quarta-feira, março 26, 2008
Mudanças ao som de tango
Vida Mia
(Emílio e Osvaldo Fresedo - 1934)
Siempre igual es el camino
que ilumina y dora el sol...
Si parece que el destino
más lo alarga
para mi dolor.
Y este verde suelo,
donde crece el cardo
lejos toca el cielo
cerca de mi amor...
Y de cuando en cuando un nido
para que lo envidie yo.
Vida mia,
lejos más te quiero.
Vida mia,
piensa en mi regreso.
Sé que el oro
no tendrá tus besos,
y es por eso que te quiero más.
Vida mia,
hasta apuro el aliento
acercando el momento
de acariciar
felicidad.
Sos mi vida
y quisiera llevarte
a mi lado prendida
y así ahogar
mi soledad.
Ya parece que la huella
va perdiendo su color
y saliendo las estrellas
dan al cielo
todo su esplendor.
Y de poco a poco
luces que titilan
dan severo tono
mientras huye el sol.
De esas luces que yo veo
ella una la encendió
Tango
Adoro tango, acho que tem decadência, soberba, sedução, é combativo, nostálgico, marcado. Combina comigo, consigo trabalhar escutando tango. Assim como o espanhol me dá a sensação de ser mais preciso, o tango me dá a sensação de ser lógico, lógico mesmo na mais completa falta de razão.
terça-feira, março 25, 2008
Inconsciente musical - Normalista
A Normalista
Vestida de azul e branco
Trazendo um sorriso franco
Num rostinho encantador
Minha linda normalista
Rapidamente conquista
Meu coração sem amor
Eu que trazia fechado
Dentro do peito guardado
Meu coração sofredor
Estou bastante inclinado
A entregá-lo aos cuidados
Daquele brotinho em flor
Mas a normalista linda
Não pode casar ainda
Só depois que se formar
Eu estou apaixonado
O pai da moça é zangado
E o remédio é esperar
domingo, março 23, 2008
Desempregado, mas feliz!
A correção do rumo foi acertada, passo meus dias estudando pra concurso e para o mestrado em economia. Claro que eu preciso comer e viver, engraçado que tenho uma fé que vou resolver isso rápido, bem se até maio não resolver aí vou me preocupar mais. Do mais, acordo, fuço algumas vagas no catho, estudo, almoço, leio; por enquanto tudo sob controle (com uma ansiedade aumentando a cada dia mas até nisso o tempo é bom, me permite encontrar terapias alternativas a ela!).
A grande meta agora é assistir uma gravação do Viola minha Viola, infelizmente, a parte triste do desemprego é que não vou poder ver o Charles Aznavour... R$ 200,00 por um momento melancólico em francês é muito caro, consigo andar 100 vezes de trem com essa grana!
sexta-feira, março 07, 2008
A minha minissérie
terça-feira, fevereiro 19, 2008
18/02
“E o tempo se rói
com inveja de mim,
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver”
Provavelmente é culpa do inferno astral, que no meu caso, para todo o sempre, é acompanhado de quaresma. Essa necessidade de renascer está tão enraizada em mim que me chamo Renato. É uma cena clássica: a necessidade de revolução. Adoro essa minha capacidade de me reinventar a cada instante, romantizo esta capacidade; algumas vezes que acho que ela me levará a ruína. Mas existe uma intuição tão grande que nessas minhas viradas eu me revelo, me descubro.
O ciclo São José dos Campos está no fim. Foram três anos para provar que me bastava e cheguei à conclusão que preciso muito das pessoas. Nunca estive tão perto de um modelo de vida que sempre busquei. Os anos joseenses modificaram o modelo. Que 2009 chegue logo para que essa reinvenção se concretize.
Qual é o plano? Bem, existem alguns esboços. O que mais me agrada é estudar economia. Corrigir uma dívida que ainda tenho do período Unicamp. O plano B é trabalhar, mas trabalhar com um foco menos culposo e mais doloso. Estou sentindo falta de proximidade e São José dos Campos só conhece distância!
Vacaciones
Dia 5 de maio saio de férias. Esta longe, eu sei. Mas o simples fato de saber que estarei de férias me tranqüilizou. A possibilidade de fazer planos, de sonhá-los, diminuiu a ansiedade. Afinal, os piscianos precisam sonhar, e eu resolvi sonhar um pouco com Lima. Estou morrendo de vontade de conhecer o Peru, de comer ceviche, de pisco sauer e conhecer o Oceano Pacífico. Engraçado que o ir sozinho que sempre foi uma bandeira minha, hoje é a maior dúvida. Queria tanto ir acompanhado!
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Aznavour
Nunca prestei muita atenção nessa música, mas um dia mais atento percebi que era sobre um travesti. Uma música de 1972 retratando a vida de um travesti, tem algumas passagens meio Sabrina, mas não deixa de ser fantático. Enfim, meu único problema é que quando ouço imagino o próprio Aznavour costurando à máquina enquanto a mãe dele dorme... imagem meio melancólica...
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Um tempo novo de mudanças vem surgindo III
Obama!
É fantástico acompanhar as eleições nos Estados Unidos. A complexidade do país, que todos esses bolivarianos tontinhos tentam esconder atrás de palavras de ordem, ressuscita a cada primária. Embora movida por uma grana colossal, todo o processo de primária não deixa de ser um rito democrático fantástico (ouvi dizer que as convenções eram até os anos 50 praticamente um encontro de gângster, mas mesmo assim). Aos poucos as candidaturas tomam corpo e quando começar a campanha, todo mundo já fez campanha!
Tenho a impressão que onda dos born again diminuiu. Acho que talvez o governo Bush foi o ápice desta influência. Quando vejo McCain, Clinton e Obama, dá a impressão que os norte-americanos estão com aquela sensação de exagerei. Será que não é uma nova onda que está surgindo? Assim como Reagan pôs abaixo a recessão, o derrrotismo, criando uma era de yuppies. Talvez o próximo presidente possa dar impulso a uma nova relação dos Estados Unidos com o mundo e com eles próprios.
Nesse ponto, se fosse norte-americano, estaria de bandeira na mão fazendo campanha para o Senador Barack Obama. A capacidade de mobilização dele é de dar inveja, gostaria de ver discursos, ouvi-lo falar. Pelo que se lê nos jornais, parece ser uma pessoa cativante. Acredito que consiga superar certas feridas como a questão do racismo, da mulher, unificando o país para o fim da guerra.
O mais bonito da campanha é como ela está crescendo, mobilizando, fazendo a pessoas saírem de casa. Estava pensando. Depois de Kennedy, os democratas só voltaram à Casa Branca por inércia, Johnson por causa de Kennedy, Carter para varrer o que sobrara do governo Nixon, Clinton, como um refluxo do governo Bush. Talvez dos três candidatos, Hilary, Obama e McCain, somente Hilary esteja enraizada no status quo, acho que se essa onda de mudança prevalecer, será a mais prejudicada. Se eu pudesse escolher, seria Obama.
terça-feira, janeiro 22, 2008
Reflexões num dia que acabou com Roberta Miranda e Whisky!
Como eu cresci ouvindo muitas músicas recheadas de clichês, aprendi a gostar delas, talvez me interesse mais os argumentos do que a forma com que foram escritas. As canções exageradas, que geralmente são cheias de clichês me consolam por osmose. Meu sofrimento que é menor do que o destas canções permite que haja o transporte do menos denso para o mais. É batata, começa algum desespero e lá estou eu lembrando de músicas absurdas, com situações absurdas, exageradas, cheias de lugares comuns.
Como as coisas com o meu trabalho se agravando e chegando perto de uma solução final. Hoje, ao sair apressado da fábrica, acabei cantando uma música da Roberta Miranda. Trágica, absurda, e cantei de uma maneira tão ridícula (com todos os femininos, já que não dava pra masculinizar a canção) que fiquei até com vergonha do guarda da portaria.
http://app.uol.com.br/radiouol/index.php?param1=mail&codmusica=000316-5_02
A tragédia e o melodrama
Bem, uma vez li que a diferença entre a tragédia e o melodrama é que a tragédia nos põe frente a um ponto onde temos que fazer escolhas, enquanto o melodrama nos induz a um único caminho. Acho que todas as canções exageradas não dão aos seus intérpretes muitas escolhas
A via Jorge Drexler
A primeira vez que imaginei uma opção de amor, na música, que fugisse do melodrama foi com Jorge Drexler. Acho fantástico que ele cante o amor de uma maneira tão tranqüila, não se encaixa de maneira nenhuma no trágico. Engraçado que no momento em que mais me aproximei de Jorge Drexler foi no momento que pude escolher entre o melodrama e a tragédia, e aceitei a tragédia e a escolha que ela me trouxe.
A redenção por Truffaut
Depois de Beijos Roubados, pude perceber que é possível levar meus momentos extremos e desencontrados de uma maneira bem mais Antoine Doinel. Incrível, descobri um mundo de situações, de aproximações, e acho que andei uns bons três anos na minha terapia. Acho que a via brega se deu mais por falta de histórico do que por uma tendência... Mas que eu ainda canto muita coisa brega, ah, canto...
Vá com Deus
(Roberta Miranda)
A Cada Dia Que Se Passa
Mais Distante
Um Rosto Tão Bonito Se Perdeu
Na Indiferença
É Pena Que Este Amor
Não Teve Consciência
Dos Sonhos Que Sonhamos Em Segredo
Vá Com Deus
Se O Amor Ainda Está Aqui
Vá Com Deus
E Tente Sorrir Por Mim
Amor Meu
Se O Destino Está Traçado
Pra Vivermos Lado A Lado
Vá Com Deus
Despi Minh'alma Ao Deitar
Nos Braços De Nós Dois
Pra Ser Um Só
Você Nada Entendia
Que Tudo Te Esperava
Nas Horas Mais Sublimes
Do Meu Eu
Vá Com Deus
Se O Amor Ainda Está Aqui
Vá Com Deus
E Tente Sorrir Por Mim......
terça-feira, janeiro 15, 2008
Sic transit gloria mundi
Acordei e estava enrugado. Ontem quando deitei a ruga não existia e hoje no espelho ela estava lá. Não sei se é algum sinal, mas ela está aqui comigo; me acompanhou por todo o dia e acredito que não me deixará jamais. Nasce do meio do meu nariz e vai até o canto esquerdo da minha boca. É um traço bem fininho, a princípio achei que havia me arranhado durante o sono, mas é ruga.
Achei um sinal meu que não quero. Não ligo para o nariz grande, nem para barriga de nenê. Aprendi a gostar do meu corpo e a ruga não faz parte dele. Não é uma negação da minha idade, onde já se viu aos 27 anos ter uma ruga? É como se a ruga fosse um anúncio de infarte, colesterol, triglicerídeos, pressão alta.
Cheguei ao trabalho e comprei um Chronos. Em cinco dias úteis esta ruga vai será combatida. Servirá de exemplo às outras para que esperem a hora.
A Farewell to cars
No final deste mês encerra-se minha aventura automobilística. Ter um carro foi como um passaporte para a idade adulta. Aprendi a dirigir, a estacionar, a xingar no trânsito. Melhorei meus reflexos, aumentei minha atenção. Foi quase uma afirmação pessoal, uma resposta ao lado mais jundiaiense do meu ser que eu estava pronto. No entanto, vieram as dívidas, o comprometimento com o carro, a renúncia por algumas alegrias para mantê-lo.
Num segundo momento, veio a insegurança. Nada poderia mudar na minha vida por mais um ano e meio para que eu conseguisse pagá-lo. E quanto a aprender francês? E o inglês? E um bar durante a semana? E a alegria de um cafezinho fora de hora e de planilha?
O ponto central aqui é grana. Os acessórios vieram rápido, mostrando que não eram tão acessórios assim. Então a partir de fevereiro volto a fazer francês, pretendo voltar ao inglês e tomar mais Jack lemmonades, quero ver um show do Cauby, ler mais antes de ir ao trabalho, entender um pouco mais de economia, enfim, não vou mais romantizar entorno da perda do carro.
A propósito, agora sou um feliz proprietário de um Bilhete Único e um Cartão Fidelidade do Metrô. Para ir a Higienópolis não vou mais precisar do Renatomóvel!
L'amour en fuite
Alain Souchon
Caresses photographiées sur ma peau sensible.
On peut tout jeter les instants, les photos, c'est libre.
Y a toujours le papier collant transparent
Pour remettre au carré tous ces tourments.
On était belle image, les amoureux fortiches.
On a monté le ménage, le bonheur à deux je t'en fiche.
Vite fait les morceaux de verre qui coupent et ça saigne.
La v'là sur le carrelage, la porcelaine.
{Refrain:}
Nous, nous, on a pas tenu le coup.
Bou, bou, ça coule sur ta joue.
On se quitte et y a rien qu'on explique
C'est l'amour en fuite,L'amour en fuite.
J'ai dormi, un enfant est venu dans la dentelle.
Partir, revenir, bouger, c'est le jeu des hirondelles.
A peine installé, je quitte le deux-pièces cuisine.
On peut s'appeler Colette, Antoine ou Sabine.
Toute ma vie, c'est courir après des choses qui se sauvent :
Des jeunes filles parfumées, des bouquets de pleurs, des roses.
Ma mère aussi mettait derrière son oreille
Une goutte de quelque chose qui sentait pareil.
quinta-feira, dezembro 27, 2007
O preço da liberdade é a eterna vigilância II

Eu acho realmente incrível como um incidente pode criar tanta repercussão e por em risco todo um sistema constituído. O assassinato de Benazir Bhutto põe em xeque toda a idéia que existiria um meio-termo entre a ditadura e o talebã. Acredito que as posições se radicalizarão e o Paquistão vai entrar em guerra civil.
Antes de mais nada, estou chegando cada vez mais a conclusão que política não é um preceito moral e ético, é uma práxis. Deve ser estudada com a análise da Sociologia, de maneira nenhuma como o Direito. O sistema político de um povo está ligado à sua história, sua estrutura de poder, a imagem que esse povo faz de si, nunca através de axiomas e doutrinas. É horrível admitir isso, mas toda vez que se quer criar um sistema político através de doutrinas corre-se o risco de criar uma situação insustentável e artificial.
Pensando desta forma, então não existiria uma forma acabada de democracia, ela é fruto de várias dinâmicas internas dos Estados-Nação, mas também é um elemento econômico e cultural. No entanto, não temos Estados-Nação independentes, e sim interdependentes, e, querendo ou não, o capitalismo é global, o que acaba criando alguns preceitos de organização do estado igualmente globais, mas que sempre estará em choque com os aspectos culturais e sociais locais (poria aqui também aspectos econômicos locais, embora a economia seja global, possui uma parcela local).
Dentro deste contexto, qual seria o regime político paquistanês? Bem, um regime talebã só poderia ser construído se o Paquistão não estivesse inserido no mundo, como era o Afeganistão. Uma ditadura pró-ocidente, garantiria essa inserção no mundo, mas seria corroída pelo extremismo talebã. Não consigo pensar em outra solução do que o pronto estabelecimento de instituições democráticas (parlamento, suprema-corte, governos locais) como freio para a escalada radical no Paquistão. Só assim, se poderia envolver a população num projeto de Estado que superasse os aspectos tribais e rompesse com o radicalismo religioso.
Talvez seja uma mentalidade de classe média, mas fico imaginando o que pensa um operário do subúrbio de Karachi ou Islamabad. Não consigo imaginar um sujeito assim apoiando uma guerrilha talebã, ao mesmo tempo, as ligações dele com o ocidente não permitiriam a ele simplesmente apoiar um regime militar.
Podemos lembrar sempre que Benazir Bhutto teve graves problemas de corrupção no seu governo, que não conseguiu terminar nenhum mandato, no entanto, só a idéia de alguém que queria trazer a normalidade das instituições (num país que nunca teve normalidade) já me faz ser simpático a ela. Sem contar que é uma mulher num país em rota de radicalização.
terça-feira, dezembro 25, 2007
Urbi et Orbi

Um Natal nouvelle vague
Eu realmente me descobri assistindo Truffaut, agora que estou lendo, comecei a perceber coisas que antes não percebia. A realidade tem um poder de entretenimento fantástico, se tratada com simplicidade, pode demonstrar toda a complexidade inerente. Enfim, sou um homem diferente depois que conheci Antoine Doinel. Sem contar que o francês cada dia mais me cativa, nestas mini-férias estou dedicado ao Petit Nicolas que não deixa de ser uma criança nouvelle vague (com tudo que possa significar isso, mesmo que tenha significado algum).
quarta-feira, dezembro 12, 2007
O preço da liberdade é a eterna vigilância
Estou achando ótimo como as coisas mudaram no Senado a partir da constatação de que o governo não é maioria. Já tinha pensado em escrever aqui sobre a obstrução como prática parlamentar da minoria, sobre a necessidade do bloco de oposição de fazer obstrução para atrasar a votação da CPMF.
Embora a obstrução possa nos parecer estranha, uma vez que eles estão lá para votar, é uma medida de defesa ao rolo compressor do governo. As obstruções que a oposição fez em meados de novembro deram ao parlamento um ar de parlamento inglês. Não era uma obstrução escondida, era declarada, com propósito. Pode-se concordar ou não no propósito, mas era de fato legítima.
No entanto, faz duas semanas que a maioria está usando a obstrução como prática parlamentar. O governo não consegue os 49 votos suficientes para aprovar a CPMF e retira do Senado seus senadores. A maioria entrou em obstrução! Dêem o título de líder da maioria para o Senador Agripino Maia. A Senadora Ideli Salvatti, não pode mais assumir a liderança da maioria, quem faz obstrução é a minoria!
Frase do Senador Mário Couto (PSDB/PA) no blog do Josias de Souza: “Nunca vi na minha vida um governo fazer obstrução contra um projeto dele próprio. Senadores mais antigos me disseram que a última vez que o governo fez obstrução no Brasil foi na época do João Goulart’
Para quem se pretende uma mescla de Vargas e Juscelino, se comporta no congresso como Goulart. O governo errou tanto, que se ganhar agora, a fatura vai ser exposta de qualquer maneira. Atacou quem não devia, seduziu quem não era seduzível, praticou um maquiavelismo para dividir a oposição e fez água. A cooptação ficou igual ao programa Fome Zero, deu em nada!
Oxalá que percam!
segunda-feira, novembro 26, 2007
Um bom ano

Acho incrível como certas músicas, certos filmes, certos livros entram na nossa vida no momento certo. As vezes, passado esse momento, olhando-os novamente percebemos que o impacto foi devido principalmente a circunstâncias internas do que ao filme, ao livro, à música. A maior prova disso talvez seja Os Sonhadores, que quando vi causou um turbilhão tão grande que me fez remoer o filme por meses, e que quando o assisti novamente percebi que fui eu que fiz o filme melhor. Piazzolla, Bizarre Love Triangle, This side of Paradise, As Horas e Blur tiveram sorte melhor, a segunda leitura, ou ouvida (que termo feio) provocou novas e melhores sensações.
Se a arte nos ajuda a enfrentar nossos medos (adoro clichês psicanalistas, embora Marcuse destruiu um pouquinho a minha ilusão de clássicos), acho que Um Ano Bom deu a calma necessária após o adiamento do projeto e a perspectiva de uma boa semana de férias entre Natal e Ano Novo. Realmente não estava num dia bom: pouco produtivo, preguiçoso, irritadiço. Por sorte tomei a decisão de buscar um filme na locadora.
Gosto de filmes bonitos. E como o filme é bonito! Imagens bonitas, calor empoeirado, contraste entre a cidade e o campo. Felicidades simples, individuais e individualizadas (como uma felicidade burguesa). Que vontade de beber vinho! De abrir uma garrafa de vinho, de olhar pela janela, de sentar numa cadeira, que vontade de terminar de ler meu Grande Gatsby. Acho que me lembrei da necessidade de férias, de objetivos.
A trilha sonora é perfeita, achei um filme tão bem cuidado, tão bem feito, sem pirotecnias, um filme bom, simples. Nem todas as coisas boas precisam ser rebuscadas. Imediatamente lembrei-me de A cidade e as serras. As simplificações que são feitas tanto da cidade como do campo é que permitem esse confronto todo, as simplificações talvez tenham o efeito do tipo-ideal, realçam, reforçam a característica.
Adorei o filme, embora seja um filme do ano passado, foi um dos melhores filmes que vi este ano.
terça-feira, novembro 06, 2007
Que papelão!
Vien voir les commediensVoir les musiciens
Voir les magiciens
Qui arrivent, vien!
Eu estou indignado com o PSDB. Embora seja até parte do folclore do partido essa indecisão toda, essas idas e vindas em torno da CPMF só fizeram o partido perder pontos comigo. Talvez seja um certo egocentrismo meu, mas me considero como uma pessoa representativa, pelo menos tenho a sensação que minhas opiniões políticas são provadas nas urnas, embora cada vez acerte menos.
Mas vamos usar um pouco de lógica. Num primeiro momento o partido se lançou como um partido oposicionista. Fechou questão na câmara com uma unidade que não se via há muito tempo. Os ânimos se acirram e a derrota do governo parece certa, ainda mais com os reflexos da crise no Senado. O PSDB acena ao governo em busca de um acordo.
Aí vem o desenlace mais absurdo. O governo aceita o aceno, vem ao PSDB e deseja negociar. Nesse ponto, o PSDB caiu na armadilha. Se tivesse se posicionado contra desde o início, seria acusado pelo governo de inconseqüente, poderia retrucar lembrando o PT do passado e que não apoiaria o governo. No entanto o governo se mobilizou e mostrou uma proposta. A cúpula não sentiu que o partido estava totalmente contra e simplesmente quis negociar pondo em risco a unidade do partido. Quando viu, teve que sair da negociação com o governo fazendo ótimas concessões. Agora sim vai ser acusado de inconseqüente, e com razão!
Enquanto Ideli dorme, Aloízio repensa sua vida...
Eu estou impressionado com Aloízio Mercadante. Depois do papelão da campanha para governador e da absolvição do Renan, acho que a ficha caiu. Adorei sua campanha a favor da licença e agora na negociação da CPMF. Para quem viu em 2001 uma palestra com um economista raivoso contra o governo FHC, falando de herança maldita e tudo, para depois o defender as mesmas políticas como líder do governo, essas ações demonstram que alguém perdeu o sono e começou a repensar sua vida. Já a Ideli...
domingo, novembro 04, 2007
Finados Chove!
Este feriado seria um feriado bucólico: road trip, Serra da Mantiqueira, trilha sonora no carro, celular sem sinal, cachoeiras, banho de cachoeira, sol para se esquentar, oxalá uma pousadinha, café da manhã colonial, Folha de São Paulo e baterias repostas. Eis que um agouro tomou conta do feriado. Dia de finados chove! E para todo mundo que o plano era posto, a sentença era fatal. E Choveu!
Saudades matadas, martinis, conversas e muita chuva. Planos adiados. Nenhuma perspectiva de sol aberto. Claro que houve um pequeno espaço para a decepção, afinal era feriado! A busca do programa perfeito me levou a lugares incríveis, situações paradigmáticas. Mais uma vez a convivência foi marcada por fenômenos beirando ao surrealismo.
No entanto, no domingo a tarde, deitado no colchão da sala, o meu subsolo revolucionário foi tomado de assalto pela minha pequena-burguesia. Colchão na sala em um dia de chuva, televisão, conversa e carinhos podem resumir qualquer busca de um feriado. Como se a resposta de todas as viagens estivesse ali naquele colchão, e aquele colchão poderia estar em Paraibuna, Ulan Bator ou Praia. Que chova nos finados! Minha casa burguesa precisa de companhia e um colchão. Álcool e Cigarros são bem-vindos.
That Old Feeling
(Lew Brown/Summy Fain – voz de Chet Baker)
I saw you last night and got that old feeling
When you came in sight I got that old feeling
The moment that you danced by I felt thrill
And when you caught my eye, my heart stood still
Once again I seem to feel that old yearning
And I knew the spark of love was still burning
There’ll be no new romance for me,
It’s useless to start
‘Cause that old feeling still in my heart
quarta-feira, outubro 31, 2007
domingo, outubro 28, 2007
Globalização Periférica

Enfim, cheguei em casa e coloquei o tal do Calypso para tocar enquanto eu estendia a roupa no varal, eis que me veio uma prova através da comparação. O fenômeno Calypso já aconteceu na Argentina, com igual intensidade e utilizou de alguns sons locais com letras melosas para se infiltrar no país todo. Por fim, se tornou um fenômeno de massa, abriu caminho para outros e causou uma dialética interessante: rock argentino x cumbias e quartetos (tropicales). O mais interessante é que tanto Rodrigo na Argentina, como o Calypso aqui, lembram sempre que são de fora, de fora do centro do país. Talvez essa identificação com outros que estão fora do centro ajude na sua massificação, talvez...
Dançando Calypso
Não para não
Vem cá
Me dá a tua mão.
Quero que sinta
Toda essa emoção.
Cavalo manco
Agora eu vou te ensinar
Isso e muito mais
Você só vai encontrar
No Pará (aaaaaaaáaaa)
Soy Cordobés
Soy cordobés!
Me gusta el vino y la joda
Y la tomo sin soda
Porque así pega más
(pega más, pega más)
Soy cordobés!
Me gustan los bailes
Y me sinto en el aire
Si tengo que cantar
De la ciudad de las mujeres más lindas
Del fernet de la birra,
Madrugadas sin par
Soy Cordobés!
Y ando sin documentos
Porque llevo el acento
De Córdoba Capital (eles falam Cordóba! Eu juro!)
Enfim, acho que dá começar a fazer um paralelo.
P.S. A propósito, Calypso é horrível, é um chicletes de ouvido, como ela só fala clichê você guarda rápido, no entanto os temas são péssimos e a voz dela, pior. Agora estou escutando uma música que nunca imaginei que alguém fizesse: maridos e esposas (sic)
quinta-feira, outubro 25, 2007
Radical Intransigente??

Mas não me altere o samba tanto assim
Eu e a CPMF
Nos poucos momentos que posso, entro na Internet rapidinho para olhar em que pé anda a negociação da CPMF no Senado. É engraçado isso, embora realmente acredite que hoje o imposto é imprescindível, é notável o mau-humor com que eu vejo a negociação do PSDB com a proposta.
É uma questão de coerência torcer por uma derrota do governo nesta questão. Pra quem votou em 1998 e 2002 ainda sobre o impacto do discurso do Fernando Henrique em sua despedida ao Senado, que propunha a superação da era Vargas, a modernização do Estado, traçava um paralelo entre o público e o estatal, incentivava a responsabilidade fiscal e da sociedade civil e a desestatização como motor de um choque capitalista; nada mais comum do que se opor a um governo que pretende ser um novo Vargas, que loteia as agências que foram criadas para ser o motor deste choque de capitalismo e que é adepto do personalismo político.
No entanto, o que fazer como o dever de manter a governabilidade? Oras, não podemos tirar do governo um dinheiro que financia a Saúde, a Previdência e a Assistência Social. É notável o avanço que tivemos em relação a diminuição da desigualdade, e principalmente que as classes D e E têm hoje um crescimento chinês. No entanto, o governo entrou numa reta crescente de gastos públicos (e não só investimentos, mas gasto público mesmo!), sem contar a arrogância e o terrorismo que se posicionaram na aprovação da CPMF.
Considerando tudo isso, gostaria muito de ver o governo não conseguir aprovar a CPMF, seria uma pedra angular do segundo mandato. Embora o Lula consiga eleger até um poste nas eleições de 2010, seria uma forma de criar uma oposição atuante, e que, embora não seja maioria, encontraria eco na sociedade (Já cansei de discutir isso, existe um público anti-Lula grande, convivo com eles, flerto com eles, às vezes me confundo com ele, e isso para mim não é nem golpismo, nem o fim do mundo).
PSDB e a CPMF
Agora começa o achismo. Acho que o PSDB deveria fechar contra a aprovação da CPMF. Não deveria ceder o papel de maior opositor aos Democratas. Deveria assumir essa posição e arcar com as conseqüências, assim como deveria ter se posicionado a favor das privatizações na campanha de 2006.
Essa posição pode causar um acirramento das disputas. O governo é um grande teflon que poderia colocar na oposição a culpa de todos os seus problemas, no entanto, essa atitude seria bem recebida para aqueles que se posicionam na oposição.
Infelizmente, o PSDB não consegue hoje uma unanimidade como conseguiu em 94 e 98. Deveria ler o discurso do Fernando Henrique de despedida ao Senado em 94 e o de posse do Serra no governo em 2006 e perseverar encima destes pontos: modernização do estado, democratização, maior participação da sociedade e responsabilidade fiscal. Manteria sua bancada no congresso e dormiria tranqüilo, sem a mosca azul das concessões visando a possibilidade de voltar ao Planalto.
A União Cívica Radical e a CPMF
Estou fissurado na União Cívica Radical. Hoje, não sou nem petista, nem tucano, sou radical. Não consigo imaginar no Brasil um partido que pôs na democracia seu maior lema. Enquanto as eleições na Argentina não eram secretas, tentou a democratização pela força, quando veio a democratização, defendeu a democracia. Abriu as universidades, governou para a nação que nascia da industrialização. Quando veio o populismo de Perón e dialeticamente surgiram os duros que o tentavam derrubar, se dividiu, parte ponderando os avanços do Peronismo, parte lembrando a ditadura que esse instalava. Veio a ditadura de Perón, veio um golpe sangrento que o derrubou e lá estava a UCR pedindo a democracia. Se dividiu novamente sobre como organizar a nação frente ao túmulo do peronismo. Eram Radicais os únicos presidentes eleitos nos anos 50 e 60. Sofreu oposição tanto dos duros como dos peronistas, sucumbiu a golpes. Apoiou a volta de Perón e combateu a exceção de Isabelita. Veio outro golpe. Se posicionou a favor dos direitos humanos, quando isso era uma grande subversão. Veio a democracia, e tentou refazer o Estado, julgando o passado e o mantendo dentro da Lei. Foi destroçada pelo sonho de uma Argentina Rica, e quando o sonho naufragou, voltou ao poder. Sucumbiu novamente e hoje embora na oposição, é a oposição democrática, sem sobressaltos, sem personalismo. São radicais na defesa da democracia, de valores individuais, da universidade pública. Acho que são a consciência dos argentinos. As vezes as paixões se sobrepõe, e depois, sempre volta a consciência. Dos 6 presidentes que elegeu, somente Marcelo Alvear conseguiu terminar o mandato, Yrigoyen, Frondizi e Ilía foram depostos, Alfonsín e De la Rua renunciaram. Seu fundador se suicidou. Acho que isso prova como sucumbem as paixões, mas sempre voltam. Adorei a frase de Leandro Alem (fundador) na sua carta testamento. Que sé rompa, pero que no se doble!
Aposto que a UCR não fecharia questão na CPMF. No entanto, seus parlamentares votariam contra, perderiam, mas continuariam a votar contra!

