
Deixe que a mente se relaxe
Faça o que mandar o coração
Por isso
canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

Não se reprima
Não se reprima
Pode gritar

Não se reprima
Não se reprima
Não se reprima

Dança, canta, sobe, desce, vive, corre e pula como eu!

Canta, dança, sem parar
Sobe, desce, como quiser
Sonha, vive, como eu
Pula, grita, ô ô ô ô

Chega de fugir, de se esconder
E de deixar a vida pra depois
Não persiste mais, se o mundo quer,
O tempo corre, nada vai te esperar
Entra de cabeça nos seus sonhos
Só assim você vai ser feliz
Por isso canta, dança, grita, ô ô ô ô ô ô

REFRÃO

quarta-feira, junho 06, 2007

São José dos Campos

Ócio e Estatística

Aproveitando um momento de total ócio no meu trabalho, resolvi pesquisar se algumas impressões que tinha de São José dos Campos eram verdadeiras. Não pode ser levado ao pé da letra, escolhi cidades de maneira aleatória de forma a traçar um panorama de cidades grandes do interior. Algumas das cidades que julgava grande, não eram tão grandes assim. Mas vale o registro.

Pesquisei as seguintes cidades:

Bauru
Campinas
Jundiaí
Ribeirão Preto
São Carlos
São José dos Campos
São José do Rio Preto
Sorocaba
Taubaté

Algumas coisas interessantes:

São José dos Campos é uma cidade espalhada

Essa sensação é o primeiro impacto para uma pessoa que vem de fora e conhece São José dos Campos. A concentração de prédios está restrita a alguns lugares e a maioria dos prédios é nova. Além disso, são comuns áreas totalmente desabitadas no meio da cidade, em plena Avenida Cassiano Ricardo, você pode encontrar vacas!

São José dos Campos apresenta uma densidade de 519,2 hab/km2, contra uma densidade de 769,27 hab/km2 de Jundiaí ou 1161,10 hab/km2 em Campinas. Além disso, somente 12% dos domicílios joseenses são apartamentos. Jundiaí que é uma cidade menor apresenta 14% e Campinas, 21%.

São José dos Campos é uma cidade rica

Como cidadão, vejo o quanto os preços aqui são maiores que na minha terra. Talvez uma das causas seja que São José dos Campos é uma cidade rica, o PIB per capita aqui chega a R$ 30.014,11, enquanto Campinas, que sempre achei que fosse uma cidade rica tem um PIB per capita de R$ 14.262,06 para Campinas. Impressionou-me que Jundiaí tenha um PIB per capita de R$ 20.131,21.

Tenho a impressão de uma cidade menos desigual que Campinas, mas não achei um índice para medir isso, talvez o IDH (ano 2000), neste quesito São José dos Campos está em 11º lugar no Estado, atrás de Campinas e Jundiaí, mas a frente das outras.

São José dos Campos não tem um grande número de automóveis

Talvez pelo número de avenidas expressas, São José passa a impressão de uma população mais motorizada do que de outras cidades que conheci, ainda mais com a expansão dos condomínios, a existência de Miamis perdidas na cidade. No entanto, o índice de habitantes em relação ao número de automóveis aqui é de 3,80, o maior (só perdendo para Taubaté) das cidades analisadas.

Há muitos homens em São José dos Campos

Engraçado, das cidades analisadas, São José dos Campos apresenta o maior número de homens para um grupo de 100 mulheres: 97,49. O maior para as cidades analisadas. Em todas estas cidades há mais mulheres que homens, mas em São José dos Campos este índice é mais igualitário. Destaque para Ribeirão Preto, com 92,99.

Fiquei tão curioso que analisei para este item todas as cidades do Estado. A cidade com a menor proporção é Santos: 85,74. A com maior é uma cidade de Álvaro de Carvalho, com 145,74.

Nenhuma cidade com mais de 100 homens para cada 100 mulheres é uma cidade grande.

Já são cinco horas! Hora de ir embora!

A propósito, a foto acima é uma vista da cidade de São José dos Campos

terça-feira, junho 05, 2007

Erundina Sim!


Um governo democrático e popular


Acho que uma das coisas que mais me entusiasmou de criança foi a eleição para a Prefeitura de São Paulo em 1988. É engraçado; uma das imagens mais antigas que eu tenho na minha memória foi a eleição de Quércia em 1986. A eleição da Erundina já foi num momento de maior consciência.

Hoje, por acaso, acabei descobrindo uma entrevista da Erundina de 1990, completando 1 ano e meio da sua posse. Achei incrível como alguns assuntos são tão atuais e ao mesmo tempo, olhando sob a ótica com que acompanhamos política hoje, são tão radicais.

Cabe lembrar, que o governo Erundina e de outros petistas da mesma época, como Jacó Bittar em Campinas, sempre foi contestado pelo próprio partido como governos que se renderam ao capital. No entanto, não encontramos durante a gestão da Marta Suplicy, ou da Izalene Tiene em Campinas, propostas tão revolucionárias, e tão cativantes como às expostas pela Erundina nesta entrevista.

É incrível a percepção da dimensão do poder local, e como este pode ser articulado numa frente popular. Estimulam-se ali novas formas de participação popular, e com ela se pretende resolver os problemas que a cidade apresenta. Uma coisa também presente e que nós desconhecemos hoje, é um sentido de governo. Dá uma impressão que o governo sabia para onde estava andando.

E a partir daí pode se notar a estatização do transporte público, uma resposta do poder local frente a uma política nacional recessiva e conservadora, o restabelecimento dos canais de conversação com a sociedade.

Acho que esta entrevista me deu uma nova noção do poder local. Ele sim é base de grandes transformações, uma vez que o poder público interfere muito mais na nossa vida cotidiana, que a política nacional.

Sinto-me hoje um personagem apolítico na vida da minha cidade. Não usufruo de nenhum serviço público, minha noção de que o governo vai bem ou não se resume ao estado de conservação das ruas em que transito. Daí a necessidade de uma forma mais radical de governo, trazendo todos para a esfera pública.

Abaixo o link da entrevista:

http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=642

A revista é ligada ao PT, e por isso se torna ainda mais paradigmática esta entrevista. Existe também uma entrevista interessante de Jacó Bittar (praticamente expulso do PT durante sua gestão na prefeitura de Campinas) e de Florestan Fernandes.

sexta-feira, junho 01, 2007

Viernes a la noche

Friday night in the Paradise

Minha casa. Banho tomado, casa limpa, Nina Simone, divã Le Corbusier, bebidinhas. Esperar. Chegar. Sair. Drinks, cigarrinhos, comidinhas, pessoas bonitas, conversa animada, Heart of Glass. Beijo no elevador, cama queen size, lençol de algodão, banho demorado e acompanhado; todo o fim-de-semana pela frente.

Friday night in the Reality

Minha casa. Banho tomado, casa suja, roupa para lavar, Ella Fitzgerald, barulho da máquina. Esperar. Chegar, Ligar o computador, orkut, conversas, gente bonita, conversa animada, Heart of Glass. Beijo, boa noite, saudades. Cama estreita, lençóis sintéticos, Bebê de Rosemary na cama, medo de dormir, acordar e trocar o livro na biblioteca para mais um fim-de-semana.

Coucher

Lavar o rosto

Escovação
Fio dental
Gargarejo

Pegar o algodão
Passar a loção

Espremer
Espalhar

Movimento circulares
Hidratação rápida

Dormir

Lever

Lavar o rosto

Escovação
Fio dental
Gargarejo

Passar o algodão
Passar a loção

Espremer
Espalhar
Movimentos circulares
Hidratação rápida

Trabalhar

terça-feira, maio 29, 2007

Música e Divã

Algumas músicas para mim são a própria representação de um estado de espírito. É incrível como eu me ligo em umas músicas que ninguém ouve!

Felizmente, como agora divido meu carro com outros seres não tão nostálgicos como eu, pus um ponto final na fase Charles Aznavour, pelo menos enquanto durar o projeto SAP. O primeiro sintoma deste acontecimento foi a repentina melhora no meu humor matinal. Já posso rir antes das 10 horas, momentos antes em que eu sempre me lembrava de Hier Encore, e ficava imaginando o tempo perdido que era estar sentado ali.

Na mesma linha foi-se Laura Pausini, que era o outro lado dos dias Charles Aznavour. Geralmente gostava de ouvir Laura Pausini na volta. E realmente as lamentações dela faziam com que eu esquecesse as poucas coisas boas do dia.

No entanto a vida passou, mudei de área, de ares, e realmente ainda não sei se gostar destas músicas era causa ou conseqüência da minha sabrinice (atitudes inspiradas em Sabrina, aquelas, da Júlia e da Bianca). Eu acho que é tanto causa como conseqüência. Afinal, um sofrimento à la Aznavour é revigorante; e uma paixonite à la Laura Pausini é um objetivo.

Ainda acho um mistério o que me atrai neste tipo de música!

Escuto agora somente rádio pela manhã, e à tarde, quase sempre, esqueço de ligar o rádio, somente músicas comerciais, poperô da rádio pop daqui. Não tenho tanta emoção quanto antes, mas acho que ando descomplicando um pouco minha vida.

A propósito, estou postando ao som de músicas italianas dos anos 60. Mais precisamente ao som de Sapore di Sale, que é uma música fantástica, bonitinha, de um mundinho perfeito. Sem pretensão alguma.

Uma vez me disseram que eu me preocupo demais, acho que agora tenho as condições materiais para me preocupar menos. Incrível, ta andando tudo certo. Até já posso até me imaginar numa lambreta ao som de Al di lá, ou numa praia ao som de Sapore di Sale!

10 musiquinhas italianas!

1. Il mondo – Jimmy Fontana
2. Sapore di Sale – Gino Paoli
3. Cuore Matto – Little Tony
4. Il Cuore – Rita Pavone
5. Quando m’innamoro – Gigliola Cinquetti
6. Guarda come dondolo – Edoardo Vianello
7. Al di la – Etta Scolo
8. Nel blu dipinto di blu – Domenico Mondugno
9. O Mio Signore – Edoardo Vianello
10. Datemi un martelo – Rita Pavone

Acho que estou num bom estado de espírito hoje!


segunda-feira, maio 28, 2007

Heart of Glass

Heart of Glass

Faz um frio absurdo em São José dos Campos. Tive a brilhante idéia de tomar um café com um amigo e perdi o sono! Para ajudar, por ser domingo, acordei tarde, não fiz nada o dia todo e só me resta escrever um pouco.

Maurice me mandou um vídeo do youtube com uma apresentação de Blondie por esses dias, com uma senhora cantando uma das músicas ícone de uma era. Esta senhora não parece nenhum pouco Debora Harry que cantava esta música no final dos anos 70.

É incrível, conheci esta música assistindo um GNT fashion. Na verdade reconheci a música, afinal ela estava na minha memória de infância. A música é fantástica, revigorante, forneceu a frase que mais uso no MSN e no orkut: “What I find is pleasing and I’m feeling fine”. Esta frase por si só é sinônimo de toda juventude da música.

Como o tempo é implacável! Eu realmente fiquei impressionado com isso. Buscando no youtube um vídeo da época desta música, pude ver um vídeo vibrante, fantástico que estava longe do vídeo enviado por Maurice.

Declarar que “what I find is pleasing and I’m feeling fine” não é tarefa para qualquer um. Embora eu utilize muito esta frase, somente depois de um tempo de terapia que ela passou a ser realidade para mim!

Volto novamente na ladainha que a modernidade foi deixada pra traz, que somos conservadores hoje, blá blá blá blá. Mas será que temos uma música simbólica assim?

Por sorte, o próprio Maurice me apresentou a resposta, e a partir daí eu até acho que a modernidade não está tão abandonada assim. A música é “Las de la intuición” com a Shakira.

Deixo os três vídeos!






quinta-feira, maio 24, 2007

Um tempo novo de mudança vem surgindo


José Serra



O lado mais gaullista do meu ser se agita com o governador José Serra. Não votei nele, votei em Plínio de Arruda Sampaio para governador, no entanto, as suas ações após a eleição e principalmente seu discurso de posse, me fizeram ver um político diferente da imagem que eu tinha dele.

Por que gaullista? Eu realmente acho que o Serra é um tipo de político que pode seguir essa linha do General de Gaulle. É notório que ele varreu o Quercismo deste Estado, quercismo este que assombrou o governo Alckmin. Não é só um conservador, não é um político de direita no estilo do ex-governador Alckmin, dos seus aliados petebistas. Também não é, e nunca vai ser, uma peça chave que possa polarizar com o presidente Lula, mas é um político democrático e obediente a lei (ok, nunca procurei direito o que foi o tal do golpe da V República que de Gaulle produziu, mas a V República é bem mais República que a nossa República)

Há muito tempo atrás (nos tempos que eu lia a Barsa), li que o espectro político da direita se reúne em torno de quatro princípios: autoridade, propriedade, comunidade e hierarquia. Dependendo da ênfase em um destes quatro pilares, você teria uma corrente de pensamento.

Vejo no discurso do Serra os quatro pilares, mas esta autoridade e hierarquia estão de tal maneira inspirada numa ética pública que me causa uma certa comoção. Enquanto a nossa direita tradicional é de um discurso totalmente paternalista e patrimonialista. O discurso serrista atualiza certos valores comunitários, o que o faz um político sui generis. Dentro de um discurso da ordem (ordem não como suporte do status quo e sim como uma situação de não convulsão social); acredito que proponha uma construção democrática e plural do Estado, mantendo um Estado forte, com um papel ético definido.

Segue um trecho do discurso de posse:

“O que pretendo enfatizar aqui é a necessidade de uma prática transformadora na política brasileira, que vá além, muito além, de discursos. Não basta que se reconheça a necessidade do bem. É preciso praticá-lo. Não basta anunciar futuro glorioso para o povo brasileiro. É preciso construí-lo. Não basta que manifestemos reiteradamente nossos votos de uma vida melhor. É preciso mobilizar instrumentos e técnica para que ela seja realidade.

Em termos de poder público, aquela prática exige, antes de mais nada, que o Estado seja controlado por ele próprio, que o aparato governamental funcione como um todo coerente, do ponto de vista moral, da eficiência e dos objetivos perseguidos, que aja em em função do interesse público. Nada mais distante disso do que a banalização do mal na política brasileira, das vorazes tentativas neopatrimonialistas de privatização do Estado, que tanto tem prosperado em nosso país.





Em segundo lugar, é preciso que o Estado seja cada vez mais controlado pela sociedade, que esta possa se defender de seus abusos e nele possa influir alterando o rumos das ações públicas, na perspectiva da contínua democratização. E os governos, eu penso, têm de estar empenhados em contar uma parte da história do futuro, antecipando-se ao erro, cercando suas possibilidades, agindo com planejamento, abrindo o caminho e sinalizando a direção a seguir”.

É um discurso conservador, defendendo um Estado técnico, com a sociedade dando as direções a um Estado tecnicamente capaz de dar este rumo, que assume seu lado comunitário, baseado na hierarquia das instituições, na autoridade do Estado que é submisso a sociedade.

No entanto, se isso é desejável, se torna um convite a burocratização já que nem sempre o técnico (que por ser técnico se torna uma verdade quase absoluta, pelo menos como discurso) é o desejado pela população. Ainda mais um população conflitante, conflitante até na extensão da democracia. Neste instante, um modelo destes talvez seja presa fácil ao populismo-patrimonialismo-patriarcalismo seja ele da direita (focado na ordem), seja ele na esquerda (focado numa fraternidade e igualdade, pseuda ou não).

A sociedade civil não sendo um todo, pode não ser representada nesta democratização do Estado proposta, e o pior, com fraturas cada vez maior pode pôr em risco a governabilidade.

Destaco o texto abaixo, o trecho do discurso do governador a este respeito:

“Temos presente que a governabilidade é tarefa de quem obteve nas urnas o mandato para governar. Não me passa pela cabeça, por exemplo, transferir para a oposição o dever de assegurar a governabilidade do estado que me elegeu. Quem é altivo na derrota não se sujeita. Quem é humilde na vitória não exige sujeição. É assim que se faz uma República”.

Hoje eu vejo que o Estado de Serra está em um impasse que envolve estudantes atrás de uma barricada numa reitoria, que não reconhecem nas urnas uma derrota e são realmente altivos. A humildade das urnas não foi capaz de causar o respeito a todas as ações, e a sociedade reagiu de uma maneira não muito ordenada.

Não questiono a autoridade do governador. Eu até extrapolo e acho que o governador tocou num ponto interessante da autonomia universitária. É uma instituição que consome 10% dos impostos de todo Estado e se autogoverna, sem a interferência dos cidadãos que a bancam. É para o cidadão (não duvido do seu papel), mas não é submetida ao cidadão. A universidade e a população em geral andam em caminhos diferentes com alguns poucos pontos de contato, de tal forma que ninguém vai sair as ruas para defendê-la, nem tampouco para apoiar o governador.

E como se desata este nó? Talvez perdeu-se uma grande possibilidade de democratizar esta questão e envolver todos os cidadãos do Estado. Afinal, é louvável o nível e a autonomia das três universidades públicas paulistas, e a questão da transparência aumentaria ainda mais o seu lado público.

Estou achando interessantíssimo o desenrolar desta história, acho que ela pode abrir um bom debate.

A foto

Esta foto foi o maior erro político que um democrata poderia fazer. Está reproduzida em cartazes nas manifestações dos estudantes e servidores que o acusam de autoritário.

A imprensa

Como a imprensa é anti-greve!


Parágrafos


Os parágrafos desta merda se autogovernam! Não me obedecem!

segunda-feira, maio 21, 2007

Crime de Mestre


Domingo no cinema. Fui assistir a Crime de Mestre. Gostei do filme. História de Tribunal, certo suspense.

No entanto a justiça ali caminha em uma tênue linha moral que é interessante observar. O filme mostra um assassino que conhecendo a lei, planeja o crime perfeito. Embora existisse a consciência do crime, e até a confissão do criminoso, não existiam provas para que fosse considerada a culpa.

Essa busca de uma prova incriminadora acaba se tornando urgente frente a possibilidade de liberação do criminoso pela falta de provas. Em um momento, a promotoria se vê envolvida a plantar uma prova de forma a conseguir a condenação do assassino. Devo lembrar que não existe dúvida que o acusado é o assassino, o que não existe é uma prova que permita sua condenação.

O jeito que a história é contada faz com que o público comece a desejar que o promotor ultrapasse a linha da justiça e realmente consiga sua condenação. Aí mora o perigo. É incrível como a platéia fica instigada a querer que a promotoria ultrapasse esta linha e é igualmente incrível como ela fica decepcionada quando o promotor se mantém nesta linha.

A lembrança neste caso é de Menina Má.com, onde uma menina resolve fazer justiça com suas próprias mãos e o filme, e a reação do público a absolve. Supera-se o justo na busca do certo, criando uma lógica muito mais simples que a lógica do direito.

Por sorte (na verdade esse por sorte é uma opinião minha, afinal estava realmente preocupado com o precedente que o filme poderia abrir), o promotor se volta novamente para a justiça como forma de incriminar o culpado. Da mesma forma que o acusado usou o direito para se safar num primeiro instante (e ao mesmo tempo causar uma afronta ao promotor), o promotor usou do direito para pô-lo no banco dos réus.

Maria Antonieta e a ética revolucionária.

Estou a umas 80 páginas da morte de Maria Antonieta, e o filme me fez rever uma posição interessante na biografia. Como a revolução altera alguns aspectos éticos importantes. O fim da deidade do rei que abre espaço a uma política de insultos e o regicídio que não fazia parte da ética anterior.

Será que a presença de tantos filmes onde a justiça é superada frente a uma noção de certo cada vez mais maniqueísta não é um sintoma de uma nova ética que está sendo criada? Afinal superou-se uma política de direitos e deveres para uma simplificação da discussão (vou pôr aqui um momento que talvez seja clave deste movimento, a eleição de Reagan e a queda do muro, que abriu caminho para uma globalização de idéias simplificadas como o mercado).

Depois destes dois filmes, e vendo o apoio cada vez maior da pena capital no país, começo a ficar preocupado com isso.

domingo, maio 20, 2007

O Bebê de Rosemary


O programa deste sábado à noite foi assistir um DVD em casa, e com meus pais! Na verdade meu pai abandonou o projeto antes dos 20 minutos, sobrando somente minha mãe e eu na sala. É engraçado, mas a única vez que fomos ao cinema os três (eu, meu pai e minha mãe) foi para assistir A Profecia, de tal forma que vamos nos especializando em filmes de terror.

Comprei O Bebê de Rosemary numa fúria consumista que tive no sábado passado enquanto passeava pelo centro de São José dos Campos. Lembrava que tinha assistido o filme, mas não lembrava do filme. E não é que eu gostei muito do filme?

Adorei as cenas, pausadas, de uma ambigüidade tremenda entre o sonho e a realidade, durante todo o filme dá pra desconfiar se Rosemary estava mesmo esperando um filho do diabo. As cores, os prédios, as seqüências sem efeitos especiais, tudo isso contribui para um filme interessante. Achei interessante também a posição de Rosemary, uma mulher em vias de emancipação, não é uma mulher moderna, mas também já não é mais uma mulher dos anos 50.

Lembrei-me muito de uma explicação que o Mauricio me deu a respeito de A Bela da Tarde, onde o fato das cenas de sonho estar encadeadas com as cenas de realidade, sem cortes, ou sem introdução a esse espírito, fazia com que a Realidade fosse a grande discussão daquele filme. Não seria o mesmo caso aqui? Embora os fatos do dia a dia vão levando a perceber que o sonho de Rosemary é sim a realidade!

E no entanto, no fim, a maternidade supera o nojo, eu achei fantástico o final. De uma realidade, e de uma fantasia. A maternidade e a vaidade superam o nojo. A maternidade e vaidade superam também um limite ético. Não caberia a mãe matar o diabo?


Gostei do filme, achei um filme bonito, intrigante. Procurando no google sobre o diretor, fiquei com vontade de assistir outros dois filmes dele: Repulsa ao Sexo e O Inquilino. A ver.

segunda-feira, maio 14, 2007

Paroles, paroles, paroles


Mas é só a Economia?

Tenho olhado com interesse o desenrolar do PAC, um olhar de uma perspectiva diferente do que tenho olhado política ultimamente; talvez, pela primeira vez sem resquícios de faculdade, com um olhar de quem trabalha.

Na minha visão de trabalhador, vejo a economia indo bem, obrigado. Nestes dois anos que trabalho, tive dissídios maiores que a inflação do período, que me converte em um trabalhador com aumento real de salário. Ao mesmo tempo, talvez por descuido, talvez por falta de atenção, não tenho visto carestia, aumento de preços, no máximo variações sazonais. Os altos juros me afetam, uma vez que estou numa fase de expansão de crédito, e de dívida. Pago um carro em n parcelas, e isso me custa caro.

Por outro lado, talvez viva na parcela brasileira que tem um crescimento francês, imagino eu que na França as pessoas também tenham reajustes iguais ao meu dissídio e pagam o mesmo nível de impostos como eu. Embora eu não usufrua nenhum serviço público. Sou petit-bourgeois, vou trabalhar de carro, utilizo serviço de saúde privado; contribuo para a previdência pública, mas apostei minhas fichas na previdência privada.

Quando soube que uma parcela da população brasileira vive um crescimento chinês, fiquei feliz em saber que pelo menos meu imposto de renda estava sendo utilizado para promover uma diminuição da desigualdade social. Fiquei mais feliz ainda quando soube que a diferença entre o salário das mulheres e dos homens caiu, assim como a dos negros e dos brancos. A diminuição da desigualdade foi um tema importante para que eu deixasse o homem trabalhar, superei grandes obstáculos ideológicos para votar no Lula nas últimas eleições.

No entanto, existem alguns problemas graves que venho observando. Até que ponto é só a economia que deve reger a política no Brasil.

Mesmo tendo uma “opção pelos pobres”, este governo é um governo de banqueiros e industriários. Governa com olhos para o mercado financeiro, faz agrados getulistas ao patronato, operários, servidores e uma grande classe amorfa de dependentes das bolsas que o Estado mãe oferece.

Ao mesmo tempo que possui um discurso progressista, estamos vendo uma asfixia da sociedade civil. Sindicatos, partidos de oposição, Igreja, igrejas, estão todos num balaio que sustentam o governo, seja por apoio direto ou chapa-branca.

Não sei qual é o caminho pelo qual seguiremos, mas acredito que muito do discurso progressista vai fazer com que a sociedade retome seu papel. Essa população chinesa precisará de serviços, sentirá o impacto e vai querer viver como a população francesa.

(A analogia está péssima, mas acho que é fato que uma parte da população brasileira está auferindo ganhos que nunca teve, enquanto uma outra parte vive estagnada)

Neste momento, acredito que caminharemos para um momento surpreendente da sociedade brasileira, que pode ser um momento de afirmação de valores democráticos. Não será possível abdicar de uma discussão profunda sobre a questão ambiental, sobre a afirmação de direitos humanos, sobre a expansão de direitos civis (aborto, casamento gay, estado laico) e aí sim sobre até onde a economia regulará o direcionamento da sociedade (que faremos com a aposentadoria? Que faremos com quem está na informalidade?).

Quando pensei no argumento deste texto, me pareceu claro, que poderia caber a classe média, a classe francesa, a vanguarda deste movimento, que poderia levar esta nova massa que está sendo beneficiada pela redução da desigualdade a uma experiência mais radical de liberdades. Talvez essa classe média espremida financeiramente, mas filha das experiências libertárias do início da nova república pudesse ser a guia de uma nova guinada de liberdades no Brasil.

Talvez a lembrança do Marx como esta classe média é a traidora da história me deixou um pouco pessimista, talvez por lembrar a comoção dos meus pares pela visita do Papa, ou pelos votos no Clodovil, pelo Alckmin, pelo discurso religioso-obscurantista cada vez mais presente na tevê.

Mas que seria interessante, seria.

Selvagem?

A polícia apresenta suas armas:
Escudos transparentes, cassetetes, capacetes reluzentes,
E a determinação e manter tudo em seu lugar.

O governo apresenta suas armas:
Discurso reticente, novidades inconsistentes
E a liberdade cai por terra aos pés de um filme de Godard.

A cidade apresenta suas armas:
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê o grande monstro se criar.

Os negros apresentam suas armas:
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem quem ta cansado de apanhar.

Crepúsculo do Macho

Já até estou vendo a cara do Maurício quando ler o que eu vou escrever aqui. Mas acho que uma das experiências mais libertárias que tive foi ler “Crepúsculo do Macho” do Gabeira. Foi um pouco antes da descoberta dos interesses difusos!

domingo, maio 13, 2007

Tulipas


Tulipas

Hoje, dia das mães, presenteei a minha com uma flor tão linda, que resolvi que quando tiver uma casa mais estruturada, terei tulipas!

Encruzilhada

Meu trabalho está me encaminhando para uma encruzilhada. Ao mesmo tempo que eu vivo para o meu salário e dele tiro todas as coisas boas da vida (para as que não depende diretamente dele, preciso dele para me levar até elas). Não consigo me imaginar nesta função por muito tempo mais. O pior é que a hipótese de uma promoção me deixa mais angustiado. Acho que a função da minha chefe é mais estressante ainda!

Infelizmente, nenhum de meus hobbies ou interesses podem me levar a uma outra carreira, ando com uma sensação de tempo perdido.

Clodovil e a Homofobia

Era a coisa mais óbvia do mundo que o candidato a deputado Clodovil não seria um representante da comunidade gay no congresso, mais óbvio ainda que a sua visão de mundo era machista, homofóbica. A coisa se tornou histriônica uma vez que ele era candidato por um Partido Social Cristão (sic!)

Infelizmente, despejou-se um monte de votos nele e eu acho que a comunidade gay também ajudou. Talvez por troça, talvez por descrédito dos políticos, e ele se tornou um dos deputados mais votados do Estado.

Triste que o deputado mais assumidamente gay da história do parlamento esteja sendo acusado justamente de homofobia e machismo!

O Clodovil é a imagem do atraso, da caricatura, e principalmente da desmoralização do parlamento.

Outback

Rompendo um preconceito, fui tomar cerveja e comer a famosa cebola do outback. Juventude dourada campineira por todos os lados; eu acho que até posso ser um deles, se quiser (com um pouco de massa muscular, um carro melhor na garagem, uma garagem e alguns reais na conta).

Adorei o lugar! E a companhia!

Maria Antonieta

Vou voltar à biografia da Maria Antonieta! Caramba, estou viciado em biografias. Será um caminho natural para minha curiosidade alheia??

segunda-feira, maio 07, 2007

Viagens na minha terra

Viagens na minha terra
A minha casa está onde está o meu coração
Ele muda minha casa não

Era uma provocação. Pelo fato de ser do interior, todos na mesa disseram que eu tinha que mudar de cidade muitas vezes, enquanto eles da capital raramente saíam da sua cidade.

Pensando bem, acho que é verdade.

Minha casa está em São José dos Campos, trabalho em Jacareí, pelo meu sangue inglês estou ligado à Caçapava. Às vezes vou a Taubaté.

Quem amo está em Campinas, como eu amo a cidade também, vivo lá. Meus pais estão em Jundiaí, e quase sempre que vou à Campinas passo por lá. Em ocasiões especiais vou à Campo Limpo Paulista ver meus avós.

Neste verão a fuga preferida foi Ubatuba, no inverno com certeza não será Campos do Jordão.

Na capital tenho dois grandes amigos, mas acho que as minhas referências hoje estão mais no interior. No entanto, preciso de uma dose de capital para não me tornar um joseense, pelo menos no espírito.

Para ir a estas cidades eu posso escolher entre o esquecimento ou a descaso. Se escolho o esquecimento vou pela D. Pedro, e olho com curiosidade para Bom Jesus dos Perdões; se escolho o descaso, olho com tristeza para Guarulhos da Dutra.

Mesmo andando tudo isso, eu adoro estas viagens. Não me vejo, hoje, fazendo outra vida! Nem mudando de Estado!

Trilhas viajantes para viagens

R.E.M
Andrés Calamaro
Charles Aznavour
Beck
The Beatles

Sègoléne, les verts et les rouges

Pensei a viagem de volta inteira sobre este tema para um post...

Não estou com saco de desenvolver isso agora

sexta-feira, maio 04, 2007

Tender is the night

Ritz

Ontem a noite resolvi brincar de rico e fui visitar meu amigo internético orkutiano na capital. Acabei num bar (um restaurante?) que achei um charme. Bebidas bonitas, pratos maravilhosos, um ambiente fantástico. Quanta gente bonita!

Foi muito bom sair pra jantar longe daqui, quando a tensão ronda o meu trabalho, minha maior fuga é sair.

Minha vontade quando sentei aqui era fazer descrição realista do lugar, mas sou romântico, lembro sensações, distorço realidades; só consigo me lembrar de um ambiente com tons vermelhos (será a framboesa da caipirinha?), com espelhos, uma luz amarela envolvente, um burburinho, risadas, gente bonita, e eu fiquei realmente feliz ali. Fiquei imaginando que queria estar ali mais vezes, com mais pessoas, com todas as pessoas, com só uma, e muitas vezes.

A brincadeira saiu cara, mas acho que valeu a pena. Volto lá mais vezes

Livre Associação

Enquanto estive no bar, não consegui parar de lembrar de Suave é a noite de F.Scott Fitzgerald. Parecia que estava no livro, não na época, não com os personagens, mas no espírito do livro. As festas, uma gente despretensiosa (existe essa palavra), uma fluidez de conversas, de idéias. Sensação que o mundo está andando rápido (tudo que é sólido se desmancha no ar).

Que essa sensação não desague na segunda guerra como foi o fim da era do Jazz, mas sim numa serenidade, talvez nem tanto autista, como de Dick Diver, o personagem principal do livro.

Trilha sonora

Beck - lembrei muito das músicas que o Hugo gravou para mim.

quarta-feira, maio 02, 2007

Uma casa moderna

Residência Olívio Gomes - Parque da Cidade - São José dos Campos

Aproveitei o domingo de sol e fui levar a visita para conhecer o Parque da Cidade.

Acabei surpreendido. Já tinha visto a residência Olívio Gomes dentro do parque, mas desta vez, talvez por estar com alguém fissurado em design, me detive por mais tempo. Neste instante percebi que aquela residência não é uma residência qualquer. Planos, cores, murais, jardins, rampas, viveiros, venezianas, aberturas, elementos; uma casa conceitual! Impossível não imaginá-la habitada, com seus móveis modernistas, com pessoas modernas. Todo mundo numa varanda olhando um jardim exuberante.

O mais incrível é que quem a construiu, ou melhor, mandou construir, foi um gerente da Tecelagem Parahyba; um simples gerente. Para quem está acostumado com gerentes dentro de bay-windows e telhados recortados, encontrar esta residência foi um achado.

É uma pena que acasa está sendo destruída pelo tempo. Não consegui imaginar uma ocupação para ela sem ser casa (são fantásticos estes modernistas, estavam tão ligados na funcionalidade que a casa não pode ser outra coisa além de casa!). Acho que a cidade deveria restaurá-la, mobiliá-la e fazer dela uma casa-museu. Quem sabe o número de telhados recortados e prédios caixotes diminuem em São José dos Campos?


Residência Olívio Gomes
Parque da Cidade
Arquitetos: Primo Levi e Roberto Cerqueira César
Paisagismo e Murais: Roberto Burle Marx










sexta-feira, abril 27, 2007

Mas tem lugar para estacionar?

Uma onda de intolerância tomou conta de mim!!!

Não existe pergunta que me desperte mais ódio do que "mas tem lugar para estacionar?". Essa pergunta expressa toda a mediocridade que pode existir numa pessoa.

Pensemos desta maneira, se eu te convido para ir a algum lugar; você me questiona se há lugar para estacionar; eu respondo que não. Não ter lugar para estacionar o impede de ir a este lugar?

Se para você a resposta é sim, acredito que o carro lhe dominou! Na verdade o carro é o meio que leva você aos lugares e não o fim em si mesmo. Se eu realmente quiser ir a algum lugar, não será o estacionamento que me impedirá.

Ontem fui conhecer o novo barzinho da juventude dourada joseense, o Eivissa (adorei saber que é Ibiza em uma língua qualquer, me disseram basco, mas aposto que deve ser valenciano, catalão ou outra qualquer). Durante toda a semana, a pergunta que mais escutei foi o famoso "mas tem lugar para estacionar?". Considerando que o lugar fica numa avenida famosa da cidade (Av. Adhemar de Barros), num bairro rico e comercial (Vila Adyana), a pergunta se torna tão tosca que não sei como as pessoas tinham coragem de perguntar! Meu Deus, estacione na rua! Vão a pé, se estão com medo de que lhes roubem o carro! Sem contar que num bar caro como aquele, é impossível não ter serviço de vallet! Enfim, as cocotas e os rapagões deixaram seus carrões no serviço de vallet e puderam se descontrair no bar.

O pé rapado foi a pé! (Sou vizinho, pago pouco e moro bem!)

Enfim, o Eivissa!

Adorei o lugar. Adorei as companhias (contraditório, mas sou eu este ser contraditório!). Bebi um pouco demais. Dancei muito. Acho que é um dos ambientes mais interessantes que conheci em SJC, bem decorado, leve, um quê de sofisticado. Gostei!
Uma cidade industrial

Depois de todo esse stress a respeito do lugar para estacionar, lembrei-me da definição dos joseenses por novo amigo Ricardo. "É um povo cujo maior objetivo é comprar um carro!".

segunda-feira, abril 23, 2007

Segunda-feira INXS


Segunda-feira diferente!

Devido a muitas horas trabalhadas, umas férias não programadas e minha nova função de key-user do SAP, folguei esta segunda.

Sendo assim, segunda-feira de sol; calor bom, temperaturas agradáveis com tendências a esquentar, esfriar, esquentar; restituição do imposto de renda; transformei a segunda num sábado fantástico!



Achei a trilha sonora perfeita para esta segunda: INXS!

Não que houve excessos, mas como a música caiu bem para as coisas que fiz!


INXS - Never Tear Us Apart

Don't ask me
What you know is true
Don't have to tell you
I love your precious heart

I
I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never tear us apart

We could live
For a thousand years
But if I hurt you
I'd make wine from your tears

I told you
That we could fly
'Cause we all have wings
But some of us don't know why

I
I was standing
You were there
Two worlds collided
And they could never ever tear us apart



segunda-feira, abril 16, 2007



Ócio, Tédio, Programa Sílvio Santos e Woody Allen

Uma viagem me fez ficar em São José dos Campos este final de semana.

Espero toda semana pelo final de semana. Pelo ócio, o ócio criativo, o ócio que me faria sentir novamente no mundo dos pensantes, onde leria mais, ouviria mais, escreveria mais, conversaria com outras pessoas as quais não tenho acesso durante a semana. O fim de semana tranqüilo seria a solução para voltar à elite, aos meus amigos, meus anos dourados da faculdade. Poderia ligar para a Luísa, conversar com o Érico, de repente tomar umas margaritas (minha nova paixão). Combinar com meu irmão a viagem a Brasília. Enfim, por a vida em ordem.

Eis que o ócio se torna preguiça, e como conseqüência vem o Tédio!

Como é incrível a inércia que me move! Acabei passando o final de semana inteiro na Internet, ora acompanhando o Thiago enquanto ele trabalhava, ora procurando na Internet o que eu poderia fazer para vencer o tédio. Acabei lavando, passando, esfregando, cozinhando e pensando. Não li, não escrevi, não liguei (por sorte Luísa me ligou) e a vida passou.

O final de semana em que poria minha leitura em dia teve seu ápice no Programa Sílvio Santos, talvez o oposto do que eu julgava ser, a maior prova que o meio está em mim, ou talvez a lembrança ancestral que Jundiaí ainda está em mim. Como vicia, como prende, como dá esperança. Se não fosse Luísa ter me salvo, com certeza estaria atrás do meu carnê do Baú.

Acho que Luísa me salvou tanto, que depois do telefonema, criei coragem, tomei um banho, me barbeei e fui ao cinema, Woody Allen me distraiu até o tão esperado telefonema de domingo à noite, e o fim de semana acabou, já li a Veja e o sono demorado de manhã acabou me trazendo a insônia que me traz ao blog!

Promessa: Não passar mais nenhum fim de semana sem margaritas.

Scoop

Como eu me divirto com o Woody Allen. Ao todo, assisti na minha vida quatro filmes dele: Melinda e Melinda, Match Point, Annie Hall e agora Scoop (na ordem em que eu assisti). Os dois da fase inglesa, um totalmente americano e um na transição.

Como adoro o tema modernidade, acabo classificando tudo e todos na sua visão de modernidade. Acho o Woody Allen extremamente moderno. Mostra pessoas modernas em situações modernas de maneira moderna. Sem o clichê da neurose, ele é nosso lado cosmopolita ao extremo. Em todos me senti representado.

Achei engraçado como uma das coisas mais lógicas que imagino, o suspense, foi tratado de uma maneira lógica, mas sendo dado por uma coisa totalmente absurda, como um contato mediúnico! Existe lógica no absurdo? Talvez não, mas de repente uma coisa absurda pode ser lógica!

Por fim, na irracionalidade, nos personagens não maniqueístas, com personagens bons em vícios ruins, a história se desenrolou, me divertiu, e salvou este domingo!

Promessa: Preciso rever Match Point!

domingo, abril 08, 2007

Marie Antoinette


Fato marcante desta Páscoa: fui assistir Maria Antonieta no cinema!


Claro que este fato não ocorreu em São José dos Campos, onde este filme não passou e não vai passar. Com certeza os joseenses nem saberão da existência deste filme.


Eu achei tão incrível a maneira com que foi contada a história, a linguagem video-clipe utilizada em cenas que eram típicas do século XVIII.


Talvez a história seja um pouco conservadora ao afirmar que as inconsequências da juventude podem levar a um caminho sem volta. Só para ser clichê é importante afirmar que também temos um pouco de Maria Antonieta, talvez a música dos 80, lembre isso a todo instante!


Pontos a destacar:


Ótimo feriado. Devidamente descansado e com a pele ótima!.


Um filme bom fica melhor com uma companhia boa e um cigarro depois da sessão


Estou cada vez mais caseiro. Será a idade?

quinta-feira, abril 05, 2007

Campinas! Aí vou eu!

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux!

Balayés les amours
Et tous leurs trémolos
Balalyés pour toujours
Je repars à zéro!

Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui,
ça commence avec toi!

Eu realmente não me arrependo de nada!!!

Boa Páscoa!!!

segunda-feira, abril 02, 2007

E a Classe Operária vai ao Paraíso!


“Eu não trabalhava
Eu não sabia!
Que o homem criava
E também destruía!

Homem Primata!
Capitalismo Selvagem!”


Acabou mais uma overdose de trabalho!

Eu ando cada vez mais fascinado com a idéia do trabalho e do seu papel na sociedade. Talvez esteja me tornando um marxista convicto. Não tanto na idéia que o operário será a classe que porá fim a luta de classes construindo uma nova sociedade e acabando com o motor da história, mas acreditando piamente no papel do trabalho na formação do indivíduo e na sua capacidade de fazer-nos uma classe em si e para si.

Acho ainda a idéia de superação do capitalismo mais um desejo que uma tendência universal, ou melhor, talvez essa tendência universal tenha passado e os marxistas de plantão ainda não perceberam que levaram uma rasteira deste modus vivendi ocidental que opera em todos os níveis de nossa vida. Não é a toa que o Che vive em camisetas de pessoas que não sou o homem ideal, nascido da luta de classe.

Terminado esta loucura de trabalho, percebo como o trabalho pode sim moldar o indivíduo. Talvez assim como o sexo (aliás, essa percepção do sexo como um elemento não libertador, e sim como moldador da nossa vida em sociedade seja uma das discussões mais interessantes que já tive – valeu Mauricio! Ainda preciso ler Foucault!), o trabalho enraíza comportamentos, hierarquias, subserviência, mas também pode ser um elemento transformador, desde que seguido num ambiente não machista, de respeito, de respeito as individualidades.

Acho que depois desta jornada, comecei a olhar o trabalho de uma maneira muito peculiar. Espero que eu seja um elemento transformador do meu ambiente de trabalho e não simplesmente um moldado por ele. Embora seja uma postura não profissional, adoro observar o mise-en-scène dos meus diretores em busca do bem de todos e do seu bem próprio, e como seus subordinados os acompanham nos suas apresentações. Mas uma coisa que me tem chocado ultimamente, é como a possibilidade de um poder (que não é real, nem simbólico, e sim esperança), pode acabar com a solidariedade de classe. Como os peões de escritório têm esperança em ser gerente!

Amanhã é aniversário da cidade de Jacareí e é feriado. Talvez, se na fábrica, o paraíso da classe operária seja a greve; no escritório a classe operária vai ao paraíso quando chega um feriado, e aí todas as máscaras caem e todos criam uma nova realidade, as pessoas se percebem e todo mundo vai embora feliz e contente para suas casas.

Depois de três dias trabalhando mais que 12 horas dias (ainda bem que houve muitas lutas para uma jornada de 8 horas, caso contrário teria trabalho 16!), estou indo para minha casa gozar o feriado (oxalá bem gozado!!!)

Viva a cidade de Jacareí!