sábado, janeiro 31, 2009

Comentando notícias

A escolha do PSDB

Sabe quando você lê uma notícia e fica feliz? Aconteceu comigo nesta sexta-feira quando li que o PSDB desembarcara da campanha de Sarney para presidente do Senado. A opção Sarney seria mais uma decepção que não gostaria de passar. Por sorte, o bom senso dos 13 senadores do PSDB (embora tenha alguns senadores neste grupo onde não consigo ver bom senso e que por mim deveriam estar fora do partido, como Álvaro Dias e Papaléo Paes) prevaleceu.

Votar em Tião Viana, embora seja do PT, não é nenhum descalabro. O PT de Tião Viana, não é o PT de Ideli Salvatti. Perde-se mais ao ficar ao lado de Sarney. Sem contar que é uma opção pragmática fantástica. No momento que o governo Lula tentava esconder a candidatura Tião Viana para apoiar Sarney. Mostra-se o lado incoerente do governo Lula que simplesmente deixou a candidatura Tião Viana a míngua.

Considerando o histórico desta legislatura, duvido que Sarney não ganhe. Agora veja um outro ponto. O PSDB decide apoiar a candidatura do PT para presidência da casa, acredito que somente haverá uma traição, no máximo duas, entregará 11 votos na pior das hipóteses, e o PT? Haverá uma disputa interessante na comissão de relações exteriores. Fernando Collor (PTB-AL) versus Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Em quem o PT votará? O voto da Ideli Salvatti eu arrisco!

Aos amigos tudo, ao inimigo, a Lei!

Não entro no mérito da discussão do asilo de Cesare Battisti. Mas veja bem, o governo se negou a dar ao asilo no CONARE (sim, o governo Lula votou a favor da extradição). Tivesse feito isso na época, Battisti estaria livre. Não fez, o caso foi parar no Supremo. Numa canetada, o ministro Tarso Genro deu-lhe o asilo. Muito bem, o ministro está em Belém, ganhou honras de herói no Fórum Social Mundial, mas Battisti está preso sob o risco do Supremo extraditá-lo. Que dificuldade em ser coerente!

Quando pus ao inimigo, a lei, pus para lembrar a extradição dos cubanos. Que foi um caso muito mal contado, tal qual a volta atrás no caso Cesare Battisti. Mas aqueles não tiveram um Luiz Eduardo Greenhalgh para que o caso chegasse ao Supremo.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Um argumento pró-Israel

Não é fácil, dentro de tudo que se é noticiado, principalmente pelas imagens da guerra, defender a ofensiva ampla de Israel na faixa de Gaza. No entanto, quando todos os interessados tentam manipular a história para se justificar em suas posições, somente uma dose de pragmatismo e de percepção da realidade, pode construir uma estratégia eficiente para pacificar a região.

Esse pragmatismo necessário não passa de maneira nenhuma pela acusação de um holocausto palestino, nem em culpar a criação do Estado de Israel pela instabilidade do Oriente Médio. Israel é um Estado consolidado e isso é fato, lá moram quase 8 milhões de pessoas, árabes e judeus, e pensar numa nova diáspora não é factível, embora o Hamas, o presidente do Irã e da Venezuela pensem que isso seja possível. Da mesma forma, a construção de um Estado Palestino e existência dos palestinos não pode ser ignorada.

Desta forma, considerando a existência dos dois povos, a paz só pode vir por reconhecimento mútuo. Aí entra o Mapa da Paz proposto pelos Estados Unidos, onde a paz seria alcançada por vários pontos como a retirada dos assentamentos judeus nos territórios ocupados, reforma do Estado Palestino, criando um ambiente de confiança mútua para que se avance sobre os temas mais espinhosos como o status de Jerusalém, os refugiados, entre outros assuntos.

Não existe essa paz sebastianista que Lula deseja, existe sim uma série de compromissos que podem vir a terminar com as hostilidades, nada mais. Para que seja alcançado, deve ser referendado pelos dois povos.

Considerando que a paz no Oriente Médio passa pelo reconhecimento mútuo e por avanços em alguns pontos que possa trazer o entendimento, a estratégia do Hamas é contra o Mapa da Paz. Ao não reconhecer o Estado de Israel, rompe com o pragmatismo necessário; ao atacar o Estado de Israel com foguetes e suicidas, impede a construção das pontes necessárias para se avançar no plano. Sobre esta ótica, a ação de Israel, enfraquecendo o Hamas pode trazer novamente as condições necessárias para que se siga um cronograma necessário de ações para o fim da violência.

Parece contraditório que uma ação tão violenta possa abrir o caminho novamente das negociações, no entanto, o impasse gerado pelo Hamas significava o abandono total deste caminho. A estratégia é arriscada, mas se executada com outras aberturas frente aos palestinos da Cisjordânia e um fortalecimento do ANP, podemos voltar ao caminho.

Deve-se lembrar sempre que Israel é uma democracia, assim como os Estados Unidos, e que o contraditório ali é aceito, inclusive com deputados árabes no Knesset (infelizmente, acabei de ler a notícia que os partidos árabes estão fora das eleições legislativas de fevereiro, mas os árabes nos partidos tradicionais podem concorrer). O que se deve evitar a todo custo, é que a radicalização dos palestinos provoque a saída de Israel do caminho da paz.

Nenhuma outra nação aceitaria ser bombardeada tal qual Israel se submeteu frente aos palestinos de Gaza e do Líbano, se não estivesse no caminho da paz. No entanto, a hora de agir aconteceu, e aconteceu para evitar o pior que seria a radicalização do Knesset, fazendo retroceder os acordos numa etapa pré-Oslo.

E a esquerda latina??

Veja bem, é vergonhosa a expulsão do embaixador de Israel de Caracas. Chavez cada dia mais fica longe da realidade, joga para a platéia, num antiamericanismo irresponsável, causando a alegria de outros alienados no continente todo, incluindo aí o PT. Talvez, esta neoesquerda latina veja com bons olhos os fundamentalistas, afinal, assim como o Irã e o Hamas não aceitam o contraditório. O PT gosta tanto da Era Vargas, que talvez queira seguir pelo antissemitismo do mesmo.

sábado, dezembro 20, 2008

Sábado a la mañana

Acordou. Por causa do feriado de Natal que praticamente o deixará sem faxina até o Ano Novo, passou roupa para ter roupa para viajar. Enquanto isso, aproveitou para lavar outras roupas. Charles Aznavour tocando. A trilha sonora não combina com serviços domésticos, mas a música e os serviços domésticos até são um bom paradigma da vida que leva. Até pensou que essa cena caberia num filme do Truffaut. A trilha sonora era deslocada no tempo, acabou rindo ao pensar que passar roupa na virada de 2008 para 2009 também não é lá uma coisa muito contemporânea.

Que modernidade é essa que ainda faz as pessoas serem escravas de um ferro de passar? Talvez aí a trilha sonora faria sentido. Imaginou a série de compromissos natalinos e nos presentes que ainda faltavam. Odeio Natal, já havia repetido isso na fila da livraria e esperando mesa num bar. Acabaram-se as roupas, a máquina ainda estava funcionando, e as 40 canções de ouro do Aznavour acabaram também. Se não enfrentasse o sábado, não daria tempo de fazer tudo que se propusera no último sábado antes do Natal.

No entanto, a vontade era aprofundar ainda mais o lapso temporal da manhã e tomar um drink. O que tomaria Danuza Leão? Um Ricard? Uma vodka-au-poivre? Que belo nome para um Bloody Mary! Se a tivesse em casa, abriria uma garrafinha de Malzbier que é sua referência etílica a almoço em casa. Se pelo menos tivesse o que comer em casa, manteria o clima de sábado em casa. Ao relembrar dos compromissos do Natal teve vontade de sair para comprar algumas coisas no mercado, fazer um bom almoço e tomar sua Malzbier e depois ler um livro, dormir e curtir a casa.

Ficou com tanta vontade de ficar só em casa. Faz tanto tempo que não fazia isso.

A pichadora da Bienal

Esta história sobre a pichadora da Bienal é bem emblemática da falta de conceito nas discussões nacionais. Como em todo o assunto existe um deslocamento dos fatos, e uma mistura de argumentos que só servem para encobrir e mascarar o imenso cinismo que é típico destes anos Lula.

A menina é pichadora e ponto. Uma menina que conforme noticia a Folha hoje gosta de pichar prédios altos para olhar a cidade, sentir o vento e enganar porteiros e moradores, é criminosa e deve ser punida com a Lei. Mas ela não só pichou um simples prédio, pichou um prédio público que é símbolo da cidade e como tal deve ser punida de modo simbólico, exemplar.

Concordo que a Bienal do vazio tinha alguns problemas conceituais, que a arte é elitista e marginaliza e tudo mais. O problema não é a Bienal, não é o elitismo das artes, não é a falta de financiamento a novas formas de artes. O problema chama-se vandalismo, não é uma discussão sobre a política de arte, que até pode ser feita num segundo momento, depois de punida a pichadora de maneira exemplar.

Quando o ministro da cultura do governo federal pede ao governador do Estado que interceda pela menina, além de mostrar que não entende o funcionamento do Estado, pede um jeitinho, e é aí que se mostra toda a face do governo Lula. É um governo que despreza o Estado formal e governa com jeitinhos, com platéia e palanque. Um governo que está acostumado a falar uma coisa em público e fazer outra em privado (como no caso da MP da crise, que foi mandada ao congresso no mesmo dia que o presidente falava a petroleiros que não é um governo de pacote). O ministro achou que uma simples ligação camarada ao governador poderia livrar a pichadora, que se transfigurava numa artista marginal, apagando seu passado vândalo. Provavelmente ganhará uma bolsa artista marginal e receberá do governo federal para continuar espalhando sua arte. O que vai totalmente ao contrário da cidade que apóia e referendou na eleição municipal: a Lei Cidade Limpa.

O pior de tudo isso, no entanto, é a postura de outro ministro, o dos Direitos Humanos, que ao se referir ao caso, disse que nem Daniel Dantas passou tanto tempo na cadeia. Veja bem, o ministro dos Direitos Humanos está condenando a priori um cidadão. O ministro entrou na onda de linchamento público que o próprio Dom Sebastião saído do mar, o delegado Protógenes, iniciou, rompendo qualquer vínculo com a legalidade. Senhor Ministro dos Direitos Humanos, talvez seja necessário o senhor rever quais são os objetivos da sua pasta! Se for para defender os direitos humanos, eles têm que ser universais, de Daniel Dantas à pichadora da Bienal, de torturados a torturadores, de terroristas a suas vítimas. Todos têm direito a julgamentos limpos e uma norma jurídica transparente. Feliz Daniel Dantas que têm advogados bons e policiais tão ruins, que não souberam instruir o inquérito de maneira legal. Pobre pichadora que não tem um advogado tão bom e que não pode contar com uma defensoria pública eficiente, e é ineficiente, porque está presa a guilda dos advogados que só quer o dinheiro fácil do Estado, sem se comprometer com resultados, como queria o governador Serra.

Enfim, criou-se uma celeuma numa cidade degradada pela ação dos vândalos. A menina é uma criminosa pega em flagra. E assim eu acredito que essa história deveria seguir.

Vou por uma frase bem jundiaiense para terminar essa história. Como faltou cinta na infância desta menina, agora o Estado tem que se mobilizar, prendendo, julgando. Triste é ver dois ministros envolvidos em uma história simples e com final feliz. Uma pichadora foi pega pela polícia, e a sociedade deve comemorar.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Odoiá Odum

Ó meu pai verdinho de Odum
Dai-me forças para abandonar o computador
Fazei com que eu entenda de Ecologia
E passe no concurso do Ibama!



A forma e o conteúdo


O Jornal Nacional acabou de mostrar uma reportagem sobre o julgamento no Supremo da demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol. Muito bem, foram 8 votos a favor, um pedido de vista do ministro Marco Aurélio de Mello e uma votação favorável com 18 condições do ministro Direito.

A reportagem foi até Roraima e mostrou lindos campos de arroz dentro da reserva, alguns campos a um mês da colheita (o lindo não carrega ironia, o arrozal é uma das plantações mais bonitas que eu já, só perde para a plantação de girassol) e mostrava o medo de não se poder colhê-lo. Mostrou depoimentos de indígenas que hoje trabalham nos arrozais, citou o número de empregos que podem deixar de existir com a medida.

Ao fim, mostrou um índio com um boné hediondo e com um sotaque ignóbil dizendo que as condições impostas pelo ministro Direito não estavam bem e que os índios iriam discuti-las, e o repórter insinuou que os índios podiam se rebelar.

Enfim, uma reportagem totalmente neutra (agora sim estou sendo irônico). Não falou que os arrozais são ilegais, não falou sobre a importância da demarcação contínua, se concentrou em tudo que tinha de negativo na proposta, e não foi capaz de citar nada a favor da demarcação.

Eu sei o nome dos 11 ministros do Supremo!

Confesso que não foi com nenhum orgulho que cheguei a afirmação acima. Vi uma foto do ministro Ricardo Lewandowsky dormindo na sessão sobre a demarcação da Reserva Raposa Serra do Sol e comecei a comentar mentalmente a sessão. Estava esperando o Beto para almoçar e tinha tempo. Fui citando um a um e me dei conta que sabia o nome dos 11!

Em outros tempos isso seria um orgulho pra mim. Na hora que me dei conta do título lembrei de uma coluna no blog do Josias de Souza onde ele dizia que ultimamente a política é feita para alguns apaixonados e para os comentaristas, passando ao largo da maioria da população. Talvez acompanhe política como quem acompanha uma novela, o que me deixa um pouco longe da população.

No fim vi que tudo era uma imensa besteira. Almocei, trabalhei muito e só fui lembrar da cara do Ricardo Lewandowsky quando abri o uol.

Acho que a Caras deveria cobrir a vida dos ministros, já pensou, ministra Carmem Lucia na Ilha de Caras, ministro Eros Grau no Castelo de Caras. Hoje, participação da ministra Ellen Gracie no Altas Horas. Isso aumentaria o número de pessoas que sabem o nome dos ministros, e eu me sentiria mais incluído!

Para variar, Lula escolheu o pior caminho...

Nunca é demais falar, embora o James me pinte como um reaganomic, eu sou um social-democrata. Que nas palavras críticas de Marx é uma pessoa que acredita poder conciliar o capital e o trabalho (o que é inconciliável na teoria marxista), prevalecendo o trabalho, dentro de um regime de democracia burguesa. Mas, o trabalho só prevalecerá pela ação do Estado, uns acham que essa ação tem que ser direta, através de Estatais e de boquinhas, outros, acham que essa ação pode ser feita de maneira bem mais diversa, e longe da ojeriza ao capital privado.

Considerando o momento de crise, e crise externa, cabe ao Estado aumentar sua ação de forma a prevalecer o nível de emprego, a movimentação da economia e pode fazer isso de maneira democrática e ambientalmente sustentável (o ambiente sustentável e a economia sustentável). Num momento de crise, onde a resolução se passa pelo aumento do investimento do Estado, Lula deu um sinal que ele sim é um bom adepto de Reagan.

Afinal, corte de imposto para a indústria automobilística num cenário de caos urbano em que vivemos, nada mais é do que o não-pensar na realidade brasileira. Mesmo que a indústria automobilística tenha uma cadeia produtiva que empregue consideravelmente, num Estado como o de São Paulo, onde Lula nunca ganhou uma eleição, existiriam outras formas de alavancar o investimento, sem ser a renúncia fiscal!

Renúncia fiscal num governo que é totalmente irresponsável fiscalmente é criar um monstro perigoso para o próximo presidente. Mesmo porque, vemos como a ação do Estado sob o governo Lula é débil, uma vez que o PAC está emperrado e o Estado inchado (o funcionalismo gasta hoje o que gastava em 1996, jogando por terra todo o esforço do governo Fernando Henrique para enxugá-lo, e convenhamos, este inchaço não é um inchaço de eficiência).

Não seria o caso de estimular uma revolução de transporte alternativo, de mobilizar a construção de moradia populares, de incentivar ainda mais o saneamento. O caminho que Lula escolheu de maneira nenhuma pensa no Brasil e sim em quem não votou no presidente em 2006, a classe média. Afinal, os funcionários da indústria automobilística são a “elite” do operariado e os beneficiados com a nova tabela do IR não são seus votos cativos. O presidente com esta medida abandonou os adeptos das bolsas e tenta atrair os adeptos da Bolsa.

Realmente Lula quer o voto de todos os brasileiros.

Argumento interessante

Vi num blog da folha um comentário de César Maia que me fez pensar muito. Considerando que a pobreza é medida em dólar, a pobreza no Brasil aumentou desde a desvalorização...

domingo, novembro 30, 2008

Decisão!

Em trânsito

É muito fácil andar em São Paulo. Tinha um objetivo e dois cartões. Precisava ir até a Paulista comprar um presente e levá-lo na casa de uma amiga em Perdizes e tinha a minha disposição um cartão fidelidade da STM e um cartão do bilhete único. Como não sou um usuário freqüente de ônibus entrei no metrô São Joaquim e quando fui passar o cartão tive uma dúvida cruel, usaria qual cartão?

O itinerário então teve que ser feito na minha cabeça para que pudesse fazer a escolha mais racional, entrei no metrô com o bilhete único e quando sentei no trem me convenci de que fizera a escolha correta. Afinal, depois de almoçar e comprar o presente na Avenida Paulista teria que pegar um ônibus até Perdizes, teria três horas de intervalo para pegar esse ônibus.

Assim foi feito, quando entrei no ônibus e vi que só haviam descontado R$ 1,25 fiquei com uma sensação de pessoa sábia (pessoa que nunca usa o ônibus!), de que havia feito a escolha correta. Tive alguma dificuldade para descobrir o ônibus, assim que o achei, embarquei e fui visitar Luísa.

Quando fui embora, surgiu novamente a dúvida, afinal, deveria escolher um caminho que fosse mais barato, e pensando bem seria ônibus, trocaria de ônibus indefinidamente até chegar perto de casa. No entanto, tinha uma carta na manga: como trabalho na CPTM, poderia entrar nas estações de trem metropolitano sem pagar, aí foi fácil a escolha, pegaria um ônibus até a Barra Funda e de lá, entraria pelo trem metropolitano e depois usaria a transferência gratuita da STM. Peguei o ônibus e para minha surpresa, por ser feriado ainda estava valendo meu bilhete único, cheguei na Barra Funda e entrei sem pagar pela CPTM transferindo gratuitamente para o metrô e chegando no metrô São Joaquim gastando apenas R$ 3,65. Poderia ter sido somente R$ 2,30 se tivesse utilizado o sistema de ônibus. Se tivesse utilizado o cartão fidelidade na entrada do metrô teria custado R$ 4,60 e se não fosse funcionário da CPTM e quisesse voltar para a casa de metrô a ida e a volta poderia ter custado R$ 7,00!

Em algum lugar do céu Adam Smith deve ter rido da minha preocupação com a escolha dos cartões!

sábado, novembro 29, 2008

10 anos

10 anos que saí do Colégio Técnico e 10 anos que entrei na Unicamp.

O problema nem é tanto a questão do tempo que passa, acho que com isso sou bem resolvido. Mas interessante vai ser encontrar pessoas que depois desse tempo todo, serão praticamente desconhecidas e cujo único laço é termos estudados juntos. São pessoas que têm outra vida, ou vidas muito distintas e que vão se encontrar para viver um passado que talvez não tenha sido nem tão bom assim; mas como somos Românticos (com R maiúsculo) transformamos tudo numa coisa idílica.

Não que não tenha trazido boas lembranças, as tenho e estão bem conservadas. Assim como trouxe alguns amigos que também estão muito bem guardados comigo.

Pois bem, pensando nisso, acordando com um pouco de ressaca depois de sair com amigos que não têm nenhum vínculo com nenhuma dessas comemoração, lembrei-me de uma música da Françoise Hardy que posto abaixo. (que fique bem claro que não acordei triste nem bêbado!)

L'Amitie

Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la terre

Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse

Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi tu viendras
Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse

Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines

Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton bois

quarta-feira, novembro 26, 2008

Desodorante 48h!

Fui ao mercado hoje e fique pensando numa coisa: por que cargas d'água alguém inventou um desodorante 48h? Deveria ser proibido por lei.
Um desodorante que dura 48 h é um atentado a saúde pública. Indica que a pessoa pode, se quiser, não tomar banho por dois dias. Uma vez fiquei dois dias sem tomar banho (calma, calma, era uma viagem e realmente não dava pra tomar banho) e se eu ficasse uma hora além daquele limite, provavelmente, me atiraria na frente de um carro, não me aguentava mais!
Dois dias sem banho é um portal para a mendicância. É renunciar sua civilidade. Não deve ser incentivado! O pior é que observando as pessoas que pegavam esse desodorante na gôndola, tive quase certeza que eles tentariam o limite das 48 h.

Gin Tônica!

Pense numa coisa boa e ela combinará com Gin Tônica. Confesso que não sou um grande consumidor, mas o Gin é fascinante. É lindo observar aqueles copos longos com gin. É perfumado. Duvido que os perfumes não sejam feitos dele. O copo é servido e quando você o põe em suas mãos se torna uma outra pessoa.

Outra pessoa com mais estilo, mais integrada às coisas boas. Pode ser num bar barulhento, num restaurante fino. Um copo de gin lhe transforma. Abre possibilidades de conversas. Atrai uma certa curiosidade. Você pega um copo de gin tônica e a festa começa. Parece aqueles comerciais de Martini Bianco, as pessoas se tornam bonitas, as conversas interessantes, todos riem, até o som do ambiente melhora.

Gin lembra Aretha Franklin, Nina Simone, às vezes lembra Donna Summer; lembra cigarro. De maneira nenhuma é elitista. Um amigo meu diz que é bebida de puta. É a prova cabal de que gin tônica é transversal. Está além de classes, tem a ver com o íntimo da pessoa.

Sexta-feira é dia de Gin Tônica!

domingo, novembro 09, 2008

Felicidade é jogar buraco!

Dois casais se reúnem para conversar. Dois deles são amigos de faculdade e os outros dois são os “agregados”. Adoro quando recebo um convite onde se diz que podemos levar os agregados. E não deixam de ser agregados, mais do que uma boca agregada, agregam também o diferente, o inovador. Agregam a semelhança que os fizeram amigos na faculdade. Agregam uma certa dose de hábitos e costumes, uma certa repetição dos encontros dos pais com os tios e amigos.

Ser casal só é possível com um casal amigo. Numa mesa com dois casais se consegue perceber o significado social de ser casal, a existência comungada. Quatro garrafas de vinho depois surge a possibilidade de verificar como a felicidade de ser um casal é reunir-se com outros casais. Quando era criança, meus pais costumavam jogar buraco com alguns outros casais aos sábados; às crianças, cabia assistir televisão após a pizza enquanto os mais velhos jogavam baralho. Talvez venha daí meu fascínio por encontros de casais. Associei ser adulto com o baralho e a bebida, porei mais um vício, fumar, e teremos os três vícios fundamentais. Ser adulto é beber, fumar e jogar acompanhado e em companhia de outro casal.

Abandonarás teu pai e tua mãe e beberás, fumarás e jogarás baralho com seu agregado junto a outro casal! Com isso, poderás constituir família, se portar como um ser civilizado, e principalmente ser adulto. Não é uma felicidade burguesa, é uma felicidade transversal. Proletários ou burgueses, ricos ou pobres, só serão um casal de verdade quando visitarem um outro casal! Se jogarem buraco, melhor. Ali também aprenderam a trabalhar em equipe e aumentarão a chance de viverem felizes para sempre.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Um dia bom

Acordaram tarde. Estava um calor absurdo e ainda tinham que votar. O que era dever cívico (que clichê!) se tornara turismo. Embora deslocados da cidade, tomaram um café na rua e pegaram um ônibus. Nada como ter contato com os problemas da cidade em pleno dia de eleição. Demoraram um pouco, atravessaram algumas paisagens e desembarcaram num bairro bem simbólico. Petit bourgeoisie! Árvores nas calçadas, ruas calmas, algumas de paralelepípedo. Prédios antigos, petit bourgeoisie desde os anos 30. Feliz a cidade que teve uma City Light!

O voto foi até que rápido, teve lances de arrependimentos e confissões. Voltando para o centro, fizeram compras e tomaram uma cerveja em uma praça. Se fosse no Rio seria um chope, mas era em São Paulo e pediram uma Original. Na mesa ao lado, duas mulheres falando em inglês, na mesa de trás, uma família almoçando, alguns homens sem camisa bebiam a mesma cerveja e nem repararam que o copo não era um copo americano. Leram jornal, discutiram eleições, Mostra Internacional de Cinema, dálmatas, burocracia e o Gabeira.

Divagavam na mesa do bar. Um pensa alto:
- Até que a gente tem uma vida boa, né?
- Realmente, acho que merecemos!

segunda-feira, outubro 06, 2008

Alckmin e Kassab

Alckmin jamais cantaria, o Kassab é bem provável, mas não deixa de ser engraçado pensar no Alckmin falando isso pro Kassab...rs

Love Story

Eu realmente desconfio de casais que demoram muito tempo para viver plenamente uma relação. Alguns namoram 8, 10 anos. Não quer dizer que não tenham uma boa relação, com certeza devem ter. No entanto falta um algo mais, e esse algo mais não espera esse tempo todo. Quem busca tanta segurança antes de assumir uma relação, provavelmente nunca a assumirá no sentido do famoso “homem, abandonarás teu pai e tua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois formaram só um”.

É este se tornar só um que realmente me intriga. A beleza de ser ocidental está toda calcada na aceitação da individualidade. Foi ela que nos levou ao Romantismo e que permitiu criar todo o imaginário em torno do casamento e do amor. A experiência Romântica que permitiu a liberação do sexo, como forma de experimentar o amor sem preconceitos e aí a coisa se perdeu ao querermos ter a liberdade sexual, a possibilidade de vivermos amores sem renunciar na hora certa da individualidade.

O mais bonito da vida como casal é exatamente a comunhão do espírito, quando um passa a pensar nos dois, pensando no bem do casal. É uma renúncia ao individualismo para uma espécie de individualismo a dois. E esta experiência com certeza passa pela construção da intimidade, da segurança, bem como da vivência da paixão, como se ela fosse o elemento sobrenatural que permite criar esse laço. E de maneira nenhuma esse é um amor careta, ou reacionário, uma vez que esse se jogar é uma experiência totalmente libertadora, ao permitir surgir um laço maior de envolvimento, se conhece os próprios limites.

Por isso desconfio de quem não se entrega a uma relação (e também daqueles que se entregam em relações que não tem possibilidade futura nenhuma). Acho lindo quem se casa cedo e passa ter uma vida em casal. Acho que essas pessoas terão a possibilidade de ter uma entrega de maneira muito mais intensa que compensarão os benefícios financeiros do entregar-se numa relação com a vida estável.

Pra ser sincero, tudo isso aí de cima é porque ontem eu assisti Love Story, e realmente acho incrível que um filme feito pra ser a pieguice total, consiga expor a beleza da construção de uma relação. Bem, um dos pontos lá é uma frase que acaba sendo repetida algumas vezes que é: amar é jamais ter que pedir perdão. Tem lá o seu clichê, mas não é verdade? Se se está vivendo esta comunhão, é impossível que um faça o mal ao outro, fiquei com isso na cabeça. Com isso e com a música. Gostei muito do filme!

domingo, outubro 05, 2008

sábado, outubro 04, 2008

Sorria, meu bem!

Realmente política é como nuvem, você olha está de um jeito, olha de novo e mudou tudo. Concordo em gênero, número e grau com o Magalhães Pinto. Afinal, quem em sã consciência poderia afirmar em 1996 que o futuro do projeto político do Serra estaria nas mãos do Kassab?

Vou fazer minha interpretação deste acontecimento. Falta método e até imparcialidade. Acho que temos que analisar o que vem acontecendo no Estado desde 1982 e entenderemos como o Kassab e o Serra chegaram onde chegaram.

Pois bem, meu palpite histórico é que em 1982 subiu ao poder no Estado uma força que seria transformadora da política aqui, e devido a importância do Estado, transformadora até para o País. Quando Montoro assumiu, começou a derrocada da Arena no Estado, mas a Arena não era lá um corpo muito unido. A eleição de Montoro e principalmente a atuação de Quércia como vice-governador foi decisivo pra começar a criar uma consolidação de uma força hegemônica e este projeto começou a tomar forma no Estado. Não existia antes coerência política entre o local e o estadual. Falo da atuação de Quércia, porque ele, como defensor do municipalismo, ao estender sua influência por todo Estado, criou condições de impor sua candidatura a governador em 1986 e principalmente se eleger.

Essa consolidação se deu num momento fantástico que foi o da redemocratização. Assim, foi possível criar forças emergentes que começaram a derrotar os antigos líderes locais e que tinham certa coesão. (lógico que nos anos 70 já havia prefeituras do MDB como Piracicaba e Campinas que possuíam certa linha de pensamento macro; os autênticos do MDB, que depois viriam a ser prefeitos, também já demonstram certa articulação entre as cidades). Com a bandeira do municipalismo, Quércia conseguiu trazer uma renovação nos municípios e se elegeu por isso. Não só de renovação viveu essa consolidação, houve também alguns grupos locais que se precipitaram pra dentro do quercismo.

A oposição a essa nova força política, não era o PT, o PT era insignificante eleitoralmente (pero no mucho). Na divisão de forças no Estado, o PT aglutinava forças nas cidades grandes, onde essa transição pra uma forma mais orgânica de prefeituras já havia acontecido nos anos 70, como Campinas, em cuja prefeitura Quércia despontou, ou no ABC e Santos. No entanto, nas eleições de 82 e 86, o PT não tinha um peso político no Estado. A oposição era o que restou da Arena. Talvez pela posição de vanguarda do PMDB no Estado, essa tenha se mantido unida até praticamente 94, uma vez que sempre o PFL e PDS (PP, PPR e outras formas) saíram juntos nas eleições do Estado.

O elemento X da minha trajetória é a desintegração da força hegemônica criada por Quércia. Talvez seja personalismo, talvez seja os métodos meio fascistas que ele conseguiu suas indicações, mas esta força começou a dar sinal de desgaste já na eleição de 86, com o apoio de parte do PMDB a Antônio Ermírio de Moraes. A articulação do quercismo com outros movimentos dentro do PMDB que não eram de tão de vanguarda como este, fez com que a vanguarda paulista se separasse e criasse o PSDB.

Nesta evolução histórica, o PSDB continuou a consolidação do PMDB após o ocaso do governo Fleury, estimulando a substituição dos antigos governantes locais, e aglutinando forças que se descolavam do que sobrou da Arena. Lembrando que Maluf nunca exerceu uma influência tal qual Quércia ou Covas.

Uma destas forças que precipitaram para dentro desta força foi o PFL, e aí entra o Kassab, ao derrotar o Malufismo em 1998, o PFL foi totalmente incorporado neste processo, e agora sim, poderia surgir uma nova força hegemônica igualmente orgânica e complexa que viria a ser o PT. Lembrando, em 1998 o PT quase chegou ao segundo turno, e em 2002, conseguiu se tornar a segunda força política do Estado.

Lógico que aí entra uma figura que não acompanhou esse processo: Alckmin. É claro que ao surgir como força hegemônica no Estado, o PSDB se tornou um partido de centro, mas que tinha conexões tanto com o PFL como forças mais de esquerda como o PSB ou o PPS. No entanto, Alckmin se pôs mais a direita que essa força hegemônica, não é à toa que hoje ele se mostra um candidato mais reacionário que o próprio Kassab, e não estou falando do Kassab de 2008 e sim do Kassab de 1996!

Pois bem, hoje o Kassab já está totalmente integrado, e eu realmente acho que sempre existiram forças locais não integradas a estas forças hegemônicas, mas que o PSDB e o PT conseguem manter certa coerência em todo o Estado. Acredito que nas cidades do interior, o voto no PSDB acontece ainda como reflexo das derrotas impostas aos antigos governantes e desta sensação de fazer parte da política do Estado. Em muitas delas, o PT ainda é desorganizado, como em Jundiaí, Sorocaba, Itapetininga entre outras. Acho que a figura do Serra vai fazer com que o PT ainda não ameace essa hegemonia, nem agora, nem em 2010. A ver.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Crivella & Eu

Confesso que depois que comecei a dormir mais, sonho mais. Acho fantástica essa coisa de sonhar e depois tentar entender o que será que meu inconsciente tentou me dizer. Psicanálise é uma das coisas que mais me dá orgulho de ser ocidental; periférico, mas ocidental!

Eis que terça-feira acordo de um sonho totalmente absurdo. Estava eu num quarto de hotel com o senador Crivella. O senador estava deitado na cama meio que relaxado e eu estava sentado numa cadeira ao lado. O senador Crivella falava das dificuldades e do preconceito de ser evangélico e eu do alto do meu catolicismo infantil lembrava ao senador da dificuldade de ser católico, uma vez que o protestantismo era uma religião ligada a modernidade. O senador me disse que não gostava desse termo protestante, se sentia evangélico. Aí, mudamos de assunto e começou a me falar sobre a delícia (eu lembro deste termo, o que na boca do senador Crivella se torna bem diferente) de ser senador. Falou sobre como era bom fazer discursos e participar da vida da nação. Acordei.

Dos 81 senadores, têm uns 12 que eu adoraria conhecer, mas o Crivella nunca estaria nesta lista. Eu não sei se o sonho tem a ver com religião ou política, se tiver com religião, talvez seja pelo oposto, por política, bem, geralmente eu gosto dos injustiçados do mundo. Foi um sonho interessante.

sábado, setembro 20, 2008

Eleitorais

Lula e o Rancor

Estou achando péssima a postura do presidente nestas eleições. Ontem em Natal ele atacou de modo violentíssimo o senador Agripino Maia, dizendo que daria o troco nele em 2010 por todas as ofensas que o senador havia feito contra ele durante o escândalo do mensalão. Hoje, ele afirmou que o DEM não tem lado, porque é oportunista, em 2006, diz Lula, o achincalharam e agora não se assumem publicamente como oposição. Diz o presidente que de dia o achincalham na Câmara e no Senado e nas ruas não o acusam.

Veja bem. Odeio esse ar varguista que às vezes paira sobre Lula. Afinal, o DEM tem posição sim, é oposição, e não é nada mais natural que uma oposição aponte falhas no governo, e seguindo a lógica petista-lulista, pode-se apontar falhas morais, ideológicas, estéticas, estratégicas e birra também, afinal não foi o próprio Lula que disse que o Sarney era ladrão e que o Fernando Henrique era um estelionato eleitoral? Se com um presidente eleito em primeiro turno foi possível criar uma campanha ignóbil como o Fora FHC estimulada pelo ministro Tarso Genro, por qual motivo José Agripino não poderia apontar algumas coisas do nosso presidente? O PT é a UDN de macacão, já dizia Brizola...

Chamem de reação, de conservadorismo, mas para mim, Lula é tão democrata quanto o Vargas...rs, é que para ele essa fama de conciliador está dando efeito positivo, no entanto, sempre tem alguns deslizes autoritários. Como é difícil esconder o subconsciente!

Quem será que a Marta quer: Alckmin ou Kassab?

Ontem durante o dia estava numa roda em que criamos um paralelo entre esta eleição e a de 2000. Chegamos a uma conclusão que Marta preferiria Kassab à Alckmin, e que tal em 2000, onde ajudou Maluf ir para o segundo turno, neste ano ajudaria Kassab.

À noite, a percepção foi outra. Com uma campanha que só cresce como a do Kassab versus uma campanha estagnada em crise como a do Alckmin, acho que a campanha de Marta deve estar numa escolha difícil. Eu acho que os ataques de Lula aos Democratas já sinalizou quem a Marta quer...