Se existe um feriado simbólico é o 1º de maio. Ao mesmo tempo que o trabalho pode ser a rotina que massacra, aliena e propaga tabus e preconceitos, tem contido dentro dele o oposto de tudo isso, no trabalho você pode aguçar sua criatividade, tomar consciência do papel desse trabalho na sociedade, sem contar que o trabalho é uma fonte incrível de socialização, se na escola nos socializamos com os iguais, no trabalho existe a chance de conhecer o diferente. O interessante é que para que desenvolvamos o outro lado do trabalho basta mudar algumas chaves, mas quão difícil é mudar estas chaves!
Para mudarmos estas chaves é preciso primeiro trabalhar o simbólico do trabalho e convenhamos, não o estimulamos de maneira alguma. É fonte de sofrimento, é o campo de atuação do machismo, da discriminação, mulheres ganham menos que homens, brancos ganham mais que negros. É fonte de assédio moral, sexual e ainda por cima, a todo instante, alguém quer mudar as regras que dão alguma segurança ao trabalhador.
Algo me diz que batalhar contra o machismo, a homofobia, os direitos individuais, criaria espaços para as transformações que mudariam estas chaves. Esses espaços, não são só espaços coletivos, mas inconscientes, o que nos tornaria mais abertos a todas essas mudanças que trariam esta nova visão de trabalho. Existe um elemento interessante que poderia ser o estopim de todas essas mudanças, o movimento ambiental, ele por si só traria uma transformação no modo de produção e de olhar o outro, pelo menos penso assim....
Pela sinopse do filme não imaginei que teria tamanho impacto. Acabei entrando no cinema mais pelo horário favorável e pela lembrança de “Garotas do ABC”. A idéia da personagem principal ser uma operária também foi determinante. Passei minha manhã em Mauá andando de trem.
Como é fantástico que um diretor sintetize de uma maneira bastante realista muitas idéias que tenho. Machismo e homofobia são frutos da luta de classe e o sexo acaba sendo o campo de batalha, tanto das classes como das suas diferenciações. Se em “Garotas do ABC” essa relação com o sexo era primordial, em “Falsa Loira” entra em cena a cultura, que também é campo de batalha da luta de classe.
Com o que eu falei acima pode parecer que o filme seja de uma chatice tremenda, mas não é. Com grandes metáforas e um tema muito realista, quase descritivo, o diretor mostra na tela todas as minhas grandes questões marxistas.
Pode parecer um chavão absurdo, mas em ambos filmes encontrei personagens que fizeram parte da minha infância no Parque Eloy Chaves e da minha vida operária na Cebrace. Talvez algumas cenas possam parecer exageradas, mas não deixam de ser verossímeis. Conheci Silmaras, Micheles e todos os outros personagens!
Rosane Mulholland
Fiquei surpreso com a atriz. Sempre achei que era uma atriz de Malhação, mas me pareceu tão bem no papel. Tenho receio em classificar atores. Não sei nada sobre a técnica de representação, o que me deixa somente com a possibilidade de avaliá-los pela realidade (ou o efeito contrário quando desejado) que passam. Adorei vê-la no filme, parece que foi feito para ela.
Carlos Reichenbach
Minha meta é ver mais filmes deste cara, depois de Garotas do ABC e Falsa Loura, acho que merece que eu o veja mais...
Estou escrevendo este post para fazer uma comparação entre os dois slogans dos últimos dois governadores do Estado, sai o Respeito por você do Alckmin e entra o Trabalhando por você do Serra.
É incrível como o serviço público pode conter em si um papel moralizador. Moralizador no sentido de dar a população um padrão de moral, como se um padrão moral pudesse ser construído do alto do governo para toda a população. Pode ser que seja um sintoma autoritário, embora me pareça muito mais uma atitude fascista. Desta postura, o “Respeito por você” é muito sintomático, bem como os aviso que são dados nos trem no metrô e da CPTM (“Os assentos diferenciados são de uso preferencial, respeite esse direito”). É muito fácil cair nestas armadilhas. Uma vez constituído um corpo burocrático técnico, deve-se transmitir o certo para a população para que ela respeite o direito tal qual o Estado concebeu para ela. Afinal, dentro desse corpo está a lei e o saber técnico, não há mais nada que possa contrariá-lo. Bem, não só de fascismo vive esse tipo de postura, no extremo oposto do espectro político também podemos encontrar esse mesmo tipo de postura, talvez sem o uso tão corrente da palavra respeito. Pelo que vejo, a esquerda também adora construir um novo homem a partir de uma classe revolucionária, ou de uma vanguarda esclarecida, e também desta forma a população deve ser guiada pelo saber.
Assistindo algumas palestras hoje sobre a percepção do serviço público pela população, acabei um pouco encucado com um tema, o que torna um o usuário de um serviço público cidadão e não consumidor? Quando nos pomos na postura que devemos passar um certo tipo de comportamento, ou uma maneira certa de utilização desse serviço público para a população, acredito que estamos transformando-a em consumidora (ou às vezes nem em consumidora, já que muitos serviços públicos além de estipular um padrão moral não respeitam seus usuários nem como consumidores e sim como reféns). Torná-la cidadã implica além de respeitá-la como consumidora (triste palavra essa, mas não há como não atender um cidadão com critérios de qualidade e com avaliação econômica positiva) permitir a ela que influencie nas decisões, prioridades e planejamento deste serviço.
Voltei para casa com a sensação de que para considerar cidadãos os usuários de um serviço público, este deve estar a serviço desse usuário, com ele influenciando nos seus destinos, fazendo do serviço um “desejo coletivo” desta população. A resposta técnica deve ser conseguida a partir desse desejo coletivo, influenciando a maneira de implantar essa política bem como esclarecendo a sociedade dos custos deste desejo coletivo.
No caso do transportes públicos, tanto eles influenciam na construção das cidades como são influenciados por elas, sendo assim, uma política de transporte público deve estar dentro de uma política urbana. O Estatuto das Cidades prega uma gestão democrática das políticas urbanas, e sendo o transporte público uma política urbana, não deveríamos estar construindo uma forma de garantir uma gestão democrática da política de transporte?
Acho que essa é uma dimensão agradável desse meu novo trabalho. Como ser técnico, responsável e ainda assim garantir uma gestão democrática dos transportes públicos? Algo me diz que deveria ler um pouquinho mais de Habermas para chegar a alguma conclusão...
Estou feliz hoje: andei no expresso leste, tomei caipirinhas e por pouco não fui cantar Carpenters num karaokê japonês! Enfim, estou morando na Liberdade e a música abaixo me fez pensar na vida...
Only Yesterday
Everyone must face their share of loneliness In my own time nobody knew The pain I was goin' through And waitin' was all my heart could do Hope was all I had until you came
Maybe you can't see how much you mean to me You were the dawn breaking the night The promise of morning light Feeling the world surrounding me When I hold you
Baby, Baby Feels like maybe things will be all right Baby, Baby Your love's made me Free as a song singin' forever
Only yesterday when I was sad And I was lonely You showed me the way to leave The past and all its tears behind me Tomorrow may be even brighter than today Since I threw my sadness away
Only Yesterday
I have found my home here in your arms Nowhere else on earth I'd really rather be Life waits for us Share it with me The best is about to be So much is left for us to see When I hold you
Desde 1º de abril tornei-me um funcionário de uma empresa pública estadual. Não sou um servidor público, tampouco um funcionário de uma empresa privada. Sou um CLTista cujo patrão é o governador do Estado de São Paulo. Lógico, que a partir daí entramos numa zona fantástica. Sou funcionário do Serra e eu votei no meu chefe para ele ser meu chefe!
O engraçado é que muita coisa mudou quando passei a trabalhar para o Estado, desapareceram algumas preocupações artificiais que discutia no almoço (aumento do consumo de vidro, diminuição da produção de vidro float, job rotation dos gerentes) para surgirem discussões fantásticas que permeiam meu cotidiano e que estão diretamente relacionadas com meu trabalho, tais como quem será o próximo governador, se o transporte público deve dar lucro, qual interferência as empresas privadas devem ter no sistema de transporte. Como somos engenheiros na maioria, as vezes conversamos sobre alguns temas meio tabus, como taludes, drenagem e outras cositas más... enfim, estou adorando ser um engenheiro e adorando ser um quase servidor público.
O mais legal de tudo isso é que até o dia 13 de agosto estou em treinamento. Isso quer dizer que voltei a faculdade. Os temas vão desde eletrificação das linhas, passando por planejamento dos transportes metropolitanos, construção de ferrovias, chegando a um treinamento de três dias sobre a lei de licitações e sobre as PPPs.
Estou em casa na CPTM! A propósito, vou trabalhar de jeans, camiseta e tênis! =)
São Paulo, São Paulo,
Aliás, interessante mudar para uma cidade e trabalhar na questão principal desta cidade, acho que inserção em São Paulo vai ser mais fácil que a inserção em São José dos Campos. No entanto, nunca tinha sentido a poluição desta maneira, percebo hoje o quão essa cidade é poluída.
Mas é fantástico ir trabalhar de trem, ver uma multidão nas ruas, de repente descer na Avenida Paulista ou sair do metrô e ver a Catedral da Sé, o prédio do Banespa. Vale a pena!
Fiz minha mudança de São José dos Campos ouvindo tango. Decidi comprar uma cuia e escutar coisas mais modernas...
Vida Mia (Emílio e Osvaldo Fresedo - 1934)
Siempre igual es el camino que ilumina y dora el sol... Si parece que el destino más lo alarga para mi dolor. Y este verde suelo, donde crece el cardo lejos toca el cielo cerca de mi amor... Y de cuando en cuando un nido para que lo envidie yo.
Vida mia, lejos más te quiero. Vida mia, piensa en mi regreso. Sé que el oro no tendrá tus besos, y es por eso que te quiero más. Vida mia, hasta apuro el aliento acercando el momento de acariciar felicidad. Sos mi vida y quisiera llevarte a mi lado prendida y así ahogar mi soledad.
Ya parece que la huella va perdiendo su color y saliendo las estrellas dan al cielo todo su esplendor. Y de poco a poco luces que titilan dan severo tono mientras huye el sol. De esas luces que yo veo ella una la encendió
Tango
Adoro tango, acho que tem decadência, soberba, sedução, é combativo, nostálgico, marcado. Combina comigo, consigo trabalhar escutando tango. Assim como o espanhol me dá a sensação de ser mais preciso, o tango me dá a sensação de ser lógico, lógico mesmo na mais completa falta de razão.
Engraçado isso, acabei fissurado numa música absurda, a Normalista, na voz do Nelson Gonçalves. Será que a vontade de ser professor que tinha na infância apareceu? Será que é essa tendência ao Romantismo e na fuga ao passado? Será o melodrama?
A Normalista
Vestida de azul e branco Trazendo um sorriso franco Num rostinho encantador
Minha linda normalista Rapidamente conquista Meu coração sem amor
Eu que trazia fechado Dentro do peito guardado Meu coração sofredor
Estou bastante inclinado A entregá-lo aos cuidados Daquele brotinho em flor
Mas a normalista linda Não pode casar ainda Só depois que se formar
Eu estou apaixonado O pai da moça é zangado E o remédio é esperar
No final do meu inferno astral resolvi fazer uma correção de rota, abandonei no mesmo instante São José dos Campos e meu emprego. Tanto São José dos Campos como meu emprego eram bem medíocres (a palavra certa seria ordinários, mas ordinário virou adjetivo do tchan, não dá mais para usar). Tinham coisas muito boas, coisas muito ruins, e um grande período de incerteza que só me dava vontade de fazer outras coisas.
A correção do rumo foi acertada, passo meus dias estudando pra concurso e para o mestrado em economia. Claro que eu preciso comer e viver, engraçado que tenho uma fé que vou resolver isso rápido, bem se até maio não resolver aí vou me preocupar mais. Do mais, acordo, fuço algumas vagas no catho, estudo, almoço, leio; por enquanto tudo sob controle (com uma ansiedade aumentando a cada dia mas até nisso o tempo é bom, me permite encontrar terapias alternativas a ela!).
A grande meta agora é assistir uma gravação do Viola minha Viola, infelizmente, a parte triste do desemprego é que não vou poder ver o Charles Aznavour... R$ 200,00 por um momento melancólico em francês é muito caro, consigo andar 100 vezes de trem com essa grana!
James tira sarro de mim quando eu me refiro à minissérie "Queridos Amigos" como a "minha minissérie". Mas não consigo não usar o minha, assim como a gente lê um livro grande que a gente se envolve com ele, minisséries e novelas são assim, passam a ser nossas. E aí nada mais fácil do que dizer: "poxa vida, vou perder minha minissérie". Ao contrário do livro que é só você continuar da onde você parou, na minissérie você tem que acompanhar a tv. Então fica combinado que ninguém vai querer fazer nada no final da minissérie, afinal, se não assitir, como saberei o final? Quero assistir a minissérie à antiga, correndo pra casa para assistir.
Acho que a Rede Globo é a grande culpada por eu não suportar ler contos. Os únicos que consegui e gostei foram do Cortázar porque, pela difculdade da língua e por serem tão fantásticos, convivia com eles por algum tempo depois de terminar. Não consigo me envolver com um conto. Não dá tempo de sentir seus personagens, de simpatizar com eles, de torcer, de sonhar. Como assisto novela, acho que me acostumei a acompanhar histórias por um período de tempo, e aí, não tenho envolvimento algum com os contos.
Voltando a minissérie, estou adorando, não é lá um recorte muito profundo, tende ao clichê, mas são clichês tão meus! Existe uma aura de politização maniqueísta tão bonitinha que lembram as minhas discussões com o James. Além disso têm personagens interessantíssimos que são arquétipos, e a gente se identifica com todos eles.
A minissérie me fez até a pensar em Milton Nascimento como uma opção musical...
Insônia
Estou com uma insônia pesada, e o pior, fiz coisas que pioram a insônia, acho que 50% é culpa da Lei das Águas (resolvi hoje prestar o concurso do ministério do meio ambiente), outros 30% é culpa do meu aniversário, fiquei pensando em tantas coisas pra fazer no meu aniversário que fiquei acordado, os outros 20% é a maldita propensão à insônia, um dia tomo coragem e vou viver feliz no mundo do lexotan.
Observação sobre a Abertura
Estava pronto para pôr aqueles quadrinhos do youtube com a abertura, quando infelizmente percebi que no fim, alguma alma bem intencionada colocou a imagem de um homem desaparecido. Acabei me lembrando de uma coisa: tenho horror a essas figuras de gente desaparecida, eu tenho muito medo, me arrepia, me faz ficar ainda mais acordado. Eu morro de medo de encontrar essas pessoas, morro de medo de aparecer num quadrinho desses. Quando morava em Jundiaí, assistia ao Linha Direta e morria de medo de encontrar aquelas pessoas. Loucura né?
Medo de imagens?
Nossa, que viagem, mas meus medos de infância mais irracionais estão ligados à imagens. Tinha medo de uma capa de um disco do Roberto Carlos (Roberto Carlos, 1970), tinha medo da foto de um polvo que tinha num jogo de memória e não gostava do livro com a letra A da Barsa por causa das fotos de Artrópodes. Acho que esses eram meus grandes medos de infância. Na adolescência desenvolvi o medo por imagens de pessoas procuradas e desaparecidas, estranho né?
Vou por o quadrinho, mas nunca mais vou vê-la,pelo menos a que encontrei no youtube. Fiquei com medo!
“E o tempo se rói com inveja de mim, Me vigia querendo aprender Como eu morro de amor Pra tentar reviver”
Provavelmente é culpa do inferno astral, que no meu caso, para todo o sempre, é acompanhado de quaresma. Essa necessidade de renascer está tão enraizada em mim que me chamo Renato. É uma cena clássica: a necessidade de revolução. Adoro essa minha capacidade de me reinventar a cada instante, romantizo esta capacidade; algumas vezes que acho que ela me levará a ruína. Mas existe uma intuição tão grande que nessas minhas viradas eu me revelo, me descubro.
O ciclo São José dos Campos está no fim. Foram três anos para provar que me bastava e cheguei à conclusão que preciso muito das pessoas. Nunca estive tão perto de um modelo de vida que sempre busquei. Os anos joseenses modificaram o modelo. Que 2009 chegue logo para que essa reinvenção se concretize.
Qual é o plano? Bem, existem alguns esboços. O que mais me agrada é estudar economia. Corrigir uma dívida que ainda tenho do período Unicamp. O plano B é trabalhar, mas trabalhar com um foco menos culposo e mais doloso. Estou sentindo falta de proximidade e São José dos Campos só conhece distância!
Vacaciones
Dia 5 de maio saio de férias. Esta longe, eu sei. Mas o simples fato de saber que estarei de férias me tranqüilizou. A possibilidade de fazer planos, de sonhá-los, diminuiu a ansiedade. Afinal, os piscianos precisam sonhar, e eu resolvi sonhar um pouco com Lima. Estou morrendo de vontade de conhecer o Peru, de comer ceviche, de pisco sauer e conhecer o Oceano Pacífico. Engraçado que o ir sozinho que sempre foi uma bandeira minha, hoje é a maior dúvida. Queria tanto ir acompanhado!
Nunca prestei muita atenção nessa música, mas um dia mais atento percebi que era sobre um travesti. Uma música de 1972 retratando a vida de um travesti, tem algumas passagens meio Sabrina, mas não deixa de ser fantático. Enfim, meu único problema é que quando ouço imagino o próprio Aznavour costurando à máquina enquanto a mãe dele dorme... imagem meio melancólica...
É fantástico acompanhar as eleições nos Estados Unidos. A complexidade do país, que todos esses bolivarianos tontinhos tentam esconder atrás de palavras de ordem, ressuscita a cada primária. Embora movida por uma grana colossal, todo o processo de primária não deixa de ser um rito democrático fantástico (ouvi dizer que as convenções eram até os anos 50 praticamente um encontro de gângster, mas mesmo assim). Aos poucos as candidaturas tomam corpo e quando começar a campanha, todo mundo já fez campanha!
Tenho a impressão que onda dos born again diminuiu. Acho que talvez o governo Bush foi o ápice desta influência. Quando vejo McCain, Clinton e Obama, dá a impressão que os norte-americanos estão com aquela sensação de exagerei. Será que não é uma nova onda que está surgindo? Assim como Reagan pôs abaixo a recessão, o derrrotismo, criando uma era de yuppies. Talvez o próximo presidente possa dar impulso a uma nova relação dos Estados Unidos com o mundo e com eles próprios.
Nesse ponto, se fosse norte-americano, estaria de bandeira na mão fazendo campanha para o Senador Barack Obama. A capacidade de mobilização dele é de dar inveja, gostaria de ver discursos, ouvi-lo falar. Pelo que se lê nos jornais, parece ser uma pessoa cativante. Acredito que consiga superar certas feridas como a questão do racismo, da mulher, unificando o país para o fim da guerra.
O mais bonito da campanha é como ela está crescendo, mobilizando, fazendo a pessoas saírem de casa. Estava pensando. Depois de Kennedy, os democratas só voltaram à Casa Branca por inércia, Johnson por causa de Kennedy, Carter para varrer o que sobrara do governo Nixon, Clinton, como um refluxo do governo Bush. Talvez dos três candidatos, Hilary, Obama e McCain, somente Hilary esteja enraizada no status quo, acho que se essa onda de mudança prevalecer, será a mais prejudicada. Se eu pudesse escolher, seria Obama.
Eu acredito que a melhor definição de brega está no uso exagerado de clichês. A quantidade absurda de lugares-comuns faz com que uma música, um filme, uma situação traga para si toda a lembrança de coisas mais bregas o que acaba por estragar até um bom argumento. Talvez por nossa língua permitir tantos jogos, a linguagem direta me parece um pouco vulgar, pode ser que seja um lado meu barroco, mas realmente são poucas as coisas que ditas claramente que me pareçam elegantes. Quando aprendi espanhol, me chocava por ser o espanhol uma língua muito mais direta que a nossa, e realmente, a linha da breguice é tão tênue no espanhol. O francês também transita bem nessa linha, entretanto, não consigo me lembrar de canções românticas em inglês que não sejam bregas.
Como eu cresci ouvindo muitas músicas recheadas de clichês, aprendi a gostar delas, talvez me interesse mais os argumentos do que a forma com que foram escritas. As canções exageradas, que geralmente são cheias de clichês me consolam por osmose. Meu sofrimento que é menor do que o destas canções permite que haja o transporte do menos denso para o mais. É batata, começa algum desespero e lá estou eu lembrando de músicas absurdas, com situações absurdas, exageradas, cheias de lugares comuns.
Como as coisas com o meu trabalho se agravando e chegando perto de uma solução final. Hoje, ao sair apressado da fábrica, acabei cantando uma música da Roberta Miranda. Trágica, absurda, e cantei de uma maneira tão ridícula (com todos os femininos, já que não dava pra masculinizar a canção) que fiquei até com vergonha do guarda da portaria.
Bem, uma vez li que a diferença entre a tragédia e o melodrama é que a tragédia nos põe frente a um ponto onde temos que fazer escolhas, enquanto o melodrama nos induz a um único caminho. Acho que todas as canções exageradas não dão aos seus intérpretes muitas escolhas
A via Jorge Drexler
A primeira vez que imaginei uma opção de amor, na música, que fugisse do melodrama foi com Jorge Drexler. Acho fantástico que ele cante o amor de uma maneira tão tranqüila, não se encaixa de maneira nenhuma no trágico. Engraçado que no momento em que mais me aproximei de Jorge Drexler foi no momento que pude escolher entre o melodrama e a tragédia, e aceitei a tragédia e a escolha que ela me trouxe.
A redenção por Truffaut
Depois de Beijos Roubados, pude perceber que é possível levar meus momentos extremos e desencontrados de uma maneira bem mais Antoine Doinel. Incrível, descobri um mundo de situações, de aproximações, e acho que andei uns bons três anos na minha terapia. Acho que a via brega se deu mais por falta de histórico do que por uma tendência... Mas que eu ainda canto muita coisa brega, ah, canto...
A Cada Dia Que Se Passa Mais Distante Um Rosto Tão Bonito Se Perdeu Na Indiferença É Pena Que Este Amor Não Teve Consciência Dos Sonhos Que Sonhamos Em Segredo
Vá Com Deus Se O Amor Ainda Está Aqui Vá Com Deus E Tente Sorrir Por Mim Amor Meu Se O Destino Está Traçado Pra Vivermos Lado A Lado Vá Com Deus
Despi Minh'alma Ao Deitar Nos Braços De Nós Dois Pra Ser Um Só Você Nada Entendia Que Tudo Te Esperava Nas Horas Mais Sublimes Do Meu Eu
Vá Com Deus Se O Amor Ainda Está Aqui Vá Com Deus E Tente Sorrir Por Mim......
Acordei e estava enrugado. Ontem quando deitei a ruga não existia e hoje no espelho ela estava lá. Não sei se é algum sinal, mas ela está aqui comigo; me acompanhou por todo o dia e acredito que não me deixará jamais. Nasce do meio do meu nariz e vai até o canto esquerdo da minha boca. É um traço bem fininho, a princípio achei que havia me arranhado durante o sono, mas é ruga.
Achei um sinal meu que não quero. Não ligo para o nariz grande, nem para barriga de nenê. Aprendi a gostar do meu corpo e a ruga não faz parte dele. Não é uma negação da minha idade, onde já se viu aos 27 anos ter uma ruga? É como se a ruga fosse um anúncio de infarte, colesterol, triglicerídeos, pressão alta.
Cheguei ao trabalho e comprei um Chronos. Em cinco dias úteis esta ruga vai será combatida. Servirá de exemplo às outras para que esperem a hora.
A Farewell to cars
No final deste mês encerra-se minha aventura automobilística. Ter um carro foi como um passaporte para a idade adulta. Aprendi a dirigir, a estacionar, a xingar no trânsito. Melhorei meus reflexos, aumentei minha atenção. Foi quase uma afirmação pessoal, uma resposta ao lado mais jundiaiense do meu ser que eu estava pronto. No entanto, vieram as dívidas, o comprometimento com o carro, a renúncia por algumas alegrias para mantê-lo.
Num segundo momento, veio a insegurança. Nada poderia mudar na minha vida por mais um ano e meio para que eu conseguisse pagá-lo. E quanto a aprender francês? E o inglês? E um bar durante a semana? E a alegria de um cafezinho fora de hora e de planilha?
O ponto central aqui é grana. Os acessórios vieram rápido, mostrando que não eram tão acessórios assim. Então a partir de fevereiro volto a fazer francês, pretendo voltar ao inglês e tomar mais Jack lemmonades, quero ver um show do Cauby, ler mais antes de ir ao trabalho, entender um pouco mais de economia, enfim, não vou mais romantizar entorno da perda do carro.
A propósito, agora sou um feliz proprietário de um Bilhete Único e um Cartão Fidelidade do Metrô. Para ir a Higienópolis não vou mais precisar do Renatomóvel!
Caresses photographiées sur ma peau sensible. On peut tout jeter les instants, les photos, c'est libre. Y a toujours le papier collant transparent Pour remettre au carré tous ces tourments.
On était belle image, les amoureux fortiches. On a monté le ménage, le bonheur à deux je t'en fiche. Vite fait les morceaux de verre qui coupent et ça saigne. La v'là sur le carrelage, la porcelaine.
{Refrain:}
Nous, nous, on a pas tenu le coup. Bou, bou, ça coule sur ta joue. On se quitte et y a rien qu'on explique C'est l'amour en fuite,L'amour en fuite.
J'ai dormi, un enfant est venu dans la dentelle. Partir, revenir, bouger, c'est le jeu des hirondelles. A peine installé, je quitte le deux-pièces cuisine. On peut s'appeler Colette, Antoine ou Sabine.
Toute ma vie, c'est courir après des choses qui se sauvent : Des jeunes filles parfumées, des bouquets de pleurs, des roses. Ma mère aussi mettait derrière son oreille Une goutte de quelque chose qui sentait pareil.
Eu acho realmente incrível como um incidente pode criar tanta repercussão e por em risco todo um sistema constituído. O assassinato de Benazir Bhutto põe em xeque toda a idéia que existiria um meio-termo entre a ditadura e o talebã. Acredito que as posições se radicalizarão e o Paquistão vai entrar em guerra civil.
Antes de mais nada, estou chegando cada vez mais a conclusão que política não é um preceito moral e ético, é uma práxis. Deve ser estudada com a análise da Sociologia, de maneira nenhuma como o Direito. O sistema político de um povo está ligado à sua história, sua estrutura de poder, a imagem que esse povo faz de si, nunca através de axiomas e doutrinas. É horrível admitir isso, mas toda vez que se quer criar um sistema político através de doutrinas corre-se o risco de criar uma situação insustentável e artificial.
Pensando desta forma, então não existiria uma forma acabada de democracia, ela é fruto de várias dinâmicas internas dos Estados-Nação, mas também é um elemento econômico e cultural. No entanto, não temos Estados-Nação independentes, e sim interdependentes, e, querendo ou não, o capitalismo é global, o que acaba criando alguns preceitos de organização do estado igualmente globais, mas que sempre estará em choque com os aspectos culturais e sociais locais (poria aqui também aspectos econômicos locais, embora a economia seja global, possui uma parcela local).
Dentro deste contexto, qual seria o regime político paquistanês? Bem, um regime talebã só poderia ser construído se o Paquistão não estivesse inserido no mundo, como era o Afeganistão. Uma ditadura pró-ocidente, garantiria essa inserção no mundo, mas seria corroída pelo extremismo talebã. Não consigo pensar em outra solução do que o pronto estabelecimento de instituições democráticas (parlamento, suprema-corte, governos locais) como freio para a escalada radical no Paquistão. Só assim, se poderia envolver a população num projeto de Estado que superasse os aspectos tribais e rompesse com o radicalismo religioso.
Talvez seja uma mentalidade de classe média, mas fico imaginando o que pensa um operário do subúrbio de Karachi ou Islamabad. Não consigo imaginar um sujeito assim apoiando uma guerrilha talebã, ao mesmo tempo, as ligações dele com o ocidente não permitiriam a ele simplesmente apoiar um regime militar.
Podemos lembrar sempre que Benazir Bhutto teve graves problemas de corrupção no seu governo, que não conseguiu terminar nenhum mandato, no entanto, só a idéia de alguém que queria trazer a normalidade das instituições (num país que nunca teve normalidade) já me faz ser simpático a ela. Sem contar que é uma mulher num país em rota de radicalização.
Pode parecer paradoxal, embora me considere uma pessoa com todos os vícios católicos possíveis e imagináveis, a começar pela culpa, pela dificuldade de trato com o dinheiro, algum messianismo, entre outros; o natal da minha família sempre foi um natal laico, nada de meia-noite, nada de oração. Deus aparecia somente nos desejos de feliz natal e quando desligávamos a tv quando começava a missa do galo. Eis que de repente, não mais que de repente, ontem fui surpreendido por uma reza absurda. Resultado: a família ganhou seu primeiro militante de um Natal Laico, para que toda essa massa de gente, ateus, católicos, evangélicos (protestantes, acho essa denominação muito mais histórica), espíritas e sincretistas possam curtir o Natal do seu jeito! Pra quem defende o fim do véu, do quipá e de qualquer símbolo religioso em praça pública, nada como maior afronta do que uma reza em casa!
Um Natal nouvelle vague
Eu realmente me descobri assistindo Truffaut, agora que estou lendo, comecei a perceber coisas que antes não percebia. A realidade tem um poder de entretenimento fantástico, se tratada com simplicidade, pode demonstrar toda a complexidade inerente. Enfim, sou um homem diferente depois que conheci Antoine Doinel. Sem contar que o francês cada dia mais me cativa, nestas mini-férias estou dedicado ao Petit Nicolas que não deixa de ser uma criança nouvelle vague (com tudo que possa significar isso, mesmo que tenha significado algum).
Estou achando ótimo como as coisas mudaram no Senado a partir da constatação de que o governo não é maioria. Já tinha pensado em escrever aqui sobre a obstrução como prática parlamentar da minoria, sobre a necessidade do bloco de oposição de fazer obstrução para atrasar a votação da CPMF.
Embora a obstrução possa nos parecer estranha, uma vez que eles estão lá para votar, é uma medida de defesa ao rolo compressor do governo. As obstruções que a oposição fez em meados de novembro deram ao parlamento um ar de parlamento inglês. Não era uma obstrução escondida, era declarada, com propósito. Pode-se concordar ou não no propósito, mas era de fato legítima.
No entanto, faz duas semanas que a maioria está usando a obstrução como prática parlamentar. O governo não consegue os 49 votos suficientes para aprovar a CPMF e retira do Senado seus senadores. A maioria entrou em obstrução! Dêem o título de líder da maioria para o Senador Agripino Maia. A Senadora Ideli Salvatti, não pode mais assumir a liderança da maioria, quem faz obstrução é a minoria!
Frase do Senador Mário Couto (PSDB/PA) no blog do Josias de Souza: “Nunca vi na minha vida um governo fazer obstrução contra um projeto dele próprio. Senadores mais antigos me disseram que a última vez que o governo fez obstrução no Brasil foi na época do João Goulart’
Para quem se pretende uma mescla de Vargas e Juscelino, se comporta no congresso como Goulart. O governo errou tanto, que se ganhar agora, a fatura vai ser exposta de qualquer maneira. Atacou quem não devia, seduziu quem não era seduzível, praticou um maquiavelismo para dividir a oposição e fez água. A cooptação ficou igual ao programa Fome Zero, deu em nada!