quinta-feira, abril 10, 2008

Bêbado ao som de Carpenters!

Estou feliz hoje: andei no expresso leste, tomei caipirinhas e por pouco não fui cantar Carpenters num karaokê japonês! Enfim, estou morando na Liberdade e a música abaixo me fez pensar na vida...

Only Yesterday

Everyone must face their share of loneliness
In my own time nobody knew
The pain I was goin' through
And waitin' was all my heart could do
Hope was all I had until you came

Maybe you can't see how much you mean to me
You were the dawn breaking the night
The promise of morning light
Feeling the world surrounding me
When I hold you

Baby, Baby
Feels like maybe things will be all right
Baby, Baby
Your love's made me
Free as a song singin' forever

Only yesterday when I was sad
And I was lonely
You showed me the way to leave
The past and all its tears behind me
Tomorrow may be even brighter than today
Since I threw my sadness away

Only Yesterday

I have found my home here in your arms
Nowhere else on earth I'd really rather be
Life waits for us Share it with me
The best is about to be
So much is left for us to see
When I hold you

terça-feira, abril 08, 2008

Por que voto e sempre votarei no Suplicy para Senador!

Trabalhando por você!

Desde 1º de abril tornei-me um funcionário de uma empresa pública estadual. Não sou um servidor público, tampouco um funcionário de uma empresa privada. Sou um CLTista cujo patrão é o governador do Estado de São Paulo. Lógico, que a partir daí entramos numa zona fantástica. Sou funcionário do Serra e eu votei no meu chefe para ele ser meu chefe!

O engraçado é que muita coisa mudou quando passei a trabalhar para o Estado, desapareceram algumas preocupações artificiais que discutia no almoço (aumento do consumo de vidro, diminuição da produção de vidro float, job rotation dos gerentes) para surgirem discussões fantásticas que permeiam meu cotidiano e que estão diretamente relacionadas com meu trabalho, tais como quem será o próximo governador, se o transporte público deve dar lucro, qual interferência as empresas privadas devem ter no sistema de transporte. Como somos engenheiros na maioria, as vezes conversamos sobre alguns temas meio tabus, como taludes, drenagem e outras cositas más... enfim, estou adorando ser um engenheiro e adorando ser um quase servidor público.

O mais legal de tudo isso é que até o dia 13 de agosto estou em treinamento. Isso quer dizer que voltei a faculdade. Os temas vão desde eletrificação das linhas, passando por planejamento dos transportes metropolitanos, construção de ferrovias, chegando a um treinamento de três dias sobre a lei de licitações e sobre as PPPs.

Estou em casa na CPTM! A propósito, vou trabalhar de jeans, camiseta e tênis! =)

São Paulo, São Paulo,

Aliás, interessante mudar para uma cidade e trabalhar na questão principal desta cidade, acho que inserção em São Paulo vai ser mais fácil que a inserção em São José dos Campos. No entanto, nunca tinha sentido a poluição desta maneira, percebo hoje o quão essa cidade é poluída.

Mas é fantástico ir trabalhar de trem, ver uma multidão nas ruas, de repente descer na Avenida Paulista ou sair do metrô e ver a Catedral da Sé, o prédio do Banespa. Vale a pena!

quarta-feira, março 26, 2008

Mudanças ao som de tango

Fiz minha mudança de São José dos Campos ouvindo tango. Decidi comprar uma cuia e escutar coisas mais modernas...

Vida Mia
(Emílio e Osvaldo Fresedo - 1934)

Siempre igual es el camino
que ilumina y dora el sol...
Si parece que el destino
más lo alarga
para mi dolor.
Y este verde suelo,
donde crece el cardo
lejos toca el cielo
cerca de mi amor...
Y de cuando en cuando un nido
para que lo envidie yo.

Vida mia,
lejos más te quiero.
Vida mia,
piensa en mi regreso.
Sé que el oro
no tendrá tus besos,
y es por eso que te quiero más.
Vida mia,
hasta apuro el aliento
acercando el momento
de acariciar
felicidad.
Sos mi vida
y quisiera llevarte
a mi lado prendida
y así ahogar
mi soledad.

Ya parece que la huella
va perdiendo su color
y saliendo las estrellas
dan al cielo
todo su esplendor.
Y de poco a poco
luces que titilan
dan severo tono
mientras huye el sol.
De esas luces que yo veo
ella una la encendió


Tango

Adoro tango, acho que tem decadência, soberba, sedução, é combativo, nostálgico, marcado. Combina comigo, consigo trabalhar escutando tango. Assim como o espanhol me dá a sensação de ser mais preciso, o tango me dá a sensação de ser lógico, lógico mesmo na mais completa falta de razão.

terça-feira, março 25, 2008

Inconsciente musical - Normalista

Engraçado isso, acabei fissurado numa música absurda, a Normalista, na voz do Nelson Gonçalves. Será que a vontade de ser professor que tinha na infância apareceu? Será que é essa tendência ao Romantismo e na fuga ao passado? Será o melodrama?

A Normalista

Vestida de azul e branco
Trazendo um sorriso franco
Num rostinho encantador

Minha linda normalista
Rapidamente conquista
Meu coração sem amor

Eu que trazia fechado
Dentro do peito guardado
Meu coração sofredor

Estou bastante inclinado
A entregá-lo aos cuidados
Daquele brotinho em flor

Mas a normalista linda
Não pode casar ainda
Só depois que se formar

Eu estou apaixonado
O pai da moça é zangado
E o remédio é esperar

domingo, março 23, 2008

Desempregado, mas feliz!

No final do meu inferno astral resolvi fazer uma correção de rota, abandonei no mesmo instante São José dos Campos e meu emprego. Tanto São José dos Campos como meu emprego eram bem medíocres (a palavra certa seria ordinários, mas ordinário virou adjetivo do tchan, não dá mais para usar). Tinham coisas muito boas, coisas muito ruins, e um grande período de incerteza que só me dava vontade de fazer outras coisas.

A correção do rumo foi acertada, passo meus dias estudando pra concurso e para o mestrado em economia. Claro que eu preciso comer e viver, engraçado que tenho uma fé que vou resolver isso rápido, bem se até maio não resolver aí vou me preocupar mais. Do mais, acordo, fuço algumas vagas no catho, estudo, almoço, leio; por enquanto tudo sob controle (com uma ansiedade aumentando a cada dia mas até nisso o tempo é bom, me permite encontrar terapias alternativas a ela!).

A grande meta agora é assistir uma gravação do Viola minha Viola, infelizmente, a parte triste do desemprego é que não vou poder ver o Charles Aznavour... R$ 200,00 por um momento melancólico em francês é muito caro, consigo andar 100 vezes de trem com essa grana!

sexta-feira, março 07, 2008

A minha minissérie

Queridos Amigos
James tira sarro de mim quando eu me refiro à minissérie "Queridos Amigos" como a "minha minissérie". Mas não consigo não usar o minha, assim como a gente lê um livro grande que a gente se envolve com ele, minisséries e novelas são assim, passam a ser nossas. E aí nada mais fácil do que dizer: "poxa vida, vou perder minha minissérie". Ao contrário do livro que é só você continuar da onde você parou, na minissérie você tem que acompanhar a tv. Então fica combinado que ninguém vai querer fazer nada no final da minissérie, afinal, se não assitir, como saberei o final? Quero assistir a minissérie à antiga, correndo pra casa para assistir.
Acho que a Rede Globo é a grande culpada por eu não suportar ler contos. Os únicos que consegui e gostei foram do Cortázar porque, pela difculdade da língua e por serem tão fantásticos, convivia com eles por algum tempo depois de terminar. Não consigo me envolver com um conto. Não dá tempo de sentir seus personagens, de simpatizar com eles, de torcer, de sonhar. Como assisto novela, acho que me acostumei a acompanhar histórias por um período de tempo, e aí, não tenho envolvimento algum com os contos.
Voltando a minissérie, estou adorando, não é lá um recorte muito profundo, tende ao clichê, mas são clichês tão meus! Existe uma aura de politização maniqueísta tão bonitinha que lembram as minhas discussões com o James. Além disso têm personagens interessantíssimos que são arquétipos, e a gente se identifica com todos eles.
A minissérie me fez até a pensar em Milton Nascimento como uma opção musical...
Insônia
Estou com uma insônia pesada, e o pior, fiz coisas que pioram a insônia, acho que 50% é culpa da Lei das Águas (resolvi hoje prestar o concurso do ministério do meio ambiente), outros 30% é culpa do meu aniversário, fiquei pensando em tantas coisas pra fazer no meu aniversário que fiquei acordado, os outros 20% é a maldita propensão à insônia, um dia tomo coragem e vou viver feliz no mundo do lexotan.
Observação sobre a Abertura
Estava pronto para pôr aqueles quadrinhos do youtube com a abertura, quando infelizmente percebi que no fim, alguma alma bem intencionada colocou a imagem de um homem desaparecido. Acabei me lembrando de uma coisa: tenho horror a essas figuras de gente desaparecida, eu tenho muito medo, me arrepia, me faz ficar ainda mais acordado. Eu morro de medo de encontrar essas pessoas, morro de medo de aparecer num quadrinho desses. Quando morava em Jundiaí, assistia ao Linha Direta e morria de medo de encontrar aquelas pessoas. Loucura né?
Medo de imagens?
Nossa, que viagem, mas meus medos de infância mais irracionais estão ligados à imagens. Tinha medo de uma capa de um disco do Roberto Carlos (Roberto Carlos, 1970), tinha medo da foto de um polvo que tinha num jogo de memória e não gostava do livro com a letra A da Barsa por causa das fotos de Artrópodes. Acho que esses eram meus grandes medos de infância. Na adolescência desenvolvi o medo por imagens de pessoas procuradas e desaparecidas, estranho né?
Vou por o quadrinho, mas nunca mais vou vê-la,pelo menos a que encontrei no youtube. Fiquei com medo!

terça-feira, fevereiro 19, 2008

18/02

Descontruindo

“E o tempo se rói
com inveja de mim,
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver”

Provavelmente é culpa do inferno astral, que no meu caso, para todo o sempre, é acompanhado de quaresma. Essa necessidade de renascer está tão enraizada em mim que me chamo Renato. É uma cena clássica: a necessidade de revolução. Adoro essa minha capacidade de me reinventar a cada instante, romantizo esta capacidade; algumas vezes que acho que ela me levará a ruína. Mas existe uma intuição tão grande que nessas minhas viradas eu me revelo, me descubro.

O ciclo São José dos Campos está no fim. Foram três anos para provar que me bastava e cheguei à conclusão que preciso muito das pessoas. Nunca estive tão perto de um modelo de vida que sempre busquei. Os anos joseenses modificaram o modelo. Que 2009 chegue logo para que essa reinvenção se concretize.

Qual é o plano? Bem, existem alguns esboços. O que mais me agrada é estudar economia. Corrigir uma dívida que ainda tenho do período Unicamp. O plano B é trabalhar, mas trabalhar com um foco menos culposo e mais doloso. Estou sentindo falta de proximidade e São José dos Campos só conhece distância!

Vacaciones

Dia 5 de maio saio de férias. Esta longe, eu sei. Mas o simples fato de saber que estarei de férias me tranqüilizou. A possibilidade de fazer planos, de sonhá-los, diminuiu a ansiedade. Afinal, os piscianos precisam sonhar, e eu resolvi sonhar um pouco com Lima. Estou morrendo de vontade de conhecer o Peru, de comer ceviche, de pisco sauer e conhecer o Oceano Pacífico. Engraçado que o ir sozinho que sempre foi uma bandeira minha, hoje é a maior dúvida. Queria tanto ir acompanhado!

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Aznavour

Comme Ils disent

Nunca prestei muita atenção nessa música, mas um dia mais atento percebi que era sobre um travesti. Uma música de 1972 retratando a vida de um travesti, tem algumas passagens meio Sabrina, mas não deixa de ser fantático. Enfim, meu único problema é que quando ouço imagino o próprio Aznavour costurando à máquina enquanto a mãe dele dorme... imagem meio melancólica...

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Um tempo novo de mudanças vem surgindo III

Obama!

É fantástico acompanhar as eleições nos Estados Unidos. A complexidade do país, que todos esses bolivarianos tontinhos tentam esconder atrás de palavras de ordem, ressuscita a cada primária. Embora movida por uma grana colossal, todo o processo de primária não deixa de ser um rito democrático fantástico (ouvi dizer que as convenções eram até os anos 50 praticamente um encontro de gângster, mas mesmo assim). Aos poucos as candidaturas tomam corpo e quando começar a campanha, todo mundo já fez campanha!

Tenho a impressão que onda dos born again diminuiu. Acho que talvez o governo Bush foi o ápice desta influência. Quando vejo McCain, Clinton e Obama, dá a impressão que os norte-americanos estão com aquela sensação de exagerei. Será que não é uma nova onda que está surgindo? Assim como Reagan pôs abaixo a recessão, o derrrotismo, criando uma era de yuppies. Talvez o próximo presidente possa dar impulso a uma nova relação dos Estados Unidos com o mundo e com eles próprios.

Nesse ponto, se fosse norte-americano, estaria de bandeira na mão fazendo campanha para o Senador Barack Obama. A capacidade de mobilização dele é de dar inveja, gostaria de ver discursos, ouvi-lo falar. Pelo que se lê nos jornais, parece ser uma pessoa cativante. Acredito que consiga superar certas feridas como a questão do racismo, da mulher, unificando o país para o fim da guerra.

O mais bonito da campanha é como ela está crescendo, mobilizando, fazendo a pessoas saírem de casa. Estava pensando. Depois de Kennedy, os democratas só voltaram à Casa Branca por inércia, Johnson por causa de Kennedy, Carter para varrer o que sobrara do governo Nixon, Clinton, como um refluxo do governo Bush. Talvez dos três candidatos, Hilary, Obama e McCain, somente Hilary esteja enraizada no status quo, acho que se essa onda de mudança prevalecer, será a mais prejudicada. Se eu pudesse escolher, seria Obama.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Reflexões num dia que acabou com Roberta Miranda e Whisky!

Reflexões
Eu acredito que a melhor definição de brega está no uso exagerado de clichês. A quantidade absurda de lugares-comuns faz com que uma música, um filme, uma situação traga para si toda a lembrança de coisas mais bregas o que acaba por estragar até um bom argumento. Talvez por nossa língua permitir tantos jogos, a linguagem direta me parece um pouco vulgar, pode ser que seja um lado meu barroco, mas realmente são poucas as coisas que ditas claramente que me pareçam elegantes. Quando aprendi espanhol, me chocava por ser o espanhol uma língua muito mais direta que a nossa, e realmente, a linha da breguice é tão tênue no espanhol. O francês também transita bem nessa linha, entretanto, não consigo me lembrar de canções românticas em inglês que não sejam bregas.

Como eu cresci ouvindo muitas músicas recheadas de clichês, aprendi a gostar delas, talvez me interesse mais os argumentos do que a forma com que foram escritas. As canções exageradas, que geralmente são cheias de clichês me consolam por osmose. Meu sofrimento que é menor do que o destas canções permite que haja o transporte do menos denso para o mais. É batata, começa algum desespero e lá estou eu lembrando de músicas absurdas, com situações absurdas, exageradas, cheias de lugares comuns.

Como as coisas com o meu trabalho se agravando e chegando perto de uma solução final. Hoje, ao sair apressado da fábrica, acabei cantando uma música da Roberta Miranda. Trágica, absurda, e cantei de uma maneira tão ridícula (com todos os femininos, já que não dava pra masculinizar a canção) que fiquei até com vergonha do guarda da portaria.

http://app.uol.com.br/radiouol/index.php?param1=mail&codmusica=000316-5_02

A tragédia e o melodrama

Bem, uma vez li que a diferença entre a tragédia e o melodrama é que a tragédia nos põe frente a um ponto onde temos que fazer escolhas, enquanto o melodrama nos induz a um único caminho. Acho que todas as canções exageradas não dão aos seus intérpretes muitas escolhas

A via Jorge Drexler

A primeira vez que imaginei uma opção de amor, na música, que fugisse do melodrama foi com Jorge Drexler. Acho fantástico que ele cante o amor de uma maneira tão tranqüila, não se encaixa de maneira nenhuma no trágico. Engraçado que no momento em que mais me aproximei de Jorge Drexler foi no momento que pude escolher entre o melodrama e a tragédia, e aceitei a tragédia e a escolha que ela me trouxe.

A redenção por Truffaut

Depois de Beijos Roubados, pude perceber que é possível levar meus momentos extremos e desencontrados de uma maneira bem mais Antoine Doinel. Incrível, descobri um mundo de situações, de aproximações, e acho que andei uns bons três anos na minha terapia. Acho que a via brega se deu mais por falta de histórico do que por uma tendência... Mas que eu ainda canto muita coisa brega, ah, canto...

Vá com Deus

Vá com Deus
(Roberta Miranda)



A Cada Dia Que Se Passa
Mais Distante
Um Rosto Tão Bonito Se Perdeu
Na Indiferença
É Pena Que Este Amor
Não Teve Consciência
Dos Sonhos Que Sonhamos Em Segredo

Vá Com Deus
Se O Amor Ainda Está Aqui
Vá Com Deus
E Tente Sorrir Por Mim
Amor Meu
Se O Destino Está Traçado
Pra Vivermos Lado A Lado
Vá Com Deus

Despi Minh'alma Ao Deitar
Nos Braços De Nós Dois
Pra Ser Um Só
Você Nada Entendia
Que Tudo Te Esperava
Nas Horas Mais Sublimes
Do Meu Eu

Vá Com Deus
Se O Amor Ainda Está Aqui
Vá Com Deus
E Tente Sorrir Por Mim......

terça-feira, janeiro 15, 2008

Sic transit gloria mundi

Sic transit gloria mundi

Acordei e estava enrugado. Ontem quando deitei a ruga não existia e hoje no espelho ela estava lá. Não sei se é algum sinal, mas ela está aqui comigo; me acompanhou por todo o dia e acredito que não me deixará jamais. Nasce do meio do meu nariz e vai até o canto esquerdo da minha boca. É um traço bem fininho, a princípio achei que havia me arranhado durante o sono, mas é ruga.

Achei um sinal meu que não quero. Não ligo para o nariz grande, nem para barriga de nenê. Aprendi a gostar do meu corpo e a ruga não faz parte dele. Não é uma negação da minha idade, onde já se viu aos 27 anos ter uma ruga? É como se a ruga fosse um anúncio de infarte, colesterol, triglicerídeos, pressão alta.

Cheguei ao trabalho e comprei um Chronos. Em cinco dias úteis esta ruga vai será combatida. Servirá de exemplo às outras para que esperem a hora.

A Farewell to cars

No final deste mês encerra-se minha aventura automobilística. Ter um carro foi como um passaporte para a idade adulta. Aprendi a dirigir, a estacionar, a xingar no trânsito. Melhorei meus reflexos, aumentei minha atenção. Foi quase uma afirmação pessoal, uma resposta ao lado mais jundiaiense do meu ser que eu estava pronto. No entanto, vieram as dívidas, o comprometimento com o carro, a renúncia por algumas alegrias para mantê-lo.

Num segundo momento, veio a insegurança. Nada poderia mudar na minha vida por mais um ano e meio para que eu conseguisse pagá-lo. E quanto a aprender francês? E o inglês? E um bar durante a semana? E a alegria de um cafezinho fora de hora e de planilha?

O ponto central aqui é grana. Os acessórios vieram rápido, mostrando que não eram tão acessórios assim. Então a partir de fevereiro volto a fazer francês, pretendo voltar ao inglês e tomar mais Jack lemmonades, quero ver um show do Cauby, ler mais antes de ir ao trabalho, entender um pouco mais de economia, enfim, não vou mais romantizar entorno da perda do carro.

A propósito, agora sou um feliz proprietário de um Bilhete Único e um Cartão Fidelidade do Metrô. Para ir a Higienópolis não vou mais precisar do Renatomóvel!

L'amour en fuite

L'amour en fuite
Alain Souchon

Caresses photographiées sur ma peau sensible.
On peut tout jeter les instants, les photos, c'est libre.
Y a toujours le papier collant transparent
Pour remettre au carré tous ces tourments.

On était belle image, les amoureux fortiches.
On a monté le ménage, le bonheur à deux je t'en fiche.
Vite fait les morceaux de verre qui coupent et ça saigne.
La v'là sur le carrelage, la porcelaine.

{Refrain:}

Nous, nous, on a pas tenu le coup.
Bou, bou, ça coule sur ta joue.
On se quitte et y a rien qu'on explique
C'est l'amour en fuite,L'amour en fuite.

J'ai dormi, un enfant est venu dans la dentelle.
Partir, revenir, bouger, c'est le jeu des hirondelles.
A peine installé, je quitte le deux-pièces cuisine.
On peut s'appeler Colette, Antoine ou Sabine.

Toute ma vie, c'est courir après des choses qui se sauvent :
Des jeunes filles parfumées, des bouquets de pleurs, des roses.
Ma mère aussi mettait derrière son oreille
Une goutte de quelque chose qui sentait pareil.


quinta-feira, dezembro 27, 2007

O preço da liberdade é a eterna vigilância II


Eu acho realmente incrível como um incidente pode criar tanta repercussão e por em risco todo um sistema constituído. O assassinato de Benazir Bhutto põe em xeque toda a idéia que existiria um meio-termo entre a ditadura e o talebã. Acredito que as posições se radicalizarão e o Paquistão vai entrar em guerra civil.

Antes de mais nada, estou chegando cada vez mais a conclusão que política não é um preceito moral e ético, é uma práxis. Deve ser estudada com a análise da Sociologia, de maneira nenhuma como o Direito. O sistema político de um povo está ligado à sua história, sua estrutura de poder, a imagem que esse povo faz de si, nunca através de axiomas e doutrinas. É horrível admitir isso, mas toda vez que se quer criar um sistema político através de doutrinas corre-se o risco de criar uma situação insustentável e artificial.

Pensando desta forma, então não existiria uma forma acabada de democracia, ela é fruto de várias dinâmicas internas dos Estados-Nação, mas também é um elemento econômico e cultural. No entanto, não temos Estados-Nação independentes, e sim interdependentes, e, querendo ou não, o capitalismo é global, o que acaba criando alguns preceitos de organização do estado igualmente globais, mas que sempre estará em choque com os aspectos culturais e sociais locais (poria aqui também aspectos econômicos locais, embora a economia seja global, possui uma parcela local).

Dentro deste contexto, qual seria o regime político paquistanês? Bem, um regime talebã só poderia ser construído se o Paquistão não estivesse inserido no mundo, como era o Afeganistão. Uma ditadura pró-ocidente, garantiria essa inserção no mundo, mas seria corroída pelo extremismo talebã. Não consigo pensar em outra solução do que o pronto estabelecimento de instituições democráticas (parlamento, suprema-corte, governos locais) como freio para a escalada radical no Paquistão. Só assim, se poderia envolver a população num projeto de Estado que superasse os aspectos tribais e rompesse com o radicalismo religioso.

Talvez seja uma mentalidade de classe média, mas fico imaginando o que pensa um operário do subúrbio de Karachi ou Islamabad. Não consigo imaginar um sujeito assim apoiando uma guerrilha talebã, ao mesmo tempo, as ligações dele com o ocidente não permitiriam a ele simplesmente apoiar um regime militar.

Podemos lembrar sempre que Benazir Bhutto teve graves problemas de corrupção no seu governo, que não conseguiu terminar nenhum mandato, no entanto, só a idéia de alguém que queria trazer a normalidade das instituições (num país que nunca teve normalidade) já me faz ser simpático a ela. Sem contar que é uma mulher num país em rota de radicalização.



terça-feira, dezembro 25, 2007

Urbi et Orbi





Por um Natal Laico e Civil...


Pode parecer paradoxal, embora me considere uma pessoa com todos os vícios católicos possíveis e imagináveis, a começar pela culpa, pela dificuldade de trato com o dinheiro, algum messianismo, entre outros; o natal da minha família sempre foi um natal laico, nada de meia-noite, nada de oração. Deus aparecia somente nos desejos de feliz natal e quando desligávamos a tv quando começava a missa do galo. Eis que de repente, não mais que de repente, ontem fui surpreendido por uma reza absurda. Resultado: a família ganhou seu primeiro militante de um Natal Laico, para que toda essa massa de gente, ateus, católicos, evangélicos (protestantes, acho essa denominação muito mais histórica), espíritas e sincretistas possam curtir o Natal do seu jeito! Pra quem defende o fim do véu, do quipá e de qualquer símbolo religioso em praça pública, nada como maior afronta do que uma reza em casa!

Um Natal nouvelle vague

Eu realmente me descobri assistindo Truffaut, agora que estou lendo, comecei a perceber coisas que antes não percebia. A realidade tem um poder de entretenimento fantástico, se tratada com simplicidade, pode demonstrar toda a complexidade inerente. Enfim, sou um homem diferente depois que conheci Antoine Doinel. Sem contar que o francês cada dia mais me cativa, nestas mini-férias estou dedicado ao Petit Nicolas que não deixa de ser uma criança nouvelle vague (com tudo que possa significar isso, mesmo que tenha significado algum).

quarta-feira, dezembro 12, 2007

O preço da liberdade é a eterna vigilância

Obstrução, prática parlamentar da maioria??

Estou achando ótimo como as coisas mudaram no Senado a partir da constatação de que o governo não é maioria. Já tinha pensado em escrever aqui sobre a obstrução como prática parlamentar da minoria, sobre a necessidade do bloco de oposição de fazer obstrução para atrasar a votação da CPMF.

Embora a obstrução possa nos parecer estranha, uma vez que eles estão lá para votar, é uma medida de defesa ao rolo compressor do governo. As obstruções que a oposição fez em meados de novembro deram ao parlamento um ar de parlamento inglês. Não era uma obstrução escondida, era declarada, com propósito. Pode-se concordar ou não no propósito, mas era de fato legítima.

No entanto, faz duas semanas que a maioria está usando a obstrução como prática parlamentar. O governo não consegue os 49 votos suficientes para aprovar a CPMF e retira do Senado seus senadores. A maioria entrou em obstrução! Dêem o título de líder da maioria para o Senador Agripino Maia. A Senadora Ideli Salvatti, não pode mais assumir a liderança da maioria, quem faz obstrução é a minoria!

Frase do Senador Mário Couto (PSDB/PA) no blog do Josias de Souza: “Nunca vi na minha vida um governo fazer obstrução contra um projeto dele próprio. Senadores mais antigos me disseram que a última vez que o governo fez obstrução no Brasil foi na época do João Goulart’

Para quem se pretende uma mescla de Vargas e Juscelino, se comporta no congresso como Goulart. O governo errou tanto, que se ganhar agora, a fatura vai ser exposta de qualquer maneira. Atacou quem não devia, seduziu quem não era seduzível, praticou um maquiavelismo para dividir a oposição e fez água. A cooptação ficou igual ao programa Fome Zero, deu em nada!

Oxalá que percam!

segunda-feira, novembro 26, 2007

Um bom ano


Acho incrível como certas músicas, certos filmes, certos livros entram na nossa vida no momento certo. As vezes, passado esse momento, olhando-os novamente percebemos que o impacto foi devido principalmente a circunstâncias internas do que ao filme, ao livro, à música. A maior prova disso talvez seja Os Sonhadores, que quando vi causou um turbilhão tão grande que me fez remoer o filme por meses, e que quando o assisti novamente percebi que fui eu que fiz o filme melhor. Piazzolla, Bizarre Love Triangle, This side of Paradise, As Horas e Blur tiveram sorte melhor, a segunda leitura, ou ouvida (que termo feio) provocou novas e melhores sensações.

Se a arte nos ajuda a enfrentar nossos medos (adoro clichês psicanalistas, embora Marcuse destruiu um pouquinho a minha ilusão de clássicos), acho que Um Ano Bom deu a calma necessária após o adiamento do projeto e a perspectiva de uma boa semana de férias entre Natal e Ano Novo. Realmente não estava num dia bom: pouco produtivo, preguiçoso, irritadiço. Por sorte tomei a decisão de buscar um filme na locadora.

Gosto de filmes bonitos. E como o filme é bonito! Imagens bonitas, calor empoeirado, contraste entre a cidade e o campo. Felicidades simples, individuais e individualizadas (como uma felicidade burguesa). Que vontade de beber vinho! De abrir uma garrafa de vinho, de olhar pela janela, de sentar numa cadeira, que vontade de terminar de ler meu Grande Gatsby. Acho que me lembrei da necessidade de férias, de objetivos.

A trilha sonora é perfeita, achei um filme tão bem cuidado, tão bem feito, sem pirotecnias, um filme bom, simples. Nem todas as coisas boas precisam ser rebuscadas. Imediatamente lembrei-me de A cidade e as serras. As simplificações que são feitas tanto da cidade como do campo é que permitem esse confronto todo, as simplificações talvez tenham o efeito do tipo-ideal, realçam, reforçam a característica.

Adorei o filme, embora seja um filme do ano passado, foi um dos melhores filmes que vi este ano.


terça-feira, novembro 06, 2007

Que papelão!

Vien voir les commediens
Voir les musiciens
Voir les magiciens
Qui arrivent, vien!


Eu estou indignado com o PSDB. Embora seja até parte do folclore do partido essa indecisão toda, essas idas e vindas em torno da CPMF só fizeram o partido perder pontos comigo. Talvez seja um certo egocentrismo meu, mas me considero como uma pessoa representativa, pelo menos tenho a sensação que minhas opiniões políticas são provadas nas urnas, embora cada vez acerte menos.

Mas vamos usar um pouco de lógica. Num primeiro momento o partido se lançou como um partido oposicionista. Fechou questão na câmara com uma unidade que não se via há muito tempo. Os ânimos se acirram e a derrota do governo parece certa, ainda mais com os reflexos da crise no Senado. O PSDB acena ao governo em busca de um acordo.

Aí vem o desenlace mais absurdo. O governo aceita o aceno, vem ao PSDB e deseja negociar. Nesse ponto, o PSDB caiu na armadilha. Se tivesse se posicionado contra desde o início, seria acusado pelo governo de inconseqüente, poderia retrucar lembrando o PT do passado e que não apoiaria o governo. No entanto o governo se mobilizou e mostrou uma proposta. A cúpula não sentiu que o partido estava totalmente contra e simplesmente quis negociar pondo em risco a unidade do partido. Quando viu, teve que sair da negociação com o governo fazendo ótimas concessões. Agora sim vai ser acusado de inconseqüente, e com razão!

Enquanto Ideli dorme, Aloízio repensa sua vida...

Eu estou impressionado com Aloízio Mercadante. Depois do papelão da campanha para governador e da absolvição do Renan, acho que a ficha caiu. Adorei sua campanha a favor da licença e agora na negociação da CPMF. Para quem viu em 2001 uma palestra com um economista raivoso contra o governo FHC, falando de herança maldita e tudo, para depois o defender as mesmas políticas como líder do governo, essas ações demonstram que alguém perdeu o sono e começou a repensar sua vida. Já a Ideli...

domingo, novembro 04, 2007

Finados Chove!

Faz uns dois anos que acompanho o calendário esperando pelos feriados. Na época da faculdade tinha o discurso pronto de que tínhamos feriados demais; comecei a trabalhar, e agora aproveito todos eles. Não sei se o termo é aproveitar, comemorar com certeza não é, já que não acredito que alguém comemore Finados, no máximo relembra os mortos.

Este feriado seria um feriado bucólico: road trip, Serra da Mantiqueira, trilha sonora no carro, celular sem sinal, cachoeiras, banho de cachoeira, sol para se esquentar, oxalá uma pousadinha, café da manhã colonial, Folha de São Paulo e baterias repostas. Eis que um agouro tomou conta do feriado. Dia de finados chove! E para todo mundo que o plano era posto, a sentença era fatal. E Choveu!

Saudades matadas, martinis, conversas e muita chuva. Planos adiados. Nenhuma perspectiva de sol aberto. Claro que houve um pequeno espaço para a decepção, afinal era feriado! A busca do programa perfeito me levou a lugares incríveis, situações paradigmáticas. Mais uma vez a convivência foi marcada por fenômenos beirando ao surrealismo.

No entanto, no domingo a tarde, deitado no colchão da sala, o meu subsolo revolucionário foi tomado de assalto pela minha pequena-burguesia. Colchão na sala em um dia de chuva, televisão, conversa e carinhos podem resumir qualquer busca de um feriado. Como se a resposta de todas as viagens estivesse ali naquele colchão, e aquele colchão poderia estar em Paraibuna, Ulan Bator ou Praia. Que chova nos finados! Minha casa burguesa precisa de companhia e um colchão. Álcool e Cigarros são bem-vindos.

That Old Feeling
(Lew Brown/Summy Fain – voz de Chet Baker)


I saw you last night and got that old feeling
When you came in sight I got that old feeling
The moment that you danced by I felt thrill
And when you caught my eye, my heart stood still

Once again I seem to feel that old yearning
And I knew the spark of love was still burning
There’ll be no new romance for me,
It’s useless to start
‘Cause that old feeling still in my heart