sexta-feira, setembro 04, 2009

No tan Buenos Aires

Ayer miré a una película argentina antigua, del inicio de la decadencia argentina pos-Perón. Pues bien, lo que más me impresionó en ella fue cómo se puede mirar Buenos Aires desde allí con los mismo ojos con que la miré en julio cuanto estuve allá. Tanto el Kavanagh, la Plaza San Martín, la Torre de los Ingleses, las baldosas rotas en las veredas, estaban todos allá en la película, cómo si no hubiera pasado casi cincuenta años entre las dos miradas.

Así como en las otras películas que he mirado, no sólo en la Muestra, como en los pocos filmes que llegan desde Argentina hacia acá, se consigue hacer un contorno del significado de ser argentino, que quizás sea más homogéneo do que el ser brasileño. No que homogéneo acá signifique más sencillo, porque lo único que no se puede decir del argentino es que sean un pueblo sencillo, pero que su complejidad sea más radical y esto por si sólo nos permite mirar a los detalles.

Si en él parágrafo arriba lo puse de un modo amplío, ahora lo puedo hablar de estas contradicciones que hacen la complejidad de los argentinos que están presentes tanto en las películas de los sesenta (algo como una nouvelle vague argentina) como en el nuevo cine argentino. Así como se hacen una autocrítica brutal, dejando clarísimo la naturaleza de un país de oficinas y jubilados, una clase media con valores un poco conservadores y hasta al límite reaccionaria, pueden traer también temas muy delicados como el aborto, el divorcio, la eutanasia y las discusiones familiares que no podrían venir al telón se no hubieran sido puesto bajo a la luz de la autocrítica.

Por ser así, a mí, me parece mucho más realista una película argentina de los sesenta que habla del aborto bajo esta mirada sobre la sociedad que una brasileña que quizás no tenga la misma radicalidad en su complejidad. De ser así, nuestras películas traen consigo algo de artificial, que puede ser resultado del facto de hacer falta esta crítica que es cara a los argentinos o, lo que sería más lastimoso, quizás porque no hago parte del universo de los temas de las películas brasileñas.

No puedo negar que mismo en la crisis, como en las luchas, los piquetes y con la ya famosa decadencia de Argentina, todavía es un país que me encanta. Puede ser que el castellano de este texto sea tan trucho como mi análisis del cine argentino, pero al mirar las películas, lo quise escribir algo en castellano, un homenaje a uno de los lugares que más me siento bien.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Por um vento liberal

Todo sendero tiene su atolladero

Essa história do pré-sal talvez possa ser a alavanca necessária para começarmos a discutir o país que queremos. Não acredito nem ideologias, nem em Estados inventados, nem em Dom Sebastião saído do mar. Estado é construção, mas para construir é preciso discutir e infelizmente nestes últimos 7 anos o que menos fizemos foi isso, discutir. Não só por culpa do presidente e do oficialismo, mas também por falta de vontade da oposição em fazer oposição à um presidente popular, esquecendo que foi a vontade do povo, pelo voto, que fez da oposição, oposição!

A questão não é tão complicada assim, ela só precisa ser feita. Hoje temos um Estado do tamanho do Estado que tínhamos pré-Fernando Henrique, um Estado que se agiganta, que gasta com o funcionalismo, na crise e na prosperidade, que aparelhou toda e qualquer instituição do Estado, expurgando a contradição dos palácios e departamentos. Ao mesmo tempo, ao criar uma ilha de fantasia no serviço público federal, sugou para dentro dele todo o potencial inventivo, capaz de criar empreendimentos e fazer o setor público prosperar; afinal o governo federal paga seis vezes mais que a iniciativa privada. Não é a toa que hordas de estudantes recém formados em universidade públicas se dediquem dia e noite a ter um carguinho federal onde daqui a algum tempo terão direitos adquiridos e o patrimonialismo nosso, antropológico, cultural, fará que o governo governe para essa casta que se apoderou do Estado e não para seus pobres filhos que o sustentam.

Para os que não fazem parte da casta, fica um discurso dúbio, onde se mantém um sistema financeiro turbinado com juros altos, rebaixa de impostos para combater a crise e bolsas a disposição dos que não são da casta, nem do setor produtivo e nem do financeiro. O presente se torna fantástico, afinal o desemprego cai e a renda aumenta, mas por incrível matemática o rendimento pelo trabalho cai, a participação do trabalho na renda nacional cai mais ainda e o orçamento começa a fazer água. Nos anos 70 tivemos um ciclo de Brasil Grande que desaguou na crise dos 80. Qual o custo desta farra fiscal? Ele vale essa felicidade presente?

Eu duvido. Talvez seja um dos poucos que se mantém fiel à onda de 94. Não quero um Estado ator, quero um Estado planejador. Pouco me importa se a renda do óleo extraído venha da Petrobrás ou de qualquer outra, desde que se pague os impostos e royalties devido (sem tentar passar a perna na receita). Muitas são as demandas, cada dia crescem mais, na velocidade em que crescem os interesses difusos e coletivos, mas ao mesmo tempo que cada vez mais atores entram em cena, o espaço orçamentário é o mesmo e é preciso um choque de consciência e de democracia para fazer este arranjo sem empurrar com a barriga a decisão. A decisão deve ser feita na eleição, não deve ser escondida da eleição. Decisões implicam em tomada de consciência e muitas vezes na não-satisfação dos desejos, mas adultos trabalham com suas frustrações. Tentar atender a todos num malabarismo que nos levará a inflação e ao populismo é infantilidade.

Questões como o déficit da previdência, o agigantamento do setor público, a diminuição do papel do trabalho na renda nacional deve ser discutida e não escondida por um presidente popular que é popular porque fala o que todo mundo quer ouvir. Arma-se uma bomba, uma hora a bomba explode. A falta de discussão é prejudicial à democracia e somente facilita um clima de qué se vayan todos presente em todos os cafezinhos públicos e privados.

Chegou a hora de decisões. Haverá alguém para tomá-las? Em Gracias por el fuego, há conversa numa festa um dos personagens diz que para o Uruguai só haveriam dois caminhos: Fidel ou Stroessner. Não acredito que nosso leque de opções seja tão radical e restrito assim, mas uma hora teremos que escolher entre Cristina Kirchner ou Michele Bachelet. Eu vou de Bachelet, e você?

sábado, agosto 29, 2009

Isabella Rossellini

Acabei de assistir um filme ótimo. O filme em si merecia um texto longo, com detalhes, tentando abrir metáforas perdidas, explorando toda a psiquê, etc. No entanto, não conseguia tirar os olhos da Isabella Rossellini no papel de uma mãe judia.

Como o tempo é triste. Para mim a Isabella Rossellini vai ser sempre aquela mulher um pouco sapeca de “Um toque de infidelidade”. Acho que uma das sessões da tarde mais inteligentes que a Globo já passou.

No entanto, a garota Isabella Rossellini agora é uma mamãe judia. É praticamente um ícone de juventude que se perdeu. Saí do cinema me sentindo velho.

quarta-feira, agosto 26, 2009

O grande risco das pequenas mentiras

Sempre acreditei na afirmação do título e até já tive provas de que realmente é verdade que as pequenas mentiras trazem consigo mais riscos que as grandes. Quando se mente por muita coisa, os detalhes se tornam maiores e mesmo uma contradição pode passar desapercebida pela grandiloqüência da história. Quando se mente pequeno, por comezinha que é a mentira, se ela suscita dúvidas, os detalhes desmontam o castelo de cartas. Mesmo porque se já existe uma dúvida em coisas corriqueiras, a credibilidade do mentiroso já está desvendada a priori.

Neste caso, dona Dilma está se mostrando uma filha que não aprendeu direito as lições do pai. Sempre que alguém pôs sob mácula a imagem do seu mentor e mestre, ele soube através da grandiloqüência e de um certo sebastianismo afastar-se dela, mesmo que a sombra pairasse sobre seus companheiros de luta que cada dia que passa se transforma e se deforma. Dilma não, mente por pouco, e como desconfia-se do pouco que faz, seus pequenos enganos vão aparecendo, assim como um título de doutora que ela não tinha, assim como um encontro que ela diz que não teve e que não teria porquê provar, assim como aceitou que até poderia provar que não o teve se tivesse os registros, assim como o contrato de segurança indica que não se pode apagar os registros e sic transit gloria mundi.

Não acredito que aqui chegaremos a histeria de uma mentira boba quase derrubar um presidente como foi com Clinton, mas será que somos tão amigáveis às pequenas mentiras a ponto de elegermos uma pequena contadora de histórias?

Os governos passam e a administração pública fica

Começo a sentir orgulho da Receita pela prova de lealdade à administração pública que seus funcionários estão dando ao pedirem exoneração dos cargos de confiança. Isso mostra o quanto este governo interfere na burocracia para auxiliar seus amigos. Assim aconteceu na Fazenda quando para defender Palocci abriram o sigilo bancário do caseiro acusador ou quando o ministro Hélio Costa pressionou a Anatel a aceitar a fusão da sócia do filho do presidente contrariando a lei e o espírito da privatização da telefonia. Também podemos lembrar que esta série de exonerações forçadas ou voluntárias começou para proteger a Petrobrás, totalmente loteada, de ser autuada pela Receita.

Enfim, a administração pública fica e este governo quer ficar per omnia secula saeculorum se enraizando na administração, na boquinha amiga e companheira.

domingo, agosto 23, 2009

Chega de Saudades

Sabe quando você assiste a um filme e fica com ele na cabeça por muito tempo? Infelizmente eu tenho uma mania horrível de assistir várias vezes esse tipo de filme e fico querendo enxergar mais neles do que acho que eles se propuseram a mostrar.

Pois bem, Chega de Saudades é um filme que eu já devo ter assistido umas 10 vezes. Durante todo o tempo que esteve nos cinemas nunca consegui assisti-lo, de repente, por causa de um erro das Lojas Americanas ele chegou na minha mão. Um presente numa hora errada que chegou errado, no entanto o filme acabou sendo perfeito para àquela hora.

A idéia de velhinhos dançando pode ser meio prosaica, mas o filme é muito mais que isso, o jeito que as histórias se entrelaçam com a trilha sonora, tudo como se fosse um baile acontecendo é fantástica. Concordo com o roteirista que talvez as pessoas mais lúcidas e bem resolvidas daqui de São Paulo estão dançando às 5 da tarde.

Sem contar a Elza Soares cantando Lama numa das cenas mais marcantes do filme.

Ao fim, você encontra no filme alguns paralelos tão interessantes com a vida moderna vividos por personagens que não vivem esta tal da vida moderna. Lembra-me um pouquinho os bailes que minha mãe e meu pai iam e acabavam levando a mim e ao meu irmão. Não eram Bailes da Saudade, mas as músicas eram músicas de baile e minha memória musical é muito melhor que a visual.

É um filme de gente que você vê todos os dias e esta “vida metropolitana e cosmopolita” faz com que não o enxerguemos.

Domésticas – O filme.

Engraçado, não tinha reparado numa cena de Domésticas que pega o gancho com a última frase do texto sobre o Chega de Saudades. É fantástica a cena quando o lavador de carro fica preso no elevador e que não o acham porque o morador do prédio não sabia o nome dele e como reação ele picha o prédio inteiro com seu nome. Absurdo que existam grupos tão marginalizados que precisam gritar para que os enxerguemos.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Serra, cuidado para não ser Carlos Sampaio!

A analogia surgiu hoje de manhã numa discussão sobre 2010, mas não acho impossível que o espectro maligno que levou Doutor Hélio a prefeitura de Campinas em 2004 não possa fazer de Ciro Gomes o próximo presidente do Brasil.

A conta é simples. Serra é o único candidato da dita “direita”, enquanto a dita “esquerda” vai com todas seus matizes para a campanha: Dilma, Ciro Gomes, Marina Silva e Heloísa Helena. Serra lidera o 1º turno inteiro enquanto Dilma e Ciro Gomes se engalfinham para ver quem vai ao segundo turno, com toda a baixaria que sabemos que um é e que já temos indícios que a outra será. Passado o 1º turno, eles voltam a ser amiguinhos, o PT, que não apóia nem o candidato deles (vide Luisa Erundina e Jacó Bittar) apóia Ciro Gomes e ele leva no segundo turno.

Em 2004, Doutor Hélio e Luciano Zica brigaram o que puderam, com a figuração de Petterson Prado e Jacó Bittar. Passou Doutor Hélio e o PT nacional foi o maior doador da campanha no segundo turno.

Não sei que conselho dar, não vale a pena entrar na lama, mas não fique também de salto alto!

E se nada mais der certo...

Bem, se nada mais der certo, faça um filme bem ruim, com muito palavrão, umas figuras estranhas, peça patrocínio da Ancine, chame uma estatal para patrociná-lo deduzindo o Imposto de Renda pela Lei Rouanet e você ganhará uma graninha. Afinal, com esta modinha alternativa, sempre haverá alguém para vê-lo, e como o filme já está pago, se um modernete ver seu filme, você ainda lucra!

O preço da liberdade é a eterna vigilância!

É um absurdo o governo federal fazer propaganda dentro do cinema, não só o faz como governo federal, como ainda põe mensagens em propagandas das estatais. O governo federal é mais presente no filme do que o próprio filme.

Então ficamos assim, os gastos do governo com funcionalismo sobe à mesma proporção que eram em 94, o salário no funcionalismo público federal são 6 vezes maiores do que na iniciativa privada. Os companheiros ocuparam todos os cargos possíveis e imagináveis e meu rico dinheirinho, suado, sofrido ainda paga filme de quinta categoria!

O chavismo está perto. O espírito está pronto, mas a carne é a fraca. Vigiemos!

domingo, agosto 09, 2009

Onde estava Aloízio Mercadante??

Segue coluna do Clóvis Rossi na Folha de hoje. (não sei sobre a legalidade de dar um corta e cola numa coluna de um jornal, mas não queria por só o link)
Talvez a coluna responda a grande questão desta semana: por que Aloízio Mercadante (e Ideli Salvatti) viram toda a baixaria de seus gabinetes e não atuando como líder do partido do governo e como líder do governo??
CLÓVIS ROSSI Pena ou desprezo?

SÃO PAULO - Chego a sentir certa pena do senador Aloizio Mercadante, o líder do PT no Senado, quando ele diz que o motivo que o levou a fugir do plenário na quinta-feira é este: "Não queria ver minha foto naquela moldura".
Pena, senador, que sua foto já esteja naquela moldura desde que aceitou silenciosa, mas gostosamente, a aliança de seu partido com algumas das figuras mais deploráveis da política brasileira.Ou Mercadante não participou ativamente da campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva em 1989, ano em que Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello estavam lado a lado, praticando as infâmias arquiconhecidas?
Não creio que o senador petista tenha uma formação tão religiosa que lhe permita acreditar no arrependimento dos pecadores. Portanto, só aceitou conviver e ser "companheiro" de Collor e Renan (para não citar uma bela quantidade de outros não menos deploráveis) em nome de agarrar-se ao poder a qualquer custo, mesmo que seja um custo deplorável.
Mercadante foi, durante as campanhas presidenciais do PT, a melhor fonte sobre assuntos econômicos. E melhor aí é, sim, juízo de valor, embora muita gente, inclusive no próprio partido, faça severas restrições aos conhecimentos do hoje senador.
Muito bem. Após a posse, Mercadante foi escanteado. Um dia, em almoço no Itamaraty para o então primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi, sentamos à mesma mesa e ele me disse que se sentia "emparedado", porque tinha críticas, mas a lealdade ao chefe o impedia de fazê-las.
Calou-se tanto, renunciou tanto a pensar com a própria cabeça que termina obrigado a homiziar-se em seu gabinete para não aparecer na foto ao lado do "companheiro" Renan, sob a presidência do "companheiro" Sarney.
Merece piedade ou desprezo?

terça-feira, agosto 04, 2009

Foi apenas um sonho

Ainda estou sob efeito de Foi apenas um sonho. Já haviam me falado que era bom, mas não sabia que me causaria tanto impacto. Que filme bom!

Engraçado é perceber, e aceitar, como as pessoas fogem da mediocridade. Somos todos os dias bombardeados de casos de sucesso, de proezas inimagináveis, de belezas inatas e construídas que diferenciam as pessoas, ao mesmo tempo em que caminhamos cada dia mais para a massificação.

Fico meio receoso em usar a palavra massificação uma vez que estamos cada dia mais na era da diferenciação social, dos interesses difusos e coletivos, mesmo que ainda haja a polaridade burguês-proletário, há tantos tipos de burgueses e tantos tipos de proletários que não se pode mais tratá-los como o Manifesto Comunista os tratava. (esse parágrafo é uma tentativa de justificar o massificação, já que realmente não estamos mais tão massificados assim...)

Posto isso, ao mesmo tempo em que se foge da mediocridade com a idéia de que qualquer um pode ascender à glória por seus próprios meios, seja ele do talento, da beleza, da inteligência, o caminho que nos é dado é um só. E esse caminho que poderia nos tirar da mediocridade, tende a nos levar a ela.

Afinal, ganharás o pão com o suor do seu trabalho e há de ter responsabilidades, e tudo isso pode solapar de vez qualquer talento, beleza e inteligência que poderia vir a trazer uma realização plena.

Aí entra o filme. Quando você acha que o casal romperá o estilo de vida. Onde sofrem a reprovação de todos do seu convívio social e ao mesmo tempo os fazem repensar seus próprios modos de vida. O casal não consegue romper o ciclo. O casal não, o marido.

Triste busca incessante esta a da felicidade. Pelo menos a diferenciação nos dá a graça de criarmos nichos alienantes que podem nos dar a idéia de sermos bons e diferentes, mesmo dentro da geléia geral.

(Que textinho marxista, não o imaginei assim, mas é uma forma de análise, ou não)

domingo, agosto 02, 2009

Instantâneo

Eu sou assim, pelo menos por agora. Ando a procura de paixões, ancorado em algumas poucas certezas e em busca de novas dúvidas. Há dez anos não sabia falar inglês e continuo sem saber. Fui bom em matemática e hoje não sei cálculo. Quis aprender francês e agora quero aprender fotografia. Engenheiro por acidente, observador de nascimento e católico por persistência. Sou assim, agora.

Amanhã posso ser fotógrafo, talvez demógrafo. Oxalá aprenda o maldito inglês. Quiçá seja católico ou vire astrólogo. Enquanto não decido, continuo um engenheiro observador e católico que não sabe mais cálculo, nem tirar fotografias, à procura paixões, ancorado na certeza de que não sabe falar inglês e que precisa aprendê-lo, mesmo tendo vontade de aprender francês e fotografia.

sexta-feira, julho 31, 2009

Segunda Onda e Baader-Meinhof

No artigo do Gabeira hoje na Folha ele comentava sobre uma segunda onda democrática, superando esta primeira onda que se esgota com o fim do governo Lula. Se na primeira onda tivemos a consolidação da democracia com eleições diretas regulares, “uma política econômica realista, uma generosa política social”. A próxima onda será a da responsabilidade diante da transparência, além das demandas sociais que cresceram (com a economia e com a democracia) e com uma nova abordagem de como os políticos irão absorver e dirigir essas novas demandas.

Ponho aqui também uma questão de liderança, e talvez de espírito. Afinal, acho que esta nova onda deve vir com um propósito, seja ela bolivariano ou extremamente liberal, acho interessante que ele tenha uma meta e não viva do dia a dia. Acho importante caminharmos numa direção, não decidir no dia a dia. Não que uma idéia prevalecerá, mas termos líderes com propósitos e ideais pode gerar um debate interessante que falta hoje em nossa democracia.

Neste ponto entra o link com o filme que eu acabei de assistir. O filme é “Baader Meinhof” e é sobre o grupo terrorista que surgiu no seio de uma das nações com um estado de bem estar social mais bem desenvolvido e que nem por isso surgiu dentro de sua juventude uma geração contestadora que acabou indo para a luta armada em torno de uma revolução cujos motivos eram tão fluídos que se torna um mistério.

Na verdade todos os acontecimentos de 68 parecem para mim como um delírio coletivo do ocidente. Uma contestação de tudo e da própria ocidentalidade (engraçado, acho que durante todo o século passado todos os intelectuais só enxergavam a decadência do Ocidente). Ao fim, num misto de sonho, de uma utopia difusa que negava a individualidade em busca de uma liberdade não muito explicada.

Acho que os filmes tratam esses acontecimentos de 68 com um certo romantismo, afinal a juventude é uma coisa bela de se observar e em 1968 eles tomaram conta do mundo, subvertendo valores, mas foram pouco eficientes nos seus objetivos. Afinal, todas as revoltas impediram a implantação de um governo do Willy Brandt de tentar um governo que conseguisse implantar uma forma de representação que incluísse os jovens, impediu o PCI de chegar ao governo, reforçou o gaullismo na França e de rasteira destruiu a socialdemocracia nos Estados Unidos e na Inglaterra trazendo a Era Reagan e Teatcher.

Sobre o filme....

Bem, filmes alemães são ótimos sempre, eles não oscilam como os franceses, então se você vir em cartaz um filme alemão, assiste. Mal não vai lhe fazer! Sem contar que o final dos 60 e começo dos 70 são fantásticos, de música, de estética. Vale a pena o filme.

terça-feira, julho 28, 2009

Timing

Hoje eu cheguei adiantado no tempo. Corri para que o tempo passasse correndo, corri tanto que o ultrapassei, sem olhar para o lado, como se fosse a luz, num caminho reto e certeiro corri e passei do ponto. Não consegui achar nada que me difratasse, que me multiplicasse em outros espectros que conseguissem dar conta desta ansiedade que me fez passar do tempo. Cheguei adiantado. Ganhei do tempo e perdi tempo.

Sensação estranha para quem sempre se sentiu atrasado. Cheguei adiantado no tempo e isso não me trouxe nada mais que uma trajetória perfeita como a da luz, que corre o ultrapassando; talvez um espelho me fizesse retroceder, mas aí seria um retrocesso no espaço, não mais no tempo. Cheguei adiantado, poderia mudar o meio; a trajetória se tornaria mais lenta e o mundo me alcançaria. Talvez, novos meios, novos ares, novas analogias que não sejam tão rígidas como a luz e o tempo.

domingo, julho 26, 2009

Zona de Máxima Restrição aos Fretados

A meu ver, a grande discussão sobre a ZMRF tem muito mais a ver com a apropriação do público pelo privado do que a mobilidade de pessoas. É interessante notar nas reclamações dos usuários o absurdo deles terem que usar o transporte coletivo, como se o usuário do transporte coletivo fosse um ser que deve ser evitado, o diferente, o perigoso.

Segundo as pesquisa OD 2007, o perfil de renda e escolaridade dos usuários do fretado é igual a do usuário do transporte coletivo, o que desmonta o argumento que está na faixa dos fretados, que a partir de amanhã serão proibidos, que o fretado substitui 20 carros. Bem, somente se o usuário do fretado for um louco ou estiver na rabeira da distribuição estatística. Afinal, com a renda média dos usuários de fretado, se eles fizerem esta viagem de automóvel, o peso do transporte individual em seus orçamentos aumentará muito.

Olhando as pesquisas do DIEESE a participação do item transporte nas famílias do terceiro tercil de renda da RMSP já é quase igual ao de alimentação. Claro que eles tem maior mobilidade que os dos outros tercis, mas se optarem por usar seus carros, aumentarão este peso, o que é meio impossível. Logo os usuários do fretado não serão tão incoerentes para substituir sua viagem pelo carro, se ele pudesse, já estaria fazendo e não andando de fretado.

Além do mais, não é justo que os usuários do transporte coletivo dos ônibus da capital sejam prejudicados pelas barbaridades que os fretados fazem nas ruas, que diminui a velocidade dos ônibus. Não posso falar para vocês olharem a Berrini, a São Carlos do Pinhal e a Alameda Santos já que a partir de amanhã elas estarão livres, mas quem já as viu, se escandalizou com as barbaridades cometidas pelos fretados.

O que se vê é uma minoria que se acha melhor do que os usuários de transporte coletivo que se sente detentora de um direito que prejudica uma maioria de pessoas que são iguais a elas diminuindo a velocidade do trânsito na cidade.

Como transporte é máfia, amanhã será um dia de tumulto geral, praticamente com os fretados tentando sabotar o plano, tomara que a CET consiga pôr ordem na casa.

Vou fazer um exercício de futurologia, eu realmente acho que daqui uns dois meses as coisas estarão estabilizadas, e aí teremos mais 40.000 usuários que estão nos segundos e terceiros tercis de renda usando o transporte coletivo e discutindo-o politicamente. Afinal, o transporte público pode ser superlotado ou ineficiente, mas o é pela dinâmica da cidade e pressões de grupos como os usuários do fretado.

A construção da cidade passa pela identificação dos interesses e principalmente pela ponderação das suas forças motrizes, acho que neste caso o interesse foi detectado e a cidade ganhará com a medida.

quarta-feira, julho 22, 2009

Mas afinal: você é a favor do quê?

No blog do Marcelo Coelho ele comentou o quão fascinante é a política norte-americana a partir da análise de Milk. Não deixo de concordar com ele, não que conheça muito da política norte-americana, mas sim no argumento de que os interesses no Brasil não são muito claros. Na verdade, não há temas e não há lados.

Tente pensar num tema nacional que esteja sendo discutido no Congresso ou pela sociedade. Não há! Não se discute juros, não se discute superávit, não se discute um plano educacional, simplesmente não se discute. As coisas são aprovadas sem discussão, sem necessidade das pessoas se mostrarem.

Mesmo nesta crise do Senado, há um vai e volta, uma escamoteada de idéias. Uma névoa entre o dito e o feito que chega ser torturante.

O presidente Lula fala coisas contraditórias dependendo da platéia, fala de austeridade fiscal e equilíbrio para empresários e fala de gastos públicos e bolsas para a platéia. A oposição faz o mesmo, ao mesmo tempo em que bate no governo por causa da farra do dinheiro público, não faz absolutamente nada para impedir isso, aliás, aprova, dá voto. Governo negocia posição, oposição negocia posição, governo pressiona, oposição obstrui. Agora negociar e obstruir o que se não há nada para negociar? As discussões são cosméticas, não envolvem a sociedade, são para a propaganda política e só.

Vou mirar na oposição agora. Não era o caso de obstruir a aprovação da LDO para preservar os antigos critérios de superávit e impedir o aumento do gasto público? Afinal, quem quer eficiência e equilíbrio fiscal, deveria obstruir qualquer iniciativa do governo neste sentido! Não é impedir o governo, é ter coerência entre programa e voto!

Pois bem, pretendo investigar mais os candidatos que votarei em 2010 e abaixo listei coisas que eu me moveria para defender:

Aborto;
Política de equiparação para mulheres;
Jornada de 36 horas semanais;
Fator previdenciário;
Criação de mais faixas de Imposto de Renda;
Que o Imposto de Renda seja o principal imposto do país;
Criação do Imposto sobre Herança e Grandes Fortunas;
Limite de 60% dos gastos públicos com pessoal, incluindo aposentados;
Superávit primário de 2,5% no orçamento da União;
Privatização dos Correios;
Privatização da Petrobrás;
Voto distrital misto;
Voto em legenda;
Vinculação orçamentária automática para Educação (Como em São Paulo);
Criação do Código Ambiental, consolidando a legislação ambiental dispersa;
Proibição de estímulo a indústria de automóveis e motos;
Que o trabalho corresponda a pelo menos 60% da Renda Nacional.

Bem, não sei onde vou acrescentar isso, mas eu acredito nisso e procuro isso, ou algo disso, em quem eu voto.

A propósito.

Neste ponto entra meu encantamento pela Soninha e pelo Gabeira. Acho que eles podem sim representar a discussão.

terça-feira, julho 21, 2009

A difícil questão de dizer o que é Arte!

Será que existe alguma função social na arte? Será que essa função é transmitir algum significado, mesmo que seja um significado inconsciente do artista para o espectador/observador. Será que ela é uma experiência única do artista ou é coletiva? Ela é uma forma de comunicação entre o artista e seu púbico?

Essa discussão é tão interessante porque ela traz consigo outros elementos, como o legitimador da arte: o museu, o curador, o crítico, que são capazes de transformar uma coisa sem definição num conceito! E muitas vezes podemos não concordar com eles!

Mais difícil ainda quando estamos numa época onde é muito fácil fazer arte. É fácil pintar, fotografar. E sem querer pode-se dar a aura da arte.

Após o curso de fotografia que fiz no CCSP acho que estas questões se tornaram bem interessantes; a partir do momento que se tem uma individualização tremenda do artista, própria da modernidade, revela-se esta individualização é de massa e pode cair no kitsch. Sendo assim, acho que a grande discussão é o kitsch, como parâmetro de arte, como o diferencial estético. E como fazer isso sem cair numa teoria de vanguardas que deixam a arte elitista?

Pois bem, acredito que muito desta discussão seja totalmente bizantina, e a partir de algumas mostras que estão espalhadas pela cidade podemos ver que a arte é permeável a todos os estratos, desde que eles tenham acesso. (o que não deixa de ser uma vitória minha contra o elitismo das vanguardas), mas que também a picaretagem é muito bem percebida (mesmo com o aval das vanguardas).

A cidade está com algumas exposições ótimas que merecem ser vistas e isso faz São Paulo uma cidade fantástica. Listei algumas exposições que vi sem ter pretensão nenhuma de criticá-las nem de convencer ninguém. Mas como a pobreza faz a gente caminhar por lugares muitas vezes desconhecidos, um desses lugares pode ser uma das exposições abaixo;

Cuide bem de você (Sesc Pompéia): Se existe um fenômeno de exposição, é essa. A idéia fantástica de tentar compreender um fora por e-mail explicada por mais de 100 mulheres de diferentes formações é uma sacada de mestre. Quando você pensa que haverá um massacre do macho, você vê que existem muitas Camilles Paglias perdidas pelo mundo. É ótima a explicação da juíza e da advogada, mas a melhor de todas é da especialista em romances do século XVIII e da consultora de bons costumes. Acho que nunca me diverti tanto numa exposição!

Ser Jovem na França (Centro Cultural da Caixa): Mostra de fotografia com algumas fotografias bem interessantes, acho que ali é um lugar fantástico para descobrir a artisticidade ou documentalidade da fotografia. Existe um certo lirismo na exposição da juventude, da diversidade cultural. Interesses difusos e coletivos na mais bela idade! A exposição foi encomendada pelo governo francês e essa informação é importante para saber a motivação dos fotógrafos.

Argentina Hoy (Centro Cultural São Paulo): Bem, é interessante mostrar a ousadia dos nossos hermanos, embora muitas peças beirem a picaretagem. Adorei as fotografias, principalmente a do “quarto rosa”, mas também as paisagens desfocadas, que dão uma idéia de miniatura fantástica. As imagens épicas da época da independência mostrando os piqueteiros também são bem interessantes. Achei bem interessante a tapeçaria do campo de batalha.

Gravuras de Franz Post (BMF): Aqui a graça está em pensar como foi feita aquele quantidade de gravura em metal no século XVII. Achei legal rever Pernambuco nas gravuras encomendadas por Maurício de Nassau. Afinal, foi graças a Maurício de Nassau que me levou até o Recife. O mais engraçado desta exposição é que na minha aula de gravura em acetato eu desenhei um mapa, e o Franz Post também, está vendo como meu acetato é arte?

Pinacoteca – Acervo: Muito bem, é emocionante ficar ao lado de um Rodin, é a mesma emoção que tive em Curitiba ao ficar perto de um Renoir e de um Portinari. Afinal, se eles são mestres, deve ser por alguma coisa, e é legal ficar perto de uma obra famosa. No entanto, além do prédio que é a grande atração, a sala dos concretistas é fantástica. Ainda mais naquele prédio, e ao lado das esculturas. Há uma exposição de fotografia lá também.

Bom proveito e oxalá apareçam mais exposições gratuitas!

segunda-feira, julho 13, 2009

Viva a Revolução de 32


Perdemos uma guerra, mas ganhamos um feriado! (e daqui a pouco uma tradição!)

Feriado em Curitiba

Morria de vontade de conhecer Curitiba. Talvez isso influenciou o tanto que eu gostei de lá. Vim embora com uma sensação que poderia morar e ser feliz em Curitiba.

Cidade sem afetações, sóbria, séria, fria. Como deve ser bom viver numa cidade onde os carros dão seta para virar! E como é fácil andar por Curitiba. Estive lá em dias de chuva, mas deve ser ótimo ir aos parques, ir pra rua.

Conheci um dos bares que entrou na minha lista dos 5 mais, Stuart bar, em pleno centro, um bar antigo, com chopp bom! E você vai andando pelo centro da cidade e se sente bem, mesmo sem ter polícia por perto (não sei a cor do uniforme da Polícia do Paraná, não vi um policial sequer!).

Ok, o Museu do Niemayer é um paradigma. Quando um museu ofusca o que está dentro dele, boa coisa não é. Mas no fim, a inserção radical de um olho de vidro suavizada por curvas deixa tudo mais normal, dá a sobriedade que Brasília não tem e que duvido que Niterói tenha. Deixa a coisa com uma cara de Curitiba!

Uma observação étnica

Beto Richa deveria declarar Glória Perez persona non grata na cidade, caso contrário teremos uma novela sobre ucranianos e esse povo tão simpático, tão alegre, tão trabalhador, não merece este castigo. Cheguei em Curitiba no auge do 48º Festival Folclórico e de Etnias do Paraná. Somente um Estado bem resolvido pode chegar a um festival destes! Vi uma apresentação de danças ucranianas e adoraria ser um ucraniano! O Teatro Guaíra estava cheio. Tinha até cambista vendendo ingressos. Na platéia, me senti um ET, a comunidade ucraniana em peso aplaudindo suas tradições em ucraniano. Pena que o restaurante ucraniano era tão caro e esta era uma viagem de poucos gastos!

Twittando

Adorei esta história do twitter. Como sempre tive um preconceito inicial, afinal, virou tão febrezinha que não dava vontade nem de conhecer. Mas uma vez tendo um, você percebe o quanto o tal do twitter é poderoso.

Ok. Em 140 caracteres não dá para você desenvolver uma tese, mas em 140 caracteres você consegue se comunicar, alertar, chamar a atenção. Uma boa intenção pode estar contida em 140 caracteres. Assim como a gente saca na hora um charlatão com até menos caracteres!

O engraçado é que você comentando seu dia, você acaba o personalizando. Mesmo com milhões de pessoas levando a mesma vida que você!

A política e o Twitter

O discurso é batido por causa do Obama, mas o twitter é realmente uma arma poderosa de se fazer política. Bem, acompanho os passos do meu subprefeito e do meu governador pelo twitter. O primeiro faz com que a gente conheça cada buraco novo, faixa ilegal, ambulante não regulamentado, enfim, tudo que se passa na subprefeitura da Sé, e pelo twitter sabemos como ele resolverá o problema que surgiu. O segundo fala sobre tudo menos de política, e nas entrelinhas destes poucos 140 caracteres você percebe um governador em ação. O mais legal de tudo, é que tenho certeza que tanto o Andrea Matarazzo como o Serra devem estar encantados o tanto quanto eu com o twitter.

Agora pela manhã, além de ler o horóscopo, você lê tudo que o Serra fez pela madrugada! É fantástico!

Acho que é ótimo esse contato com nossos representantes, ainda mais quando os canais tradicionais estão cada vez mais contaminados e distorcidos, em 140 caracteres o eleitor acompanha o eleito e ainda tem liberdade de lhe fazer questionamentos.

Pois bem, tomei uma decisão muito radical: em 2010 só receberá meu voto quem eu puder acompanhar pelo twitter. Quero saber em qual discussão meu deputado está metido. Quero saber sobre o que ele se preocupa. O twitter mata a vanguarda. A comunicação passa além dela. Você, simples mortal acompanha. E em tempo real!

Falando em canais distorcidos...

Um jornalzinho destes tipo "Causa Operária" tinha na capa uma reportagem falando que o Serra usa o discurso da Revolução de 32 para armar um golpe contra o Lula. Vai ser paranóico assim lá na Venezuela! Meu amigo, a Revolução de 32 é um símbolo paulista, goste ou não. Ou será que o jornalzinho também acha que a Yeda Crusius usa a Semana Farroupilha para isso!...risos

sexta-feira, julho 03, 2009

São Paulo e o Senado

Tenho um pouco de vergonha da representação de São Paulo no Senado Federal, não que seja revanchista, afinal somente um dos três teve meu voto: Eduardo Suplicy, nos demais, só houve lamento sobre o Estado mais importante da nação ter escolhido tão mal seus representantes justamente na Casa da Federação.

Pois bem, os outros dois senadores dos quais me envergonho: Aloísio Mercadante e Romeu Tuma terão que defender a banca nas próximas eleições e aí é um caso claro de começar um movimento no Estado para melhorar nossa representação.

A questão de Romeu Tuma é uma questão que não me incomoda tanto, ele sempre foi eleito como resultado de uma combinação de fatores políticos quase astrológicos que lhe garantiram duas eleições fáceis. Não lhe tiro os méritos, mas não acho que ele foi eleito e sim que os outros o elegeram.

No entanto, a questão Aloísio Mercadante me dói. Ele é uma tragédia na tribuna. Assim como Ideli Salvatti, é um senador que simplesmente não sabe se comportar. Não tem respeito com a casa para qual foi eleito e no momento de todas as crises do Senado, sempre esteve do lado contrário da ética e da opinião pública. Votou a favor de Renan Calheiros no seu processo de cassação e ontem foi a tribuna do Senado num discurso em defesa de Sarney buscando a governabilidade.

Senhor Senador, se a governabilidade depende da desmoralização do Senado, logo isso torna claro o projeto quase absolutista do PT no governo. Afinal, se o governo só consegue governabilidade na desordem do congresso e quando sempre há uma participação do Executivo na crise, este Executivo quer acabar com a divisão dos poderes. Lembremos: a crise do mensalão na Câmara e a imposição da eleição de Sarney, partiram do Executivo!

Claro que haverá governabilidade na era pós-Sarney. A oposição não é idiota o suficiente para paralisar o país, desde que o governo tenha o mínimo de respeito com o Congresso. O que é insustentável é a atual situação, onde acho que é dever da oposição se pôr em obstrução, e que o governo busque sua maioria silenciosa e bem paga com seus cargos.

Tomara que em 2010 nos lembremos da triste atuação destes 7 anos de mandato do Senador Mercadante!

sábado, junho 27, 2009

Síndrome de Higienópolis

De como se acha um Centro de Cultura Judaica

Depois de três finais de semana seguidos onde todos os meus sábados terminavam de alguma maneira em Higienópolis, não era de se estranhar que eu acabasse este sábado na 2ª mostra de audiovisual israelense do Centro de Cultura Judaica de São Paulo. Acho a construção do Estado de Israel uma das coisas mais fascinantes do século 20, uma verdadeira odisséia. Criou-se um Estado do nada e as questões que são postas a este Estado hoje serão as questões que terão impacto nos nossos Estados num futuro que acredito ser bem próximo.

O filme que assisti chama-se Irmãos, que até parece uma novelinha pela filmagem e linearidade da história. A partir de um tema batido das diferenças entre irmãos acaba mostrando uma novidade interessante. Um dos irmãos vive num kibutz em Israel, que também é uma experiência social fantástica; enquanto o outro é um judeu ortodoxo que vive nos Estados Unidos e volta à Israel para defender o direito dos ortodoxos de não se alistarem no exército.

O cotidiano faz do habitante do kibutz um cidadão israelense enquanto o outro, ao ser judeu nos Estados Unidos se sente um judeu, não um israelense. Assume-se israelense por causa da Lei do Retorno, mas antes de tudo ele é um judeu.

Então do clichê previsível do combate entre os irmãos, surge o grande tema do filme, que é se Israel é um Estado ou um Estado Judeu. E isso tem toda uma diferença na forma de organizar o Estado. O filme acaba chegando a conclusão que o Estado de Israel hoje é um equilíbrio entre estas tendências, e a cada radicalização de um lado, ou de outro, sempre existe o risco de um confronto. Que cada dia se torna mais latente, já que a Lei do Retorno hoje acaba favorecendo os ortodoxos.

A questão torna-se mais séria, afinal a Lei do Retorno implica que o israelense é judeu, mas se ele for só judeu poderíamos ter um novo Irã, mas se for só israelense, é um Estado absurdo, já que a construção de sua identidade de estado calcou-se na sua origem judaica.

O bom é saber que política é processo, e com certeza a forma que Israel resolver isso trará uma luz para questões deste tipo que hoje já se põe em países como a França, onde para alguns os imigrantes acabam eclipsando as características que tornaram a França um Estado.

Bom filme para refletir.

Da platéia e do Centro de Cultura Judaica

O Centro de Cultura Judaica é um lugar maravilhoso. Se não fosse o Guia Folha nem saberia que existia, e que fica ao lado do metrô Sumaré. É um prédio moderno, em concreto aparente, com a máxima segurança. Para assistir o filme tive que passar por um detector de metais.

O engraçado foi como a platéia interagia com o filme o que deu a entender que essa divisão entre seculares e ortodoxos existe também na comunidade judaica daqui. Quando os costumes do ortodoxo o colocavam em situações embaraçosas frente ao mundo normal, a platéia ria muito e achava um absurdo (como por exemplo, numa cena em que ele fica em dúvida se atende ou não atende o celular durante shabat).

E o Irã?

Será que essa onda de protesto também não reflete no Irã essa questão crucial entre o secular e o religioso?