Acordaram tarde. Estava um calor absurdo e ainda tinham que votar. O que era dever cívico (que clichê!) se tornara turismo. Embora deslocados da cidade, tomaram um café na rua e pegaram um ônibus. Nada como ter contato com os problemas da cidade em pleno dia de eleição. Demoraram um pouco, atravessaram algumas paisagens e desembarcaram num bairro bem simbólico. Petit bourgeoisie! Árvores nas calçadas, ruas calmas, algumas de paralelepípedo. Prédios antigos, petit bourgeoisie desde os anos 30. Feliz a cidade que teve uma City Light!
O voto foi até que rápido, teve lances de arrependimentos e confissões. Voltando para o centro, fizeram compras e tomaram uma cerveja em uma praça. Se fosse no Rio seria um chope, mas era em São Paulo e pediram uma Original. Na mesa ao lado, duas mulheres falando em inglês, na mesa de trás, uma família almoçando, alguns homens sem camisa bebiam a mesma cerveja e nem repararam que o copo não era um copo americano. Leram jornal, discutiram eleições, Mostra Internacional de Cinema, dálmatas, burocracia e o Gabeira.
Divagavam na mesa do bar. Um pensa alto:
- Até que a gente tem uma vida boa, né?
- Realmente, acho que merecemos!
quarta-feira, outubro 29, 2008
Um dia bom
segunda-feira, outubro 06, 2008
Alckmin e Kassab
Love Story
Eu realmente desconfio de casais que demoram muito tempo para viver plenamente uma relação. Alguns namoram 8, 10 anos. Não quer dizer que não tenham uma boa relação, com certeza devem ter. No entanto falta um algo mais, e esse algo mais não espera esse tempo todo. Quem busca tanta segurança antes de assumir uma relação, provavelmente nunca a assumirá no sentido do famoso “homem, abandonarás teu pai e tua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois formaram só um”.
É este se tornar só um que realmente me intriga. A beleza de ser ocidental está toda calcada na aceitação da individualidade. Foi ela que nos levou ao Romantismo e que permitiu criar todo o imaginário em torno do casamento e do amor. A experiência Romântica que permitiu a liberação do sexo, como forma de experimentar o amor sem preconceitos e aí a coisa se perdeu ao querermos ter a liberdade sexual, a possibilidade de vivermos amores sem renunciar na hora certa da individualidade.
O mais bonito da vida como casal é exatamente a comunhão do espírito, quando um passa a pensar nos dois, pensando no bem do casal. É uma renúncia ao individualismo para uma espécie de individualismo a dois. E esta experiência com certeza passa pela construção da intimidade, da segurança, bem como da vivência da paixão, como se ela fosse o elemento sobrenatural que permite criar esse laço. E de maneira nenhuma esse é um amor careta, ou reacionário, uma vez que esse se jogar é uma experiência totalmente libertadora, ao permitir surgir um laço maior de envolvimento, se conhece os próprios limites.
Por isso desconfio de quem não se entrega a uma relação (e também daqueles que se entregam em relações que não tem possibilidade futura nenhuma). Acho lindo quem se casa cedo e passa ter uma vida em casal. Acho que essas pessoas terão a possibilidade de ter uma entrega de maneira muito mais intensa que compensarão os benefícios financeiros do entregar-se numa relação com a vida estável.
Pra ser sincero, tudo isso aí de cima é porque ontem eu assisti Love Story, e realmente acho incrível que um filme feito pra ser a pieguice total, consiga expor a beleza da construção de uma relação. Bem, um dos pontos lá é uma frase que acaba sendo repetida algumas vezes que é: amar é jamais ter que pedir perdão. Tem lá o seu clichê, mas não é verdade? Se se está vivendo esta comunhão, é impossível que um faça o mal ao outro, fiquei com isso na cabeça. Com isso e com a música. Gostei muito do filme!
domingo, outubro 05, 2008
sábado, outubro 04, 2008
Sorria, meu bem!
Vou fazer minha interpretação deste acontecimento. Falta método e até imparcialidade. Acho que temos que analisar o que vem acontecendo no Estado desde 1982 e entenderemos como o Kassab e o Serra chegaram onde chegaram.
Pois bem, meu palpite histórico é que em 1982 subiu ao poder no Estado uma força que seria transformadora da política aqui, e devido a importância do Estado, transformadora até para o País. Quando Montoro assumiu, começou a derrocada da Arena no Estado, mas a Arena não era lá um corpo muito unido. A eleição de Montoro e principalmente a atuação de Quércia como vice-governador foi decisivo pra começar a criar uma consolidação de uma força hegemônica e este projeto começou a tomar forma no Estado. Não existia antes coerência política entre o local e o estadual. Falo da atuação de Quércia, porque ele, como defensor do municipalismo, ao estender sua influência por todo Estado, criou condições de impor sua candidatura a governador em 1986 e principalmente se eleger.
Essa consolidação se deu num momento fantástico que foi o da redemocratização. Assim, foi possível criar forças emergentes que começaram a derrotar os antigos líderes locais e que tinham certa coesão. (lógico que nos anos 70 já havia prefeituras do MDB como Piracicaba e Campinas que possuíam certa linha de pensamento macro; os autênticos do MDB, que depois viriam a ser prefeitos, também já demonstram certa articulação entre as cidades). Com a bandeira do municipalismo, Quércia conseguiu trazer uma renovação nos municípios e se elegeu por isso. Não só de renovação viveu essa consolidação, houve também alguns grupos locais que se precipitaram pra dentro do quercismo.
A oposição a essa nova força política, não era o PT, o PT era insignificante eleitoralmente (pero no mucho). Na divisão de forças no Estado, o PT aglutinava forças nas cidades grandes, onde essa transição pra uma forma mais orgânica de prefeituras já havia acontecido nos anos 70, como Campinas, em cuja prefeitura Quércia despontou, ou no ABC e Santos. No entanto, nas eleições de 82 e 86, o PT não tinha um peso político no Estado. A oposição era o que restou da Arena. Talvez pela posição de vanguarda do PMDB no Estado, essa tenha se mantido unida até praticamente 94, uma vez que sempre o PFL e PDS (PP, PPR e outras formas) saíram juntos nas eleições do Estado.
O elemento X da minha trajetória é a desintegração da força hegemônica criada por Quércia. Talvez seja personalismo, talvez seja os métodos meio fascistas que ele conseguiu suas indicações, mas esta força começou a dar sinal de desgaste já na eleição de 86, com o apoio de parte do PMDB a Antônio Ermírio de Moraes. A articulação do quercismo com outros movimentos dentro do PMDB que não eram de tão de vanguarda como este, fez com que a vanguarda paulista se separasse e criasse o PSDB.
Nesta evolução histórica, o PSDB continuou a consolidação do PMDB após o ocaso do governo Fleury, estimulando a substituição dos antigos governantes locais, e aglutinando forças que se descolavam do que sobrou da Arena. Lembrando que Maluf nunca exerceu uma influência tal qual Quércia ou Covas.
Uma destas forças que precipitaram para dentro desta força foi o PFL, e aí entra o Kassab, ao derrotar o Malufismo em 1998, o PFL foi totalmente incorporado neste processo, e agora sim, poderia surgir uma nova força hegemônica igualmente orgânica e complexa que viria a ser o PT. Lembrando, em 1998 o PT quase chegou ao segundo turno, e em 2002, conseguiu se tornar a segunda força política do Estado.
Lógico que aí entra uma figura que não acompanhou esse processo: Alckmin. É claro que ao surgir como força hegemônica no Estado, o PSDB se tornou um partido de centro, mas que tinha conexões tanto com o PFL como forças mais de esquerda como o PSB ou o PPS. No entanto, Alckmin se pôs mais a direita que essa força hegemônica, não é à toa que hoje ele se mostra um candidato mais reacionário que o próprio Kassab, e não estou falando do Kassab de 2008 e sim do Kassab de 1996!
Pois bem, hoje o Kassab já está totalmente integrado, e eu realmente acho que sempre existiram forças locais não integradas a estas forças hegemônicas, mas que o PSDB e o PT conseguem manter certa coerência em todo o Estado. Acredito que nas cidades do interior, o voto no PSDB acontece ainda como reflexo das derrotas impostas aos antigos governantes e desta sensação de fazer parte da política do Estado. Em muitas delas, o PT ainda é desorganizado, como em Jundiaí, Sorocaba, Itapetininga entre outras. Acho que a figura do Serra vai fazer com que o PT ainda não ameace essa hegemonia, nem agora, nem em 2010. A ver.
quinta-feira, setembro 25, 2008
Crivella & Eu
Confesso que depois que comecei a dormir mais, sonho mais. Acho fantástica essa coisa de sonhar e depois tentar entender o que será que meu inconsciente tentou me dizer. Psicanálise é uma das coisas que mais me dá orgulho de ser ocidental; periférico, mas ocidental!
Eis que terça-feira acordo de um sonho totalmente absurdo. Estava eu num quarto de hotel com o senador Crivella. O senador estava deitado na cama meio que relaxado e eu estava sentado numa cadeira ao lado. O senador Crivella falava das dificuldades e do preconceito de ser evangélico e eu do alto do meu catolicismo infantil lembrava ao senador da dificuldade de ser católico, uma vez que o protestantismo era uma religião ligada a modernidade. O senador me disse que não gostava desse termo protestante, se sentia evangélico. Aí, mudamos de assunto e começou a me falar sobre a delícia (eu lembro deste termo, o que na boca do senador Crivella se torna bem diferente) de ser senador. Falou sobre como era bom fazer discursos e participar da vida da nação. Acordei.
Dos 81 senadores, têm uns 12 que eu adoraria conhecer, mas o Crivella nunca estaria nesta lista. Eu não sei se o sonho tem a ver com religião ou política, se tiver com religião, talvez seja pelo oposto, por política, bem, geralmente eu gosto dos injustiçados do mundo. Foi um sonho interessante.
sábado, setembro 20, 2008
Eleitorais
Lula e o Rancor
Estou achando péssima a postura do presidente nestas eleições. Ontem em Natal ele atacou de modo violentíssimo o senador Agripino Maia, dizendo que daria o troco nele em 2010 por todas as ofensas que o senador havia feito contra ele durante o escândalo do mensalão. Hoje, ele afirmou que o DEM não tem lado, porque é oportunista, em 2006, diz Lula, o achincalharam e agora não se assumem publicamente como oposição. Diz o presidente que de dia o achincalham na Câmara e no Senado e nas ruas não o acusam.
Veja bem. Odeio esse ar varguista que às vezes paira sobre Lula. Afinal, o DEM tem posição sim, é oposição, e não é nada mais natural que uma oposição aponte falhas no governo, e seguindo a lógica petista-lulista, pode-se apontar falhas morais, ideológicas, estéticas, estratégicas e birra também, afinal não foi o próprio Lula que disse que o Sarney era ladrão e que o Fernando Henrique era um estelionato eleitoral? Se com um presidente eleito em primeiro turno foi possível criar uma campanha ignóbil como o Fora FHC estimulada pelo ministro Tarso Genro, por qual motivo José Agripino não poderia apontar algumas coisas do nosso presidente? O PT é a UDN de macacão, já dizia Brizola...
Chamem de reação, de conservadorismo, mas para mim, Lula é tão democrata quanto o Vargas...rs, é que para ele essa fama de conciliador está dando efeito positivo, no entanto, sempre tem alguns deslizes autoritários. Como é difícil esconder o subconsciente!
Quem será que a Marta quer: Alckmin ou Kassab?
Ontem durante o dia estava numa roda em que criamos um paralelo entre esta eleição e a de 2000. Chegamos a uma conclusão que Marta preferiria Kassab à Alckmin, e que tal em 2000, onde ajudou Maluf ir para o segundo turno, neste ano ajudaria Kassab.
À noite, a percepção foi outra. Com uma campanha que só cresce como a do Kassab versus uma campanha estagnada em crise como a do Alckmin, acho que a campanha de Marta deve estar numa escolha difícil. Eu acho que os ataques de Lula aos Democratas já sinalizou quem a Marta quer...
sábado, agosto 30, 2008
Como eram bons os tempos do Fernando Henrique
Sou de uma geração da era Fernando Henrique. Tudo que me acontecer na vida, na minha vivência como cidadão, em minha experiência como um homem social, econômico e ambiental, sempre será percebido, analisado e refletido sobre esse grande paradigma que foi a base de toda minha consciência.Bastou um almoço e um assunto trivial para que isso ficasse claro em minha memória, nós, que fomos criados na era Fernando Henrique, talvez não sejamos a maioria, mas temos uma ação comunal própria, percebemos o mundo de uma maneira diferente, e acho que o mundo era percebido diferente pós 1995. Embora a era Lula tenha se apropriado de algumas características da era Fernando Henrique, estas foram distorcidas, ficaram as ações e não os fundamentos.
Éramos modernos em 1999 e hoje somos retrógrados. A peça inaugural desta era foi o discurso de despedida do Senado do ex-presidente, nele se decretava o fim da Era Vargas, as pessoas queriam o novo, o diferente, queríamos, e digo queríamos porque a maioria dos eleitores quis, um novo ciclo de desenvolvimento, de estabilidade, de abertura econômica, de uma nova relação Estado-mercado, que traria uma nova relação Estado-comunidade. Também seria uma era de transparência, da verdade orçamentária, e também da verdade política e da verdade social.
Foi preciso discutir Previdência, Tributação, Privatização, Ensino Fundamental e Superior, e discutir sem tabus, o que é o charme e o princípio desta era, e aí era necessário fazer escolhas, Déficit ou Reforma? Modernidade nos serviços públicos ou ineficiência estatal? Priorizar o ensino fundamental ou o superior? Não sei vocês, mas durante todo o governo Fernando Henrique discuti muito destas coisas, acho que se existiu um momento favorável a alguns indicadores que eu considero de modernidade (casamento gay, aborto e legalização das drogas) foi este período. Na verdade não é estimulante ter no ministério gente que sempre esteve ligado com a luta da democracia? (e que acreditava nela)
Participamos do mundo e o mundo participava da gente. Hoje, estamos num espetáculo da caretice. Se a associação com uma parte do conservadorismo, principalmente o ligado ao liberalismo durante os anos Fernando Henrique, foi necessário para romper e criar uma nova era, hoje é a cooptação pela cooptação, e acho que esta bela vanguarda que está no poder hoje descobriu-se muito mais próximo dos coronéis do que a gente pensa. O país tem problemas e isso não se discute, com um plano cosmético para tudo, as mesmas pessoas que não votaram no Fundeb criaram outros mecanismos que travestidos de inclusivos, são mostra de autoritarismo e populismo.
Perdeu-se a discussão, afinal, como se pode discutir com a verdade absoluta? E aí, a gente vê o avanço evangélico nas escolas, na política, o esvaziamento do congresso, afinal, para que uma casa de discussão, se o centralismo democrático é a solução? Só a desmoralização da política pela política pode gerar escândalos como mensalão, abuso de poder econômico nas campanhas, grampos nos ministros do Supremo.
Chamem de ressentimento, no entanto, eu realmente acho que a democracia e o clima de modernidade que tínhamos na era Fernando Henrique não temos na era Lula. Talvez as pessoas não quisessem saber de déficits, reformas, talvez foi acomodação, afinal é melhor parar de discutir isso e ter uma bolsa maior e melhor, mesmo que seja para estudar numa faculdade ruim ou para viver para sempre com uma bolsa.
Na era Fernando Henrique tínhamos a impressão que a ascensão econômica e social estava em nossas mãos, na era Lula, está no Estado de novo, ou num Estado Novo. O jeito é estudarmos para um concurso público.
A propósito
O almoço e o assunto trivial foi uma conversa fantástica sobre o Manhattan Connection, que para mim é o grande exemplo da era Fernando Henrique, aposto e ganho que 90% dos ministros do governo Fernando Henrique assistiam e que nem 20% do governo Lula sabe o que é, e que os que sabem só assistem para falar mal do Diogo Mainardi que me abstenho de comentar, ele não era desta era. Uma das conclusões é que os apresentadores são arquétipos tucanos, mas infelizmente, Alckmin e Aécio também não se encontram lá representados.
quinta-feira, agosto 28, 2008
Desenvolvimento e Democracia
A grande questão destas duas grandes histórias é: pode-se obter desenvolvimento econômico dentro de uma democracia? Esta pergunta se faz importante, porque ambos são conhecidos como os pais do desenvolvimento nos seus países e no entanto, este impulso para a industrialização, para a criação do mercado interno, a visão que somente uma classe trabalhadora forte (mas não tão forte assim) poderia sustentar esse mercado, só pode ser construído dentro de regimes quase fascistas. Pus o quase fascista. No livro de Perón, não existe essa palavra, mas se fala no grande pacto da sociedade, uma sociedade corporativa. No livro do Getúlio, nega-se o fascismo, falando de um autoritarismo moderno. Não gosto do Getúlio, mas concordei com a tese do Boris Fausto, e não ponho mais fascista.
Será que a industrialização do Brasil não poderia se dar sem o Estado Novo? Será que a industrialização da Argentina não poderia acontecer em um regime como acontecia no pré-Perón? Cabe lembrar que ambos os países já tinham indústrias e proletariado antes dos dois, mas o poder estava no campo. Considerando que o liberalismo dos anos 20 e 30, jamais permitiria uma desvalorização da moeda, pra proteger a indústria, o impulso industrial não aconteceria. Ao inverter a política econômica de antes do crash eles conseguiram impulsionar a burguesia nacional. Com uma política trabalhista, conseguiram um acordo entre capital e trabalho contra a agricultura, fazendo uma industrialização pela substituição de importações. Bem, infelizmente esse salto provavelmente não seria dado fora da estrutura da Era Vargas e do Peronismo.
Na queda de ambos, tanto de Perón (no caso de Isabelita), tanto de Getúlio, as circunstâncias econômicas já são muito distintas. Existe uma complexidade maior na economia industrial destes países onde a fórmula não encaixava mais. Achei fantástica a descrição que no plano de governo de Cámpora estava o aumento da participação dos salários na renda da nação. Nunca ouvi isso nem do Lula! Nunca na história do nosso país alguém deve ter posto uma meta tão avançada como essa! No caso de Getúlio o contraste não foi tão grande assim. Afinal ele voltou ao poder 5 anos depois de ter caído, enquanto Cámpora assumiu 18 anos depois de Perón ter caído, pesou mais os fatores políticos, mesmo porque Vargas não era tão contra o capital estrangeiro, tal qual Perón. E isso me deixou mais intrigado, então, numa estrutura complexa, a fórmula populista está fadada ao fracasso?
Mas, em qual circunstância se dará o desenvolvimento? Acho que a pergunta principal é que tipo de desenvolvimento procuramos e em que circunstâncias podemos tê-lo? Adoraria ver uma análise bem marxista das forças da sociedade dizendo onde nossa democracia nos leva. Acho que seria um exercício bem interessante. Será que existe um consenso sobre esse desenvolvimento? Se valorizamos o campo e as commodities, a nossa âncora verde, a tal da doença holandesa freia a indústria por causa da valorização do câmbio, se seguramos o câmbio para valorizar a indústria, prejudicamos as exportações. Ao mesmo tempo, se valorizamos o mercado nacional para acelerar o desenvolvimento externo podemos ter inflação, se a combatemos acabamos por arrochar os salários. Como convergir todas as tendências?
Talvez a democracia seja um regime político sem grandes alterações nas estruturas das sociedades. Vou dar um tom moral e dizer que mesmo assim é um bem em si mesmo, podemos deixar as lutas mais claras para que todo mundo possa ter uma atuação política de acordo sua atuação econômica. Ou não.
terça-feira, agosto 26, 2008
"Esse manda bem, Kassab Prefeito!"
A petebização de Alckmin
Os candidatos a vereadores do PSDB se recusam a falar o famoso “com Alckmin prefeito” no final das suas inserções. Para passar ao eleitor/telespectador a imagem que estão unidos, corta-se a cena e uma voz absurda diz que eles estão com Alckmin, o que ninguém acredita. Em compensação, os vereadores do PTB e demais nanicos com Alckmin, atacam a administração Kassab e falam a famigerada frase a todo instante. O que não deixa de ter uma certa comicidade pensar no Sérgio Mallandro pedindo voto para o bom moço. Ou o Ovelha, ou um Jogral que o partido do Eymael organiza três vezes por semana.
A campanha caminha por uma caretice grandiosa. Erraram a mão na imagem de bom moço, ou talvez ele não seja tão bom moço, e sim um grande carola. A sensação que se tem é que ou se escolhe Alckmin ou vamos direto ao Inferno. Realmente, acendeu em mim uma luz amarela sobre esta campanha. Esse exagero na caretice, essa opção pelo lúgubre, pela tragédia anunciada, só traz a idéia que a eleição do Alckmin é um retrocesso para a cidade. Afinal, uma metrópole, não pode ser administrada com o espírito de Pindamonhangaba.
Bem, fosse eu o governador José Serra, desembarcaria ainda mais da campanha Alckmin e embarcaria na campanha Kassab de vez. Perder com Kassab é melhor que ganhar com Alckmin (embora essa hipótese seja hoje improvável). É uma forma do governador manter seu programa de governo de quando foi eleito prefeito. Pode parecer um absurdo, mas, hoje, os democratas são muito mais progressistas do que o entourage de Alckmin.
Sem contar que a campanha do Kassab é contagiante. É totalmente o oposto da do Alckmin. É clara, tem musiquinha, não é carola, e talvez com mais ajuda do Serra tenha até potencial. E se o PSDB expulsar Serra?? Bem, duvido que façam isso, mas que façam! Talvez até fosse melhor para o Serra deixar o PSDB se afundar na carolice do Alckmin. Embora eu realmente ache que o lugar do Alckmin é no PTB mesmo.
terça-feira, agosto 19, 2008
Veranico Paulistano
Não me lembro de um dia tão bonito assim nesta cidade. Não é dia típico, o que deixa tudo isso mais raro. Se tivesse música tema, seria Piazzolla. Se fosse cenário, o CCSP. Eu que não gosto de verão, me converti. E pensar que São Paulo não combina com verão, muito menos com veranico. Tomara que não venha nenhuma garoa!
Veranillo
1. m. Am. Mer. Tiempo breve de calor o de sequía que, en América del Sur, suele presentarse a fines de junio.
2. m. Arg. y Chile. Período corto de bienestar.
segunda-feira, agosto 18, 2008
Almoço com o pessoal do trabalho

Mas as vezes existem umas sacadas tão legais! Não consigo imaginar outro lugar que uma cadeira quebrada no canto da sala ganhe uma etiqueta como se fosse uma obra de Marcel Duchamp. As vezes aparecem discussões dos primórdios da ferrovia; sobre como Paulo Egídio era um democrata. Você já discutiu sobre as inovações que o governo Carvalho Pinto trouxe para o Estado? Bem, já discuti isso numa reunião.
Hoje no almoço, acabei indo almoçar com umas pessoas que geralmente eu fujo, eis que entramos num assunto fantástico: o sucesso que o bolero fazia até Inezita Barroso gravar a moda da pinga! E assim, um monte de senhores que eu adoraria que fossem meus avôs começaram a lembrar de São Paulo do IV Centenário. Eu comecei a lembrar da descrição de Lima que o Vargas Llosa faz na Niña Mala. Devia ser um tempo bom esse do bolero e do mambo. São Paulo do bonde!
Ao final, fiquei sabendo sobre um show recente (risos...recente para eles né?) que o Piazzolla fez aqui em São Paulo com a Amelita Baltar. Legal pensar que eles foram num show que eu adoraria ir. Acho interessante ter bons contadores de história, dá uma coisa bem lúdica no ambiente de trabalho. Que ninguém me leia, mas, uma coisa meio vovô e eu. Não que meu avô não tenha histórias interessantes, ele até as tem, pelo menos falam que ele as tem. Mas nunca deu certo dele me contar coisas como um show da Ângela Maria, outro da Dalva de Oliveira, que sei que ele foi. No quesito avós eu sofro da síndrome do irmão do meio, então ando recriando esses fatos na CPTM.
Los Paraguas de Buenos Aires
Voz de Amelita Baltar
Letra de Horacio Ferrer
Musica de Astor Piazzolla
Está lloviendo en Buenos Aires, llueve
Y en los que vuelven a sus casas pienso
Y en la función de los teatritos pobres
Y en los fruteros que a las rubias besan
Pensando en quienes ni paraguas tienen
Siento que el mío para arriba tira
"No ha sido el viento si no hay viento", digo
Cuando de pronto mi paraguas vuela
"No ha sido el viento si no hay viento", digo
Cuando de pronto mi paraguas vuela
Vuela...
Y cruza lluvias de hace mucho tiempo
La que al final mojó tu cara triste
La que alegró el primer abrazo nuestro
La que llovió sin conocernos antes
Y desandamos tanta lluvia, tantas
Que el agua esta recién nacida, vamos
Que está lloviendo para arriba, llueve
Y con los dos nuestro paraguas sube
Que está lloviendo para arriba, llueve
Y con los dos nuestro paraguas sube
Sube...
A tanta altura va querido mío
Camino de un desaforado cielo
Donde la lluvia a sus orillas tiene
Y está el principio de los días claros
Tan alta el agua nos disuelve juntos
Y nos convierte en uno solo uno
Y solo uno para siempre, siempre
En uno solo, solo, solo, pienso
Y solo uno para siempre, siempre
En uno solo, solo, solo, pienso
Pienso...
Pienso en quien vuelve hacia su casa
Y en la alegría del frutero
Y en fin, lloviendo en Buenos Aires sigue
Yo no he traido ni paraguas, llueve
Y en fin, lloviendo en Buenos Aires sigue
Yo no he traido ni paraguas, llueve
Llueve...
sexta-feira, agosto 15, 2008
Cómo dos extraños
Cómo Dos Extraños
Roberto Goyeneche
Me acobardó la soledad
y el miedo enorme de morir lejos de tí
que ganas tuve de llorar
sintiendo junto a mi
la burla de la realidad
Y el corazón
me suplicó
que te buscara y que le diera tu querer
me lo pedía el corazón y entonces te busqué
Creyendo que mi salvación
Y ahora que estoy frente a tí
parecemos, ya ves, dos extraños
lección que por fín aprendí
como cambian las cosas los años
angustía de saber muerta ya
la ilusión y la fe
perdón si me ves lagrimear
los recuerdos me han hecho mal
Palideció la luz del sol
al escucharte friamente conversar
fue tan distinto nuestro amor
y duele comprobar que todo,
que todo terminó
Que gran error volverte a ver
para llevarme destrozado el corazón
son mil fantasmas al volver burlandose de mí
las horas de ese muerto ayer
Y ahora que estoy frente a tí
parecemos, ya ves, dos extraños
lección que por fín aprendí
como cambian las cosas los años
angustía de saber muerta ya
la ilusión y la feperdón si me ves lagrimear
los recuerdos me han hecho mal
http://b.radio.musica.uol.com.br/radio/index.php?ad=on&ref=Musica&busca=como+dos+extra%F1os¶m1=homebusca&q=como+dos+extra%F1os&check=musica&x=43&y=6
quinta-feira, agosto 14, 2008
Un recuerdo encontrado
segunda-feira, agosto 11, 2008
Eleições 2008 - Jundiaí

Alguns pontos para a disputa da prefeitura de Jundiaí
Sou jundiaiense e voto em Jundiaí, embora não more lá há muito tempo, me sinto um pouco curioso sobre a sucessão de Ary Fossen. É difícil votar a distância porque não participo efetivamente da vida da cidade, volto para lá alguns fins de semana somente. Mas sou um bom observador, e como tal, escolhi alguns pontos para me guiar na escolha dos candidatos a prefeito. Não me sinto a vontade em escolher os candidatos a vereador. Perdi o contato e infelizmente não estou lá para sentir a campanha, desta forma, assim como fiz nas últimas duas eleições municipais, votarei na legenda.
A cidade de Jundiaí completa este ano 16 anos ininterruptos de governos do PSDB. A ascensão tucana surgiu como uma disputa contra outras forças, tais como o ex-prefeito Íbis Cruz e Walmor Barbosa Martins e hoje os aliados destes se juntaram a força quase hegemônica dos tucanos na minha cidade. A oposição passou a ser do PT e outras forças que tentavam quebrar essa polarização. Nestas eleições, a oposição se apresenta dividida.
Na minha opinião o jundiaiense assimilou bem os governos do PSDB, e provavelmente vai continuar no poder por mais um tempo. Na última eleição, José Serra ganhou nas duas zonas eleitorais, bem como o Alckmin para a presidência. No entanto, Eduardo Suplicy ganhou a eleição para senador. No referendo sobre o desarmamento, deu não com 61% (tive preguiça de somar o resultado das eleições 2006...)
Destaquei alguns pontos e nos próximos dias me comprometo a procurar nos programas dos partidos alguns destes itens. Desde já descarto votar em Gérson Sartori por total antipatia, tanto ao partido como ao candidato.
Renda
Eu tava fuçando em algumas estatísticas e vi que o jundiaiense ganha pouco. O rendimento médio no vínculo empregatício é de R$ 1.363,13, contra R$ 1.441,44 do Estado (valores de 2006), mas o PIB per capita de Jundiaí é muito maior do que a do Estado, R$ 29.540,94 contra R$ 17.977,31. Bem, a renda do jundiaiense, nem do paulista, está lá muito associada ao trabalho, mas em Jundiaí, isso fica bem claro. O maior empregador do jundiaiense é a indústria, e em nossa cidade ela paga mais que no Estado (R$ 1.835,53 contra R$ 1.698,00 no Estado, em 2006). No entanto, o setor que mais cresce é o de serviços, e aí nossa cidade perde feio (R$ 1.203,46 contra R$ 1.557,85, em 2006). Considerando que o setor de serviços cresce em todo lugar, pode ser indicador de uma cidade moderna ou de uma informalidade crescente, a prova dos nove é a renda que ela gera, e pelo jeito, na nossa cidade não é um setor de serviços associado com tecnologia, que poderia aumentar a renda.
Acho que a prefeitura pode incentivar setores com maior renda, através da educação, bem como incubadoras e infra-estrutura. Afinal, somos vizinhos de duas metrópoles que respiram tecnologia e outros serviços, poderíamos nos beneficiar disso.
Igualdade entre os Sexos
Este tópico não estava na lista, no entanto, nessa história de olhar as rendas, vi que a mulher jundiaiense ganha bem menos que a mulher paulista; enquanto no Estado de São Paulo, a mulher ganha em média 20% a menos que os homens, em Jundiaí, isso aumenta para 30%. Será que isso também não pode ser resolvido com mais creches e estímulo para a mulher jundiaiense se profissionalizar??
Educação
O jundiaiense estuda em média 8 anos, um pouquinho a mais que o Estado, 7 e qualquer coisa. Não é pouco?? Se isso tiver correlação com a renda, isso pode ser uma forma de aumentar a renda do jundiaiense. Além do mais, nossa cidade não tem universidade pública, e isso mercantiliza ainda mais o ensino superior na nossa cidade. Na última campanha, isso foi tema da campanha de Sorocaba e eles conseguiram um campo da UFSCAR. Além disso, só 45% da população entre 18 e 24 anos tem o ensino médio completo. Estamos falando de um ensino médio que anda bem desacreditado na rede pública do Estado. É possível o prefeito influenciar para aumentar a oferta de vagas e estimular essa taxa para o alto.
Trânsito e Transporte
Por último, acredito que Jundiaí não é uma cidade amigável para o pedestre e o ciclista, nem tampouco para os motorista. Matamos mais no trânsito que o Estado (Morre 17,72 contra 16,82 do Estado para cada 100.000 habitantes). Além disso, temos um índice de 1,83 habitantes por automóvel, um dos maiores do Estado. A população transportada nos ônibus cai constantemente desde de 2000. Não é a toa que me sinto mais inseguro andando da estação de trem até em casa em Jundiaí, do que aqui em São Paulo!
Adoraria votar num candidato que agisse em duas frentes, numa, pensando em soluções de traffic calming em áreas movimentadas e ampliando esta solução no centro da cidade; noutra, pensando num plano municipal de ciclovias. Acho interessante pensar na bicicleta não como um lazer, mas como um meio de transporte. Temos bairros residenciais muito próximos do centro e que poderiam ser estimulados a se moverem por bicicleta. Por que não instalar bicicletários nos terminais de ônibus?? Seria mais uma forma de estimular o uso da bicicleta, e ainda assim incrementar os usuários do transporte público.
Bem, a princípio é isso que vai me nortear nas próximas eleições.
domingo, agosto 10, 2008
Claudia (ou Marina?)
Tenho trabalhado ultimamente com algumas mulheres tão machistas, tão retrógradas, que para mim é até uma surpresa ver uma manifestação de feminismo em algum lugar, e aí entra a Revista Cláudia. Lógico, que a revista representa um certo tipo de mulher que provavelmente não anda de trem, que tem faxineira, que tem um certo dinheiro, mas que também têm um certo orgulho de ser mulher, que têm sonhos, que convive com famílias modernas, que passam por conflitos na criação de seus filhos. Acho que o grande mérito da revista é mostrar o conflito entre a realização dos sonhos de uma mulher, sem perder sua feminilidade.
Para algumas feministas as tais páginas de sexo e de moda e de decoração que fizeram a revista famosa, o jeito com que esses assuntos são tratados pode parecer machismo. Mas será que uma mulher moderna, além do trabalho, não continua se preocupando com moda e sexo? Aí aparece para mim o desafio interessante, como ser mulher num mundo de trabalho totalmente masculino? Bem, tanto na Cebrace como na CPTM, tirando raras exceções, ou as mulheres se tornavam totalmente masculinizadas para enfrentar esse mundo, ou se portavam como mulheres-vítimas, utilizando-se de charminho e dengo para enfrentar o mundo dos homens, se colocando num papel machista horrendo, trazendo nelas mesmas todos os preconceitos da sociedade contra as mulheres. Que mulheres retrógradas! (vide a estagiária de secretária da CPTM que mereceria não só um post a parte, como também um estudo de caso de um psicanalista, ou de uma feminista tal como Camille Paglia)
Neste ponto a Revista Cláudia é uma prova, um pouco meio idealizada, de uma mulher que nos 80 tomou para si uma vanguarda, mas que anda meio sumida nestes 00, pelo menos nos meus círculos de amizades. Danusa Leão escreve textos hipermodernos, muito sensíveis, de alguém que soube ser feminista e feminina. Além disso, a psicanálise ainda é muito presente naquela revista. Que, talvez mais simplificada do que era nos 80, ainda assim mostra um jeito diferente de abordagem que nenhuma outra revista tem.
Por mim, todos deveriam ler uma revista bem acabada assim. Homens, para entender as mulheres e perceberem os restos do machismo ancestral que ainda persiste; mulheres, para se livrar das armadilhas deste machismo que ainda cobre como um véu que ilude as relações.
Bem, vou terminar com uma música da Marina, que é o símbolo de tudo isso que eu falei!
Pra Começar
(Marina/Antônio Cícero)
Pra começar
quarta-feira, julho 09, 2008
Por que votaria em Geraldo Alckmin
Um espírito democrático deve ser buscado porque são inúmeros interesses que se cruzam num governo municipal; numa área conurbada, a presença do Estado e dos outros municípios também deve ser considerada. Não podemos entregar a prefeitura para um projeto desconexo, de enfrentamento, onde o governo é só uma forma de fazer política. O PSDB governa o Estado há 14 anos. Os cegos pela ideologia dizem que o estado não mudou nada nestes 14 anos. Mas sim, ele mudou, se saneou e virou um investidor, que além de PACs e outras obras que buscam visibilidade, mudou a relação do Estado com a sociedade. Concedeu estradas e transformou a malha viária. Fez parcerias com a iniciativa privada e mudou a forma de administração dos hospitais. Ao sanear o Estado passou a ser o maior investidor de transporte público. Não temeu a iniciativa privada e não temeu a sociedade civil, não a toa elegeu José Serra governador no primeiro turno das eleições de 2006.
Entregar a capital do Estado, onde se sente ainda mais a presença do governo do Estado na mão de um PT que busca antes de nada o confronto eleitoral, e onde o que os move é a próxima eleição, é uma idéia aterrorizante. Triste pensar que democrático é um partido que confunde sociedade com militância. Numa era de total diferenciação social, é ao menos intelectualmente frágil a aposta que exista um partido de classe realmente verdadeiro. O problema de eleger o PT na capital é que a busca eleitoreira e a visão parcial de sociedade emperre a criação de uma metrópole moderna e sustentável. Como se pode confiar numa prefeitura do PT, se, no plano federal, eles simplesmente ignoram a interlocução com o Parlamento? Se tratam o presidente como um espírito iluminado que está descolado da sociedade? Eleger Marta Suplicy é entregar a capital ao marketing, e não ao trabalho formiguinha que vem mudando esse Estado há 14 anos.
Existem coisas em Geraldo Alckmin que não me agrada nenhum pouco. Existe uma certa truculência (caso Castelinho), a figura de notório carola também me deixa um pouco desconfiado. Mas não se pode negar que ele foi elemento importante nessa transformação que já dura 14 anos. Embora me alinhe muito mais com Serra, frente a possibilidade de Marta, das taxas, e do PT, das invasões, das greves sem sentido, do estado policial que instaura com as ações da Polícia Federal, do mensalão, da corrupção amiga; não tem como não votar no Alckmin!
