domingo, março 07, 2010
Lugar de mulher é na Revolução!
sábado, março 06, 2010
Cada coisa em seu lugar e a seu tempo
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
Discussões no Congresso
terça-feira, fevereiro 23, 2010
O tempo de Maringá não é o tempo de São Paulo
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
Bons Costumes
Pelo que eu entendi do título original, o filme poderia se chamar “Virtudes Fáceis” e aí ele faria bem mais sentido. Há virtudes que não são fáceis de se ter, que levam você a situações difíceis, que em determinadas situações são até condenáveis pelos outros, mas não são vícios, são virtudes. No entanto, há virtudes fáceis, que provocam tanto orgulho que acabam sendo utilizadas como vício.
Acho que é isso que eu entendi do filme, achei bem interessante como uma virtude que sempre admirei como o bom convívio social, se utilizado em demasia pode encobrir muita maldade, hipocrisia, tudo envolvido nos Bons Costumes da tradução para o português.
O filme se passa nos anos 20/30, entre guerras, que por si só já é um motivo para me levar ao cinema. Conta a história de um rapaz inglês que conhece uma americana “moderna”, casa-se com ela e a leva para a casa de seus pais numa propriedade rural na Inglaterra. Ali a modernidade da moça (e da sua origem) se contrasta com o conservadorismo da sua sogra e da comunidade. Bem, o fato de uma mulher urbana e moderna se sujeitar, por amor, a uma vida no campo num ambiente totalmente deslocado, já mostra que esse amor que a levou até lá não é uma virtude fácil. No entanto, o desenrolar da história é que num ambiente onde se presa o bom costume, ou a virtude fácil, virtudes maiores não são vistas com muita simpatia e se tornam presa do bom costume agora travestido em vício.
O interessante é o papel do pai da família, que, veterano de guerra, tem um choque radical com o mundo tal qual a moça americana, e interessante ver que talvez o background de bons costumes no qual fora criado, ao se ver em contato com outro mundo, só lhe trouxe a apatia, enquanto à moça, a ousadia.
Nossa, relendo parece que o filme é bem chato, não é. É uma comédia muito interessante, um humor inglês e tem a cena de tango mais bonita que eu já vi (muito melhor que Perfume de Mulher).
sábado, janeiro 23, 2010
Droit
Ser Direita no Orkut
Não acredito que uma visão política possa ser definida em termos de extrema esquerda, esquerda, centro, direita, extrema direita, libertário, autoritário ou depende da situação como o orkut nos pede para definirmos. Embora não contemple todo o conjunto, considerando que é uma sinalização para outras pessoas, acaba dando uma ideia do que esta pessoa pensa; sendo assim, sempre tenho uma crise sobre o que pôr neste quadro.
Pois bem, nos primórdios, quando o orkut era mais norte-americano que brasileiro, havia uma classificação de esquerda-liberal e me encaixava bem nela. Embora tenha sido severamente contestado sobre este esquerda-liberal estar ali, o liberal tirava todo o autoritarismo da esquerda e considerando a máxima de valorizar o trabalho ao invés do capital, definição esquálida de socialdemocracia, conseguia responder pela esquerda.
Ao perder o liberal, o termo esquerda ficou associado à nossa esquerda, aquela que enche a boca para falar que é esquerda e para quem ser direita é um xingamento. Como isso é totalmente autoritário e como nossa esquerda que adora dizer que é esquerda tem seu lado chavista; se nas classes baixas, ao renunciar à livre iniciativa em troca de uma mão do Estado; se nas classes médias, como reflexo de sua culpa e para garantir sua eternização nas bocas do Estado, garantindo aos seus filhos o acesso exclusivo à universidade púbica e aos melhores cargos na burocracia; se nas altas, por um complexo de culpa tremendo e pela garantia que o papai-Estado lhe proverá, se não com sua intervenção para garantir seus negócios, quando não muito pela própria interferência neste.
Como não concordo com os que se dizem esquerda, não poderia mais ostentar o status de esquerda, afinal não sou como eles, causo estranhamento à eles quando vêem meu status como tal e me estranho de estar no mesmo clube que eles. Sendo assim, foi necessário um outro título.
A ideia de escrever sobre isso é tão absurda e só pode ocorrer em certos círculos cuja minha vida tangencia e num país patrulheiro como o nosso, onde votar na Marta e falar das celebridades tomando um Dry Martini é uma coisa comum. Assume-se a sociedade de consumo e se expia da culpa no voto.
No entanto, após um período longo de observações sobre mim e sobre o mundo que vivo, acho que está na hora de pôr o direita no campo de visão política. Não que isso queira dizer lá muita coisa, mas hoje, por exclusão é onde me encontro.
Fazendo um Credo nas coisas que acredito, posso ter criado um pensamento monstrengo que não cabe nas palavras de ordem dos esquerdinhas militantes que ainda não renunciaram ao Stalin e que não cabe na sua concepção de um conservadorismo extremo com que veem a direita.
Pois bem, creio na livre iniciativa das pessoas e que o Estado deve garanti-la como forma de proteger sua liberdade individual e que o trabalho prevaleça sobre o capital. Ao incentivar a livre iniciativa, humaniza-se o trabalho e diminuem-se as desigualdades econômicas. Acredito que o trabalho deva prevalecer sobre o capital e que o Estado deve garantir isso ao ser fiador dos direitos trabalhistas, de um piso salarial, de uma política econômica que não permita o arrouxo salarial, mas este mesmo Estado não pode tolher o capital e sim intermediar estes dois pólos dialéticos. O Estado deve ser laico e impessoal. Como forma de garantir que atenda a todos o Estado deve renunciar sua atuação ampla e ser mínimo, como forma de garantir que não haja apropriação da burocracia por parte alguma; no atual estágio somente o Estado-mínimo pode dar eficiência no trato da coisa pública e a fiscalização, função deste Estado-mínimo, pode ser feita por um conjunto amplo da sociedade enquanto a ação é dominada por aqueles que dominam a burocracia. Devem ser garantidas e estimuladas todas as formas de representação e pensamento, sejam difusas ou coletivas, garantindo uma participação universal da formulação das leis e na execução das ações do Estado e não se deve permitir jamais que uma vanguarda controle tudo isso e policie aqueles que discordam. Trabalhar para o Estado me deixou mais privatista.
Desta forma, acho que Direita é um bom termo para dar uma linha geral sobre meu pensamento político. Embora fundamentado num pensamento totalmente socialdemocrata de democracia e equilíbrio entre capital e trabalho, como a esquerda renunciou a estes em troca do chavismo, me defino assim, sem culpas nem arrependimentos.
sexta-feira, janeiro 22, 2010
O terçol e a modernidade
O único problema é que todos esses sistemas altamente especializados esbarram numa porta que, deveria segundo o Giddens, fazer com que nossa confiança nesses sistemas fosse construída. Assim a certeza de que o piloto de avião ou o corretor da bolsa sabem muito bem o que fazem nos daria confiança no avião e no mercado de ações.
terça-feira, janeiro 12, 2010
Foi o Dilúvio!
Quando se fala que houve uma catástrofe natural, naturalmente se naturaliza a catástrofe, esquecem-se as causas e todos se compadecem nas conseqüências, como se fosse a coisa mais natural, uma sina, a catástrofe natural. No entanto, não foi Deus que fez a cheia do Rio Paraitinga e puniu São Luiz pelo carnaval famoso da cidade. Talvez se perguntássemos ao índio que deu o nome de Paraitinga ao rio ou ao português que pôs São Luiz na garganta dele, ambos confirmariam que o rio enche. A única vez que fui a São Luiz do Paraitinga, no estio, vi uma rua inundada e marcas nas casas da inundação anterior, de tal forma que cheia não é uma ato divino e sim algo recorrente.
O que quero dizer é que ao invés da comoção, das promessas de reconstrução, da comunhão entristecida da vanguarda preocupada com a reconstrução do monumento histórico e do carnaval folclórico, não houve um jornal que se propôs a investigar a causa da tragédia. Foi a chuva, oras. Mas chuva, embora aleatória, não é um fenômeno desconhecido e o que não se conhece da chuva, se mede, se faz estatística e estudar chuva é uma ciência; prever enchentes, não quando, mas como, é o que faz os hidrólogos e que deveria fazer um comitê de bacias, ainda mais de uma bacia, como a do Rio Paraíba do Sul que tem praticamente todo seu potencial hidrelétrico explorado e o comitê de bacia mais bem estabelecido do país.
No mínimo se deveria fazer um inquérito e chamar o presidente do comitê de bacia e o chefe do DAEE para explicar como uma curva de remanso de uma hidrelétrica pode inundar uma cidade e chamar o chefe da Defesa Civil para explicar como numa cidade acostumada com cheias não houve nenhum alerta.
Estas tragédias de começo de ano são tão previsíveis que até dá preguiça em comentar. O problema é que o foco é sempre na solidariedade do povo comovido e na autoridade que viajou. Deste mal já padeceram tucanos como Eduardo Azeredo e petistas como a Marta Suplicy, padeceu este ano Sérgio Cabral e se eu fosse governador ou prefeito nunca tiraria férias no ano novo. No entanto, ninguém se pergunta do porquê das tragédias e fica tudo como se fosse uma tragédia que aconteceu para unir o povo, este ente que sem a participação das autoridades é capaz de se ajudar, já que somos brasileiros, povo bom que se une na adversidade, que não desiste nunca. Balela.
domingo, janeiro 10, 2010
Vida Peregrina
Dia de nostalgia. Como foi bom reler meu blog. Escrevo aqui desde o final de 2006, completando três anos e alguns meses de postagens constantes. Foi um olhar para trás para se preparar para caminhar mais uns bons anos.
Uma das coisas mais curiosas que percebi foi que não deixei um Dia Internacional das Mulheres e um Dia do Trabalho passar em branco. Nos três anos escrevi sobre estas duas datas que acho importantíssimas. Nos três anos escrevi sobre a igualdade de gênero e sobre a beleza da feminilidade. Foi uma constante também a discussão do capital versus o trabalho e da busca do trabalho como fonte de realização pessoal.
Achei inacreditável o quanto reclamava antigamente do trabalho via blog e como isso mudou bastante, não que eu ainda não tenha meus problemas com ele, mas encontrei outros meios e passei a encarar o trabalho de outras formas, ou tirar dele muitas obrigações. Ainda não está tão leve como deve ser, mas caminhou muito.
O Catolicismo apareceu em todos os períodos, como dúvida, como certeza, como fonte e culminou no Crisma de dezembro de 2009, talvez como um processo de retomada de influencias passadas que foram trabalhadas e resolvidas.
Reler o blog deu uma sensação tão gostosa de reviver momentos fantásticos como minha primeira visita ao Rio de Janeiro, a primeira vez que fui ao Ritz, meu primeiro Truffaut, a febre de Maria Antonieta causada pelo filme; foi ótimo sentir as mesmas sensações e principalmente pensar no porque elas foram tão marcantes. Para quem se considerava inconstante, foi bom constatar que minhas paixões são constantes, às vezes elas saem de cena, mas sempre voltam e estas idas e vindas foram bem registradas. No entanto Buenos Aires foi constante, passou por todos os anos como a minha maior ilusão, meu sonho feliz de cidade.
Como vi filmes e li livros! Como revi filmes e reli livros! Sempre achando coisas diferentes, criando ídolos e ondas, que vinham, voltavam e modificaram muito minha linguagem. Quanta vírgula deixei de usar, quanto erro de português encontrei!
No blog está o começo de alguns amores, o fim de outros, as diferenças marcantes e como me modifiquei com tudo isso chegando à discrição de diminuir a freqüência destas citações para viver um amor maduro, sem as dúvidas e oscilações presentes em todos os outros.
Ali no blog esteve toda a vontade de pertencer a um grupo e todo a percepção da inutilidade desta tentativa, e principalmente a felicidade de libertar-me de qualquer amarra que um grupo poderia me trazer, amarras implícitas em comentários nem sempre muito agradáveis, fogo amigo que foi muito mais fogo que amigo e que hoje nem é fogo nem amigo.
Politicamente me tornei muito mais liberal, mas muito coerente. Dentro de todas as contradições possíveis, meus princípios atravessaram três anos muito bem preservados e me orgulhei disso. Paulista, engenheiro, católico, liberal e intuitivo. Acho que caminhei para rótulos de uma maneira bem refletida, bem discutida.
Passaram três anos e as circunstâncias mudaram e eu também, continuo sendo produto delas, elas me moldam, me carregam; fantástico constatar que o núcleo passou incólume e as circunstâncias também foram produtos de mim.
sábado, janeiro 09, 2010
Da importância das pequenas metas
Devagar se vai ao longe. Uma grande caminhada começa no primeiro passo. O ótimo é inimigo do bom. Existem tantos ditados para dizer que a gente deve se preocupar em pequena escala para atingir a grande escala e, no entanto, sempre se vê um elogio a grandiloqüência, afinal parece que nossa sina é o sucesso. Sem fazer marolinha nem fazer uma apologia à revista Vida Simples, começo a acreditar muito nesta questão das pequenas metas.
Quando me Crismei no final do ano passado, além de todo o simbolismo religioso, não consigo não pensar na benção do bispo como uma sensação de dever cumprido, de algo que comecei e terminei. Embora esse ato em si pode não trazer grandes modificações no curso da minha vida (ou pode, agora considerando o simbolismo religioso), o fato de saber que comecei algo e levei até o fim me deixou muito bem, feliz.
Fui assistir Julie & Julia e a fiquei pensando na volta pra casa exatamente nisso. Uma pequena meta pode liberar sonhos suficientes para criar grandes saltos, e aqui não falo de sucesso, mas sim de auto-conhecimento, de felicidade pessoal, de encontrar significados e significantes.
Esse pragmatismo do executar algo com escopo e prazo definido (seria a definição de projeto?) ao permitir a sensação de fim, acaba deixando a vontade de se aprofundar. Um dia de cada vez a gente vai criando idéias e entre uma idéia e a execução existe um longo trecho e cada trecho com sua intensidade e vencido cada trecho a gente sempre pode refletir sobre a importância de continuar ou não, enquanto se pensarmos no trecho como uma coisa só pode-se chegar ao fim sem ter realmente querido estar lá e principalmente sem olhar a paisagem.
É preciso olhar a paisagem e é preciso terminar o que se começou.... vou tentar fazer isso este ano!
quinta-feira, janeiro 07, 2010
A Primeira Noite de um Homem
Não sou um crítico de cinema, definitivamente; não entendo nada de montagem, iluminação, continuidade, roteiro. Sou apenas capaz de tentar analisar o que o filme causa em mim e tentar compará-lo a outros que vi. Muitas vezes acho que assisto um monte de filmes para ter um cardápio de metáforas maior para expressar coisas que tenho vontade de dizer e outras que nem sei se tenho vontade de dizer, mas que talvez devam ser ditas; não sou nem crítico de cinema nem baseio minha vida em filmes.
Segundo um horóscopo que li, neste 2010 estarei sobre uma conjunção astral fantástica, regida por Júpiter e por Vênus que sinaliza a concretização de sonhos e algumas mudanças, segundo o mesmo horóscopo para que eu tivesse idéia do que essa conjunção significa, deveria lembrar-me de como foi meu biênio 1998/1999, exatamente a época em que assisti “A Primeira Noite de um Homem” pela primeira vez.
Entre a primeira vez que vi o filme e a segunda, que acabou de acontecer, me contaram, e depois pude vivenciar, dois conceitos que ainda hoje me intrigam. O primeiro é que sexo, embora seja vendido como libertador, é um reprodutor de padrões, mesmo que ele acabe sendo a base da transgressão, já que é nesta arena que hoje se combatem os padrões. O segundo é que o que a gente leva dos nossos pais é como se relacionar como casal, mas que isso também não é imutável. Talvez por isso o famigerado choque geracional sempre tem a ver com uma mudança nas formas das relações e com o sexo.
Se o choque geracional faz crescer, e se para crescer é necessário superar alguns desafios psicológicos e incluir no nosso arcabouço psíquico muitos elementos como o sexo e a forma de se relacionar como casal, talvez o ato de crescer assemelhe-se com a conjunção astral e não seja único e sim algo que ocorre algumas vezes na vida. Talvez aí a euforia causada pelas duas vezes que vi o filme.
Convenhamos, os cortes e as seqüências que dão o tom da passagem de tempo são fantásticos e a trilha sonora do Paul Simon é ótima, mas não há como não ficar pasmo frente à tomada da consciência do personagem principal, que passa da adolescência para juventude e depois para a vida adulta resgatando valores da primeira e recuperando experiências da segunda para viver uma terceira de maneira plena, no seu self.
Preocupa-me saber que alguém não se sinta eufórico ao ver este filme, talvez um homem mais que uma mulher, já que no fim se trata do desenvolvimento do homem. Mas sentir o filme é uma experiência única, mesmo que você o veja duas vezes. Comprei o filme e acho que esperarei uns dez anos para vê-lo novamente.
terça-feira, janeiro 05, 2010
Choque Geracional
domingo, janeiro 03, 2010
Padre Vieira e a Democracia
terça-feira, dezembro 29, 2009
5+ - 2009
1a. Fazer lista é mais um exercício de memória que de gosto;
2a. Eu sempre vejo as coisas defasadas, sou um atrasado.
5+ - Filmes:
- Amantes: Assisti 3 vezes no cinema e adorei as 3. O filme é meio sombrio, o tema é tabu, mas acho tão bem retratado, tão verdadeiro e tão honesto nos seus defeitos que talvez seja o filme que mais marcou este ano para mim.
- É proibido fumar: Estava na dúvida da posição, mas como é brasileiro ganhou um ponto (hehe). Na verdade é uma resposta a minha frustração de não me sentir representado em filmes nacionais. Gostei do filme exatamente porque todos os personagens ali podem ser meus conhecidos e seu drama é factível. Glória Pires está ótima e o Paulo Miklos mais ainda, filme que funciona.
- Bastardos Inglórios: Não gosto do Tarantino, da "estética da violência" (soou conceitual...hehe), mas o filme é interessante, gostei da liberdade de mexer com a história, meio dessacralizando-a. Até no insulto bobo e caricato ao nazismo ele foi bem humorado. Interessante brincar com a história.
- 500 dias com ela: Entrei no cinema achando que veria um filme bobinho e achei um filme bem mais complexo. Talvez ao brincar com o esse mito que nos persegue, esse romantismo que se renova a cada dia, ele nos ponha na defensiva e no fim o restaura de uma maneira não exagerada.
- Aconteceu em Woodstock: Filme bonito, interessante, história bem contada e por ter gostado de um filme do Ang Lee, merece ser citado.
- Simplesmente Alice: Assisti com mais de 10 anos de atraso, mas gostei muito do filme, achei extremamente perspicaz, vou ser categórico: foi o melhor filme do Woody Allen.
Está relacionado com os shows que fui...
- Bellisimo così: Foi a música mais ouvida por mim em 2009. Começou como obrigação para me preparar para o show da Laura Pausini, e quando vi, estava escutando mais do que deveria.
- Desormais: Está aqui só para constar que fui no show do Charles Aznavour, acho que 2009 foi o ano que menos ouvi Charles Aznavour, mas foi o ano que fui vê-lo, e talvez isso represente um fim de uma época.
- Viagem: Comprei um cd da Vanessa da Mata nas Americana e fiquei fã e ele ainda virou trilha sonora! Mas essa música é realmente interessante, desde que comprei, encano em uma música, mas nessa encanei por mais tempo.
- Prima che esci: Mais uma da Laura Pausini, pena que não cantou no show.
- Poker Face: Momento divertido ao som de Lady Gaga.
5+ Livros.
Eu não tenho memória!
- Poemas completos de Alberto Caeiro: comecei a gostar de poesia no ano passado e esse ano foi o livro que mais gostei, que mais carreguei depois de ter lido, e que vez em quando ainda releio. (não sou crítico, não sei comentar).
- Golpe de Ar - Romance jovem, achei interessante por ser exatamente jovem, acho que precisava ler coisas mais joviais e achei um escritor que quando lançar mais um livro, vou querer ler. Gostei da forma que escreve e achei a história, embora simples, muito bem contada.
- O livro do Riso e do Esquecimento - Como é gostoso ler um bom contador de história, que consegue alinhavar vários pensamentos ao longo de contos e que por meio de metáforas bem construídas consegue universalizar um tempo e um espaço bem definido. No começo do ano entrei numa ondinha Milan Kundera por causa deste livro.
- Cordilheira - A mesma coisa do 2o., só que um pouco mais clichê.
- Cartas de Caio Fernando Abreu: É meio voyeur ler cartas dos outros, mas as cartas de Caio F. eram tão divertidas, inspiradas, adorei lê-las e comecei até a escrever mais cartas. Daria este livro para o Gabriel Chalita e para o Padre Fábio!
segunda-feira, dezembro 28, 2009
Reforma Política
Sempre considerei a Reforma Política como a “mãe” das reformas, sem ela não poderíamos enfrentar nenhuma outra reforma, e ainda acredito que são necessárias outras reformas como a da Previdência, a Sindical e a Tributária (alguns poriam a Trabalhista, mas essa eu sou contra). Mesmo que a população tenha votado sistematicamente contra essas reformas nas duas últimas eleições nacionais, são temas que devem ser discutidos até para um claro entendimento do porque se é contra.
Entretanto, de uns tempos pra cá, mais precisamente depois da interpretação do STF sobre a fidelidade partidária, meu reformismo arrefeceu. Considerando tudo que se propõe, começo a desconfiar que não temos um problema de representatividade. Suponha que seja aprovada realmente uma proposta de voto distrital, todo o paroquianismo que reclamamos que há no Congresso seria legitimado, aumentando ainda mais o neocorenelismo. Se se aprova uma proposta de lista fechada, entregamos na mão de partidos em que não confiamos o arranjo das listas para as eleições proporcionais e aumentamos o caciquismo dentro dos partidos.
O meio termo, o voto distrital misto, combinaria a escolha de deputados com projeção em seus Estados, com uma metade do congresso que estaria vinculada a um determinado distrito. No entanto, no nosso sistema eleitoral hoje, se um partido não tiver um deputado com expressão no Estado como todo, não elege deputado algum, e sem um puxador de voto local, o deputado de expressão não consegue liderar a lista do seu partido elegendo o puxador local que não atingiu o coeficiente eleitoral. Na verdade, desconfio que já estamos vivendo um voto distrital misto desde 1986. O puxador de voto estadual, geralmente deputado de renome ganha votos em todas as seções, mas sem o voto da liderança local, ele não consegue nem cacifar seu nome, nem dar ao partido todos os votos necessários para a formação da bancada. Além disso, como a colocação dos nomes na lista partidária se dá pelo voto recebido, democratiza-se o partido na urna, já que o partido foi incapaz de se democratizar nas prévias.
Vou ressaltar a importância que dou ao puxador de voto. Este nome de expressão que liderará a lista é o quadro que assumirá papéis importantes dentro do futuro Congresso e principalmente será responsável pela renovação dos quadros políticos no seu Estado e consequentemente no País. A gente tem que estimular puxadores de voto para que haja renovação. Acabar com o puxador de voto torna o Congresso refém de interesses paroquiais enquanto os puxadores de voto são mais sensíveis à pressão da sociedade como um todo e de toda sorte de interesse difuso e coletivo.
Com certeza a vinculação do deputado a um distrito o torna mais “vigiável”, no entanto, as demandas locais chegarão à bancada pelo deputado puxador de voto local, e a bancada não será insensível à estas demandas, já que elas são extremamente valiosas tanto para o arranjo da lista proporcional, como para garantir o tamanho da bancada.
Lógico, que o sistema não é perfeito, é necessário perpetuar a fidelidade partidária da maneira que o STF a interpretou e ainda assim seria necessário voltar a verticalização, que foi entendimento do STF e valeu em 2002 e 2006, mas que os deputados derrubaram em Lei. A verticalização racionaliza o processo, já que chama o partido a coerência, democratizando-o como a lista aberta o faz.
Sobraria por fim dois aspectos da reforma política: financiamento público e formas de financiamento. Mais financiamento público que o horário eleitoral gratuito não existe, já é dinheiro suficientemente grande para um partido se viabilizar, sem contar que ele é distribuído de forma justa e ainda há o fundo partidário. A questão de que é inviável se eleger com as regras de financiamento de campanha atual não é caso de Reforma Política, é caso de polícia, criminal. A lei é essa e cumpra-se. Se não é possível ganhar uma eleição com estas regras e se, como Lula afirmou, todos fazem. Punamos todos e se aprenderá a ganhar eleição com estas regras. Apenas mexeria na possibilidade de doação secreta, mas a sociedade pode cobrar isso sem a força da lei, no momento que um candidato apontar que o outro recebeu doação secreta a sociedade entenderá o recado.
Existe a questão do peso das bancadas dos Estados, mas essa discussão nasce morta, sempre existe a teoria da conspiração que os paulistas querem todos os espaços do congresso, que os estados grandes já tem importância e os pequenos precisam de mais representatividade, mesmo sendo o Congresso a Casa do Povo e que esta questão de representação se dá no Senado, que é a Casa da Federação. Como isso não será resolvido nunca, desisto a priori desta discussão, embora ache totalmente injusto meu voto valer menos que o voto de um cara de Roraima.
quarta-feira, dezembro 23, 2009
Agora é Aécio
Não é um posicionamento ideológico, se assim o fosse estaria aqui falando do quanto acho Serra o melhor candidato à presidência; acredito que seja o mais capaz de trazer uma normalidade democrática e institucional, uma volta ao rumo da modernidade e não esse remendo de varguismo requentado que nos apresenta Lula.
Apesar de achar Serra o melhor candidato, quando olho os noticiários e sigo minha intuição, tenho quase certeza de que quem será o candidato da oposição, com grandes chances de vitória é Aécio Neves, e não José Serra. A desistência de Aécio, para mim, é o ato mais importante de sua campanha, que agora será não-campanha até abril.
A força de Serra é exatamente sua fraqueza. Afinal, a chance de atrair mais votos do que a intenção de voto que ele já possui hoje é pequena, enquanto Aécio é a novidade. Considerando a situação do Estado de São Paulo, onde é um governador popular, tem-se a impressão que mais difícil será ele sair para presidência. Considerando que Alckmin pode vir a ser candidato a governador, caso ele perca a presidencial, perderá também o Estado, já que Alckmin aqui é um fogo amigo muito mais fogo que amigo. É possível derrotar Alckmin dentro do partido, principalmente depois do fiasco na eleição municipal, mas isso seria um desgaste e exigiria do candidato Serra a presidência uma dedicação gigantesca num Estado que ele já tem os votos, impedindo-o de fazer campanha onde ele precisa conseguir votos.
Vamos considerar que a pior votação do PSDB, à do próprio Alckmin em 2006, seja um voto cativo, teríamos o PSDB ganhando em 7 Estados, sendo somente 2 Estados-chave: São Paulo e Rio Grande do Sul. Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Roraima viriam por inércia, pela própria característica destes Estados, lembrando que em Santa Catarina a oposição tem os dois principais candidatos liderando e no Paraná há a oposição, Beta Richa, e uma pseudo-situação, Osmar Dias, também liderando, o que pode vir a trazer mais votos anti-Lula.
Com esta plataforma mínima, a estratégia seria ampliar a diferença nestes Estados, o que pode vir a ser fácil pela liderança absoluta dos partidos de oposição no Paraná e em Santa Catarina, pela grande polarização e rejeição ao PT no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, pelo medo do PT no Mato Grosso e em Roraima e pela grande popularidade de Serra em São Paulo, Estado que o mesmo grupo governa desde 1982.
Além de ampliar a vantagem haveria de ganhar espaço, e considerando os 7 Estados azuis, por semelhança, a oposição deveria ganhar o Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais e diminuir o massacre nos demais Estados. Aí está o problema: em Goiás, uma campanha de Marconi Perillo pode trazer votos, no Distrito Federal pós-Arruda, existe a ambigüidade de Roriz que não se pode contar e em Minas existe Aécio Neves.
Serra precisa de Aécio, Aécio prescinde de Serra. Considerando que os votos ganhos por Alckmin vão ser repetidos em qualquer um dos dois, Aécio pode trazer Minas e fazer uma fenda no Nordeste, diminuir a rejeição no Rio e no Nordeste e poderá contar com os votos paulistas que Serra lhe dará como por inércia dentro de sua campanha à reeleição. Caso Serra seja o candidato, sem Aécio ele não consegue atrair novos votos, além de ter que administrar a campanha em seu próprio Estado.
Sem contar que sempre há o risco do efeito Carlos Sampaio. Serra pode liderar o primeiro turno inteiro, e no segundo turno todos os votos se voltam contra ele. Aécio tem mais desenvoltura para escapar desta armadilha que o PT tenta criar ao propor o plebiscito entre os partidos, além do que, uma campanha Aécio estimula uma campanha Ciro, que é o grande ladrão de votos de Dilma.
Por tudo isso, eu realmente acho que até março Serra decide ficar em São Paulo, e em 1º de janeiro de 2011 quem assumirá a presidência é Aécio Neves.
terça-feira, dezembro 22, 2009
O Grande Gatsby
Lógico que o retrato da Era do Jazz deixa o livro fabuloso, afinal tenho impressão que foi um dos períodos mais fantásticos que nossa civilização já viveu. Entre o Fim da Primeira Guerra e o Crash de 29 a modernidade deve ter atingido seu ápice. O bom do livro é que de uma maneira enviesada ele até zomba um pouco da modernidade.
A primeira vez que o li fiquei tão fissurado nas festas que não percebi a beleza do fim. Pois no fim, mesmo numa sociedade aberta para o sucesso, o berço dá uma segurança extra. Embora queiramos sempre acreditar que isso não existe, haverá sempre a diferenciação da elite e dos emergentes e ela se imporá na hora certa, como no livro.
Gostei de ter relido!
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Aconteceu em Woodstock
O que eu gostei em “Aconteceu em Woodstock” foi a simplicidade do enredo, como os personagens são exagerados e o roteiro simples, alguns aspectos que poderiam passar desapercebidos se mostram mais. Assim a questão do movimento hippie como uma conseqüência do capitalismo e não uma reação a ele surge muito claramente no filme, já que existe a procura pelo lucro, porque sabemos que dez anos depois todos eles votarão Reagan e que é possível combinar a felicidade com tudo isso, sem necessariamente refugiar-se numa fuga nas drogas ou numa comunidade hippie, como é o caso do protagonista. No entanto, mostra como certas experiências místicas podem realmente modificar a trajetória de uma pessoa, e acredito que Woodstoock foi pedra angular da vida de muita gente.
Fico tentando imaginar o que é a sociedade norte-americana na cabeça do Ang Lee, na verdade existe uma dualidade entre a repressão moral e a liberdade individual que não são conceitos orientais. Talvez por isso a questão do desejo sempre apareça nos filmes, e nesse, dentro de uma experiência mística coletiva permite também a discussão do desejo em suas diversas formas, do casamento-tipo à homossexualidade. Também é interessante algumas inversões de valores como a velhinhas progressistas e os jovens racistas. No fim eu sempre acho que existe um elogio da liberdade individual frente a repressão moral, neste filme isso é celebrado mais ainda!
Ah, não se pode esquecer que as imagens são maravilhosas, nunca fui muito de fixar-me nas imagens, mas elas são um elemento fundamental da narrativa. Se o filme tivesse meia-hora menos, seria um filme muito melhor, mas mesmo longo, ainda é uma ótima diversão.
Saí do cinema como quem viu uma sessão da tarde. Ri dos estereótipos, adorei as imagens, gostei dos conflitos e principalmente das suas soluções.
Hippies e Romantismo
Não consigo não pensar no movimento hippie como uma forma moderna de romantismo no contexto da fuga e da contestação dos tais valores burgueses. Assim como o Romantismo nos permitiu tornar heroicas as revoluções liberais, o movimento hippie legitimou o meu grande clichê de todos os textos, os interesses difusos coletivos, dali ganhou força o ambientalismo, permitiu uma radicalização do feminismo e do movimento gay.
Mas e Ronald Reagan?
E agora José? Pois é, todos os caminhos levaram a Ronald Reagan e enquanto este fenômeno não for explicado, mantém-se uma grande interrogação sobre o que foram os anos 70.
terça-feira, dezembro 15, 2009
De volta às cores
Depois de três semanas entre tons pastéis, cinzas e verossimilhança de Woody Allen, foi fantástico assistir a Abraços Partidos de Almodóvar. Voltaram as cores, como se toda a terapia do primeiro viesse desabar no inconsciente do segundo. Como tudo beira ao absurdo, mas um absurdo tão possível em Abraços Partidos, não se perde a humanidade, a gente se sente a ultrapassando.
Acho fantástico como Almodóvar consegue mostrar pessoas em situações limites, até esterotipando-as, sem, no entanto, perder a verossimilhança. É como se num instante pudéssemos sair de nossas situações sob controle e chegarmos à extremos. Uma paixão avassaladora, um ciúme doentio, uma busca frenética, tudo é muito simples de ser alcançado, mesmo para quem vive dentro dos padrões. Nestas situações o vermelho fica bem mais vermelho, o amarelo brilha, o azul se torna anil, a realidade vira surrealidade.
O filme é interessante por ser, como disse a Bravo, o filme masculino do Almodóvar, embora o masculino ali tenha humores que são essenciais ao feminino. Bom filme, um filme que é uma boa diversão, bonito de ver. Além disso, as referências à Mulheres à beira de um ataque de nervos são hilárias.
Castelhano
Eu realmente sou apaixonado pelo castelhano, adoro as s aspiradas, o z diferente, a rapidez, as colocações pronominais, as elípticas, o cuidado com os objetos e os artigos. Que língua trágica! Uma língua onde até um texto científico torna-se um melodrama. Como é gostoso ouvir as pessoas falando castelhano, e de repente, um “dale” ou uma outra expressão qualquer e você se sente a vontade de tutear com o filme, ele já é seu íntimo.
domingo, dezembro 13, 2009
Woody Allen
Além do assistir, existiu uma coisa fantástica que só havia me acontecido vendo Truffaut, houve identificação, ora com o Woody Allen em alguns pontos que ele mostrava em seus filmes, ora com a Mia Farrow que talvez possibilitou a ele interpretar sua melhor fase.
Assisti a filmes em que saí do cinema extasiado de tanto que gostei, como Simplesmente Alice, Crimes e Pecados, A outra. Houve sessões que saí como quem sai de uma sessão da tarde. Sessão tarde um pouco mais elegante e instigante. Dois ou três destes filmes foram temas de terapia (principalmente Interiores e Simplesmente Alice). Mas, sendo êxtase, sendo psicanalítico, foi a minha diversão deste último mês.
Provavelmente, assim como aconteceu com Truffaut, vem uma pequena ressaca de Woody Allen, para depois ser incorporado no dia-a-dia, na lembrança, uma fonte de metáforas interessantes para me expressar.
Saí de Zelig com a sensação de que deixei um bom amigo na rodoviária.
