terça-feira, junho 24, 2008

Une matin avec Françoise Hardy


Le premier bonheur du jour

Le premier bonheur du jour
C'est un ruban de soleil
Qui s'enroule sur ta main
Et caresse mon épaule
C'est le souffle de la mer
Et la plage qui attend
C'est l'oiseau qui a chanté
Sur la branche du figuier

Le premier chagrin du jour
C'est la porte qui se ferme
La voiture qui s'en va
Le silence qui s'installe
Mais bien vite tu reviens
Et ma vie reprend son cours
Le dernier bonheur du jour
C'est la lampe qui s'éteint

Tout les garçons e le filles

tous les garçons et les filles de mon âge
se promènent dans la rue deux par deux
tous les garçons et les filles de mon âge
savent bien ce que c'est d'être heureux
et les yeux dans les yeux et la main dans la main
ils s'en vont amoureux sans peur du lendemain

oui mais moi, je vais seule par les rues, l'âme en peine
oui mais moi, je vais seule, car personne ne m'aime

mes jours comme mes nuits
sont en tous points pareils
sans joies et pleins d'ennuis
personne ne murmure "je t'aime" à mon oreille

tous les garçons et les filles de mon âge
font ensemble des projets d'avenir
tous les garçons et les filles de mon âge
savent très bien ce qu'aimer veut dire

et les yeux dans les yeux et la main dans la main
ils s'en vont amoureux sans peur du lendemain

oui mais moi, je vais seule par les rues, l'âme en peine
oui mais moi, je vais seule, car personne ne m'aime

mes jours comme mes nuits
sont en tous points pareils
sans joies et pleins d'ennuis
oh! quand donc pour moi brillera le soleil?

comme les garçons et les filles de mon âge
connaîtrais-je bientôt ce qu'est l'amour?
comme les garçons et les filles de mon âge
je me demande quand viendra le jour

où les yeux dans ses yeux et la main dans sa main
j'aurai le coeur heureux sans peur du lendemain
le jour où je n'aurai plus du tout l'âme en peine
le jour où moi aussi j'aurai quelqu'un qui m'aime








quarta-feira, junho 11, 2008

Quem sai aos seus não degenera

“Regressar é reunir dois lados”

“Pero el viajero que huye
Tarde o temprano detiene su andar”

Depois de passar por quase todas as engenharias envolvidas no processo ferroviário, a engenharia eletrônica na sinalização, a engenharia elétrica na rede aérea, a engenharia conceitual no planejamento estratégico, de operações e na gestão de contratos, enfim, chegamos a engenharia civil, engenharia de via permanente, engenharia de instalações necessárias para que o trem se movimente com conforto, segurança e economia. Confesso que esperei muito por esse dia, rever meus pares, muitas vezes renegados em minhas escolhas, mas visitar a engenharia civil seria como uma volta para casa.

E foi. Na verdade com mais detalhes engraçados do que imaginei a princípio. Depois de tantas interpéries, menas, pobrema, metáforas futebolísticas, mim fazendo, mim acontecendo, pra mim olhar, pra mim ficar, me senti de volta a faculdade. Foi um festival de celulares tocando, cada um com seu toque diferente, mambos, tangos, música eletrônica. Parecia que via um pouco de todos os meus professores em todos os engenheiros.

A princípio o parágrafo acima pode parecer uma crítica, não é; não é também um elogio, é uma constatação. As classes tendem a se diferenciar e talvez a minha classe se diferencie por esses rasgos de personalidade, essa urgência de comunicar-se sem atentar ao método. Nós engenheiros podemos nos comunicar com todos, com os peões e com os gerentes, de uma maneira muito peculiar. Erramos no português e falamos de História, de Física, de Matemática e ainda pensamos economicamente. Sem contar que nos demos a liberdade de opinar, e opinamos em tudo! Política, economia, tamanho do Estado. Perto de tudo isso, geometria de via, construção de lastros, bueiros e métodos construtivos parece ser o que fazemos quando não estamos opinando. Estava precisando resgatar meu lado engenheiro!

Como estava na dúvida sobre o que significava degenerar, consultei um dicionário. Não sei se saí a eles, ou se degenerei, mas lembrei do ditado, e achei bem simbólico de tudo isso.

Houaiss – Degenerar (vi): 1. Perder ou ter alteradas (o ser vivo) as características da sua espécie; abastardar-se. 2. mudar para um estado qualitativamente inferior; declinar, estragar(-se). 3. Mudar para pior, transformar-se piorando (vti). 4. ocasionar ou adquirir maus hábitos ou práticas; corromper-se (vti). 5. provocar deturpação ou alteração; deturpação (vtd).

terça-feira, junho 10, 2008

A Zona Leste é insustentável!

Transumância
Quando entrei na CPTM achava graça da enorme quantidade de gente e do tumulto que isso gerava na estação da Luz devido ao Expresso Leste. Passado mais de dois meses, a simples idéia que vou passar por ali já causa um certo mal-estar, uma pequena depressão. È muito triste ver e viver esse tumulto. Existe uma pressão muito grande sobre mais de 800 mil habitantes que estão retornando para a zona leste pela CPTM (sem contar os mais de 1 milhão de habitantes que estão retornando pelo metrô). Empurra-empurra, aperto, brigas diárias, depredações, vandalismo, vagões crentes. Todos os dias expomos muita gente a uma condição muito irreal, sem contar a irrealidade de obrigarmos as pessoas a viajarem mais de 3 horas por dia para vir, e mais 3 horas para voltar com todo esse tumulto.

A minha primeira impressão é que tudo se resolveria por uma técnica adequada na movimentação destas pessoas. Acho que a função de engenharia é essa mesma, realizar de uma maneira economicamente viável, ambientalmente sustentável e democraticamente as ambições de uma sociedade. Mas até que ponto essa transumância é viável. Será que a sociedade sabe o quanto custa manter um crescimento desordenado desta maneira? Será que sabemos qual o impacto ambiental disso tudo? Será que não estamos expondo estas pessoas a preconceito e diminuindo as possibilidades de se realizarem após todo esse tempo e esse tumulto?

O mais louco desta discussão é que num primeiro momento se culpa o morador (quem mandou querer morar em Ferraz de Vasconcelos!). Ao mesmo tempo a tentação para tendências autoritárias é gigantesca. O difícil é imaginar uma solução para um problema destas proporções de maneira democrática e inclusiva. E aí nasce um problema grande, será que o município é mesmo o lugar correto de enfrentarmos este problema. Afinal, o Estado inteiro paga para transportarmos essas pessoas. Cabe lembrar que esse não é um problema consolidado, é um problema dinâmico, a zona leste tem taxas de crescimento superiores às do centro.

Num primeiro momento, acho que precisaríamos de dados certos sobre o impacto dessa migração em massa. A sociedade precisa saber que isso ocorre. Gente morrerá sem saber o que é o Expresso Leste, pagará por isso e não saberá. Sofrerá o impacto e não saberá. Acho que o passo seguinte será conseguir criar pólos de desenvolvimento nessa região. E não é o Tatuapé não! O Tatuapé está muito perto, aliás o Tatuapé é um centro gerador de congestionamentos, não de solução. A medida que vai atraindo novos empreendimentos, colocará mais carros nas ruas e não diminuirá a pressão da zona leste.

Acho interessante idéias como a USP Leste, além de educação e oportunidades são necessários empregos. E como atrair empregos para uma região tão difícil de chegar. Talvez o lado engenheiro pregue mais obras viárias de forma a acabar com o isolamento.

Especulação imobiliária

Combater a especulação imobiliária é necessário, mas, muito além de um problema social é um problema moral. Pergunte a qualquer cidadão e a maioria não condenará a especulação imobiliária. Ela nos foi vendida como uma esperteza, um olhar empreendedor do dono do imóvel. Nunca, jamais, como um ato que lesa a sociedade. Acho que o Estado, nesse caso as prefeituras, devem regulamentar os instrumentos que lhe foi dado pelo Estatuto da Cidade, e principalmente, a sociedade deve saber o quanto isso custa para ela. Está faltando marketing nesse combate, talvez esteja faltando clareza para os movimentos sociais para conseguirem frear isso.



Tumulto durante a quebra de um trem do Expresso Leste



Foram apedrejados 3 trens sendo mais de 60.000 pessoas afetadas



Estação Júlio Prestes

domingo, junho 08, 2008

Pecados Inocentes (Savage Grace)


Bem, se tivesse o dom de fazer uma comparação, adoraria comparar Pecados Inocentes com o Talentoso Ripley, O Grande Gatsby e Suave é a Noite e talvez tivéssemos um retrato de uma época, seria um exemplo interessante para sabermos como chegamos até aqui. Talvez seja pessimismo, mas fico com a sensação que perdemos uma onda interessante de libertação do indivíduo com a liberação sexual e a L’age d’Or do pós guerra (embora F.Scott Fitzgerald seja do entre-guerras, não acho que se perde do que estou tentando dizer).

Quando falo em libertação, digo no sentido de deixar as pessoas mais livres de tabus para seguirem seus caminhos, nesse ponto, tradição, religião, família, dinheiro, sucesso, são marcos na nossa história que nos conduzem; reverter tudo isso seria nos deixar sem marco nenhum, de maneira que fôssemos construindo novos paradigmas, ou pelo menos, construíssemos os mesmos de anteriormente, mas sem o misticismo e sim de uma maneira clara.

No entanto, em todas essas histórias, quando os personagens estão prestes a viver o mundo dos desejos, essa superação acaba levando para caminhos que realmente não nos levam a felicidade. Algo como se as novas formas de repente virassem novos marcos, se transformando em obsessão. Desta forma tudo que tinha de libertação na revolução sexual e no progresso, se tornaram novos marcos que as pessoas repetem sem produzir nenhuma mudança no final das contas.

Após toda a babaquice acima, adorei Pecados Inocentes, achei incrível como os tabus vão aparecendo, se rompendo, mas não de uma maneira libertadora, e sim de uma maneira muito sofredora. Embora totalmente longe do nosso dia a dia, e quebrando muitos dos nossos tabus. A história se apresenta como possível, como realidade. Não sei se o dinheiro ajuda a acontecer tudo aquilo, mas nas outras três histórias que apresentei, o dinheiro era o grande motivador desses desajustes.

Dá até vontade de tomar um dry-martini, fumar e ouvir jazz e tentar fazer uma comparação melhor. Nunca serei crítico de cinema! Não sei olhar um filme, só consigo ver o efeito dele em mim.

quinta-feira, junho 05, 2008

A professora de piano


Acontece muito comigo assistir um filme, gostar dele e quando o assisto novamente, esse filme se apresenta como novo. E digo novo não como metáfora de um entendimento novo, e sim como realmente novo, como se não lembrasse de nenhuma cena. Talvez a lembrança seja a lembrança do choque, o filme foi tão bom que retive em minha mente que gostei, mas como não discuti com ninguém, não lembro dos detalhes. Como entre a primeira vez que vi A professora de piano e esta surgiu um blog onde propus apresentar o que assistia, resolvi escrever sobre o filme e ver se consigo reter alguma coisa dele.

Não deixa de ser uma história de amor, se os atos de amor, de entrega, de recusa e de dúvida não fossem tão dramáticos e não-convencionais, não seria mais interessante que Amor de Perdição, no entanto, a intensidade e o fato de não ser convencional deixa o filme fantástico. Adoraria ver um psicanalista analisando o filme, como essa superação da mãe, a necessidade de entrega pode ser fantástica e como as coisas não-convencionais nos assustam! Não sei se fomos criados a achar que as atitudes de Tereza e Mariana são aceitáveis, no entanto, as reações de Érika são igualmente intensas e sofridas. No entanto, há negação do sexo em todas as heroínas citadas, só que a de Érika é mais moderna. E aí entra numa das discussões mais fantásticas que tive sobre como o sexo não é libertador e sim uma grande amarra, e nisso Érika se perde igual a Mariana.

Sem contar que a Áustria é muito mais propícia a uma história como A professora de piano do que Amor de Perdição (talvez porque ainda não vi Sissi, quem sabe mudo minhas idéias e sabriniso a Áustria).

Que filme fantástico, comecei a vê-lo no sábado e dormi, assisti na segunda-feira e ainda tenho insights sobre ele. Por enquanto ainda lembro de muitas cenas, estou até fazendo um esforço para não esquecê-lo.

Isabelle Huppert

Criei uma certa paixão pela Isabelle Huppert. Se um dia fosse entrevistado pela revista Quem e eles me perguntassem que é minha atriz favorita, diria de bate-pronto: Isabelle Huppert. Ela me convence, mesmo sendo inexpressiva. Como tem cara de paisagem essa mulher! Engraçado que só lembro dela nesse filme e em Merci pour le chocolat. Virei fã! Quero muito assisti-la como Madame Bovary.

quarta-feira, maio 28, 2008

Gardel - Volver

"Y aunque el olvido
que a todo destruye
haya matado
mi vieja ilusión
Guardo escondida
una esperanza humilde
que es toda la fortuna
de mi corazón"


Libertador San Martín!

Ótimo de trabalhar na Luz é que durante o almoço você pode passear por Buenos Aires, não é uma Buenos Aires Puerto Madero, tampouco Palermo, Palermo Chico, é quase Constitución, Once, meio Boca. Tem morador de rua, rua estreita; um prédio destoa da multidão, que não é exatamente belo, mas bem enigmático, como a Estação Júlio Prestes (quase a Alfândega).

Hoje andando pela Avenida Duque de Caxias, tive a impressão de ver San Martín em plena Praça Princesa Isabel. Não era San Martín, mas que a imagem é semelhante é. Aumentou ainda mais minha vontade de morar nos Campos Elíseos, esse nome tão charmoso que dá nome para um bairro nem tanto charmoso. Mas onde mais em São Paulo eu posso me lembrar de Buenos Aires??

Foi grande a comoção. Quis até almoçar uma milanesa para relembrar meus tempos anclao em Buenos Aires, mas só consegui achar feijoada. Nem tudo é perfeito nesta Buenos Aires imaginária.


Plaza San Martín - Buenos Aires (Estátua de San Martín)

Praça Princesa Isabel - São Paulo (Estátua de Duque de Caxias)







sábado, maio 24, 2008

A chuva, a paisagem e a oficina.

A comparação não é original. O que mais me impressionou em Travesuras de la niña mala foi o fato de Lucy escutar Ricardo como se escutasse a chuva, e o olhar o mundo como se olhasse uma paisagem, e eis que me senti tal e qual a Lucy quando me apresentaram a oficina de manutenção e os abrigos de trens.

Fresa, torno, prensa, pantógrafo, estas palavras para mim fazem tanto sentido como a chuva. A seção de motores, pantógrafos, mecânicos e graxas apareciam para mim como se fossem uma linda paisagem, exótica, num mundo que realmente não me pertencia. Caminhei durante dois dias num mundo fantástico onde as coisas não faziam nenhum sentido, onde a paisagem era desconhecida e o dialeto mais ainda.

Fiquei claramente envergonhado de como engenheiro que sou, não ter noção nenhuma do que estava vendo ou ouvindo. O palestrante falava e eu o escutava como se fora a chuva, andava pelas oficinas e as admirava como quem olhava a paisagem. Quando alguém me perguntava algo, respondia: incrível, e fazia cara de paisagem.

O mais impressionante de tudo isso foi os sheds que vi, não imaginava que tínhamos prédios tão lindos, tão monumentais na ferrovia. Consegui perceber outros termos técnicos mais próximos da engenharia civil. Preocupei-me com circulação, logística, iluminação, estruturas metálicas e só fui entender a diferença entre uma fresa e um torno num rodízio quando estávamos comemorando o fim dos passeios.




terça-feira, maio 20, 2008

Ainda assim Católico?


Acho esse assunto tão démodé que me sinto até mal em escrever sobre isso. Se o homem faz por si só todo o caminho da sua civilização, acho que existe parte de mim que ainda está não chegou na modernidade.

Dentre as pessoas que converso, me vejo (pelo menos eu acho que os outros também me vêem assim) como um defensor radical do Estado laico. Sou contra o véu, o quipá, a cruz em lugares públicos. Sou contra procissões, feriados santos e marchas pra Jesus. Ainda acho que somente o Estado laico pode trazer a liberdade religiosa plena. Gostaria de ver uma ação afirmativa para ateus e agnósticos, nosso mundo não os entende muito bem, e devemos garantir o direito deles serem ateus e agnósticos, tal qual o direito de ser católico. Sou favorável ao aborto, ao casamento gay e não suporto que alguém utilize argumentos religiosos nestas discussões.

Quando entrei na CPTM encontrei uma nova causa para lutar, o combate aos vagões crentes. Para mim, os pregadores nos trens são criminosos, acho que todo o proselitismo, exceto o proselitismo do Estado laico, que inclui a todos e não discrimina ninguém, deveria ser crime.

Escrevi tudo isso acima para chegar a conclusão contraditória que ainda me considero um católico, católico não-praticante, porque já deve fazer mais de 3 anos que não comungo, que não confesso, que não vou à missa. E passado todo esse tempo, não consegui nem me tornar um ateu, nem tampouco acreditar em outras doutrinas. Não consigo conceber a idéia de reencarnação, para mim não faz sentido algum, acho até um pouco covarde a idéia. Não consigo acreditar em teologia da prosperidade (muito embora um pouco de prosperidade aumentasse minha fé). Não vejo graça nenhuma no Budismo, talvez por não ser uma maneira muito ocidental de crer.

Ok, considero-me católico e faço sexo, uso camisinha, tenho os meus pecados e de muitos deles não me arrependo. Embora contraditório, ainda acho que o catolicismo tem respostas para o mundo moderno, mesmo sendo ortodoxas. Não podemos esquecer que toda essa noção de individualidade que existe hoje vem da Igreja. A Igreja defende a individualidade, o perdão, a caridade, o amor e a fé e tudo isso é necessário para o mundo moderno. Necessário, mas não suficiente, existe sempre esse combate ao corpo que está arraigado em nós, e existe a necessidade de sublimação do sexo, que a Igreja combate em algumas formas, mas que pode ser feita de maneira a manter a individualidade, o perdão, a caridade, o amor e a fé; a utilização sadia do corpo (o corpo como templo) também é objeto da Igreja. Tenho uma fé incrível, fé que as coisas vão dar certo, e que esse dar certo tem um elemento sobrenatural. Em todos os meus pensamentos sobre morte, não consigo me afastar do Credo (... donde há de vir a julgar os vivos e os mortos, creio em Deus, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na vida eterna...)

Não me vejo um católico praticante. Defendo o mundo; mas acho bonita a visão do mundo dos católicos. Não é fácil ser católico, requer sacrifício. E no atual estado não é uma igreja proselitista, e sim uma igreja em busca da sua identidade.

quinta-feira, maio 08, 2008

É hora de Quércia!


O sol nasce pra todos
E também para você!
Vote Quércia!
Vote Quércia!
PMDB

Durante a semana passada inteira visitei lugares que nunca imaginei que iria conhecer na minha vida, visitei Itapevi, Carapicuíba, Osasco, na outra ponta, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Suzano, enfim, visitei toda a linha da CPTM. Passei por lugares onde dificilmente se chega sem o trem, cidades dormitórios, cidades esquecidas. Em muitos destes lugares, você não sente presença alguma do Estado. São áreas de ocupação, antigas e novas, onde os únicos símbolos do estado são os prédios da COHAB (não eram do tempo em que se chamava CDHU), as estações de trem, em muitas estações as escolas e em algumas cidades os hospitais regionais.

Voltei desta visita com uma certeza absoluta que o governador Orestes Quércia merece uma cadeira no Senado pelo Estado de São Paulo. Por mais que se tentou (e se conseguiu) desconstruir Quércia, é inegável que em todos esses lugares, a única presença do Estado foi feita no governo dele. Não podemos também desconsiderar sua eleição histórica em 1974, que foi marco do início do processo de democratização no país. Estava olhando o histórico de atividade parlamentar durante seu mandato de Senador, e percebe-se que todos seus pronunciamentos se centraram em temas econômicos do estado de São Paulo, mas também reforçando a tese da municipalização, sem contar com projetos para o restabelecimento da vida democrática.

A própria eleição de 1986, veio ressaltar esse caráter plural e democrático (embora se acuse de ter concentrado o poder dos diretórios do PMDB, o qual mantém sob seu comando até hoje). No entanto, foi um governo que teve nos seus quadros um dos economistas mais brilhantes que já ouvi falar, como Luiz Gonzaga Belluzo, sem contar no apoio (não consegui levantar os secretários de Quércia) de Aloísio Nunes Ferreira, Alberto Goldman, Almino Afonso, Fernando Morais. O governo Quércia trouxe avanços na área de educação (primeira reforma do curriculum pós ditadura, embora tenha havido uma greve de quase 3 meses), bem como criou escolas, essas mesmas que são a única presença do Estado nas áreas mais periféricas da Grande São Paulo, sem contar na vinculação obrigatória de quase 10% da arrecadação do ICMS para as universidades públicas e criou vinculação orçamentária para uma política de habitação. Criou a secretaria do menor estimulando uma nova política de acordo com o estatuto da criança e do adolescente, além das delegacias de mulheres, que é uma vitória contra o machismo.

Lógico que teve todo o desgaste da eleição do Fleury, da quebra do Banespa (embora eu realmente acredito que só o tempo em que ele esteve sob intervenção do BC foi mais danoso que a administração Quércia), sem contar no escândalo das importações de Israel, mesmo assim, com um governo que terminou hiper popular, que fez grandes feitos como a vinculação orçamentária para as universidades, expandiu o metrô para o ramal Paulista, levou o metrô à zona leste, sem contar nas obras rodoviárias em todo o Estado, será que o Quércia não merece esse vaga muito mais que o Mercadante??

terça-feira, maio 06, 2008

Naquela Estação

Naquela Estação
(João Donato/Caetano Veloso/Ronaldo Bastos)


Você entrou no trem
E eu na estação
Vendo um céu fugir
Também não dava mais
Para tentar
Lhe convencer
A não partir

E agora, tudo bem
Você partiu
Para ver outras paisagens
E o meu coração embora
Finja fazer mil viagens
Fica batendo
Parado
Naquela Estação

Comentando notícias

Decidi fazer comentários sobre algumas notícias. Já que até a Veja pode dar a opinião dela sobre qualquer coisa, porque não eu?

Caso Ronaldinho

Concordo com o José Simão, o caso Ronaldinho só eu um caso porque é com o Ronaldinho, fosse com o Maradona, não teria caso algum. Maradona teria cheirado e tirado fotos com as travestis e tudo teria terminado bem. Não me conformo com o machismo e o moralismo desse caso. Primeiro, a polícia se empenhou pra provar que as travestis tentaram suborná-lo, e o Ronaldinho tratou de desmentir que saía com travestis e que cheirava. Bem, na minha opinião, isso é um problema dele, não meu, não nosso e não da Veja. Ronaldinho seja feliz, com mulher, com travestis, com coca ou com guaraná!

Raposa Serra do Sol

É muito fácil atacar índios, eles não se defendem, não são um cartel econômico e ainda dependem de ajuda de ongs estrangeiras porque não conseguimos dar o apoio necessário a eles. Se não bastasse tudo isso, ainda defendem a não-demarcação se apoiando num nacionalismo rançoso. Vamos esperar os outros ministros do supremo, algo me diz, que graças a um vento liberal no supremo, a demarcação sai (tirando o ministro Direito que o Lula indicou que pode ser uma belíssima maçã podre...).

domingo, maio 04, 2008

Proletários de todos os países, divirtam-se!


Se existe um feriado simbólico é o 1º de maio. Ao mesmo tempo que o trabalho pode ser a rotina que massacra, aliena e propaga tabus e preconceitos, tem contido dentro dele o oposto de tudo isso, no trabalho você pode aguçar sua criatividade, tomar consciência do papel desse trabalho na sociedade, sem contar que o trabalho é uma fonte incrível de socialização, se na escola nos socializamos com os iguais, no trabalho existe a chance de conhecer o diferente. O interessante é que para que desenvolvamos o outro lado do trabalho basta mudar algumas chaves, mas quão difícil é mudar estas chaves!

Para mudarmos estas chaves é preciso primeiro trabalhar o simbólico do trabalho e convenhamos, não o estimulamos de maneira alguma. É fonte de sofrimento, é o campo de atuação do machismo, da discriminação, mulheres ganham menos que homens, brancos ganham mais que negros. É fonte de assédio moral, sexual e ainda por cima, a todo instante, alguém quer mudar as regras que dão alguma segurança ao trabalhador.

Algo me diz que batalhar contra o machismo, a homofobia, os direitos individuais, criaria espaços para as transformações que mudariam estas chaves. Esses espaços, não são só espaços coletivos, mas inconscientes, o que nos tornaria mais abertos a todas essas mudanças que trariam esta nova visão de trabalho. Existe um elemento interessante que poderia ser o estopim de todas essas mudanças, o movimento ambiental, ele por si só traria uma transformação no modo de produção e de olhar o outro, pelo menos penso assim....

Adoraria trabalhar assim!

sexta-feira, abril 25, 2008

Falsa Loura


O Filme

Pela sinopse do filme não imaginei que teria tamanho impacto. Acabei entrando no cinema mais pelo horário favorável e pela lembrança de “Garotas do ABC”. A idéia da personagem principal ser uma operária também foi determinante. Passei minha manhã em Mauá andando de trem.

Como é fantástico que um diretor sintetize de uma maneira bastante realista muitas idéias que tenho. Machismo e homofobia são frutos da luta de classe e o sexo acaba sendo o campo de batalha, tanto das classes como das suas diferenciações. Se em “Garotas do ABC” essa relação com o sexo era primordial, em “Falsa Loira” entra em cena a cultura, que também é campo de batalha da luta de classe.

Com o que eu falei acima pode parecer que o filme seja de uma chatice tremenda, mas não é. Com grandes metáforas e um tema muito realista, quase descritivo, o diretor mostra na tela todas as minhas grandes questões marxistas.

Pode parecer um chavão absurdo, mas em ambos filmes encontrei personagens que fizeram parte da minha infância no Parque Eloy Chaves e da minha vida operária na Cebrace. Talvez algumas cenas possam parecer exageradas, mas não deixam de ser verossímeis. Conheci Silmaras, Micheles e todos os outros personagens!


Rosane Mulholland


Fiquei surpreso com a atriz. Sempre achei que era uma atriz de Malhação, mas me pareceu tão bem no papel. Tenho receio em classificar atores. Não sei nada sobre a técnica de representação, o que me deixa somente com a possibilidade de avaliá-los pela realidade (ou o efeito contrário quando desejado) que passam. Adorei vê-la no filme, parece que foi feito para ela.


Carlos Reichenbach


Minha meta é ver mais filmes deste cara, depois de Garotas do ABC e Falsa Loura, acho que merece que eu o veja mais...

sexta-feira, abril 11, 2008

Respeito por você!

Estou escrevendo este post para fazer uma comparação entre os dois slogans dos últimos dois governadores do Estado, sai o Respeito por você do Alckmin e entra o Trabalhando por você do Serra.

É incrível como o serviço público pode conter em si um papel moralizador. Moralizador no sentido de dar a população um padrão de moral, como se um padrão moral pudesse ser construído do alto do governo para toda a população. Pode ser que seja um sintoma autoritário, embora me pareça muito mais uma atitude fascista. Desta postura, o “Respeito por você” é muito sintomático, bem como os aviso que são dados nos trem no metrô e da CPTM (“Os assentos diferenciados são de uso preferencial, respeite esse direito”). É muito fácil cair nestas armadilhas. Uma vez constituído um corpo burocrático técnico, deve-se transmitir o certo para a população para que ela respeite o direito tal qual o Estado concebeu para ela. Afinal, dentro desse corpo está a lei e o saber técnico, não há mais nada que possa contrariá-lo. Bem, não só de fascismo vive esse tipo de postura, no extremo oposto do espectro político também podemos encontrar esse mesmo tipo de postura, talvez sem o uso tão corrente da palavra respeito. Pelo que vejo, a esquerda também adora construir um novo homem a partir de uma classe revolucionária, ou de uma vanguarda esclarecida, e também desta forma a população deve ser guiada pelo saber.

Assistindo algumas palestras hoje sobre a percepção do serviço público pela população, acabei um pouco encucado com um tema, o que torna um o usuário de um serviço público cidadão e não consumidor? Quando nos pomos na postura que devemos passar um certo tipo de comportamento, ou uma maneira certa de utilização desse serviço público para a população, acredito que estamos transformando-a em consumidora (ou às vezes nem em consumidora, já que muitos serviços públicos além de estipular um padrão moral não respeitam seus usuários nem como consumidores e sim como reféns). Torná-la cidadã implica além de respeitá-la como consumidora (triste palavra essa, mas não há como não atender um cidadão com critérios de qualidade e com avaliação econômica positiva) permitir a ela que influencie nas decisões, prioridades e planejamento deste serviço.

Voltei para casa com a sensação de que para considerar cidadãos os usuários de um serviço público, este deve estar a serviço desse usuário, com ele influenciando nos seus destinos, fazendo do serviço um “desejo coletivo” desta população. A resposta técnica deve ser conseguida a partir desse desejo coletivo, influenciando a maneira de implantar essa política bem como esclarecendo a sociedade dos custos deste desejo coletivo.

No caso do transportes públicos, tanto eles influenciam na construção das cidades como são influenciados por elas, sendo assim, uma política de transporte público deve estar dentro de uma política urbana. O Estatuto das Cidades prega uma gestão democrática das políticas urbanas, e sendo o transporte público uma política urbana, não deveríamos estar construindo uma forma de garantir uma gestão democrática da política de transporte?

Acho que essa é uma dimensão agradável desse meu novo trabalho. Como ser técnico, responsável e ainda assim garantir uma gestão democrática dos transportes públicos? Algo me diz que deveria ler um pouquinho mais de Habermas para chegar a alguma conclusão...

quinta-feira, abril 10, 2008

Bêbado ao som de Carpenters!

Estou feliz hoje: andei no expresso leste, tomei caipirinhas e por pouco não fui cantar Carpenters num karaokê japonês! Enfim, estou morando na Liberdade e a música abaixo me fez pensar na vida...

Only Yesterday

Everyone must face their share of loneliness
In my own time nobody knew
The pain I was goin' through
And waitin' was all my heart could do
Hope was all I had until you came

Maybe you can't see how much you mean to me
You were the dawn breaking the night
The promise of morning light
Feeling the world surrounding me
When I hold you

Baby, Baby
Feels like maybe things will be all right
Baby, Baby
Your love's made me
Free as a song singin' forever

Only yesterday when I was sad
And I was lonely
You showed me the way to leave
The past and all its tears behind me
Tomorrow may be even brighter than today
Since I threw my sadness away

Only Yesterday

I have found my home here in your arms
Nowhere else on earth I'd really rather be
Life waits for us Share it with me
The best is about to be
So much is left for us to see
When I hold you

terça-feira, abril 08, 2008

Por que voto e sempre votarei no Suplicy para Senador!

Trabalhando por você!

Desde 1º de abril tornei-me um funcionário de uma empresa pública estadual. Não sou um servidor público, tampouco um funcionário de uma empresa privada. Sou um CLTista cujo patrão é o governador do Estado de São Paulo. Lógico, que a partir daí entramos numa zona fantástica. Sou funcionário do Serra e eu votei no meu chefe para ele ser meu chefe!

O engraçado é que muita coisa mudou quando passei a trabalhar para o Estado, desapareceram algumas preocupações artificiais que discutia no almoço (aumento do consumo de vidro, diminuição da produção de vidro float, job rotation dos gerentes) para surgirem discussões fantásticas que permeiam meu cotidiano e que estão diretamente relacionadas com meu trabalho, tais como quem será o próximo governador, se o transporte público deve dar lucro, qual interferência as empresas privadas devem ter no sistema de transporte. Como somos engenheiros na maioria, as vezes conversamos sobre alguns temas meio tabus, como taludes, drenagem e outras cositas más... enfim, estou adorando ser um engenheiro e adorando ser um quase servidor público.

O mais legal de tudo isso é que até o dia 13 de agosto estou em treinamento. Isso quer dizer que voltei a faculdade. Os temas vão desde eletrificação das linhas, passando por planejamento dos transportes metropolitanos, construção de ferrovias, chegando a um treinamento de três dias sobre a lei de licitações e sobre as PPPs.

Estou em casa na CPTM! A propósito, vou trabalhar de jeans, camiseta e tênis! =)

São Paulo, São Paulo,

Aliás, interessante mudar para uma cidade e trabalhar na questão principal desta cidade, acho que inserção em São Paulo vai ser mais fácil que a inserção em São José dos Campos. No entanto, nunca tinha sentido a poluição desta maneira, percebo hoje o quão essa cidade é poluída.

Mas é fantástico ir trabalhar de trem, ver uma multidão nas ruas, de repente descer na Avenida Paulista ou sair do metrô e ver a Catedral da Sé, o prédio do Banespa. Vale a pena!

quarta-feira, março 26, 2008

Mudanças ao som de tango

Fiz minha mudança de São José dos Campos ouvindo tango. Decidi comprar uma cuia e escutar coisas mais modernas...

Vida Mia
(Emílio e Osvaldo Fresedo - 1934)

Siempre igual es el camino
que ilumina y dora el sol...
Si parece que el destino
más lo alarga
para mi dolor.
Y este verde suelo,
donde crece el cardo
lejos toca el cielo
cerca de mi amor...
Y de cuando en cuando un nido
para que lo envidie yo.

Vida mia,
lejos más te quiero.
Vida mia,
piensa en mi regreso.
Sé que el oro
no tendrá tus besos,
y es por eso que te quiero más.
Vida mia,
hasta apuro el aliento
acercando el momento
de acariciar
felicidad.
Sos mi vida
y quisiera llevarte
a mi lado prendida
y así ahogar
mi soledad.

Ya parece que la huella
va perdiendo su color
y saliendo las estrellas
dan al cielo
todo su esplendor.
Y de poco a poco
luces que titilan
dan severo tono
mientras huye el sol.
De esas luces que yo veo
ella una la encendió


Tango

Adoro tango, acho que tem decadência, soberba, sedução, é combativo, nostálgico, marcado. Combina comigo, consigo trabalhar escutando tango. Assim como o espanhol me dá a sensação de ser mais preciso, o tango me dá a sensação de ser lógico, lógico mesmo na mais completa falta de razão.

terça-feira, março 25, 2008

Inconsciente musical - Normalista

Engraçado isso, acabei fissurado numa música absurda, a Normalista, na voz do Nelson Gonçalves. Será que a vontade de ser professor que tinha na infância apareceu? Será que é essa tendência ao Romantismo e na fuga ao passado? Será o melodrama?

A Normalista

Vestida de azul e branco
Trazendo um sorriso franco
Num rostinho encantador

Minha linda normalista
Rapidamente conquista
Meu coração sem amor

Eu que trazia fechado
Dentro do peito guardado
Meu coração sofredor

Estou bastante inclinado
A entregá-lo aos cuidados
Daquele brotinho em flor

Mas a normalista linda
Não pode casar ainda
Só depois que se formar

Eu estou apaixonado
O pai da moça é zangado
E o remédio é esperar