quinta-feira, março 08, 2007

Dia Internacional das Mulheres

Parabéns às mulheres!

Eu adoro esta data, acho que ela é tão simbólica que tem que ser comemorada. Ainda mais que esta data nasceu da luta da mulher no trabalho, e agora que eu trabalho vejo o quanto a mulher ainda tem o que conquistar. O mundo do trabalho é machista, masculino, impede a realização da mulher como mulher, obriga a uma masculinização, a uma padronização que fere as diferenças de gênero.

Então que as mulheres conquistem neste dia o direito de dispor do seu corpo como bem entender; de ser mulher, feminina e mesmo assim ser valorizada no mercado de trabalho; que consigam igualdade nos serviços domésticos e que vençam o machismo das próprias mulheres.

Por fim, achei o máximo o pronunciamento da ministra Nilcéia Freire, até que enfim uma atitude de esquerda neste governo conservador!

domingo, fevereiro 18, 2007

Nuvem Passageira

Brega, pero no mucho!

Estava fuçando na Rádio UOL atrás de um versão da Perla para a música Fernando, tudo motivado pelo nascimento de meu sobrinho, que está deixando todo mundo ansioso, eis que escuto uma música que achei interessantíssima.

Acho que representa bem um espírito dos 70, e um espírito que eu estou buscando...


Nuvem Passageira

Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai

Não adianta escrever meu nome numa pedra
Pois essa pedra em pó vai se transformar
Você não vê que a vida corre contra o tempo
Sou um castelo de areia na beira do mar

A lua cheia convida para um longo beijo
Mas o relógio te cobra o dia de amanhã
Estou sozinho, perdido e louco no meu leito
E a namorada analisada num divã

Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva
Não quero nem saber de me fazer ou me matar
Eu vou deixar em dia a vida e a minha energia
Sou um castelo de areia na beira do mar

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Reflexão!

Santo anjo do Senhor
Meu zeloso guardador
Se a ti me confiou a piedade divina
sempre me rege, guarde, governe e ilumina.


Esse mês de fevereiro está sendo uó (exceto as praias e quem eu encontro nelas).

Será o infeno astral?

domingo, fevereiro 04, 2007

Ubatuba, terra que só cheira amor!

Caramba, que fim de semana legal.

Não me conformo de morar em São José dos Campos há quase 1 ano e meio e nunca ter ido a Ubatuba! Como eu gostei deste lugar, cada praia, águas muito claras. Gostei tanto quanto Pernambuco!

Tomei sol, nadei, bebi caipirinha, beijei na boca na praia com direito a lua cheia, andei, conversei, dei muita risada. Tirei o mau olhado. Voltei pra São José dos Campos pronto para uma semana que promete ser do cão!

Estou com uma vontade de ir pra lá semana que vem! (se me convidarem...rs)

Música do Final de Semana

Vitiligo
Bonde do Role

Fui no butecão
pra tomar uma caipirinha
Espremeu limão errado,
manchou toda minha pelinha

As viadas tudo loca
Já criaram confusão
Perguntaram é vitiligo
Eu disse é mancha de limão

Vai vai vai vitiligo (4x)
Parece vitiligo mas é mancha de limão

Bem, isso já deve ter aparecido no blog do korn a muito tempo, mas só agora eu descobri!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

As Invasões Bárbaras

Não existe almoço grátis?

Depois de muito tempo onde todo mundo falava deste filme e aproveitando uma noite de tédio, resolvi assistir ao famoso Invasões Bárbaras.

Confesso que adorei o filme. Achei comovente, não dá pra não se encantar com o personagem principal, suas aventuras e sua postura diante da morte. Seus amigos recontam um tempo que não vivi e que queria viver; fantástico o conflito geracional às avessas. Como conseguimos abandonar uma postura de modernidade com que os jovens da década de 60 moveram mundo? Acho que o filme demonstra isso muito bem.

Essa sensação que percebo generalizada nas pessoas da minha idade talvez conduza minha geração a um novo Romantismo, enquanto os primeiros buscavam as origens, Napoleão, o refúgio no sentimento; minha geração caminha para a busca destes antepassados libertários ou para um carolismo crescente. Não é à toa que nas vésperas da parada gay de 2006 houve uma marcha para Jesus, igualmente multitudinária, igualmente composta de jovens.

Agora é triste a sensação que o filme me passou. Essa história de uma outra utopia possível só pode ser bancada e vivida, apoiada no que ela mesma nega. Somente o yuppie pode permitir ao velho esquerdista viver suas lembranças, somente o privado pode permitir um ideal público. O mercado e o dinheiro que permite aos esquerdistas do passado, utópicos, libertários, libertadores, reviverem seus sonhos e condenarem o próprio mercado!

Triste padrão ético mostrado no filme, o dinheiro vale muito mais que a utopia. O mesmo personagem que defende a estatização dos hospitais aproveita-se das benesses do capital.

Aliás, o Canadá nunca pareceu tão próximo como neste filme.

A propósito

Serra retém verbas da universidade paulistas

http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u19318.shtml

Fato notável, deu um tiro numa experiência fantástica (limitada para alguns, inovadora para as outras universidades) de autonomia universitária. Serra superou sua base, e conseguiu acabar com um avanço que nasceu do quercismo, superou Quércia na sua origem.

Sem conotação de valor

Quércia deixou duas experiências fantásticas, a vinculação de impostos à universidade pública, garantindo a autonomia (com pouca verba, mas garantindo o repasse automático) e a vinculação de impostos a CDHU que permitiu criar um novo sistema de habitação de baixa renda.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Uma canção por livre associação!

Sinhá Moça
(Vitor Martins/Guarabyra/Marcelo Barbosa/Bozzo Barretti)
Leonardo

Tão meiga que nem parece nascida nesse lugar
Anjo que tece as manhãs antes de clarear
Tem a força capaz de acalmar, de dar paz
De dar esperança e alento à todos os Ais

Sinhá Moça
Guia do seu próprio coração
Guardiã do sonho e da razão
É uma mulher
Sabe o que quer

Sinhá moça
Nada nada nada faz mudar
Seu jeito de ser e de viver
Sinhá moça minha guia
Minha estrela noite e dia

Lalalalalalalala

Sinhá Moça...

domingo, janeiro 28, 2007

Uh-hu Mogi-Guaçu!

Praticamente a Surrealidade!

Este sábado, aproveitando minha ida a Jundiaí, fui para Campinas para me divertir, a proximidade do dia 30 abriu esta janela de oportunidades e eu não desperdicei! Bem, estivemos no limite da surrealidade.

Voltei num dos lugares que eu mais gosto em Campinas, o City bar. Eu realmente quero voltar a morar numa cidade onde exista um city bar, onde no caminho da minha casa exista um bar na rua, com bêbados normais a bêbados alternativos, onde ainda impere o copo americano! Acho incrível que São José dos Campos, formada do mesmo barro, do café, da indústria de tecnologia, não conseguiu criar um espaço amigável onde a cidade se encontre democraticamente. Acho esta cidade o máximo da petit bourgeoisie, a cidade do trabalho, que dorme cedo, da diferença entre as regiões da cidade. Enfim...

Depois da hora da fila, fomos para a buatch mais popular que existe. Fazia muito tempo que eu não dava tanta risada. Acho que eu me dou super bem no meio do povo! Estava lendo que isso é uma característica do meu signo, e também é bom estar num lugar onde tudo pode acontecer.
Aí, neste ambiente propício, formou-se um trio que pode vir a explorar novos recantos deste mundo! Algumas sminorff ice (ok, ok, não tinha bebidas muito sofisticadas...), voltei pra Jundiaí com a sensação de dever cumprido e um pouco melhor com todo esse sacrifício fiscal que tenho feito para controlar minhas contas e afastar o vermelho da minha vida...

Carnaval tem mais!!!!

P.S.

1. Post totalmente inspirado em Korn que teve um final de semana muito mais chic que o meu.

2. O título: grande inspiração de Carlinha sobre a muvuca, uma adaptação do grito de guerra big-brotherniano de Fani para a Região Metropolitana de Campinas. Uh-hu Mogi-Guaçu!

terça-feira, janeiro 23, 2007

Momento Funk

Achei engraçado, valeu Rodrigo...rs

domingo, janeiro 21, 2007

Ser ou não ser vegetariano!

A questão dos argumentos
Eu não sou adpeto de maneira alguma do vegetarianismo, fui criado com hábitos alimentares carnívoros, gosto de comer carne e não pretendo rever isso. Embora seja sensível à vários argumentos como o de que a indústria da carne seja uma grande devastadora das matas tropicais, ou que os animais foram expostos a tortura e maus tratos; não pretendo me tornar vegetariano. Gosto e ponto. Posso sim tentar comer carne de uma maneira mais saudável, mas não penso em como uma pecuária não-extensiva pudesse dar conta de alimentar uma população gigante como a nossa.
Agora hoje eu consegui ler o argumento mais imbecil contra comer carne. Pode até não ser, mas é o cúmulo da inocência fazer com que o meu hábito ancestral seja o culpado do aquecimento global. Pode até ser, mas ainda não me convenci!
Abaixo o artigo:
Ah, o fantástico tá mostrando isso. O pum da vaca polui mais que o setor de transporte...

O Ilusionista

Sábado no cinema!

O Filme

Fazia muito tempo que não saia do cinema tão impressionado com um filme. Adoro filmes que tratam, ou que mostram, a tênue linha entre realidade e imaginação, e um filme de mágica não poderia ficar longe desta linha. O incrível é a total dúvida com que saí do filme, não sobre discussões sobre a realidade e a fantasia como em Vanilla Sky, Matrix ou Clube da Luta, mas sobre o que é real ou não no filme.

Coloquei fantasia ao invés de ilusão porque me lembrei de uma aula onde se falou que a fantasia está intimamente ligada com a visão, e o filme realça a visão, pena que meu inglês é péssimo e me torna dependente das legendas e não podia simplesmente ficar olhando. O filme prende, houve momentos que abstraí completamente para ficar olhando o ilusionista.

Achei o filme equilibrado, ficção, um quebra-cabeça fantástico, uma história de amor romântico, um ator bom, seqüências intrigantes.

Se as impressões do inspetor de polícia estiverem certas, temos um Romeu e Julieta que deu certo, ou não, na verdade não há certeza alguma da história.

Fiquei com uma idéia que a visão é o sentido mais fácil de ser enganado, não é a toa que todas as palavras da dúvida tem a ver com a visão, impressão, fantasia, ilusão.

Gostei do filme!

O Programa

Todos os trailers que vi me fizeram querer voltar ao cinema, acho que estava inspirado a ir ao cinema hoje.

O primeiro foi Antonia (que vontade de por um acento circunflexo!). Não assisti na tv e estou muito a fim de ver.

Mas o que me intrigou nos trailers foi The Last Kiss, pelo que dizia no trailer é igual a um filme italiano que assisti, L’ultimo baccio. Acredito que seja a mesma história. Quando vi este filme adiantei minha crise dos 30 anos em 5 anos, o filme italiano tem um charme, uma sutileza, espero que o americano também o tenha.

Agora convenhamos, escutar as pessoas comendo o tempo todo no cinema é péssimo! E como comem!

Coca Light

Hoje foi o dia da minha primeira coca light, mas um passo na minha luta para chegar aos 30 anos bonitão e estável financeiramente. Depois de correr no Parque Santos Dumont, quando fui pedir o refrigerante, não titubeei. Como é ruim! Ainda sinto o gosto do adoçante na minha boca. Será que é costume??

sábado, janeiro 20, 2007

Escutando coisas novas


Aracy de Almeida

Caramba, é impressionante que até semana passada Aracy de Almeida para mim era uma jurada jurássica do Sílvio Santos.

Depois de ler uma reportagem onde falava que ela era a maior intérprete das músicas dele, por curiosidade, busquei músicas dela na rádio uol. Fiquei fascinado com o deboche, com os assuntos. As músicas são muito inteligentes e a interpretação dela tem um ar diferente, não tem tanta formalidade das músicas antigas.

Acabei comprando um CD, que se chama, Ao vivo e a vontade, foi gravado em 1980. Na verdade, foi um show onde ela fala coisas incríveis entre as canções, sendo o ponto alto a descrição que ela dá para sapatão! Imagine, em 1980 uma senhora fala sobre lesbianismo enquanto em 1996 uma sapata choca ao falar que é bi! O CD chegou ontem, e ontem eu o escutei por 4 vezes!

Infelizmente minha falta de grana me impede de comprar outros cds...

O orvalho vem caindo
(Noel Rosa/Kid Pepe)

O orvalho vem caindo
Vai molhar o meu chapéu
E também vão sumindo
As estrelas lá do céu
Tenho andado tão mal
Minha cama é uma
Folha de jornal

Meu cortinado é o vasto céu anil
E o meu despertador é o guarda civil
(Que o salário ainda não viu!)
(Vai pra ponte que partiu!- Versão Aracy de Almeida)

A minha sopa não tem osso nem tem sal
Se um dia eu passo bem, dois ou três passo mal
(Isto é muito natural!)

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Momento Musical

Estou hiper encanado nesta música


Resposta ao Tempo
(Aldir Blanc/Cristóvão Bastos)


Batidas na porta da frente é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei

Num dia azul de verão sinto o vento
Há folhas no meu coração, é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar, eu também não sei

E gira em volta de mim,
Sussura que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
me esquecer

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Pelas barbas do Profeta!

Mudei!


Depois de um dia que não me reconhecia direito, nem nas minhas atitudes, nem na minha aparência, resolvi tirar a barba que deixei crescer com todo carinho durante as minhas férias. Acho que serviu também para dar um sinal de que as férias acabaram, e que agora só em setembro.


Consultei várias pessoas já que minha analista (não sei se é analista, afinal ela não é adepta à pscianálise e sim ao psicodrama) está de férias, e por fim o resultado foi que eu deveria tentar a mudança.


Estou com cara de tartaruga! Toda vez que eu passo em frente a um espelho fico me olhando como se não me reconhecesse em mim. Praticamente, estou em crise de identidade sem a minha barba!.


De qualquer maneira, teremos algumas mudanças, amanhã estreiarei um novo look, assumirei definitivamente um lado casual day e irei trabalhar de camisa pólo! (ok, está longe do visual chinelos e camiseta com que eu sonho trabalhar, mas é o que eu posso no instante). Depois, vou para São Paulo, visitar Luísa, dormir na casa dela, pôr a conversa em dia, curtir uma cidade grande, e se possível tentar gastar pouco.

post e barba feitos ao som do Bolero de Ravel. Estou gravando essa música no celular. Toda vez que precisar tomar uma decisão rápida, vou escutá-la no banheiro da fábrica!...rs

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Homenagem a volta do youtube

Em homenagem ao fim da censura, estou postando um comercial engraçado que eu vi no youtube!


segunda-feira, janeiro 08, 2007


São José dos Campos - Capital do Vale

Quando eu me mudei pra São José dos Campos e me deparei com o fumacê na rua, no primeiro momento, comecei a rir, achei uma coisa tão surreal passar um carro fumacê no centro de uma cidade industrial como São José que não acreditei. Num segundo instante chorei, fui dedetizado!

Passou o tempo e sempre que encontrava o fumacê praguejava. A coisa era tão surreal que no primeiro semestre de francês, a aula parava quando o fumacê passava na rua. Houve uma vez que andando com um amigo, ao virarmos uma esquina, caímos numa nuvem!

No entanto, desde que o inverno acabou, ainda não vi o fumacê e aí sim aconteceu uma coisa mais surreal: os pernilongos estão dominando esta cidade. Eu que acreditava que que os pernilongos não chegavam ao 8o. andar, estou dormindo com repelente!


Prefeito Eduardo Cury, meu, cadê o fumacê???

domingo, janeiro 07, 2007

Fim de semana Jude Law

Só para registro.


Nesta minha cruzada contra os gastos, fiz neste final de semana, o final de semana Jude Law. Aproveitando que ganhei uma cópia de I heart Huckabees do Maurício, aproveitei e assisti Alfie e Cold Mountain.


Adorei os três por motivos distintos. I heart Huckabees é fantástico, que senso de humor! Que filme bem feito! Divagações hilárias. Alfie é um pouco moralista, mas é de um cinismo não usual. Cold Mountain é uma novela, sensível, paisagens lindas.


Semana que vem pretendo ver O paciente inglês!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Dinheiro na mão é vendaval...

Só por hoje


Estou desde terça-feira sem gastar!

Não utilizei meu cartão de crédito para nada, tampouco tirei alguma nota da carteira. Para comer utilizei o que tinha na minha casa, e por incrível que pareça, consegui fazer coisas boas!

Isso se deve à uma ação de longo prazo com o objetivo de me capitalizar novamente. Depois do carro (à prazo) e da gastança de final de ano, decidi que este mês seria o mês M de combate ao gasto. Entrei na fase do capitalismo ascético!

Para comemorar tudo isso, amanhã vou ao Bar do Peixoto tomar uma cerveja! Afinal é sexta-feira, e já economizei para isso!

Será terrorismo?

Lula e o terrorismo

No seu discurso de posse o presidente Lula caracterizou os atos de violência entre os narcotraficantes e milíicas armadas que assolavam o Estado do Rio de Janeiro nas vésperas do ano-novo como uma ação terrorista.

Concordo com o presidente que a ação de criminosos com o intuito de causar o medo na população, de maneira a combater uma ação do Estado (seja ela uma política ou uma ação policial) é terrorismo; acredito eu, que o terrorismo esteve muito mais caracterizado com os acontecimentos de maio/06 no Estado de São Paulo, onde o alvo era o próprio Estado.

Mas sendo terrorismo, este é um ato contra a Segurança Nacional. Será que o discurso pode sinalizar uma maior intervenção do Governo Federal na Segurança Pública que é de competência dos Estados?

Embora tente não cair em teorias de conspiração, a alusão de Lula ao terrorismo me causou medo. Medo por ser o presidente um potencial Chavez, que interviu em hospitais na cidade do Rio de Janeiro, com objetivos políticos, e que poderia, em tese, intervir nos Estados para combater o terrorismo.

O Brasil não é Venezuela, mas...

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Diferenças Fundamentais em Discursos Paradigmáticos

Discurso de posse do Governador de São Paulo, José Serra.




Foi quase que por descuido que acompanhei um discurso que tem um potencial de ser tão paradigmático quanto o discurso de despedida do Senado do presidente Fernando Henrique em 1994. Tal como aquele, o discurso de posse do governador Serra, traz para si uma visão de Estado que pode diferenciar o atual governo do governo Fernando Henrique. Se seguido, pode trazer um ar de renovação ao PSDB, afastando o quercismo que dominou o Estado de SP no governo Alckmin.

Acredito que tratou de pontos que estão ausentes do governo Lula, como o papel do Estado, a posição do Estado frente a globalização, e uma clara linha econômica.

Foi um discurso de posse para o Governador do Estado de São Paulo, mas pode conter as linhas gerais de um discurso de posse para a Presidência da República em 2010.

Função da política

“Sem ampliar os limites conhecidos do possível jamais teríamos conseguido recuperar a situação financeira da prefeitura de São Paulo em apenas um ano, nem Fernando Henrique Cardoso teria vencido a inflação com o Plano Real. Não preciso me alongar aqui sobre como tem sido nocivo no Brasil a crença no mote tradicional que assegura ser a política a arte do possível. Não, a política deve ser a arte de alargar os horizontes e limites do possível”.

Papel do Estado

“O que pretendo enfatizar aqui é a necessidade de uma prática transformadora na política brasileira, que vá além, muito além, de discursos. Não basta que se reconheça a necessidade do bem. É preciso praticá-lo. Não basta anunciar futuro glorioso para o povo brasileiro. É preciso construí-lo. Não basta que manifestemos reiteradamente nossos votos de uma vida melhor. É preciso mobilizar instrumentos e técnica para que ela seja realidade.

Em termos de poder público, aquela prática exige, antes de mais nada, que o Estado seja controlado por ele próprio, que o aparato governamental funcione como um todo coerente, do ponto de vista moral, da eficiência e dos objetivos perseguidos, que aja em em função do interesse público. Nada mais distante disso do que a banalização do mal na política brasileira, das vorazes tentativas neopatrimonialistas de privatização do Estado, que tanto tem prosperado em nosso país.
Em segundo lugar, é preciso que o Estado seja cada vez mais controlado pela sociedade, que esta possa se defender de seus abusos e nele possa influir alterando o rumos das ações públicas, na perspectiva da contínua democratização. E os governos, eu penso, têm de estar empenhados em contar uma parte da história do futuro, antecipando-se ao erro, cercando suas possibilidades, agindo com planejamento, abrindo o caminho e sinalizando a direção a seguir”.

Nacionalismo versus Globalização

“Defendo o ativismo governamental. O poderoso Estado Nacional Desenvolvimentista do passado - produtor, regulador de toda a atividade econômica, patrono de todos os benefícios sociais - não tem mais lugar no presente, mas isto não significa que deva ser substituído pelo Estado da pasmaceira, avesso à produção, estagnacionista. Até porque aquele Estado ficou no passado, mas a questão nacional e a questão do desenvolvimento continuam no presente”.

“Tenhamos claro que o livre mercado globalizado não oferece as respostas para todos os nossos problemas. Basta lembrar que o conceito de cidadania envolve três dimensões: a dos direitos civis igualdade perante a lei, possibilidade de ir e vir, habeas corpus -, dos direitos políticos votar e ser votado -, e dos direitos sociais. Mas o cidadão global inexiste: no mundo de hoje o direito de ir e vir entre países está cerceado só podem ir e vir de um país a outro os capitais e em menor medida as mercadorias, mas, gente, de nenhum forma; o exercício dos direitos políticos está circunscrito às fronteiras nacionais; e se os direitos sociais mal permanecem de pé dentro dessas fronteiras, o que dizer da utopia de fazê-los valer em escala planetária? Ou seja, o objetivo de materializar as condições de uma plena cidadania em cada país exige políticas nacionais, exige ativismo governamental na procura do desenvolvimento e da maior igualdade social”.

Social Democracia (convergência entre capital e trabalho)

“A falta de desenvolvimento pune os mais necessitados; torna-os clientela cativa do assistencialismo. A assistência social é justa e necessária, mas a emancipação verdadeira, sair da pobreza, exige empregos e renda para as famílias, o que só pode acontecer com crescimento econômico. E não há escassez de capital para promover esse crescimento.

Ao contrário, o vertiginoso aumento das remessas de lucros das empresas estrangeiras aqui instaladas e dos investimentos de empresas nacionais no exterior, recursos que se vão a fim de criar empregos lá fora, mostra que não falta poupança ao Brasil para aumentar sua capacidade produtiva e seus empregos o que falta são oportunidades lucrativas de investimento, espantadas pela pior combinação de juros e câmbio do mundo, em meio a uma carga tributária sufocante”.

Outros trechos

Governabilidade

“Temos presente que a governabilidade é tarefa de quem obteve nas urnas o mandato para governar. Não me passa pela cabeça, por exemplo, transferir para a oposição o dever de assegurar a governabilidade do estado que me elegeu. Quem é altivo na derrota não se sujeita. Quem é humilde na vitória não exige sujeição. É assim que se faz uma República”.

Trecho emblemático

“Quero dizer aos paulistas e a todos os brasileiros que podem contar comigo para que tenhamos um País ordeiro, pautado pela estrita legalidade e pela cooperação entre os entes federativos. Mas reafirmo: nem com a humildade que se confunda com sujeição, nem com a altivez que se misture com arrogância. Esta é a cara de São Paulo”

O governador está falando sobre a relação entre Estado e União. Adorei a definição do Estado de São Paulo escrita no texto.

Só para constar

O presidente Lula está tomando posse hoje.

Toma posse sem ministério, sem candidato a presidência da Câmara e do Senado, sem um programa de governo que una sua base aliada.

Ou está desgovernado ou está brincando com o caos.