quarta-feira, outubro 31, 2007

Depois da Vaca Louca...




Achei engraçado. Deu um toque bom para um dia ruim!

domingo, outubro 28, 2007

Globalização Periférica


Reflexões sobre o Calypso, Cumbias e Regina Casé


Estava explicando para o James a tese do quadro da Regina Casé no Fantástico: as periferias se conectam da mesma forma que o centro. Então, seguindo esse raciocínio a periferia de Belém, São Paulo, Buenos Aires, estariam tão conectadas como os centros desta cidade. Então, faria sentido o sucesso do Calypso em São Paulo, e das Cumbias em Buenos Aires, ou outros ritmos nas periferias do mundo. Da mesma forma, a jeunese d’orée de Belém, de São Paulo e de Buenos Aires estariam curtindo as mesmas coisas, até essa limpeza étnica que fizeram do Axé para torná-lo palatável (Ivete ao vivo no Maracanã!!!!)

Enfim, cheguei em casa e coloquei o tal do Calypso para tocar enquanto eu estendia a roupa no varal, eis que me veio uma prova através da comparação. O fenômeno Calypso já aconteceu na Argentina, com igual intensidade e utilizou de alguns sons locais com letras melosas para se infiltrar no país todo. Por fim, se tornou um fenômeno de massa, abriu caminho para outros e causou uma dialética interessante: rock argentino x cumbias e quartetos (tropicales). O mais interessante é que tanto Rodrigo na Argentina, como o Calypso aqui, lembram sempre que são de fora, de fora do centro do país. Talvez essa identificação com outros que estão fora do centro ajude na sua massificação, talvez...

Dançando Calypso

Não para não
Vem cá
Me dá a tua mão.
Quero que sinta
Toda essa emoção.
Cavalo manco
Agora eu vou te ensinar
Isso e muito mais
Você só vai encontrar
No Pará (aaaaaaaáaaa)


Soy Cordobés

Soy cordobés!
Me gusta el vino y la joda
Y la tomo sin soda
Porque así pega más
(pega más, pega más)
Soy cordobés!
Me gustan los bailes
Y me sinto en el aire
Si tengo que cantar
De la ciudad de las mujeres más lindas
Del fernet de la birra,
Madrugadas sin par
Soy Cordobés!
Y ando sin documentos
Porque llevo el acento
De Córdoba Capital (eles falam Cordóba! Eu juro!)

Enfim, acho que dá começar a fazer um paralelo.

P.S. A propósito, Calypso é horrível, é um chicletes de ouvido, como ela só fala clichê você guarda rápido, no entanto os temas são péssimos e a voz dela, pior. Agora estou escutando uma música que nunca imaginei que alguém fizesse: maridos e esposas (sic)

quinta-feira, outubro 25, 2007

Radical Intransigente??


Ta legal, eu aceito o argumento,
Mas não me altere o samba tanto assim


Eu e a CPMF

Nos poucos momentos que posso, entro na Internet rapidinho para olhar em que pé anda a negociação da CPMF no Senado. É engraçado isso, embora realmente acredite que hoje o imposto é imprescindível, é notável o mau-humor com que eu vejo a negociação do PSDB com a proposta.

É uma questão de coerência torcer por uma derrota do governo nesta questão. Pra quem votou em 1998 e 2002 ainda sobre o impacto do discurso do Fernando Henrique em sua despedida ao Senado, que propunha a superação da era Vargas, a modernização do Estado, traçava um paralelo entre o público e o estatal, incentivava a responsabilidade fiscal e da sociedade civil e a desestatização como motor de um choque capitalista; nada mais comum do que se opor a um governo que pretende ser um novo Vargas, que loteia as agências que foram criadas para ser o motor deste choque de capitalismo e que é adepto do personalismo político.

No entanto, o que fazer como o dever de manter a governabilidade? Oras, não podemos tirar do governo um dinheiro que financia a Saúde, a Previdência e a Assistência Social. É notável o avanço que tivemos em relação a diminuição da desigualdade, e principalmente que as classes D e E têm hoje um crescimento chinês. No entanto, o governo entrou numa reta crescente de gastos públicos (e não só investimentos, mas gasto público mesmo!), sem contar a arrogância e o terrorismo que se posicionaram na aprovação da CPMF.

Considerando tudo isso, gostaria muito de ver o governo não conseguir aprovar a CPMF, seria uma pedra angular do segundo mandato. Embora o Lula consiga eleger até um poste nas eleições de 2010, seria uma forma de criar uma oposição atuante, e que, embora não seja maioria, encontraria eco na sociedade (Já cansei de discutir isso, existe um público anti-Lula grande, convivo com eles, flerto com eles, às vezes me confundo com ele, e isso para mim não é nem golpismo, nem o fim do mundo).

PSDB e a CPMF


Agora começa o achismo. Acho que o PSDB deveria fechar contra a aprovação da CPMF. Não deveria ceder o papel de maior opositor aos Democratas. Deveria assumir essa posição e arcar com as conseqüências, assim como deveria ter se posicionado a favor das privatizações na campanha de 2006.

Essa posição pode causar um acirramento das disputas. O governo é um grande teflon que poderia colocar na oposição a culpa de todos os seus problemas, no entanto, essa atitude seria bem recebida para aqueles que se posicionam na oposição.

Infelizmente, o PSDB não consegue hoje uma unanimidade como conseguiu em 94 e 98. Deveria ler o discurso do Fernando Henrique de despedida ao Senado em 94 e o de posse do Serra no governo em 2006 e perseverar encima destes pontos: modernização do estado, democratização, maior participação da sociedade e responsabilidade fiscal. Manteria sua bancada no congresso e dormiria tranqüilo, sem a mosca azul das concessões visando a possibilidade de voltar ao Planalto.

A União Cívica Radical e a CPMF

Estou fissurado na União Cívica Radical. Hoje, não sou nem petista, nem tucano, sou radical. Não consigo imaginar no Brasil um partido que pôs na democracia seu maior lema. Enquanto as eleições na Argentina não eram secretas, tentou a democratização pela força, quando veio a democratização, defendeu a democracia. Abriu as universidades, governou para a nação que nascia da industrialização. Quando veio o populismo de Perón e dialeticamente surgiram os duros que o tentavam derrubar, se dividiu, parte ponderando os avanços do Peronismo, parte lembrando a ditadura que esse instalava. Veio a ditadura de Perón, veio um golpe sangrento que o derrubou e lá estava a UCR pedindo a democracia. Se dividiu novamente sobre como organizar a nação frente ao túmulo do peronismo. Eram Radicais os únicos presidentes eleitos nos anos 50 e 60. Sofreu oposição tanto dos duros como dos peronistas, sucumbiu a golpes. Apoiou a volta de Perón e combateu a exceção de Isabelita. Veio outro golpe. Se posicionou a favor dos direitos humanos, quando isso era uma grande subversão. Veio a democracia, e tentou refazer o Estado, julgando o passado e o mantendo dentro da Lei. Foi destroçada pelo sonho de uma Argentina Rica, e quando o sonho naufragou, voltou ao poder. Sucumbiu novamente e hoje embora na oposição, é a oposição democrática, sem sobressaltos, sem personalismo. São radicais na defesa da democracia, de valores individuais, da universidade pública. Acho que são a consciência dos argentinos. As vezes as paixões se sobrepõe, e depois, sempre volta a consciência. Dos 6 presidentes que elegeu, somente Marcelo Alvear conseguiu terminar o mandato, Yrigoyen, Frondizi e Ilía foram depostos, Alfonsín e De la Rua renunciaram. Seu fundador se suicidou. Acho que isso prova como sucumbem as paixões, mas sempre voltam. Adorei a frase de Leandro Alem (fundador) na sua carta testamento. Que sé rompa, pero que no se doble!

Aposto que a UCR não fecharia questão na CPMF. No entanto, seus parlamentares votariam contra, perderiam, mas continuariam a votar contra!

terça-feira, outubro 23, 2007

Mais um post tanguero...

Cambalache

Em virtude do post anterior, entrei numa fase tanguera novamente. Graças a Deus estas fases não duram muito, afinal, no tango nada é bom. As mulheres são más, o mundo é mau e a única solução para o mundo é a fuga, seja para uma terra prometida, seja parao passado, seja na morte. E aí veio um estalo: o tango é mal do século 19 na música do século 20. Afinal, nada mais Romantismo que amores não correspondidos, bebidas e saudade. Talvez daqui 100 anos vamos olhar para os emos desta forma.

Abaixo vai o tango mais reacionário que existe. Com todas as características acima, é impossível existir um tango revolucionário. No entanto, Cambalache, é o mais reacionário de todos. Quando o ouço, imagino um velhinho com o La Nación embaixo do braço conversando no metrô com outro velhinho. O engraçado de tudo é que o tango teve sua época dourada no auge da Argentina, quando a classe média chegou ao poder depois da Revolução do Parque (ok, chegou ao poder 26 anos depois da Revolução do Parque, mas foi graças a ela) e quando a reforma universitária abriu a universidade pública para todos.

Imagino o velhinho, na época do Perón, onde todo aquele mundo que surgiu com a Revolução do Parque veio abaixo; não é a toa que Cambalache é um tango tão pessimista. Fazendo uma extrapolação politicamente incorreta, acho que cabe para um velhinho venezuelano também, que está vendo o declínio da sua geração. No fim, acho que o pessimismo é mais uma reação aos novos tempos que uma coisa inata.

Queria fazer um paralelo entre Perón e Chavez, no entanto ...


Cambalache
(Enrique Santos Discépolo)

Que el mundo fue y será una porquería
ya lo sé...
¡En el quinientos seis
y en el dos mil también!.
Que siempre ha habido chorros,
maquiavelos y estafaos,
contentos y amargaos,
valores y dublés...
Pero que el siglo veinte
es un desplieguede maldá insolente,
ya no hay quien lo niegue.
Vivimos revolcaosen un merengue
y en un mismo lodo
todos manoseaos...
¡Hoy resulta que es lo mismo
ser derecho que traidor!...
¡Ignorante, sabio o chorro,
generoso o estafador!
¡Todo es igual!
¡Nada es mejor!
¡Lo mismo un burro
que un gran profesor!
No hay aplazaos
ni escalafón,
los inmorales
nos han igualao.
Si uno vive en la impostura
y otro roba en su ambición,
¡da lo mismo que sea cura,
colchonero, rey de bastos,
caradura o polizón!...
¡Qué falta de respeto,
qué atropelloa la razón!
¡Cualquiera es un señor!
¡Cualquiera es un ladrón!
Mezclao con Stavisky va Don Bosco
y "La Mignón",
Don Chicho y Napoleón,
Carnera y San Martín...
Igual que en la vidriera irrespetuosa
de los cambalaches
se ha mezclao la vida,
y herida por un sable sin remaches
ves llorar la Bibliacontra un calefón...
¡Siglo veinte, cambalache
problemático y febril!...
El que no llora no mama
y el que no afana es un gil!
¡Dale nomás!¡Dale que va!
¡Que allá en el horno
nos vamo a encontrar!
¡No pienses más,
sentate a un lao,
que a nadie importa
si naciste honrao!
Es lo mismo el que labura
noche y día como un buey,
que el que vive de los otros,
que el que mata, que el que cura
o está fuera de la ley...

sábado, outubro 20, 2007

Antitango

Mareados

Encontram-se para beber. Existe sempre a necessidade de ver o mundo, senti-lo. E o mundo entra na vida de ambos e eles enxergam o mundo dos dois; Como se fosse possível voltar ao passado, como no dia que se encontraram. Embora o bar não fosse o mesmo, o encantamento era igual ao primeiro dia. E falaram do mundo, falaram deles. Beberam, riram. Sem querer, perceberam que já havia passado algum tempo e que o futuro era tão palpável como ir para Mongólia. Ambos gostam de músicas tristes, trágicas e histéricas e, no entanto, estavam vivendo um antitango.


Los Mareados
(Luis Carlos Cobián, Enrique Cadícamo)


Rara...
como encendidate
hallé bebiendo
linda y fatal...
Bebías
y en el fragor del champán,
loca, reías por no llorar...
Pena
Me dio encontrarte
pues al mirarte
yo vi brillar
tus ojos
con un eléctrico ardor,
tus bellos ojos que tanto adoré...

Esta noche, amiga mía,
el alcohol nos ha embriagado...
¡Qué importa que se rían
y nos llamen los mareados!
Cada cual tiene sus penas
y nosotros las tenemos...
Esta noche beberemos
porque ya no volveremos
a vernos más...

Hoy vas a entrar en mi pasado,
en el pasado de mi vida...
Tres cosas lleva mi alma herida:
amor... pesar... dolor...
Hoy vas a entrar en mi pasado
y hoy nuevas sendas tomaremos...
¡Qué grande ha sido nuestro amor!...
Y, sin embargo, ¡ay!,
mirá lo que quedó...

sábado, outubro 13, 2007

On the Trails!


Donde tu estás, yo tengo el Norte
Y no hay nada como tu amor
Como medio de transporte

Tudo estava igual como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei!


Carro, ônibus, metrô. Pausa. Metrô, subúrbio, circular. Acho que passei por todos os tipos possíveis de transportes urbanos (e suburbanos) para vir de São José dos Campos a Jundiaí! A vontade de sumir era grande, a pobreza deste mês motivou também, e no fim descobri que consigo vir a Jundiaí com apenas R$ 2.30! (Mais R$ 2,30 de circular em Jundiaí, caso a mala esteja pesada!)

Além do dinheiro, o sair de viagem é fantástico, o chegar mais fantástico ainda. Seja o chegar numa catraca de metrô, seja chegar à porta de casa. Saudade é um ótimo motivador de movimentos. Como bom romântico que sou, adepto das fugas e das saudades; estou sempre em movimento!

Minha nova paixão: trens

É fantástico andar de subúrbio. É uma experiência que todo mundo deveria passar. O trem é a cidade na sua essência, gente de todo. Sem preconceito nenhum. Lógico, que quando estava nele ficava imaginando como as pessoas que convivem comigo enxergariam aquilo. Uns falariam do perigo, crimes, assaltos. Outros, da total falta de classe. Outros tirariam sarro de estar num meio de transporte tão pobre. Quem realmente importa? Achou fantástico!

Momento terapia

Busco muito minha individualidade, essa busca já me alargou tantas fronteiras que acho que valeu a pena essa necessidade de me diferenciar. Depois de algumas sessões de terapia falando sobre a facilidade com que desfaço meus laços, tenho certeza que esse movimento foi um importante formador de identidade. Agora chega! Estou na fase mantê-los, e que laços bons são os de agora!


terça-feira, outubro 09, 2007

E no meio da bagunça encontrei Calamaro


Acordei semana passada com Media Verónica na cabeça, perdi hora procurando uma coletânea de Andrés Calamaro, acabei achando a coletânea, um show, um álbum e estou escutando isso já faz duas semanas (com uma breve pausa no fim de semana)

Quando estava na Argentina e escutava alguma coisa interessante, tentava criar um paralelo com alguém do Brasil para traçar exemplificar o que estava escutando. Não sei se consigo fazer esse paralelo com Calamaro. Ele é Pop com certeza. Tem uma modernidade a la Skank algumas vezes, tem um certo quê de Arnaldo Antunes. Talvez ele não se considere um pop afinal é colocado no rol dos cantantes de rock argentino. Enfim, tem frases ótimas, tem músicas que tocam muito nas rádios, e é um argentino típico.

O que me prende às suas músicas é realmente esta desconstrução toda que ele se impõe. Não estou falando nada de música, de conceitos, e sim da situações que suas músicas retratam. Os romances são reais, não românticos, mas as reações são fantásticas; as fugas, incríveis; e nesse universo entra o bar (Salud, Copa Rota, Milonga del Marinero), metáforas ótimas sobre relacionamentos (Paloma, Flaca, Negrita). Em algumas músicas o passado volta, seja recordação (Por no olvidar), seja fisicamente (Negrita).

Temos todos os elementos para ser um cantor que beira o brega, o Jota Quest (que eu odeio) já tratou de todos estes temas e ainda consegue vender Fanta, no entanto Calamaro tem um humor raro. Lança pérolas, se mostra com humor, um humor até negro. E o melhor: não consigo me lembrar de uma música que ele não acabe entrando em um processo de auto-análise. Com certeza o cara deve ser um pouco egoísta, afinal, mesmo nas canções que falam de outras pessoas, o narrador toma espaço e se põe de maneira surpreendente.

Esses processos de auto-análise podem ser depressivos (Media Verónica), mas também de uma tranformação engraçadíssima (El Salmón). O legal é que ele tira sarro nos nossos problemas pequeno-burgueses sendo um típico. Suas canções são cosmopolitas como Buenos Aires, e embora seja um porteño padrão, nunca ouvi na sua música qualquer referência ao Rio da Prata, nem tampouco o fato da cidade estar no Rio (balelinha presente em todo mundo), pelo contrário, fala muito de mar!

Um outro fato interessantíssimo é que ele migrou para a Espanha no começo dos 90 e fundou lá uma banda, Los Rodríguez que fez muito sucesso, e depois voltou pra Argentina. Enfim, se aquela história do homem que refaz por si só todo o caminho da sua civilização for verdade, ele está refazendo por si só a história do povo dele (ok, todo turista tende a generalizar, sendo assim, fui a Buenos Aires e só vi Andrés Calamaros por lá!)

Estou numa fase tão cosmopolita, moderna, ao mesmo tempo, sem o “tudo que é sólido se desmancha no ar”. Uma fase consistente, enfim, foi ótimo encontrar Calamaro neste período. Claro que tudo isso não tem nada a ver com São José dos Campos nem com SAP. São Paulo hoje já está melhor que Buenos Aires, pelo menos para mim!

Algumas músicas:


Flaca
Media Verónica
Negrita
Donde Manda, Marinero
Mucho Mejor
Paloma
Mi enfermedad
Por no olvidar
Te quiero igual
Salud


El Salmón





Flaca


segunda-feira, outubro 01, 2007

De quem é essa África??



“Cuando manyés que a tu lado
Se proban la ropa que vas a dejar”


Depois de um período de expansão do crédito, aumento desenfreado nos consumos; depois de meses de uma vida cosmopolita de prazeres. Chegou a hora de um acerto de contas. Ortodoxo, liberal, bem consenso de Washington.

O plano é simples e responde pelo nome de Burkina Faso. O PIB per capita deste país é quase a minha renda mensal. No entanto, antes que minha renda se torne uma renda burquinense, faz com que seja necessário cortes drásticos!

O plano é simples:

Superávit primário;
Manter as dotações orçamentárias do projeto Belezinha-2011;
Diminuição do patrimônio a partir de março de 2008;

A princípio a aplicação do plano se dará pelo acompanhamento das contas e pelo controle solidário dos gastos com diversão. Aluguéis de vídeos e cinemas serão substituídos por dvds emprestados e gravados por Maurice. Livros e revistas serão substituídos por livros comprados não lidos (comecei agora com El Vuelo de la Reina, e seguindo a história do Salazar). Músicas poderão ser baixadas da Internet, já que a banda larga ainda está no plano de investimento. Não serão admitidas viagens de carro para fora do Vale do Paraíba.

O plano requer uma certa dose de calvinismo, mas... agora eu acho que vou conseguir!

segunda-feira, setembro 24, 2007

Perla


La paraguaya!

Eu acho que a Perla é uma injustiçada. Foi uma mulher a frente do seu tempo. Quando ninguém falava de globalização, ela se globalizou. Ela impulsionou a união do cone sul, unido o Paraguai a nós. Cantou Peninha 20 anos antes do Caetano. Cantou para as pobres criancinhas indígenas deficientes muito antes do Manoel Carlos escrever uma novela politicamente correta. Protestou contra o bloqueio americano a Cuba encima de seus patins, pelo direito de bailar la salsa. Lançou tendências, fez World Music, antecipou duas décadas essa tendência ao cabelo liso. A escova japonesa deveria chamar escova paraguaia.

Abaixo, musiquinhas de Perla, numa seleção que vai desde o Pop a música tradicional paraguaia, desde uma toada hippie até um romance mais escancarado!

Estrada do Sol

Tem um refrão fantástico. As batidinhas são perfeitas para uma road trip. Perla sem medo de amar, de assumir seus sentimentos. O mais engraçado que embora ela esteja morrendo de amor, a música é de um otimismo só!

Nuvem Passageira

Perla canta a efemeridade da vida. Pode parecer que eu estou tirando um sarro, mas no fundo eu acho bem interessante o que ela fala. Claro, é brega, com as reduções e os clichês, mas ... (eu sou brega...rs)

Malagueña

Música tradicional. Embora esteja falando de uma região da Espanha, até consigo imaginar paraguaias, harpas e o Rio Paraguai. O mais interessante que até o Pavarotti cantou, mas a Perla cantou antes!

Ah, conheci essa música num programa do Ratinho...rs, o Marquito estava vestido de prenda, e cantava sem dentadura, na hora do refrão (Malaaaagueeeeeeeeeeee (....) eeeeña, la salerosa) ele colocava o microfone inteiro na boca! Eu não consigo lembrar um dia que eu dei tanta risada. Só por esse número ele deveria ganhar uma bolsa-família eterna. Desde que eu descobri o youtube eu procuro esse quadro.

Cuba (quiero bailar la salsa)

Infelizmente não tem no link que eu envio. Essa música me lembra o trajeto Angra-Rio. Essa música tem que ser ouvida imaginando a perla sobre patins!

Não quis pôr nenhuma do ABBA, mas destas, a que eu mais gosto é o Jogo já acabou (The winners takes it all)

http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/linklista.php?nomeplaylist=006326-5%3c@%3eGrandes_Sucessos&opcao=umcd

quinta-feira, setembro 20, 2007

Será a Oscar Freire Wuthering Heights??

Foi uma das afirmações mais estranhas que eu já ouvi. A explicação foi lógica. Mas o mais legal foi que todos na roda lembraram-se da Kate Bush!


segunda-feira, setembro 17, 2007

Eu sou moreno (mas às vezes posso ser do B)


Morenice


Hoje surgiu no meu vocabulário um adjetivo (ou um adjunto adverbial, se quisermos olhar de uma maneira sintática...rs) que mudará para sempre minha percepção de mundo. O adjetivo, ou o que é que ele seja, já existia, mas hoje ele tomou um outro significado.

Ainda contagiado com o Rio de Janeiro, cada vez que via um CIEP lembrava do tal do socialismo-moreno (não sei se a reforma já tirou ou vai tirar este hífen, nem sei se ele existiu algum dia, no entanto me senti incomodado sem ele). Ao ver o sambódromo a lembrança foi maior ainda. Tentando aplacar o tédio de ver a mesma planilha por três semanas consecutivas, comecei a procurar textos sobre o tal socialismo-moreno e quase caí para trás em perceber minha morenice.

Eu nunca fui lá muito dogmático, e se a tentativa de dar uma cor nacional ao movimento socialista deu ao socialismo este adjetivo, roubo-o e o assumo! Sou moreno! Sou moreno em tantas áreas, que além da minha afrodescendência já comprovada pelo quelóide e algumas manchas na gengiva, posso adotar o moreno na religião, na política, na minha visão de trabalho, em muitas posturas que tomo.

A morenice (substantivei o moreno!) para mim passa a ser o oposto de do B, do B é o radicalismo, o dogmatismo que sufoca a morenice. As pessoas passeam entre a morenice e o do Beísmo.

A partir disto posso tomar algumas posições interessantes, em assuntos que havia me excluído por não ter enxergado uma veia morena.

Catolicismo-moreno

Realmente, eu sou um católico moreno (para comparação, o Papa Bento XVI é um católico do B). Nasci católico, toda minha ética é católica, ando um pouco desmistificado, mas acho que ainda estou muito mais católico que ateu. Esse catolicismo-moreno poderia me trazer de volta para o catolicismo, procurando vias menos dogmáticas de se viver o evangelho (“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” Rom 12:2). E aí esse catolicismo que deu ao mundo o individualismo, mas também toda uma gama de culpas e sentimentos bons, poderia se modernizar, se enraizar, e aceitar coisas não tão dogmáticas como essa repulsa ao sexo toda que causa pedofilia, segredos e outras cositas mais.

Workaholic-moreno

Talvez pelo grau de catolicismo-moreno, que cria todos esses antagonismos em relação ao trabalho (“aquele que não trabalha não merece comer” x “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino do céu). Vivo dilemas homéricos no meu trabalho. Ao mesmo tempo que me jogo nele, ele me causa sofrimento e repulsa.

Tirando a religião deste tema. Olho para os lados e vejo preguiçosos e pessoas workaholics do B, eu realmente sou os dois, sou moreno. Tenho a sensação que preciso construir uma nova visão do trabalho, menos traumática, menos dogmática, e essa visão terá que sair pela morenice. Não pode haver extremos para uma pessoa que não é extrema!

Mas também posso ser do B

Ok, morenice é interessante, mas em certos casos devemos ser radicais, e esse radicalismo nos afasta de certas considerações. Em alguns momentos ser do B significa se posicionar.

Social-democrata do B

Sou social-democrata, essa coisa reformista que aceita o capitalismo e tenta equilibrar os dois opostos capital e trabalho. Aceito o capital como mola propulsora e aceito o trabalho como socialização, fonte de realização de desejos. Aceito ambos. Defendo ambos. Sou contra a total liberalização, e sou contra a total estatização! Sou contra a não termos nenhuma regra trabalhista, mas sou totalmente contra o tal do estado-orgânico, corporativista, fascista. E sou a favor desta democracia burguesa, de parlamentos que absolvem senadores encrencados e que vai as urnas de tempos em tempos.

Defensor dos direitos humanos do B

Nem preciso me alongar nisso, acho estranho alguém que não seja defensor dos direitos humanos do B. Coloco aí não só integridade da pessoa, como também garantir suas liberdades de culto, de corpo, de opção sexual.

Fiquei muito curioso em ler mais coisas sobre o tal socialismo moreno. Embora seja um social-democrata, e o socialismo-moreno seja socialista democrático, achei ótima a idéia, deve ter sido linda a eleição do Brizola em 82!

terça-feira, setembro 11, 2007

Via Dutra

Como é difícil tirar o Leblon da pessoa!

Passei o feriado da independência no Rio de Janeiro! Saí da toca e acabei surpreendido pela cidade. Tinha muitos preconceitos que se diluíram ao chegar, talvez pela companhia, talvez pelo dia de sol, talvez por saber que ali era a cidade do Rio e não o Estado do Rio.

O mais engraçado de tudo é que eu, sempre contraditório, com esse espírito pequeno-burguês que surge das minhas profundezas, que ressuscita Jundiaí dentro de mim, caí de amores pelo Leblon! Por mais que eu tente ser Lapa, o Leblon surgiu e me encantou. Ruas com gente caminhando, cerveja na calçada, não é agressivo como o Jardins, não ostenta como o Cambuí. O Leblon é feliz por ser Leblon. Me senti em casa, uma casa meio de sonhos, meio de revista Piauí, feliz na simplicidade, felicidade de artigos da Danuza Leão. Eu e o Leblon nos entendemos, nos gostamos. Eu o entendi, ele me entendeu.

Não acho possível São Paulo ter um Leblon, o espírito paulista flerta com o Leblon, mas falta o tempero que só a praia dá. Infelizmente, eu, paulista inveterado, tenho que admitir que meu ideal de vida hoje se chama Leblon.

Queluz! Queluz!

Ótimo é o Rio de Janeiro, mas é uma emoção diferente entrar no estado de São Paulo. A natureza vai se domesticando, as cidades vão ficando mais discretas, sem expor suas fraquezas para qualquer um que passe na rodovia. O rio Paraíba se aquieta, a Mantiqueira se afasta, as serras indomáveis do Rio de Janeiro dão espaço ao Vale. Nem com a humildade que se confunda com a submissão, nem com a altivez que se misture com a arrogância. Assim vai surgindo o Estado de São Paulo. Cidades pequenas, cidades médias, indústrias, pasto. As cidades vão crescendo, a estrada cada vez mais plana. Parei em São José dos Campos.

Esse pragmatismo todo do paulista, essa lógica diferente, esse conflito mediado, as vezes explosivo; ser paulista é até ser um pouquinho hipócrita, negar alguns acontecimentos para manter-se paulista. Talvez esteja transferindo meu perfil psicológico para meu estado, ou talvez me reconhecendo no dele. Paulista é um adjetivo que me qualifica!

Altas Altitudes

Ok, fiz uma declaração de amor para a praia e para São Paulo, mas adorei a paisagem de Itatiaia! Quero conhecer, ver o Rio Paraíba em novas aventuras, subir a montanha!

quarta-feira, setembro 05, 2007

A quien le importa - 80's

A quien le importa de um jeito que a Thalia nunca sonhou!


Feriadão!

Depois de trabalhar toda semana
Meu sábado não vou desperdiçar
Já fiz o meu programa pra esta noite
E já sei por onde começar

Um bom lugar para encontrar, Copacabana
Pra passear a beira mar, Copacabana
Depois um bar, à meia-luz, Copacabana
Eu esperei por essa noite, uma semana

Um bom jantar, depois dançar, Copacabana
Pra se amar, um só lugar, Copacabana

Esse fim de semana promete!!!....rs


quinta-feira, agosto 30, 2007

A Toga e a Faca


Calma Ministro!

Caramba, achei incrível a capa da Folha hoje, dizendo que o Ministro Ricardo Lewandowsky foi flagrado ao telefone falando que o Supremo Tribunal Federal julgou a abertura do processo do mensalão com a faca no pescoço. Ok, vai saber Deus com quem ele estava falando, mas ele é um ministro do Supremo!

Logo depois dessa frase absurda, o ex-ministro José Dirceu, agora réu, pode colocar em suspeição o seu julgamento, começando novamente aquela ladainha da direita golpista que quer derrubar o governo Lula com o apoio da mídia.

Os ministros do Supremo tem cargo vitalício (bem, não é vitalício, porque com 70 anos eles têm que se aposentar, mas eles têm direito a ficar no cargo até os 70 anos) exatamente para não sofrerem pressão alguma. A indicação é política porque é feita pelo presidente, ratificada pelo Senado (pesos e contrapesos, embora na história do Supremo, só 5 indicações foram recusadas, todas no governo Floriano Peixoto, que se cansou e fechou o Senado e indicou quem ele quis).

Ministro, sinta-se a vontade para julgar, até os 70 anos ninguém lhe tira de lá!

A propósito

Fiquei muito curioso pra saber a composição do STF e as indicações. Dos 11 ministros, 6 foram indicados pelo governo Lula, o que, em tese, lhe dá uma boa vantagem.

O engraçado disso tudo é que geralmente um governo progressista indica ministros progressistas, um governo conservador, indica conservadores. O governo Lula indicou para todos os gostos, até vai indicar o ministro Carlos Alberto Direito, hiper católico (conforme os jornais anunciaram) que se põe contra o aborto, sendo que já havia indicado Carmem Lúcia, a favor. Perde-se mais uma chance de dar um perfil liberal para o Supremo.

Uma casa progressista?

Domingo retrasado o ministro Marco Aurélio de Mello escreveu um artigo fantástico na Folha sobre a união civil homossexual. Não lembro detalhes, mas falava que se o poder público não a reconhece, o dia a dia a reconhece, e as instituições acabam por aceitá-las. Entendi mais ou menos o seguinte, se não tem a lei, existe o fato, e o fato por si só, já pode ser objeto dos tribunais. Aliás, isso tem acontecido bastante.

A composição do STF

Ellen Gracie – Indicação Fernando Henrique Cardoso (2000)
Gilmar Mendes – Indicação Fernando Henrique Cardoso (2002)
Sepúlveda Pertence – Indicação José Sarney (1989)
Celso de Mello – Indicação José Sarney (1989)
Marco Aurélio de Mello – Indicação Fernando Collor de Mello (1990)
Cezar Peluzo – Indicação Lula (2003)
Carlos Britto – Indicação Lula (2003)
Joaquim Barbosa – Indicação Lula (2003)
Eros Grau – Indicação Lula (2004)
Ricardo Lewandowsky – Indicação Lula (2006)
Carmem Lúcia – Indicação Lula (2006)

segunda-feira, agosto 27, 2007

Hoje é dia de Sade!

Chegar em casa, banho tomado, roupão, whisky on the rocks. No plasma, Sade. O que significa isso??

Depois de dias com essa música na cabeça, eis que encontro um clipe no youtube! Ela é mais yuppie que eu pensava. Adorei. Queria tanto ter vivido nesta época!





Yuppie

Olha o que a Wikipedia diz sobre os yuppies:

Yuppies (young urban professionals, or less commonly young upwardly-mobile professionals) is a market segment whose consumers are characterized as self-reliant, financially secure individualists who do not exhibit or aspire to traditional American values Since the late 1980s, the phrase affluent professionals has been used as a synonym, stripped of negative associations with the once-homogenous market

Questão redundante, mas eu acho que foi o Reagan que fez os yuppies, não o contrário. De uma certa maneira, ele livrou-nos da caretice do Nixon, e do bom-mocismo do Carter. Acho que culturalmente, esse tudo-pelo-sucesso foi ótimo! (O resto, bem, o resto...)

Nada mais yuppie do que chegar no escritório, olhar para seus companheiros, inspirar o ar e dizer em tom cínico: Olá perdedores, tudo bem?

Eu preciso falar inglês!

Estou numa fase altamente americanófila, praticamente o mesmo sentimento que tive pela Argentina antes de conhecer. Estou fascinado por um livro (que é de um inglês, mas que fala de um americano), O Americano Tranqüilo. O Grande Gatsby está na lista! Quem sabe agora eu não tomo coragem e aprendo esta língua de uma vez??

sábado, agosto 18, 2007

São José dos Campos, ano III

Um forasteiro com dois anos de casa

No dia 17 de agosto de 2005 mudei-me para São José dos Campos para trabalhar na Cebrace. É incrivelmente estranho pensar que vivo numa cidade há dois anos e que ainda não a considero minha. Tenho uma relação de oposto com SJC, hora a amo, hora a odeio, com grandes períodos de indiferença.

Acho incrível a dialética entre cidade moderna x cidade operária. Adoro o banhado, o entorno, o pôr-do-sol, os parques, a Rua 7 de setembro, Santana, o Rio Paraíba, o Taco Loco e o Petroni. Realmente, talvez o Taco Loco seja o lugar que eu me sinta melhor em São José dos Campos depois do meu apartamento. Tenho uma intolerância crescente com a Avenida Andrômeda, o Aquários e tudo que eles representam, o elitismo pobre, cafona, caipira, uma massa reacionária, sua gente e seus automóveis, suas baladas que bombam quando são universitárias e tocam pop-rock nacional.

Estes dois anos de São José foram determinantes para explicar minha total má vontade com Jota Quest e bandas do tal pop-rock nacional!

Por outro lado, caminhar no banhado, pelo centro, traz São José dos Campos de volta ao mundo das cidades, com gente de tudo quanto é jeito, uma contradição, lojas ricas, lojas pobres. Dá até pra tomar uma cerveja caminhando por lá! Acho uma experiência incrível ir à cidade em dia de sábado. São José dos Campos tem um biblioteca linda que a juventude dourada joseense (dourada para os padrões joseenses, proletária para os padrões campineiros) nunca vai ver!

Estou transferindo meu título de eleitor pra cá, quero fazer parte um pouco mais desta cidade.

Existe maioria ou minoria silenciosa

Acho engraçado acompanhar a repercussão do Cansei pela internet. Existe uma má vontade tremenda com este movimento e até entendo as causas. Pela primeira vez na história deste país pessoas que nunca reclamaram de nada estão reclamando de alguma coisa. Pode até ser que neste ponto o Lula seja original, afinal representantes da famigerada elite, que ninguém sabe o que é, foram para as ruas e se cansaram de algumas coisas muito difusas, motivadas pela inoperância do governo em relação à crise aérea (onze meses entre duas tragédias e total inoperância do ministro Waldir Pires que era mantido no cargo por considerações pessoais ou por não ter quem pôr no seu lugar). Reclamar da crise aérea já é por si só um ato de elite, mas reverberado pela televisão, deu um ar de que o país estava parado.

Todos os artigos que leio nos jornais, indicam que são poucas estas pessoas, não reuniram nem 3000 pessoas no seu ato principal na praça da Sé. Tive a oportunidade de ver uma manifestação do Cansei na Paulista e realmente foi desolador de pelas poucas pessoas. No entanto, todo mundo com quem eu convivo (tirando meus amigos paulistanos) está completamente de acordo com o movimento, e são até mais radicais; para mim, apresentam uma intolerância completa com o presidente Lula e o PT. Aí reside minha dúvida, não somos lá um povo do protesto, somos o povo da boquinha, que se contenta com a bolsa-família, com a fraude no imposto de renda, com furar a fila. Será que estas poucas pessoas que se cansaram não representam uma grande massa de pessoas? Será que isso tudo não vai aumentar um conflito rico x pobre, norte x sul, que tanto o movimento sugere, como o presidente estimula?

Não tenho admiração nenhuma pelo movimento, falta-lhe foco. No entanto, cada país tem o Chavez que merece e a Fedecamaras que merece também. Oxalá os nossos não se radicalizem. Não acho que podemos virar Venezuela, mas existem tão poucos políticos nossos voltados que defenderiam nossa jovem democracia... (exceto o FHC, e aí você podem me criticar, mas eu acredito nisso sim!)

Surrealidade de sábado de manhã

Manchete no UOL

“Fiéis fazem "dança do siri" para evitar imagens de casal da Renascer”

Imagine a cena, um monte de evangélicos, à la bispa Sônia, fazendo a dança do siri, somente para a Rede Globo não os filmarem. Lembrei-me dos crentes do Borat!

quarta-feira, agosto 15, 2007

Jacareí, Senegal



Body Heat

Que calor faz nesta cidade! Dentro e fora da sala. Como em Corpos Ardentes, o calor influencia: discussões acaloradas, egos a flor da pele. Primeira etapa do projeto entregue, pressões para todos, preguiça incrustada, comportamento condicionado pelo café, pelo cigarrinho e pelas notícias do uol.

Cheiro de humanidade na sala. Auge do calor. Três e meia da tarde chega a hora da reunião marcada fora da fábrica. Comemoração do nada. Fomos todos jogar boliche. Cerveja, cigarros, conversas. Os de fora flertando, os mais velhos se defendendo, os competitivos competindo e os low profile de bicho. Tarde deliciosa

Labirinto

Acho que a sensação de calor aumenta em Jacareí pelo fato de ser uma cidade confusa. Cidade de vale, plana, o Paraíba serpenteia cortando toda a cidade, as ruas são uma confusão. Trânsito, multidão, todas as ruas são estreitas e contramão. A temperatura sobe. Fumaça de fábrica e de caminhão. Que calor!

INXS

A trilha sonora para calor é INXS. É o calor ideal, sexy, calor do Recife.

Eu nunca vou ser gerente!

Incrível. Ganhei um estagiário para me ajudar num trabalho. Trabalho pontual. Não consigo trabalhar com outra pessoa! Acabei aprendendo com ele umas funções de SQL e agora estou fazendo pesquisas em querys por mim mesmo.

Adoro ser peão, trabalhar todas as etapas do meu raciocínio. Delegar o que eu não sei, ou o que é rotina. Gosto de pensar, pensar do meu jeito, confuso. Até explicar o que eu estou pensando, já resolvi!

7 de setembro

Roteiro: sair de São José dos Campos e ir ao Rio de Janeiro pela praia. Parando em Paraty. To precisando de estrada e uma boa trilha sonora!


segunda-feira, agosto 13, 2007

5+ Livros

Copiando idéias.

Tava fuçando no blog do Fernando e achei a idéia irresistível. Listar os 5 livros que mais me marcaram, na verdade nem vou pôr os que eu mais gostei, mas sim os 5 que tiveram alguma influência sobre mim:

Gente como a Gente (Ordinary People) – Judtih Guest

O livro conta a história de Conrad, que velejando junto com o irmão mais velho sofre um acidente que acaba causando a morte de seu irmão. Após um conflito interno ele tenta o suicídio. Depois da recuperação, volta para a casa onde enfrenta um conflito com sua mãe que é magnificamente contado através de passagens inesquecíveis. No fim, o livro cobre todo o processo de terapia de Conrad, onde este trata a questão da culpa, do sentimento de inferioridade em relação ao irmão morto. Crescer é transformar-se, abandonar alguns preceitos. Acho que o livro é sobre crescer.

Se eu pudesse dar uma trilha sonora para o livro seria Simon & Garfunkel. Acho o livro paradigmático, um tiro no peito da família a la Anos Incríveis que habitava a minha fantasia da família norte-americana. Sem contar que eu o li na minha transição Colégio-Unicamp.

Quarup – Antônio Callado

Também considero um livro sobre transformação, crescimento. Um jovem seminarista, amigo de um casal que se envolve na luta armada, se transcende no amigo revolucionário. Em alguns momentos se tem a sensação que esta transcendência se dá na própria imagem do Cristo. Nesta revolução interna experimenta um mundo em transformação. É fantástica a aproximação com o sexo e com o amor, que também não deixa de ser uma experiência transcendental.

Embora não o tenha lido muitas vezes como os outros, para mim, foi um dos mais prazerosos. É incrível como a gente acaba se influenciando por essas histórias. Até hoje, ainda lembro situações deste livro. Talvez foi a melhor influência de um grande amigo que eu tive na faculdade.

Suave é a noite (Tender is the night) – F. Scott Fitzgerald

Um jovem médico psiquiatra se casa com uma milionária doente, tendo como cenário a Riviera Francesa. Que imagem dos anos 20! Um savoir-vivre fantátisco. As aventuras destes exilados americanos milionários numa Europa sem tanto pudor. O mais incrível é que Dick Diver após uma experiência de bon vivant acaba retornando a seus valores ancestrais, de jovem pobre filho de pastor. Acho o envelhecimento deste personagem meio dialético, talvez ele prenunciasse o final da Era do Jazz, a grande depressão.

Tem uma passagem que eu sempre lembro. Dick afirma que mais vale uma camisa meio suja que mal passada. Lembro sempre disso porque minhas camisas são limpas, mas são muito mal passadas. Foi o primeiro livro da temporada joseense.

O Primo Basílio – Eça de Queirós

Fantástico. Que livro interessante. Um ótimo retrato de uma burguesia que embora distante habita em mim. Acho feminista na medida que mostra o quão perigoso é essa atmosfera idiotizante em que puseram Luisa. Não acho esse livro pessimista. Basílios e Jorges sempre haverá, infelizmente Luisas voltaram a ser de moda... Por fim, acho fantástico o desgaste de Luisa, o sofrimento de Jorge. E como toda aquela sociedade, que embora parecesse sólida, era permeável aos seus próprios valores.

Poucos povos experimentaram o regicidio, Portugal foi um deles. Acho que se pegarmos Os Maias, O Primo Basílio e A Relíquia; dá pra entender o fim trágico da monarquia portuguesa.

Vidas Secas – Graciliano Ramos

Não me lembro de outro livro em que eu chorei. Chorei com a morte da cachorrinha Baleia. Chorei com a pobreza.

Que história fascinante, arrepio-me de lembrar. Todo mundo tem que ler este livro. Traz em si uma angústia, uma depressão. Um retrato de uma pobreza que embora não seja nossa vizinha, é real, acontece, e sabemos que acontece. Parece um encontro com alguns valores, sem ser moralista. Graças a esse livro, acabei lendo Graciliano Ramos de batelada.


OBS.

1 – Só pus ficção. Acho que a beleza das grandes sabedorias está nas metáforas.

2 – De maneira nenhuma sou anti-americanista. F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway me deixaram com muita vontade de conhecer os Estados Unidos. Por eles, construí uma ilusão fantástica deste país, que deve ser tão contraditório como o nosso, mas com um senso de modernidade que me fascina.
3 – Bons tempos o do vestibular. Foi a época que mais li, e mais me impressionei com literatura.

terça-feira, agosto 07, 2007

À Heleninha

Camões! Afasta de mim este cálice!



Transforma-se o amador na coisa amada
Em virtude do muito imaginar
Não tenho logo mais o que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada