terça-feira, junho 10, 2008

A Zona Leste é insustentável!

Transumância
Quando entrei na CPTM achava graça da enorme quantidade de gente e do tumulto que isso gerava na estação da Luz devido ao Expresso Leste. Passado mais de dois meses, a simples idéia que vou passar por ali já causa um certo mal-estar, uma pequena depressão. È muito triste ver e viver esse tumulto. Existe uma pressão muito grande sobre mais de 800 mil habitantes que estão retornando para a zona leste pela CPTM (sem contar os mais de 1 milhão de habitantes que estão retornando pelo metrô). Empurra-empurra, aperto, brigas diárias, depredações, vandalismo, vagões crentes. Todos os dias expomos muita gente a uma condição muito irreal, sem contar a irrealidade de obrigarmos as pessoas a viajarem mais de 3 horas por dia para vir, e mais 3 horas para voltar com todo esse tumulto.

A minha primeira impressão é que tudo se resolveria por uma técnica adequada na movimentação destas pessoas. Acho que a função de engenharia é essa mesma, realizar de uma maneira economicamente viável, ambientalmente sustentável e democraticamente as ambições de uma sociedade. Mas até que ponto essa transumância é viável. Será que a sociedade sabe o quanto custa manter um crescimento desordenado desta maneira? Será que sabemos qual o impacto ambiental disso tudo? Será que não estamos expondo estas pessoas a preconceito e diminuindo as possibilidades de se realizarem após todo esse tempo e esse tumulto?

O mais louco desta discussão é que num primeiro momento se culpa o morador (quem mandou querer morar em Ferraz de Vasconcelos!). Ao mesmo tempo a tentação para tendências autoritárias é gigantesca. O difícil é imaginar uma solução para um problema destas proporções de maneira democrática e inclusiva. E aí nasce um problema grande, será que o município é mesmo o lugar correto de enfrentarmos este problema. Afinal, o Estado inteiro paga para transportarmos essas pessoas. Cabe lembrar que esse não é um problema consolidado, é um problema dinâmico, a zona leste tem taxas de crescimento superiores às do centro.

Num primeiro momento, acho que precisaríamos de dados certos sobre o impacto dessa migração em massa. A sociedade precisa saber que isso ocorre. Gente morrerá sem saber o que é o Expresso Leste, pagará por isso e não saberá. Sofrerá o impacto e não saberá. Acho que o passo seguinte será conseguir criar pólos de desenvolvimento nessa região. E não é o Tatuapé não! O Tatuapé está muito perto, aliás o Tatuapé é um centro gerador de congestionamentos, não de solução. A medida que vai atraindo novos empreendimentos, colocará mais carros nas ruas e não diminuirá a pressão da zona leste.

Acho interessante idéias como a USP Leste, além de educação e oportunidades são necessários empregos. E como atrair empregos para uma região tão difícil de chegar. Talvez o lado engenheiro pregue mais obras viárias de forma a acabar com o isolamento.

Especulação imobiliária

Combater a especulação imobiliária é necessário, mas, muito além de um problema social é um problema moral. Pergunte a qualquer cidadão e a maioria não condenará a especulação imobiliária. Ela nos foi vendida como uma esperteza, um olhar empreendedor do dono do imóvel. Nunca, jamais, como um ato que lesa a sociedade. Acho que o Estado, nesse caso as prefeituras, devem regulamentar os instrumentos que lhe foi dado pelo Estatuto da Cidade, e principalmente, a sociedade deve saber o quanto isso custa para ela. Está faltando marketing nesse combate, talvez esteja faltando clareza para os movimentos sociais para conseguirem frear isso.



Tumulto durante a quebra de um trem do Expresso Leste



Foram apedrejados 3 trens sendo mais de 60.000 pessoas afetadas



Estação Júlio Prestes

domingo, junho 08, 2008

Pecados Inocentes (Savage Grace)


Bem, se tivesse o dom de fazer uma comparação, adoraria comparar Pecados Inocentes com o Talentoso Ripley, O Grande Gatsby e Suave é a Noite e talvez tivéssemos um retrato de uma época, seria um exemplo interessante para sabermos como chegamos até aqui. Talvez seja pessimismo, mas fico com a sensação que perdemos uma onda interessante de libertação do indivíduo com a liberação sexual e a L’age d’Or do pós guerra (embora F.Scott Fitzgerald seja do entre-guerras, não acho que se perde do que estou tentando dizer).

Quando falo em libertação, digo no sentido de deixar as pessoas mais livres de tabus para seguirem seus caminhos, nesse ponto, tradição, religião, família, dinheiro, sucesso, são marcos na nossa história que nos conduzem; reverter tudo isso seria nos deixar sem marco nenhum, de maneira que fôssemos construindo novos paradigmas, ou pelo menos, construíssemos os mesmos de anteriormente, mas sem o misticismo e sim de uma maneira clara.

No entanto, em todas essas histórias, quando os personagens estão prestes a viver o mundo dos desejos, essa superação acaba levando para caminhos que realmente não nos levam a felicidade. Algo como se as novas formas de repente virassem novos marcos, se transformando em obsessão. Desta forma tudo que tinha de libertação na revolução sexual e no progresso, se tornaram novos marcos que as pessoas repetem sem produzir nenhuma mudança no final das contas.

Após toda a babaquice acima, adorei Pecados Inocentes, achei incrível como os tabus vão aparecendo, se rompendo, mas não de uma maneira libertadora, e sim de uma maneira muito sofredora. Embora totalmente longe do nosso dia a dia, e quebrando muitos dos nossos tabus. A história se apresenta como possível, como realidade. Não sei se o dinheiro ajuda a acontecer tudo aquilo, mas nas outras três histórias que apresentei, o dinheiro era o grande motivador desses desajustes.

Dá até vontade de tomar um dry-martini, fumar e ouvir jazz e tentar fazer uma comparação melhor. Nunca serei crítico de cinema! Não sei olhar um filme, só consigo ver o efeito dele em mim.

quinta-feira, junho 05, 2008

A professora de piano


Acontece muito comigo assistir um filme, gostar dele e quando o assisto novamente, esse filme se apresenta como novo. E digo novo não como metáfora de um entendimento novo, e sim como realmente novo, como se não lembrasse de nenhuma cena. Talvez a lembrança seja a lembrança do choque, o filme foi tão bom que retive em minha mente que gostei, mas como não discuti com ninguém, não lembro dos detalhes. Como entre a primeira vez que vi A professora de piano e esta surgiu um blog onde propus apresentar o que assistia, resolvi escrever sobre o filme e ver se consigo reter alguma coisa dele.

Não deixa de ser uma história de amor, se os atos de amor, de entrega, de recusa e de dúvida não fossem tão dramáticos e não-convencionais, não seria mais interessante que Amor de Perdição, no entanto, a intensidade e o fato de não ser convencional deixa o filme fantástico. Adoraria ver um psicanalista analisando o filme, como essa superação da mãe, a necessidade de entrega pode ser fantástica e como as coisas não-convencionais nos assustam! Não sei se fomos criados a achar que as atitudes de Tereza e Mariana são aceitáveis, no entanto, as reações de Érika são igualmente intensas e sofridas. No entanto, há negação do sexo em todas as heroínas citadas, só que a de Érika é mais moderna. E aí entra numa das discussões mais fantásticas que tive sobre como o sexo não é libertador e sim uma grande amarra, e nisso Érika se perde igual a Mariana.

Sem contar que a Áustria é muito mais propícia a uma história como A professora de piano do que Amor de Perdição (talvez porque ainda não vi Sissi, quem sabe mudo minhas idéias e sabriniso a Áustria).

Que filme fantástico, comecei a vê-lo no sábado e dormi, assisti na segunda-feira e ainda tenho insights sobre ele. Por enquanto ainda lembro de muitas cenas, estou até fazendo um esforço para não esquecê-lo.

Isabelle Huppert

Criei uma certa paixão pela Isabelle Huppert. Se um dia fosse entrevistado pela revista Quem e eles me perguntassem que é minha atriz favorita, diria de bate-pronto: Isabelle Huppert. Ela me convence, mesmo sendo inexpressiva. Como tem cara de paisagem essa mulher! Engraçado que só lembro dela nesse filme e em Merci pour le chocolat. Virei fã! Quero muito assisti-la como Madame Bovary.

quarta-feira, maio 28, 2008

Gardel - Volver

"Y aunque el olvido
que a todo destruye
haya matado
mi vieja ilusión
Guardo escondida
una esperanza humilde
que es toda la fortuna
de mi corazón"


Libertador San Martín!

Ótimo de trabalhar na Luz é que durante o almoço você pode passear por Buenos Aires, não é uma Buenos Aires Puerto Madero, tampouco Palermo, Palermo Chico, é quase Constitución, Once, meio Boca. Tem morador de rua, rua estreita; um prédio destoa da multidão, que não é exatamente belo, mas bem enigmático, como a Estação Júlio Prestes (quase a Alfândega).

Hoje andando pela Avenida Duque de Caxias, tive a impressão de ver San Martín em plena Praça Princesa Isabel. Não era San Martín, mas que a imagem é semelhante é. Aumentou ainda mais minha vontade de morar nos Campos Elíseos, esse nome tão charmoso que dá nome para um bairro nem tanto charmoso. Mas onde mais em São Paulo eu posso me lembrar de Buenos Aires??

Foi grande a comoção. Quis até almoçar uma milanesa para relembrar meus tempos anclao em Buenos Aires, mas só consegui achar feijoada. Nem tudo é perfeito nesta Buenos Aires imaginária.


Plaza San Martín - Buenos Aires (Estátua de San Martín)

Praça Princesa Isabel - São Paulo (Estátua de Duque de Caxias)







sábado, maio 24, 2008

A chuva, a paisagem e a oficina.

A comparação não é original. O que mais me impressionou em Travesuras de la niña mala foi o fato de Lucy escutar Ricardo como se escutasse a chuva, e o olhar o mundo como se olhasse uma paisagem, e eis que me senti tal e qual a Lucy quando me apresentaram a oficina de manutenção e os abrigos de trens.

Fresa, torno, prensa, pantógrafo, estas palavras para mim fazem tanto sentido como a chuva. A seção de motores, pantógrafos, mecânicos e graxas apareciam para mim como se fossem uma linda paisagem, exótica, num mundo que realmente não me pertencia. Caminhei durante dois dias num mundo fantástico onde as coisas não faziam nenhum sentido, onde a paisagem era desconhecida e o dialeto mais ainda.

Fiquei claramente envergonhado de como engenheiro que sou, não ter noção nenhuma do que estava vendo ou ouvindo. O palestrante falava e eu o escutava como se fora a chuva, andava pelas oficinas e as admirava como quem olhava a paisagem. Quando alguém me perguntava algo, respondia: incrível, e fazia cara de paisagem.

O mais impressionante de tudo isso foi os sheds que vi, não imaginava que tínhamos prédios tão lindos, tão monumentais na ferrovia. Consegui perceber outros termos técnicos mais próximos da engenharia civil. Preocupei-me com circulação, logística, iluminação, estruturas metálicas e só fui entender a diferença entre uma fresa e um torno num rodízio quando estávamos comemorando o fim dos passeios.




terça-feira, maio 20, 2008

Ainda assim Católico?


Acho esse assunto tão démodé que me sinto até mal em escrever sobre isso. Se o homem faz por si só todo o caminho da sua civilização, acho que existe parte de mim que ainda está não chegou na modernidade.

Dentre as pessoas que converso, me vejo (pelo menos eu acho que os outros também me vêem assim) como um defensor radical do Estado laico. Sou contra o véu, o quipá, a cruz em lugares públicos. Sou contra procissões, feriados santos e marchas pra Jesus. Ainda acho que somente o Estado laico pode trazer a liberdade religiosa plena. Gostaria de ver uma ação afirmativa para ateus e agnósticos, nosso mundo não os entende muito bem, e devemos garantir o direito deles serem ateus e agnósticos, tal qual o direito de ser católico. Sou favorável ao aborto, ao casamento gay e não suporto que alguém utilize argumentos religiosos nestas discussões.

Quando entrei na CPTM encontrei uma nova causa para lutar, o combate aos vagões crentes. Para mim, os pregadores nos trens são criminosos, acho que todo o proselitismo, exceto o proselitismo do Estado laico, que inclui a todos e não discrimina ninguém, deveria ser crime.

Escrevi tudo isso acima para chegar a conclusão contraditória que ainda me considero um católico, católico não-praticante, porque já deve fazer mais de 3 anos que não comungo, que não confesso, que não vou à missa. E passado todo esse tempo, não consegui nem me tornar um ateu, nem tampouco acreditar em outras doutrinas. Não consigo conceber a idéia de reencarnação, para mim não faz sentido algum, acho até um pouco covarde a idéia. Não consigo acreditar em teologia da prosperidade (muito embora um pouco de prosperidade aumentasse minha fé). Não vejo graça nenhuma no Budismo, talvez por não ser uma maneira muito ocidental de crer.

Ok, considero-me católico e faço sexo, uso camisinha, tenho os meus pecados e de muitos deles não me arrependo. Embora contraditório, ainda acho que o catolicismo tem respostas para o mundo moderno, mesmo sendo ortodoxas. Não podemos esquecer que toda essa noção de individualidade que existe hoje vem da Igreja. A Igreja defende a individualidade, o perdão, a caridade, o amor e a fé e tudo isso é necessário para o mundo moderno. Necessário, mas não suficiente, existe sempre esse combate ao corpo que está arraigado em nós, e existe a necessidade de sublimação do sexo, que a Igreja combate em algumas formas, mas que pode ser feita de maneira a manter a individualidade, o perdão, a caridade, o amor e a fé; a utilização sadia do corpo (o corpo como templo) também é objeto da Igreja. Tenho uma fé incrível, fé que as coisas vão dar certo, e que esse dar certo tem um elemento sobrenatural. Em todos os meus pensamentos sobre morte, não consigo me afastar do Credo (... donde há de vir a julgar os vivos e os mortos, creio em Deus, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na vida eterna...)

Não me vejo um católico praticante. Defendo o mundo; mas acho bonita a visão do mundo dos católicos. Não é fácil ser católico, requer sacrifício. E no atual estado não é uma igreja proselitista, e sim uma igreja em busca da sua identidade.

quinta-feira, maio 08, 2008

É hora de Quércia!


O sol nasce pra todos
E também para você!
Vote Quércia!
Vote Quércia!
PMDB

Durante a semana passada inteira visitei lugares que nunca imaginei que iria conhecer na minha vida, visitei Itapevi, Carapicuíba, Osasco, na outra ponta, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Suzano, enfim, visitei toda a linha da CPTM. Passei por lugares onde dificilmente se chega sem o trem, cidades dormitórios, cidades esquecidas. Em muitos destes lugares, você não sente presença alguma do Estado. São áreas de ocupação, antigas e novas, onde os únicos símbolos do estado são os prédios da COHAB (não eram do tempo em que se chamava CDHU), as estações de trem, em muitas estações as escolas e em algumas cidades os hospitais regionais.

Voltei desta visita com uma certeza absoluta que o governador Orestes Quércia merece uma cadeira no Senado pelo Estado de São Paulo. Por mais que se tentou (e se conseguiu) desconstruir Quércia, é inegável que em todos esses lugares, a única presença do Estado foi feita no governo dele. Não podemos também desconsiderar sua eleição histórica em 1974, que foi marco do início do processo de democratização no país. Estava olhando o histórico de atividade parlamentar durante seu mandato de Senador, e percebe-se que todos seus pronunciamentos se centraram em temas econômicos do estado de São Paulo, mas também reforçando a tese da municipalização, sem contar com projetos para o restabelecimento da vida democrática.

A própria eleição de 1986, veio ressaltar esse caráter plural e democrático (embora se acuse de ter concentrado o poder dos diretórios do PMDB, o qual mantém sob seu comando até hoje). No entanto, foi um governo que teve nos seus quadros um dos economistas mais brilhantes que já ouvi falar, como Luiz Gonzaga Belluzo, sem contar no apoio (não consegui levantar os secretários de Quércia) de Aloísio Nunes Ferreira, Alberto Goldman, Almino Afonso, Fernando Morais. O governo Quércia trouxe avanços na área de educação (primeira reforma do curriculum pós ditadura, embora tenha havido uma greve de quase 3 meses), bem como criou escolas, essas mesmas que são a única presença do Estado nas áreas mais periféricas da Grande São Paulo, sem contar na vinculação obrigatória de quase 10% da arrecadação do ICMS para as universidades públicas e criou vinculação orçamentária para uma política de habitação. Criou a secretaria do menor estimulando uma nova política de acordo com o estatuto da criança e do adolescente, além das delegacias de mulheres, que é uma vitória contra o machismo.

Lógico que teve todo o desgaste da eleição do Fleury, da quebra do Banespa (embora eu realmente acredito que só o tempo em que ele esteve sob intervenção do BC foi mais danoso que a administração Quércia), sem contar no escândalo das importações de Israel, mesmo assim, com um governo que terminou hiper popular, que fez grandes feitos como a vinculação orçamentária para as universidades, expandiu o metrô para o ramal Paulista, levou o metrô à zona leste, sem contar nas obras rodoviárias em todo o Estado, será que o Quércia não merece esse vaga muito mais que o Mercadante??

terça-feira, maio 06, 2008

Naquela Estação

Naquela Estação
(João Donato/Caetano Veloso/Ronaldo Bastos)


Você entrou no trem
E eu na estação
Vendo um céu fugir
Também não dava mais
Para tentar
Lhe convencer
A não partir

E agora, tudo bem
Você partiu
Para ver outras paisagens
E o meu coração embora
Finja fazer mil viagens
Fica batendo
Parado
Naquela Estação

Comentando notícias

Decidi fazer comentários sobre algumas notícias. Já que até a Veja pode dar a opinião dela sobre qualquer coisa, porque não eu?

Caso Ronaldinho

Concordo com o José Simão, o caso Ronaldinho só eu um caso porque é com o Ronaldinho, fosse com o Maradona, não teria caso algum. Maradona teria cheirado e tirado fotos com as travestis e tudo teria terminado bem. Não me conformo com o machismo e o moralismo desse caso. Primeiro, a polícia se empenhou pra provar que as travestis tentaram suborná-lo, e o Ronaldinho tratou de desmentir que saía com travestis e que cheirava. Bem, na minha opinião, isso é um problema dele, não meu, não nosso e não da Veja. Ronaldinho seja feliz, com mulher, com travestis, com coca ou com guaraná!

Raposa Serra do Sol

É muito fácil atacar índios, eles não se defendem, não são um cartel econômico e ainda dependem de ajuda de ongs estrangeiras porque não conseguimos dar o apoio necessário a eles. Se não bastasse tudo isso, ainda defendem a não-demarcação se apoiando num nacionalismo rançoso. Vamos esperar os outros ministros do supremo, algo me diz, que graças a um vento liberal no supremo, a demarcação sai (tirando o ministro Direito que o Lula indicou que pode ser uma belíssima maçã podre...).

domingo, maio 04, 2008

Proletários de todos os países, divirtam-se!


Se existe um feriado simbólico é o 1º de maio. Ao mesmo tempo que o trabalho pode ser a rotina que massacra, aliena e propaga tabus e preconceitos, tem contido dentro dele o oposto de tudo isso, no trabalho você pode aguçar sua criatividade, tomar consciência do papel desse trabalho na sociedade, sem contar que o trabalho é uma fonte incrível de socialização, se na escola nos socializamos com os iguais, no trabalho existe a chance de conhecer o diferente. O interessante é que para que desenvolvamos o outro lado do trabalho basta mudar algumas chaves, mas quão difícil é mudar estas chaves!

Para mudarmos estas chaves é preciso primeiro trabalhar o simbólico do trabalho e convenhamos, não o estimulamos de maneira alguma. É fonte de sofrimento, é o campo de atuação do machismo, da discriminação, mulheres ganham menos que homens, brancos ganham mais que negros. É fonte de assédio moral, sexual e ainda por cima, a todo instante, alguém quer mudar as regras que dão alguma segurança ao trabalhador.

Algo me diz que batalhar contra o machismo, a homofobia, os direitos individuais, criaria espaços para as transformações que mudariam estas chaves. Esses espaços, não são só espaços coletivos, mas inconscientes, o que nos tornaria mais abertos a todas essas mudanças que trariam esta nova visão de trabalho. Existe um elemento interessante que poderia ser o estopim de todas essas mudanças, o movimento ambiental, ele por si só traria uma transformação no modo de produção e de olhar o outro, pelo menos penso assim....

Adoraria trabalhar assim!

sexta-feira, abril 25, 2008

Falsa Loura


O Filme

Pela sinopse do filme não imaginei que teria tamanho impacto. Acabei entrando no cinema mais pelo horário favorável e pela lembrança de “Garotas do ABC”. A idéia da personagem principal ser uma operária também foi determinante. Passei minha manhã em Mauá andando de trem.

Como é fantástico que um diretor sintetize de uma maneira bastante realista muitas idéias que tenho. Machismo e homofobia são frutos da luta de classe e o sexo acaba sendo o campo de batalha, tanto das classes como das suas diferenciações. Se em “Garotas do ABC” essa relação com o sexo era primordial, em “Falsa Loira” entra em cena a cultura, que também é campo de batalha da luta de classe.

Com o que eu falei acima pode parecer que o filme seja de uma chatice tremenda, mas não é. Com grandes metáforas e um tema muito realista, quase descritivo, o diretor mostra na tela todas as minhas grandes questões marxistas.

Pode parecer um chavão absurdo, mas em ambos filmes encontrei personagens que fizeram parte da minha infância no Parque Eloy Chaves e da minha vida operária na Cebrace. Talvez algumas cenas possam parecer exageradas, mas não deixam de ser verossímeis. Conheci Silmaras, Micheles e todos os outros personagens!


Rosane Mulholland


Fiquei surpreso com a atriz. Sempre achei que era uma atriz de Malhação, mas me pareceu tão bem no papel. Tenho receio em classificar atores. Não sei nada sobre a técnica de representação, o que me deixa somente com a possibilidade de avaliá-los pela realidade (ou o efeito contrário quando desejado) que passam. Adorei vê-la no filme, parece que foi feito para ela.


Carlos Reichenbach


Minha meta é ver mais filmes deste cara, depois de Garotas do ABC e Falsa Loura, acho que merece que eu o veja mais...

sexta-feira, abril 11, 2008

Respeito por você!

Estou escrevendo este post para fazer uma comparação entre os dois slogans dos últimos dois governadores do Estado, sai o Respeito por você do Alckmin e entra o Trabalhando por você do Serra.

É incrível como o serviço público pode conter em si um papel moralizador. Moralizador no sentido de dar a população um padrão de moral, como se um padrão moral pudesse ser construído do alto do governo para toda a população. Pode ser que seja um sintoma autoritário, embora me pareça muito mais uma atitude fascista. Desta postura, o “Respeito por você” é muito sintomático, bem como os aviso que são dados nos trem no metrô e da CPTM (“Os assentos diferenciados são de uso preferencial, respeite esse direito”). É muito fácil cair nestas armadilhas. Uma vez constituído um corpo burocrático técnico, deve-se transmitir o certo para a população para que ela respeite o direito tal qual o Estado concebeu para ela. Afinal, dentro desse corpo está a lei e o saber técnico, não há mais nada que possa contrariá-lo. Bem, não só de fascismo vive esse tipo de postura, no extremo oposto do espectro político também podemos encontrar esse mesmo tipo de postura, talvez sem o uso tão corrente da palavra respeito. Pelo que vejo, a esquerda também adora construir um novo homem a partir de uma classe revolucionária, ou de uma vanguarda esclarecida, e também desta forma a população deve ser guiada pelo saber.

Assistindo algumas palestras hoje sobre a percepção do serviço público pela população, acabei um pouco encucado com um tema, o que torna um o usuário de um serviço público cidadão e não consumidor? Quando nos pomos na postura que devemos passar um certo tipo de comportamento, ou uma maneira certa de utilização desse serviço público para a população, acredito que estamos transformando-a em consumidora (ou às vezes nem em consumidora, já que muitos serviços públicos além de estipular um padrão moral não respeitam seus usuários nem como consumidores e sim como reféns). Torná-la cidadã implica além de respeitá-la como consumidora (triste palavra essa, mas não há como não atender um cidadão com critérios de qualidade e com avaliação econômica positiva) permitir a ela que influencie nas decisões, prioridades e planejamento deste serviço.

Voltei para casa com a sensação de que para considerar cidadãos os usuários de um serviço público, este deve estar a serviço desse usuário, com ele influenciando nos seus destinos, fazendo do serviço um “desejo coletivo” desta população. A resposta técnica deve ser conseguida a partir desse desejo coletivo, influenciando a maneira de implantar essa política bem como esclarecendo a sociedade dos custos deste desejo coletivo.

No caso do transportes públicos, tanto eles influenciam na construção das cidades como são influenciados por elas, sendo assim, uma política de transporte público deve estar dentro de uma política urbana. O Estatuto das Cidades prega uma gestão democrática das políticas urbanas, e sendo o transporte público uma política urbana, não deveríamos estar construindo uma forma de garantir uma gestão democrática da política de transporte?

Acho que essa é uma dimensão agradável desse meu novo trabalho. Como ser técnico, responsável e ainda assim garantir uma gestão democrática dos transportes públicos? Algo me diz que deveria ler um pouquinho mais de Habermas para chegar a alguma conclusão...

quinta-feira, abril 10, 2008

Bêbado ao som de Carpenters!

Estou feliz hoje: andei no expresso leste, tomei caipirinhas e por pouco não fui cantar Carpenters num karaokê japonês! Enfim, estou morando na Liberdade e a música abaixo me fez pensar na vida...

Only Yesterday

Everyone must face their share of loneliness
In my own time nobody knew
The pain I was goin' through
And waitin' was all my heart could do
Hope was all I had until you came

Maybe you can't see how much you mean to me
You were the dawn breaking the night
The promise of morning light
Feeling the world surrounding me
When I hold you

Baby, Baby
Feels like maybe things will be all right
Baby, Baby
Your love's made me
Free as a song singin' forever

Only yesterday when I was sad
And I was lonely
You showed me the way to leave
The past and all its tears behind me
Tomorrow may be even brighter than today
Since I threw my sadness away

Only Yesterday

I have found my home here in your arms
Nowhere else on earth I'd really rather be
Life waits for us Share it with me
The best is about to be
So much is left for us to see
When I hold you

terça-feira, abril 08, 2008

Por que voto e sempre votarei no Suplicy para Senador!

Trabalhando por você!

Desde 1º de abril tornei-me um funcionário de uma empresa pública estadual. Não sou um servidor público, tampouco um funcionário de uma empresa privada. Sou um CLTista cujo patrão é o governador do Estado de São Paulo. Lógico, que a partir daí entramos numa zona fantástica. Sou funcionário do Serra e eu votei no meu chefe para ele ser meu chefe!

O engraçado é que muita coisa mudou quando passei a trabalhar para o Estado, desapareceram algumas preocupações artificiais que discutia no almoço (aumento do consumo de vidro, diminuição da produção de vidro float, job rotation dos gerentes) para surgirem discussões fantásticas que permeiam meu cotidiano e que estão diretamente relacionadas com meu trabalho, tais como quem será o próximo governador, se o transporte público deve dar lucro, qual interferência as empresas privadas devem ter no sistema de transporte. Como somos engenheiros na maioria, as vezes conversamos sobre alguns temas meio tabus, como taludes, drenagem e outras cositas más... enfim, estou adorando ser um engenheiro e adorando ser um quase servidor público.

O mais legal de tudo isso é que até o dia 13 de agosto estou em treinamento. Isso quer dizer que voltei a faculdade. Os temas vão desde eletrificação das linhas, passando por planejamento dos transportes metropolitanos, construção de ferrovias, chegando a um treinamento de três dias sobre a lei de licitações e sobre as PPPs.

Estou em casa na CPTM! A propósito, vou trabalhar de jeans, camiseta e tênis! =)

São Paulo, São Paulo,

Aliás, interessante mudar para uma cidade e trabalhar na questão principal desta cidade, acho que inserção em São Paulo vai ser mais fácil que a inserção em São José dos Campos. No entanto, nunca tinha sentido a poluição desta maneira, percebo hoje o quão essa cidade é poluída.

Mas é fantástico ir trabalhar de trem, ver uma multidão nas ruas, de repente descer na Avenida Paulista ou sair do metrô e ver a Catedral da Sé, o prédio do Banespa. Vale a pena!

quarta-feira, março 26, 2008

Mudanças ao som de tango

Fiz minha mudança de São José dos Campos ouvindo tango. Decidi comprar uma cuia e escutar coisas mais modernas...

Vida Mia
(Emílio e Osvaldo Fresedo - 1934)

Siempre igual es el camino
que ilumina y dora el sol...
Si parece que el destino
más lo alarga
para mi dolor.
Y este verde suelo,
donde crece el cardo
lejos toca el cielo
cerca de mi amor...
Y de cuando en cuando un nido
para que lo envidie yo.

Vida mia,
lejos más te quiero.
Vida mia,
piensa en mi regreso.
Sé que el oro
no tendrá tus besos,
y es por eso que te quiero más.
Vida mia,
hasta apuro el aliento
acercando el momento
de acariciar
felicidad.
Sos mi vida
y quisiera llevarte
a mi lado prendida
y así ahogar
mi soledad.

Ya parece que la huella
va perdiendo su color
y saliendo las estrellas
dan al cielo
todo su esplendor.
Y de poco a poco
luces que titilan
dan severo tono
mientras huye el sol.
De esas luces que yo veo
ella una la encendió


Tango

Adoro tango, acho que tem decadência, soberba, sedução, é combativo, nostálgico, marcado. Combina comigo, consigo trabalhar escutando tango. Assim como o espanhol me dá a sensação de ser mais preciso, o tango me dá a sensação de ser lógico, lógico mesmo na mais completa falta de razão.

terça-feira, março 25, 2008

Inconsciente musical - Normalista

Engraçado isso, acabei fissurado numa música absurda, a Normalista, na voz do Nelson Gonçalves. Será que a vontade de ser professor que tinha na infância apareceu? Será que é essa tendência ao Romantismo e na fuga ao passado? Será o melodrama?

A Normalista

Vestida de azul e branco
Trazendo um sorriso franco
Num rostinho encantador

Minha linda normalista
Rapidamente conquista
Meu coração sem amor

Eu que trazia fechado
Dentro do peito guardado
Meu coração sofredor

Estou bastante inclinado
A entregá-lo aos cuidados
Daquele brotinho em flor

Mas a normalista linda
Não pode casar ainda
Só depois que se formar

Eu estou apaixonado
O pai da moça é zangado
E o remédio é esperar

domingo, março 23, 2008

Desempregado, mas feliz!

No final do meu inferno astral resolvi fazer uma correção de rota, abandonei no mesmo instante São José dos Campos e meu emprego. Tanto São José dos Campos como meu emprego eram bem medíocres (a palavra certa seria ordinários, mas ordinário virou adjetivo do tchan, não dá mais para usar). Tinham coisas muito boas, coisas muito ruins, e um grande período de incerteza que só me dava vontade de fazer outras coisas.

A correção do rumo foi acertada, passo meus dias estudando pra concurso e para o mestrado em economia. Claro que eu preciso comer e viver, engraçado que tenho uma fé que vou resolver isso rápido, bem se até maio não resolver aí vou me preocupar mais. Do mais, acordo, fuço algumas vagas no catho, estudo, almoço, leio; por enquanto tudo sob controle (com uma ansiedade aumentando a cada dia mas até nisso o tempo é bom, me permite encontrar terapias alternativas a ela!).

A grande meta agora é assistir uma gravação do Viola minha Viola, infelizmente, a parte triste do desemprego é que não vou poder ver o Charles Aznavour... R$ 200,00 por um momento melancólico em francês é muito caro, consigo andar 100 vezes de trem com essa grana!

sexta-feira, março 07, 2008

A minha minissérie

Queridos Amigos
James tira sarro de mim quando eu me refiro à minissérie "Queridos Amigos" como a "minha minissérie". Mas não consigo não usar o minha, assim como a gente lê um livro grande que a gente se envolve com ele, minisséries e novelas são assim, passam a ser nossas. E aí nada mais fácil do que dizer: "poxa vida, vou perder minha minissérie". Ao contrário do livro que é só você continuar da onde você parou, na minissérie você tem que acompanhar a tv. Então fica combinado que ninguém vai querer fazer nada no final da minissérie, afinal, se não assitir, como saberei o final? Quero assistir a minissérie à antiga, correndo pra casa para assistir.
Acho que a Rede Globo é a grande culpada por eu não suportar ler contos. Os únicos que consegui e gostei foram do Cortázar porque, pela difculdade da língua e por serem tão fantásticos, convivia com eles por algum tempo depois de terminar. Não consigo me envolver com um conto. Não dá tempo de sentir seus personagens, de simpatizar com eles, de torcer, de sonhar. Como assisto novela, acho que me acostumei a acompanhar histórias por um período de tempo, e aí, não tenho envolvimento algum com os contos.
Voltando a minissérie, estou adorando, não é lá um recorte muito profundo, tende ao clichê, mas são clichês tão meus! Existe uma aura de politização maniqueísta tão bonitinha que lembram as minhas discussões com o James. Além disso têm personagens interessantíssimos que são arquétipos, e a gente se identifica com todos eles.
A minissérie me fez até a pensar em Milton Nascimento como uma opção musical...
Insônia
Estou com uma insônia pesada, e o pior, fiz coisas que pioram a insônia, acho que 50% é culpa da Lei das Águas (resolvi hoje prestar o concurso do ministério do meio ambiente), outros 30% é culpa do meu aniversário, fiquei pensando em tantas coisas pra fazer no meu aniversário que fiquei acordado, os outros 20% é a maldita propensão à insônia, um dia tomo coragem e vou viver feliz no mundo do lexotan.
Observação sobre a Abertura
Estava pronto para pôr aqueles quadrinhos do youtube com a abertura, quando infelizmente percebi que no fim, alguma alma bem intencionada colocou a imagem de um homem desaparecido. Acabei me lembrando de uma coisa: tenho horror a essas figuras de gente desaparecida, eu tenho muito medo, me arrepia, me faz ficar ainda mais acordado. Eu morro de medo de encontrar essas pessoas, morro de medo de aparecer num quadrinho desses. Quando morava em Jundiaí, assistia ao Linha Direta e morria de medo de encontrar aquelas pessoas. Loucura né?
Medo de imagens?
Nossa, que viagem, mas meus medos de infância mais irracionais estão ligados à imagens. Tinha medo de uma capa de um disco do Roberto Carlos (Roberto Carlos, 1970), tinha medo da foto de um polvo que tinha num jogo de memória e não gostava do livro com a letra A da Barsa por causa das fotos de Artrópodes. Acho que esses eram meus grandes medos de infância. Na adolescência desenvolvi o medo por imagens de pessoas procuradas e desaparecidas, estranho né?
Vou por o quadrinho, mas nunca mais vou vê-la,pelo menos a que encontrei no youtube. Fiquei com medo!

terça-feira, fevereiro 19, 2008

18/02

Descontruindo

“E o tempo se rói
com inveja de mim,
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver”

Provavelmente é culpa do inferno astral, que no meu caso, para todo o sempre, é acompanhado de quaresma. Essa necessidade de renascer está tão enraizada em mim que me chamo Renato. É uma cena clássica: a necessidade de revolução. Adoro essa minha capacidade de me reinventar a cada instante, romantizo esta capacidade; algumas vezes que acho que ela me levará a ruína. Mas existe uma intuição tão grande que nessas minhas viradas eu me revelo, me descubro.

O ciclo São José dos Campos está no fim. Foram três anos para provar que me bastava e cheguei à conclusão que preciso muito das pessoas. Nunca estive tão perto de um modelo de vida que sempre busquei. Os anos joseenses modificaram o modelo. Que 2009 chegue logo para que essa reinvenção se concretize.

Qual é o plano? Bem, existem alguns esboços. O que mais me agrada é estudar economia. Corrigir uma dívida que ainda tenho do período Unicamp. O plano B é trabalhar, mas trabalhar com um foco menos culposo e mais doloso. Estou sentindo falta de proximidade e São José dos Campos só conhece distância!

Vacaciones

Dia 5 de maio saio de férias. Esta longe, eu sei. Mas o simples fato de saber que estarei de férias me tranqüilizou. A possibilidade de fazer planos, de sonhá-los, diminuiu a ansiedade. Afinal, os piscianos precisam sonhar, e eu resolvi sonhar um pouco com Lima. Estou morrendo de vontade de conhecer o Peru, de comer ceviche, de pisco sauer e conhecer o Oceano Pacífico. Engraçado que o ir sozinho que sempre foi uma bandeira minha, hoje é a maior dúvida. Queria tanto ir acompanhado!

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Aznavour

Comme Ils disent

Nunca prestei muita atenção nessa música, mas um dia mais atento percebi que era sobre um travesti. Uma música de 1972 retratando a vida de um travesti, tem algumas passagens meio Sabrina, mas não deixa de ser fantático. Enfim, meu único problema é que quando ouço imagino o próprio Aznavour costurando à máquina enquanto a mãe dele dorme... imagem meio melancólica...

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Um tempo novo de mudanças vem surgindo III

Obama!

É fantástico acompanhar as eleições nos Estados Unidos. A complexidade do país, que todos esses bolivarianos tontinhos tentam esconder atrás de palavras de ordem, ressuscita a cada primária. Embora movida por uma grana colossal, todo o processo de primária não deixa de ser um rito democrático fantástico (ouvi dizer que as convenções eram até os anos 50 praticamente um encontro de gângster, mas mesmo assim). Aos poucos as candidaturas tomam corpo e quando começar a campanha, todo mundo já fez campanha!

Tenho a impressão que onda dos born again diminuiu. Acho que talvez o governo Bush foi o ápice desta influência. Quando vejo McCain, Clinton e Obama, dá a impressão que os norte-americanos estão com aquela sensação de exagerei. Será que não é uma nova onda que está surgindo? Assim como Reagan pôs abaixo a recessão, o derrrotismo, criando uma era de yuppies. Talvez o próximo presidente possa dar impulso a uma nova relação dos Estados Unidos com o mundo e com eles próprios.

Nesse ponto, se fosse norte-americano, estaria de bandeira na mão fazendo campanha para o Senador Barack Obama. A capacidade de mobilização dele é de dar inveja, gostaria de ver discursos, ouvi-lo falar. Pelo que se lê nos jornais, parece ser uma pessoa cativante. Acredito que consiga superar certas feridas como a questão do racismo, da mulher, unificando o país para o fim da guerra.

O mais bonito da campanha é como ela está crescendo, mobilizando, fazendo a pessoas saírem de casa. Estava pensando. Depois de Kennedy, os democratas só voltaram à Casa Branca por inércia, Johnson por causa de Kennedy, Carter para varrer o que sobrara do governo Nixon, Clinton, como um refluxo do governo Bush. Talvez dos três candidatos, Hilary, Obama e McCain, somente Hilary esteja enraizada no status quo, acho que se essa onda de mudança prevalecer, será a mais prejudicada. Se eu pudesse escolher, seria Obama.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Reflexões num dia que acabou com Roberta Miranda e Whisky!

Reflexões
Eu acredito que a melhor definição de brega está no uso exagerado de clichês. A quantidade absurda de lugares-comuns faz com que uma música, um filme, uma situação traga para si toda a lembrança de coisas mais bregas o que acaba por estragar até um bom argumento. Talvez por nossa língua permitir tantos jogos, a linguagem direta me parece um pouco vulgar, pode ser que seja um lado meu barroco, mas realmente são poucas as coisas que ditas claramente que me pareçam elegantes. Quando aprendi espanhol, me chocava por ser o espanhol uma língua muito mais direta que a nossa, e realmente, a linha da breguice é tão tênue no espanhol. O francês também transita bem nessa linha, entretanto, não consigo me lembrar de canções românticas em inglês que não sejam bregas.

Como eu cresci ouvindo muitas músicas recheadas de clichês, aprendi a gostar delas, talvez me interesse mais os argumentos do que a forma com que foram escritas. As canções exageradas, que geralmente são cheias de clichês me consolam por osmose. Meu sofrimento que é menor do que o destas canções permite que haja o transporte do menos denso para o mais. É batata, começa algum desespero e lá estou eu lembrando de músicas absurdas, com situações absurdas, exageradas, cheias de lugares comuns.

Como as coisas com o meu trabalho se agravando e chegando perto de uma solução final. Hoje, ao sair apressado da fábrica, acabei cantando uma música da Roberta Miranda. Trágica, absurda, e cantei de uma maneira tão ridícula (com todos os femininos, já que não dava pra masculinizar a canção) que fiquei até com vergonha do guarda da portaria.

http://app.uol.com.br/radiouol/index.php?param1=mail&codmusica=000316-5_02

A tragédia e o melodrama

Bem, uma vez li que a diferença entre a tragédia e o melodrama é que a tragédia nos põe frente a um ponto onde temos que fazer escolhas, enquanto o melodrama nos induz a um único caminho. Acho que todas as canções exageradas não dão aos seus intérpretes muitas escolhas

A via Jorge Drexler

A primeira vez que imaginei uma opção de amor, na música, que fugisse do melodrama foi com Jorge Drexler. Acho fantástico que ele cante o amor de uma maneira tão tranqüila, não se encaixa de maneira nenhuma no trágico. Engraçado que no momento em que mais me aproximei de Jorge Drexler foi no momento que pude escolher entre o melodrama e a tragédia, e aceitei a tragédia e a escolha que ela me trouxe.

A redenção por Truffaut

Depois de Beijos Roubados, pude perceber que é possível levar meus momentos extremos e desencontrados de uma maneira bem mais Antoine Doinel. Incrível, descobri um mundo de situações, de aproximações, e acho que andei uns bons três anos na minha terapia. Acho que a via brega se deu mais por falta de histórico do que por uma tendência... Mas que eu ainda canto muita coisa brega, ah, canto...

Vá com Deus

Vá com Deus
(Roberta Miranda)



A Cada Dia Que Se Passa
Mais Distante
Um Rosto Tão Bonito Se Perdeu
Na Indiferença
É Pena Que Este Amor
Não Teve Consciência
Dos Sonhos Que Sonhamos Em Segredo

Vá Com Deus
Se O Amor Ainda Está Aqui
Vá Com Deus
E Tente Sorrir Por Mim
Amor Meu
Se O Destino Está Traçado
Pra Vivermos Lado A Lado
Vá Com Deus

Despi Minh'alma Ao Deitar
Nos Braços De Nós Dois
Pra Ser Um Só
Você Nada Entendia
Que Tudo Te Esperava
Nas Horas Mais Sublimes
Do Meu Eu

Vá Com Deus
Se O Amor Ainda Está Aqui
Vá Com Deus
E Tente Sorrir Por Mim......

terça-feira, janeiro 15, 2008

Sic transit gloria mundi

Sic transit gloria mundi

Acordei e estava enrugado. Ontem quando deitei a ruga não existia e hoje no espelho ela estava lá. Não sei se é algum sinal, mas ela está aqui comigo; me acompanhou por todo o dia e acredito que não me deixará jamais. Nasce do meio do meu nariz e vai até o canto esquerdo da minha boca. É um traço bem fininho, a princípio achei que havia me arranhado durante o sono, mas é ruga.

Achei um sinal meu que não quero. Não ligo para o nariz grande, nem para barriga de nenê. Aprendi a gostar do meu corpo e a ruga não faz parte dele. Não é uma negação da minha idade, onde já se viu aos 27 anos ter uma ruga? É como se a ruga fosse um anúncio de infarte, colesterol, triglicerídeos, pressão alta.

Cheguei ao trabalho e comprei um Chronos. Em cinco dias úteis esta ruga vai será combatida. Servirá de exemplo às outras para que esperem a hora.

A Farewell to cars

No final deste mês encerra-se minha aventura automobilística. Ter um carro foi como um passaporte para a idade adulta. Aprendi a dirigir, a estacionar, a xingar no trânsito. Melhorei meus reflexos, aumentei minha atenção. Foi quase uma afirmação pessoal, uma resposta ao lado mais jundiaiense do meu ser que eu estava pronto. No entanto, vieram as dívidas, o comprometimento com o carro, a renúncia por algumas alegrias para mantê-lo.

Num segundo momento, veio a insegurança. Nada poderia mudar na minha vida por mais um ano e meio para que eu conseguisse pagá-lo. E quanto a aprender francês? E o inglês? E um bar durante a semana? E a alegria de um cafezinho fora de hora e de planilha?

O ponto central aqui é grana. Os acessórios vieram rápido, mostrando que não eram tão acessórios assim. Então a partir de fevereiro volto a fazer francês, pretendo voltar ao inglês e tomar mais Jack lemmonades, quero ver um show do Cauby, ler mais antes de ir ao trabalho, entender um pouco mais de economia, enfim, não vou mais romantizar entorno da perda do carro.

A propósito, agora sou um feliz proprietário de um Bilhete Único e um Cartão Fidelidade do Metrô. Para ir a Higienópolis não vou mais precisar do Renatomóvel!

L'amour en fuite

L'amour en fuite
Alain Souchon

Caresses photographiées sur ma peau sensible.
On peut tout jeter les instants, les photos, c'est libre.
Y a toujours le papier collant transparent
Pour remettre au carré tous ces tourments.

On était belle image, les amoureux fortiches.
On a monté le ménage, le bonheur à deux je t'en fiche.
Vite fait les morceaux de verre qui coupent et ça saigne.
La v'là sur le carrelage, la porcelaine.

{Refrain:}

Nous, nous, on a pas tenu le coup.
Bou, bou, ça coule sur ta joue.
On se quitte et y a rien qu'on explique
C'est l'amour en fuite,L'amour en fuite.

J'ai dormi, un enfant est venu dans la dentelle.
Partir, revenir, bouger, c'est le jeu des hirondelles.
A peine installé, je quitte le deux-pièces cuisine.
On peut s'appeler Colette, Antoine ou Sabine.

Toute ma vie, c'est courir après des choses qui se sauvent :
Des jeunes filles parfumées, des bouquets de pleurs, des roses.
Ma mère aussi mettait derrière son oreille
Une goutte de quelque chose qui sentait pareil.


quinta-feira, dezembro 27, 2007

O preço da liberdade é a eterna vigilância II


Eu acho realmente incrível como um incidente pode criar tanta repercussão e por em risco todo um sistema constituído. O assassinato de Benazir Bhutto põe em xeque toda a idéia que existiria um meio-termo entre a ditadura e o talebã. Acredito que as posições se radicalizarão e o Paquistão vai entrar em guerra civil.

Antes de mais nada, estou chegando cada vez mais a conclusão que política não é um preceito moral e ético, é uma práxis. Deve ser estudada com a análise da Sociologia, de maneira nenhuma como o Direito. O sistema político de um povo está ligado à sua história, sua estrutura de poder, a imagem que esse povo faz de si, nunca através de axiomas e doutrinas. É horrível admitir isso, mas toda vez que se quer criar um sistema político através de doutrinas corre-se o risco de criar uma situação insustentável e artificial.

Pensando desta forma, então não existiria uma forma acabada de democracia, ela é fruto de várias dinâmicas internas dos Estados-Nação, mas também é um elemento econômico e cultural. No entanto, não temos Estados-Nação independentes, e sim interdependentes, e, querendo ou não, o capitalismo é global, o que acaba criando alguns preceitos de organização do estado igualmente globais, mas que sempre estará em choque com os aspectos culturais e sociais locais (poria aqui também aspectos econômicos locais, embora a economia seja global, possui uma parcela local).

Dentro deste contexto, qual seria o regime político paquistanês? Bem, um regime talebã só poderia ser construído se o Paquistão não estivesse inserido no mundo, como era o Afeganistão. Uma ditadura pró-ocidente, garantiria essa inserção no mundo, mas seria corroída pelo extremismo talebã. Não consigo pensar em outra solução do que o pronto estabelecimento de instituições democráticas (parlamento, suprema-corte, governos locais) como freio para a escalada radical no Paquistão. Só assim, se poderia envolver a população num projeto de Estado que superasse os aspectos tribais e rompesse com o radicalismo religioso.

Talvez seja uma mentalidade de classe média, mas fico imaginando o que pensa um operário do subúrbio de Karachi ou Islamabad. Não consigo imaginar um sujeito assim apoiando uma guerrilha talebã, ao mesmo tempo, as ligações dele com o ocidente não permitiriam a ele simplesmente apoiar um regime militar.

Podemos lembrar sempre que Benazir Bhutto teve graves problemas de corrupção no seu governo, que não conseguiu terminar nenhum mandato, no entanto, só a idéia de alguém que queria trazer a normalidade das instituições (num país que nunca teve normalidade) já me faz ser simpático a ela. Sem contar que é uma mulher num país em rota de radicalização.



terça-feira, dezembro 25, 2007

Urbi et Orbi





Por um Natal Laico e Civil...


Pode parecer paradoxal, embora me considere uma pessoa com todos os vícios católicos possíveis e imagináveis, a começar pela culpa, pela dificuldade de trato com o dinheiro, algum messianismo, entre outros; o natal da minha família sempre foi um natal laico, nada de meia-noite, nada de oração. Deus aparecia somente nos desejos de feliz natal e quando desligávamos a tv quando começava a missa do galo. Eis que de repente, não mais que de repente, ontem fui surpreendido por uma reza absurda. Resultado: a família ganhou seu primeiro militante de um Natal Laico, para que toda essa massa de gente, ateus, católicos, evangélicos (protestantes, acho essa denominação muito mais histórica), espíritas e sincretistas possam curtir o Natal do seu jeito! Pra quem defende o fim do véu, do quipá e de qualquer símbolo religioso em praça pública, nada como maior afronta do que uma reza em casa!

Um Natal nouvelle vague

Eu realmente me descobri assistindo Truffaut, agora que estou lendo, comecei a perceber coisas que antes não percebia. A realidade tem um poder de entretenimento fantástico, se tratada com simplicidade, pode demonstrar toda a complexidade inerente. Enfim, sou um homem diferente depois que conheci Antoine Doinel. Sem contar que o francês cada dia mais me cativa, nestas mini-férias estou dedicado ao Petit Nicolas que não deixa de ser uma criança nouvelle vague (com tudo que possa significar isso, mesmo que tenha significado algum).

quarta-feira, dezembro 12, 2007

O preço da liberdade é a eterna vigilância

Obstrução, prática parlamentar da maioria??

Estou achando ótimo como as coisas mudaram no Senado a partir da constatação de que o governo não é maioria. Já tinha pensado em escrever aqui sobre a obstrução como prática parlamentar da minoria, sobre a necessidade do bloco de oposição de fazer obstrução para atrasar a votação da CPMF.

Embora a obstrução possa nos parecer estranha, uma vez que eles estão lá para votar, é uma medida de defesa ao rolo compressor do governo. As obstruções que a oposição fez em meados de novembro deram ao parlamento um ar de parlamento inglês. Não era uma obstrução escondida, era declarada, com propósito. Pode-se concordar ou não no propósito, mas era de fato legítima.

No entanto, faz duas semanas que a maioria está usando a obstrução como prática parlamentar. O governo não consegue os 49 votos suficientes para aprovar a CPMF e retira do Senado seus senadores. A maioria entrou em obstrução! Dêem o título de líder da maioria para o Senador Agripino Maia. A Senadora Ideli Salvatti, não pode mais assumir a liderança da maioria, quem faz obstrução é a minoria!

Frase do Senador Mário Couto (PSDB/PA) no blog do Josias de Souza: “Nunca vi na minha vida um governo fazer obstrução contra um projeto dele próprio. Senadores mais antigos me disseram que a última vez que o governo fez obstrução no Brasil foi na época do João Goulart’

Para quem se pretende uma mescla de Vargas e Juscelino, se comporta no congresso como Goulart. O governo errou tanto, que se ganhar agora, a fatura vai ser exposta de qualquer maneira. Atacou quem não devia, seduziu quem não era seduzível, praticou um maquiavelismo para dividir a oposição e fez água. A cooptação ficou igual ao programa Fome Zero, deu em nada!

Oxalá que percam!

segunda-feira, novembro 26, 2007

Um bom ano


Acho incrível como certas músicas, certos filmes, certos livros entram na nossa vida no momento certo. As vezes, passado esse momento, olhando-os novamente percebemos que o impacto foi devido principalmente a circunstâncias internas do que ao filme, ao livro, à música. A maior prova disso talvez seja Os Sonhadores, que quando vi causou um turbilhão tão grande que me fez remoer o filme por meses, e que quando o assisti novamente percebi que fui eu que fiz o filme melhor. Piazzolla, Bizarre Love Triangle, This side of Paradise, As Horas e Blur tiveram sorte melhor, a segunda leitura, ou ouvida (que termo feio) provocou novas e melhores sensações.

Se a arte nos ajuda a enfrentar nossos medos (adoro clichês psicanalistas, embora Marcuse destruiu um pouquinho a minha ilusão de clássicos), acho que Um Ano Bom deu a calma necessária após o adiamento do projeto e a perspectiva de uma boa semana de férias entre Natal e Ano Novo. Realmente não estava num dia bom: pouco produtivo, preguiçoso, irritadiço. Por sorte tomei a decisão de buscar um filme na locadora.

Gosto de filmes bonitos. E como o filme é bonito! Imagens bonitas, calor empoeirado, contraste entre a cidade e o campo. Felicidades simples, individuais e individualizadas (como uma felicidade burguesa). Que vontade de beber vinho! De abrir uma garrafa de vinho, de olhar pela janela, de sentar numa cadeira, que vontade de terminar de ler meu Grande Gatsby. Acho que me lembrei da necessidade de férias, de objetivos.

A trilha sonora é perfeita, achei um filme tão bem cuidado, tão bem feito, sem pirotecnias, um filme bom, simples. Nem todas as coisas boas precisam ser rebuscadas. Imediatamente lembrei-me de A cidade e as serras. As simplificações que são feitas tanto da cidade como do campo é que permitem esse confronto todo, as simplificações talvez tenham o efeito do tipo-ideal, realçam, reforçam a característica.

Adorei o filme, embora seja um filme do ano passado, foi um dos melhores filmes que vi este ano.


terça-feira, novembro 06, 2007

Que papelão!

Vien voir les commediens
Voir les musiciens
Voir les magiciens
Qui arrivent, vien!


Eu estou indignado com o PSDB. Embora seja até parte do folclore do partido essa indecisão toda, essas idas e vindas em torno da CPMF só fizeram o partido perder pontos comigo. Talvez seja um certo egocentrismo meu, mas me considero como uma pessoa representativa, pelo menos tenho a sensação que minhas opiniões políticas são provadas nas urnas, embora cada vez acerte menos.

Mas vamos usar um pouco de lógica. Num primeiro momento o partido se lançou como um partido oposicionista. Fechou questão na câmara com uma unidade que não se via há muito tempo. Os ânimos se acirram e a derrota do governo parece certa, ainda mais com os reflexos da crise no Senado. O PSDB acena ao governo em busca de um acordo.

Aí vem o desenlace mais absurdo. O governo aceita o aceno, vem ao PSDB e deseja negociar. Nesse ponto, o PSDB caiu na armadilha. Se tivesse se posicionado contra desde o início, seria acusado pelo governo de inconseqüente, poderia retrucar lembrando o PT do passado e que não apoiaria o governo. No entanto o governo se mobilizou e mostrou uma proposta. A cúpula não sentiu que o partido estava totalmente contra e simplesmente quis negociar pondo em risco a unidade do partido. Quando viu, teve que sair da negociação com o governo fazendo ótimas concessões. Agora sim vai ser acusado de inconseqüente, e com razão!

Enquanto Ideli dorme, Aloízio repensa sua vida...

Eu estou impressionado com Aloízio Mercadante. Depois do papelão da campanha para governador e da absolvição do Renan, acho que a ficha caiu. Adorei sua campanha a favor da licença e agora na negociação da CPMF. Para quem viu em 2001 uma palestra com um economista raivoso contra o governo FHC, falando de herança maldita e tudo, para depois o defender as mesmas políticas como líder do governo, essas ações demonstram que alguém perdeu o sono e começou a repensar sua vida. Já a Ideli...

domingo, novembro 04, 2007

Finados Chove!

Faz uns dois anos que acompanho o calendário esperando pelos feriados. Na época da faculdade tinha o discurso pronto de que tínhamos feriados demais; comecei a trabalhar, e agora aproveito todos eles. Não sei se o termo é aproveitar, comemorar com certeza não é, já que não acredito que alguém comemore Finados, no máximo relembra os mortos.

Este feriado seria um feriado bucólico: road trip, Serra da Mantiqueira, trilha sonora no carro, celular sem sinal, cachoeiras, banho de cachoeira, sol para se esquentar, oxalá uma pousadinha, café da manhã colonial, Folha de São Paulo e baterias repostas. Eis que um agouro tomou conta do feriado. Dia de finados chove! E para todo mundo que o plano era posto, a sentença era fatal. E Choveu!

Saudades matadas, martinis, conversas e muita chuva. Planos adiados. Nenhuma perspectiva de sol aberto. Claro que houve um pequeno espaço para a decepção, afinal era feriado! A busca do programa perfeito me levou a lugares incríveis, situações paradigmáticas. Mais uma vez a convivência foi marcada por fenômenos beirando ao surrealismo.

No entanto, no domingo a tarde, deitado no colchão da sala, o meu subsolo revolucionário foi tomado de assalto pela minha pequena-burguesia. Colchão na sala em um dia de chuva, televisão, conversa e carinhos podem resumir qualquer busca de um feriado. Como se a resposta de todas as viagens estivesse ali naquele colchão, e aquele colchão poderia estar em Paraibuna, Ulan Bator ou Praia. Que chova nos finados! Minha casa burguesa precisa de companhia e um colchão. Álcool e Cigarros são bem-vindos.

That Old Feeling
(Lew Brown/Summy Fain – voz de Chet Baker)


I saw you last night and got that old feeling
When you came in sight I got that old feeling
The moment that you danced by I felt thrill
And when you caught my eye, my heart stood still

Once again I seem to feel that old yearning
And I knew the spark of love was still burning
There’ll be no new romance for me,
It’s useless to start
‘Cause that old feeling still in my heart

quarta-feira, outubro 31, 2007

Depois da Vaca Louca...




Achei engraçado. Deu um toque bom para um dia ruim!

domingo, outubro 28, 2007

Globalização Periférica


Reflexões sobre o Calypso, Cumbias e Regina Casé


Estava explicando para o James a tese do quadro da Regina Casé no Fantástico: as periferias se conectam da mesma forma que o centro. Então, seguindo esse raciocínio a periferia de Belém, São Paulo, Buenos Aires, estariam tão conectadas como os centros desta cidade. Então, faria sentido o sucesso do Calypso em São Paulo, e das Cumbias em Buenos Aires, ou outros ritmos nas periferias do mundo. Da mesma forma, a jeunese d’orée de Belém, de São Paulo e de Buenos Aires estariam curtindo as mesmas coisas, até essa limpeza étnica que fizeram do Axé para torná-lo palatável (Ivete ao vivo no Maracanã!!!!)

Enfim, cheguei em casa e coloquei o tal do Calypso para tocar enquanto eu estendia a roupa no varal, eis que me veio uma prova através da comparação. O fenômeno Calypso já aconteceu na Argentina, com igual intensidade e utilizou de alguns sons locais com letras melosas para se infiltrar no país todo. Por fim, se tornou um fenômeno de massa, abriu caminho para outros e causou uma dialética interessante: rock argentino x cumbias e quartetos (tropicales). O mais interessante é que tanto Rodrigo na Argentina, como o Calypso aqui, lembram sempre que são de fora, de fora do centro do país. Talvez essa identificação com outros que estão fora do centro ajude na sua massificação, talvez...

Dançando Calypso

Não para não
Vem cá
Me dá a tua mão.
Quero que sinta
Toda essa emoção.
Cavalo manco
Agora eu vou te ensinar
Isso e muito mais
Você só vai encontrar
No Pará (aaaaaaaáaaa)


Soy Cordobés

Soy cordobés!
Me gusta el vino y la joda
Y la tomo sin soda
Porque así pega más
(pega más, pega más)
Soy cordobés!
Me gustan los bailes
Y me sinto en el aire
Si tengo que cantar
De la ciudad de las mujeres más lindas
Del fernet de la birra,
Madrugadas sin par
Soy Cordobés!
Y ando sin documentos
Porque llevo el acento
De Córdoba Capital (eles falam Cordóba! Eu juro!)

Enfim, acho que dá começar a fazer um paralelo.

P.S. A propósito, Calypso é horrível, é um chicletes de ouvido, como ela só fala clichê você guarda rápido, no entanto os temas são péssimos e a voz dela, pior. Agora estou escutando uma música que nunca imaginei que alguém fizesse: maridos e esposas (sic)

quinta-feira, outubro 25, 2007

Radical Intransigente??


Ta legal, eu aceito o argumento,
Mas não me altere o samba tanto assim


Eu e a CPMF

Nos poucos momentos que posso, entro na Internet rapidinho para olhar em que pé anda a negociação da CPMF no Senado. É engraçado isso, embora realmente acredite que hoje o imposto é imprescindível, é notável o mau-humor com que eu vejo a negociação do PSDB com a proposta.

É uma questão de coerência torcer por uma derrota do governo nesta questão. Pra quem votou em 1998 e 2002 ainda sobre o impacto do discurso do Fernando Henrique em sua despedida ao Senado, que propunha a superação da era Vargas, a modernização do Estado, traçava um paralelo entre o público e o estatal, incentivava a responsabilidade fiscal e da sociedade civil e a desestatização como motor de um choque capitalista; nada mais comum do que se opor a um governo que pretende ser um novo Vargas, que loteia as agências que foram criadas para ser o motor deste choque de capitalismo e que é adepto do personalismo político.

No entanto, o que fazer como o dever de manter a governabilidade? Oras, não podemos tirar do governo um dinheiro que financia a Saúde, a Previdência e a Assistência Social. É notável o avanço que tivemos em relação a diminuição da desigualdade, e principalmente que as classes D e E têm hoje um crescimento chinês. No entanto, o governo entrou numa reta crescente de gastos públicos (e não só investimentos, mas gasto público mesmo!), sem contar a arrogância e o terrorismo que se posicionaram na aprovação da CPMF.

Considerando tudo isso, gostaria muito de ver o governo não conseguir aprovar a CPMF, seria uma pedra angular do segundo mandato. Embora o Lula consiga eleger até um poste nas eleições de 2010, seria uma forma de criar uma oposição atuante, e que, embora não seja maioria, encontraria eco na sociedade (Já cansei de discutir isso, existe um público anti-Lula grande, convivo com eles, flerto com eles, às vezes me confundo com ele, e isso para mim não é nem golpismo, nem o fim do mundo).

PSDB e a CPMF


Agora começa o achismo. Acho que o PSDB deveria fechar contra a aprovação da CPMF. Não deveria ceder o papel de maior opositor aos Democratas. Deveria assumir essa posição e arcar com as conseqüências, assim como deveria ter se posicionado a favor das privatizações na campanha de 2006.

Essa posição pode causar um acirramento das disputas. O governo é um grande teflon que poderia colocar na oposição a culpa de todos os seus problemas, no entanto, essa atitude seria bem recebida para aqueles que se posicionam na oposição.

Infelizmente, o PSDB não consegue hoje uma unanimidade como conseguiu em 94 e 98. Deveria ler o discurso do Fernando Henrique de despedida ao Senado em 94 e o de posse do Serra no governo em 2006 e perseverar encima destes pontos: modernização do estado, democratização, maior participação da sociedade e responsabilidade fiscal. Manteria sua bancada no congresso e dormiria tranqüilo, sem a mosca azul das concessões visando a possibilidade de voltar ao Planalto.

A União Cívica Radical e a CPMF

Estou fissurado na União Cívica Radical. Hoje, não sou nem petista, nem tucano, sou radical. Não consigo imaginar no Brasil um partido que pôs na democracia seu maior lema. Enquanto as eleições na Argentina não eram secretas, tentou a democratização pela força, quando veio a democratização, defendeu a democracia. Abriu as universidades, governou para a nação que nascia da industrialização. Quando veio o populismo de Perón e dialeticamente surgiram os duros que o tentavam derrubar, se dividiu, parte ponderando os avanços do Peronismo, parte lembrando a ditadura que esse instalava. Veio a ditadura de Perón, veio um golpe sangrento que o derrubou e lá estava a UCR pedindo a democracia. Se dividiu novamente sobre como organizar a nação frente ao túmulo do peronismo. Eram Radicais os únicos presidentes eleitos nos anos 50 e 60. Sofreu oposição tanto dos duros como dos peronistas, sucumbiu a golpes. Apoiou a volta de Perón e combateu a exceção de Isabelita. Veio outro golpe. Se posicionou a favor dos direitos humanos, quando isso era uma grande subversão. Veio a democracia, e tentou refazer o Estado, julgando o passado e o mantendo dentro da Lei. Foi destroçada pelo sonho de uma Argentina Rica, e quando o sonho naufragou, voltou ao poder. Sucumbiu novamente e hoje embora na oposição, é a oposição democrática, sem sobressaltos, sem personalismo. São radicais na defesa da democracia, de valores individuais, da universidade pública. Acho que são a consciência dos argentinos. As vezes as paixões se sobrepõe, e depois, sempre volta a consciência. Dos 6 presidentes que elegeu, somente Marcelo Alvear conseguiu terminar o mandato, Yrigoyen, Frondizi e Ilía foram depostos, Alfonsín e De la Rua renunciaram. Seu fundador se suicidou. Acho que isso prova como sucumbem as paixões, mas sempre voltam. Adorei a frase de Leandro Alem (fundador) na sua carta testamento. Que sé rompa, pero que no se doble!

Aposto que a UCR não fecharia questão na CPMF. No entanto, seus parlamentares votariam contra, perderiam, mas continuariam a votar contra!

terça-feira, outubro 23, 2007

Mais um post tanguero...

Cambalache

Em virtude do post anterior, entrei numa fase tanguera novamente. Graças a Deus estas fases não duram muito, afinal, no tango nada é bom. As mulheres são más, o mundo é mau e a única solução para o mundo é a fuga, seja para uma terra prometida, seja parao passado, seja na morte. E aí veio um estalo: o tango é mal do século 19 na música do século 20. Afinal, nada mais Romantismo que amores não correspondidos, bebidas e saudade. Talvez daqui 100 anos vamos olhar para os emos desta forma.

Abaixo vai o tango mais reacionário que existe. Com todas as características acima, é impossível existir um tango revolucionário. No entanto, Cambalache, é o mais reacionário de todos. Quando o ouço, imagino um velhinho com o La Nación embaixo do braço conversando no metrô com outro velhinho. O engraçado de tudo é que o tango teve sua época dourada no auge da Argentina, quando a classe média chegou ao poder depois da Revolução do Parque (ok, chegou ao poder 26 anos depois da Revolução do Parque, mas foi graças a ela) e quando a reforma universitária abriu a universidade pública para todos.

Imagino o velhinho, na época do Perón, onde todo aquele mundo que surgiu com a Revolução do Parque veio abaixo; não é a toa que Cambalache é um tango tão pessimista. Fazendo uma extrapolação politicamente incorreta, acho que cabe para um velhinho venezuelano também, que está vendo o declínio da sua geração. No fim, acho que o pessimismo é mais uma reação aos novos tempos que uma coisa inata.

Queria fazer um paralelo entre Perón e Chavez, no entanto ...


Cambalache
(Enrique Santos Discépolo)

Que el mundo fue y será una porquería
ya lo sé...
¡En el quinientos seis
y en el dos mil también!.
Que siempre ha habido chorros,
maquiavelos y estafaos,
contentos y amargaos,
valores y dublés...
Pero que el siglo veinte
es un desplieguede maldá insolente,
ya no hay quien lo niegue.
Vivimos revolcaosen un merengue
y en un mismo lodo
todos manoseaos...
¡Hoy resulta que es lo mismo
ser derecho que traidor!...
¡Ignorante, sabio o chorro,
generoso o estafador!
¡Todo es igual!
¡Nada es mejor!
¡Lo mismo un burro
que un gran profesor!
No hay aplazaos
ni escalafón,
los inmorales
nos han igualao.
Si uno vive en la impostura
y otro roba en su ambición,
¡da lo mismo que sea cura,
colchonero, rey de bastos,
caradura o polizón!...
¡Qué falta de respeto,
qué atropelloa la razón!
¡Cualquiera es un señor!
¡Cualquiera es un ladrón!
Mezclao con Stavisky va Don Bosco
y "La Mignón",
Don Chicho y Napoleón,
Carnera y San Martín...
Igual que en la vidriera irrespetuosa
de los cambalaches
se ha mezclao la vida,
y herida por un sable sin remaches
ves llorar la Bibliacontra un calefón...
¡Siglo veinte, cambalache
problemático y febril!...
El que no llora no mama
y el que no afana es un gil!
¡Dale nomás!¡Dale que va!
¡Que allá en el horno
nos vamo a encontrar!
¡No pienses más,
sentate a un lao,
que a nadie importa
si naciste honrao!
Es lo mismo el que labura
noche y día como un buey,
que el que vive de los otros,
que el que mata, que el que cura
o está fuera de la ley...

sábado, outubro 20, 2007

Antitango

Mareados

Encontram-se para beber. Existe sempre a necessidade de ver o mundo, senti-lo. E o mundo entra na vida de ambos e eles enxergam o mundo dos dois; Como se fosse possível voltar ao passado, como no dia que se encontraram. Embora o bar não fosse o mesmo, o encantamento era igual ao primeiro dia. E falaram do mundo, falaram deles. Beberam, riram. Sem querer, perceberam que já havia passado algum tempo e que o futuro era tão palpável como ir para Mongólia. Ambos gostam de músicas tristes, trágicas e histéricas e, no entanto, estavam vivendo um antitango.


Los Mareados
(Luis Carlos Cobián, Enrique Cadícamo)


Rara...
como encendidate
hallé bebiendo
linda y fatal...
Bebías
y en el fragor del champán,
loca, reías por no llorar...
Pena
Me dio encontrarte
pues al mirarte
yo vi brillar
tus ojos
con un eléctrico ardor,
tus bellos ojos que tanto adoré...

Esta noche, amiga mía,
el alcohol nos ha embriagado...
¡Qué importa que se rían
y nos llamen los mareados!
Cada cual tiene sus penas
y nosotros las tenemos...
Esta noche beberemos
porque ya no volveremos
a vernos más...

Hoy vas a entrar en mi pasado,
en el pasado de mi vida...
Tres cosas lleva mi alma herida:
amor... pesar... dolor...
Hoy vas a entrar en mi pasado
y hoy nuevas sendas tomaremos...
¡Qué grande ha sido nuestro amor!...
Y, sin embargo, ¡ay!,
mirá lo que quedó...

sábado, outubro 13, 2007

On the Trails!


Donde tu estás, yo tengo el Norte
Y no hay nada como tu amor
Como medio de transporte

Tudo estava igual como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei!


Carro, ônibus, metrô. Pausa. Metrô, subúrbio, circular. Acho que passei por todos os tipos possíveis de transportes urbanos (e suburbanos) para vir de São José dos Campos a Jundiaí! A vontade de sumir era grande, a pobreza deste mês motivou também, e no fim descobri que consigo vir a Jundiaí com apenas R$ 2.30! (Mais R$ 2,30 de circular em Jundiaí, caso a mala esteja pesada!)

Além do dinheiro, o sair de viagem é fantástico, o chegar mais fantástico ainda. Seja o chegar numa catraca de metrô, seja chegar à porta de casa. Saudade é um ótimo motivador de movimentos. Como bom romântico que sou, adepto das fugas e das saudades; estou sempre em movimento!

Minha nova paixão: trens

É fantástico andar de subúrbio. É uma experiência que todo mundo deveria passar. O trem é a cidade na sua essência, gente de todo. Sem preconceito nenhum. Lógico, que quando estava nele ficava imaginando como as pessoas que convivem comigo enxergariam aquilo. Uns falariam do perigo, crimes, assaltos. Outros, da total falta de classe. Outros tirariam sarro de estar num meio de transporte tão pobre. Quem realmente importa? Achou fantástico!

Momento terapia

Busco muito minha individualidade, essa busca já me alargou tantas fronteiras que acho que valeu a pena essa necessidade de me diferenciar. Depois de algumas sessões de terapia falando sobre a facilidade com que desfaço meus laços, tenho certeza que esse movimento foi um importante formador de identidade. Agora chega! Estou na fase mantê-los, e que laços bons são os de agora!


terça-feira, outubro 09, 2007

E no meio da bagunça encontrei Calamaro


Acordei semana passada com Media Verónica na cabeça, perdi hora procurando uma coletânea de Andrés Calamaro, acabei achando a coletânea, um show, um álbum e estou escutando isso já faz duas semanas (com uma breve pausa no fim de semana)

Quando estava na Argentina e escutava alguma coisa interessante, tentava criar um paralelo com alguém do Brasil para traçar exemplificar o que estava escutando. Não sei se consigo fazer esse paralelo com Calamaro. Ele é Pop com certeza. Tem uma modernidade a la Skank algumas vezes, tem um certo quê de Arnaldo Antunes. Talvez ele não se considere um pop afinal é colocado no rol dos cantantes de rock argentino. Enfim, tem frases ótimas, tem músicas que tocam muito nas rádios, e é um argentino típico.

O que me prende às suas músicas é realmente esta desconstrução toda que ele se impõe. Não estou falando nada de música, de conceitos, e sim da situações que suas músicas retratam. Os romances são reais, não românticos, mas as reações são fantásticas; as fugas, incríveis; e nesse universo entra o bar (Salud, Copa Rota, Milonga del Marinero), metáforas ótimas sobre relacionamentos (Paloma, Flaca, Negrita). Em algumas músicas o passado volta, seja recordação (Por no olvidar), seja fisicamente (Negrita).

Temos todos os elementos para ser um cantor que beira o brega, o Jota Quest (que eu odeio) já tratou de todos estes temas e ainda consegue vender Fanta, no entanto Calamaro tem um humor raro. Lança pérolas, se mostra com humor, um humor até negro. E o melhor: não consigo me lembrar de uma música que ele não acabe entrando em um processo de auto-análise. Com certeza o cara deve ser um pouco egoísta, afinal, mesmo nas canções que falam de outras pessoas, o narrador toma espaço e se põe de maneira surpreendente.

Esses processos de auto-análise podem ser depressivos (Media Verónica), mas também de uma tranformação engraçadíssima (El Salmón). O legal é que ele tira sarro nos nossos problemas pequeno-burgueses sendo um típico. Suas canções são cosmopolitas como Buenos Aires, e embora seja um porteño padrão, nunca ouvi na sua música qualquer referência ao Rio da Prata, nem tampouco o fato da cidade estar no Rio (balelinha presente em todo mundo), pelo contrário, fala muito de mar!

Um outro fato interessantíssimo é que ele migrou para a Espanha no começo dos 90 e fundou lá uma banda, Los Rodríguez que fez muito sucesso, e depois voltou pra Argentina. Enfim, se aquela história do homem que refaz por si só todo o caminho da sua civilização for verdade, ele está refazendo por si só a história do povo dele (ok, todo turista tende a generalizar, sendo assim, fui a Buenos Aires e só vi Andrés Calamaros por lá!)

Estou numa fase tão cosmopolita, moderna, ao mesmo tempo, sem o “tudo que é sólido se desmancha no ar”. Uma fase consistente, enfim, foi ótimo encontrar Calamaro neste período. Claro que tudo isso não tem nada a ver com São José dos Campos nem com SAP. São Paulo hoje já está melhor que Buenos Aires, pelo menos para mim!

Algumas músicas:


Flaca
Media Verónica
Negrita
Donde Manda, Marinero
Mucho Mejor
Paloma
Mi enfermedad
Por no olvidar
Te quiero igual
Salud


El Salmón





Flaca


segunda-feira, outubro 01, 2007

De quem é essa África??



“Cuando manyés que a tu lado
Se proban la ropa que vas a dejar”


Depois de um período de expansão do crédito, aumento desenfreado nos consumos; depois de meses de uma vida cosmopolita de prazeres. Chegou a hora de um acerto de contas. Ortodoxo, liberal, bem consenso de Washington.

O plano é simples e responde pelo nome de Burkina Faso. O PIB per capita deste país é quase a minha renda mensal. No entanto, antes que minha renda se torne uma renda burquinense, faz com que seja necessário cortes drásticos!

O plano é simples:

Superávit primário;
Manter as dotações orçamentárias do projeto Belezinha-2011;
Diminuição do patrimônio a partir de março de 2008;

A princípio a aplicação do plano se dará pelo acompanhamento das contas e pelo controle solidário dos gastos com diversão. Aluguéis de vídeos e cinemas serão substituídos por dvds emprestados e gravados por Maurice. Livros e revistas serão substituídos por livros comprados não lidos (comecei agora com El Vuelo de la Reina, e seguindo a história do Salazar). Músicas poderão ser baixadas da Internet, já que a banda larga ainda está no plano de investimento. Não serão admitidas viagens de carro para fora do Vale do Paraíba.

O plano requer uma certa dose de calvinismo, mas... agora eu acho que vou conseguir!