quinta-feira, abril 22, 2010
Ídolos e Fãs
quarta-feira, abril 21, 2010
Tudo que você quis saber sobre sexo, mas tinha vergonha de perguntar
Não que o filme seja uma obra-prima, uma comédia extremamente engraçada; no entanto, deve-se considerar que se trata de um tema muito forte, tabu, realmente há cenas bem pesadas (e engraçadas) como o quadro “o que é uma perversão sexual” ou sobre o quanto são precisas as pesquisas sobre sexo. Tudo bem que o título é um best seller, mas mesmo assim, pensar que o filme esteve no cinema me faz pensar que em 1972 as pessoas estavam mais dispostas a verem tabus no cinema.
A parte mais engraçada, sem dúvida, é “o que é sodomia”. É tão absurdo, mas o ator é tão bom, que acabei ficando em estado de riso durante todo o quadro. “Todo travesti é homossexual” também é muito engraçado. Quando você trata com realismo o absurdo, se consegue cenas impagáveis.
O quadro que mais se fala no livro, “toda mulher é capaz de atingir o orgasmo?”, que foi feito como uma sátira dos filmes do Antonioni não é o mais engraçado, mas dá alguns sinais sobre alguns filmes muito sérios que virão. Aqui também o absurdo é mais engraçado que o tema.
Terminar com “como funciona uma ereção” deu um final interessante para o filme, a ideia do corpo como máquina é levada ao extremo e é uma sacada interessante, acho que esse quadro também será tratado em alguns outros filmes.
Não é um filme que não se pode deixar de ver, acho que existe o risco de assisti-lo como o vi a primeira vez. Pode vir a ser um programa divertido. Não recomendaria a ninguém, como faço propaganda de outros filmes do Woody Allen, mas acho que para um feriado de Tiradentes numa quarta-feira, foi interessante.
terça-feira, abril 20, 2010
Ainda assim Engenheiro
Nestes últimos dias tive a sensação que realmente sou um engenheiro civil pleno. Não que antes não fosse, ainda acho que engenharia é uma maneira pragmática de solucionar problemas, racionalizando e simplificando pela técnica problemas complexos. Fazia isso quando estava no PCP do vidro float e quando fazia muitas observações e avaliações a respeito de um grande número de assuntos na CPTM.
Considerando, porém, que a cidade é o elemento mais complexo que nossa civilização (ocidental, pelo menos na concepção de cidade que estou falando) já construiu; morar nela é um problema complexo que implica inúmeros sistemas de abastecimento e de recolhimento de dejetos, bem como locomoção, aspirações e bem estar que somente um engenheiro pode tentar racionalizar sem perder a realidade, sem ser fascista impondo uma o solução artificial como as cidades-jardim, villa radieuse e outros experimentos; e ainda assim, pela técnica, fazer com que os problemas desse aglomerado sejam minorados.
Ao encarar um condomínio produzido de maneira industrial (racional e ocidental, portanto), me envolvo com um gigantesco número de normas e procedimentos que englobam outro gigantesco número de ciências que com pragmatismo pode dar respostas satisfatórias a toda complexidade envolvida.
O interessante disso, é que a técnica não priva ninguém de decisões, sonhos e aspirações; a engenharia não é fascista. A sociedade decide seus desejos e a engenharia dá uma resposta. Às vezes ela é mais cara que a sociedade pode ou está disposta a pagar, mas sempre dá uma resposta.
domingo, abril 18, 2010
Vinte e muitos anos
_ Depende, em algumas coisas sim e outras não.
_ Como assim?
_ Ah, acho que hoje eu tenho mais discernimento com as coisas, levaria a faculdade de uma maneira bem diferente, acho que passaria por ela de uma maneira muito mais agradável. Sofreria menos com alguns detalhes, prestaria mais atenção em algumas matérias.
_ Sei lá, quando ouço que a faculdade é a melhor parte da vida fico me perguntando se realmente para mim isso é verdade. Às vezes eu até esqueço que passei por ela. Mas concordo que hoje eu me sinto muito mais maduro do que quando saí de lá. Faço francês com um monte de piá que está na faculdade, olho pra eles e fico pensando se eu era tão bobo daquele jeito.
_ É, mas também eu acho que os que estão vindo estão cada vez mais bobos, mais jovens. Acho que como aumentou a concorrência, estão entrando um monte de gente “bolha”, que não têm nenhum contato com a realidade. Quando eu fiz estágio tinha uma menina que quando foi embora ela foi assaltada; se fosse minha mãe teria dito pra que eu tomasse cuidado; olhasse quando fosse passar por lá. No entanto a mãe dela deu um carro pra ela, olha que loucura! Veja o tipo de relação que esta menina vai ter com a vida.
_ Meus pais me chamariam de tonto por deixar-me ser assaltado! (risos). Mas é bem isso que eu estava falando: as pessoas não têm mais noção ao se relacionar com o mundo, ou melhor, o jeito que eles se relacionam é diferente.
_ Talvez essa seja o choque geracional da nossa era, ao invés de ser entre pais e filhos, talvez se dê entre primos mais velhos e primos mais novos. Mas lhe digo que eu me sinto muito bem com meus quase 30.
_ Eu me sinto bem com 29 anos, acho que demorei bastante para ter essa sensação de adulto que eu tenho hoje. Me sinto bem adulto hoje, também, se não me sentisse adulto com 29 anos era um bom sinal que a terapia não está funcionando mesmo (risos)
_ Pois é, mas sabe que eu acho que está na hora da gente começar a cuidar mais do nosso corpo, não sei quanto a você, mas eu não sinto mais meu corpo como ele era antes. Sei lá, às vezes me vejo pesado, sem elasticidade. Comecei a pensar nisso, sei lá, não só em alimentação, mas a gente não faz nada né?
_ O engraçado é que eu sinto a mesma coisa e pensar que há uns 5, 6 anos atrás, a gente se orgulhava de não pensar nisso. (risos).
_ Mas eu quero realmente começar a fazer uma academia, sei lá.
_ Pra lhe falar a verdade eu vejo isso cada dia mais necessário: eu tenho dor nas costas! Não posso mais dormir em qualquer lugar não, não dá mais pra ser como era. Lembra-se daquela viagem que a gente fez naquele fim de ano, que a gente andou pra caramba, fez rappel, foi em cachoeira, acho que não faria isso hoje não. Não que não faria, mas talvez sem o mesmo pique. E não por não querer, por não agüentar!
_ Que horror!
_ Mas é verdade, a gente dá aquela disfarçada falando que agora que eu já tenho uma certa idade eu quero conforto, mas eu acho que é mais uma questão de corpo mesmo.
_ Você já pensou quando a gente fizer 40?
_ Putz, eu acho que fazer os 30 vai ser tranqüilo, os 40 vão ser bem foda. Porque ainda nos 30, a gente estava meio que se preparando para o jogo. Com 40, o que a gente fez está feito. Não dá mais pra fazer muita coisa não. A gente vai estar vivendo os resultados, e sei lá, tenho medo que entre os 30 e os 40 eu consiga muito mais coisa.
_ Mas de que tipo de coisa você está falando?
_ Sei lá, profissão, grana, família, amor. Acho que agora a gente já tem mais ou menos um desenho do que a gente quer, tá certo, a gente foi meio errático dos 20 aos 30 (risos), mas agora, a gente tem uma idéia. Nos 40, a gente vai ver se foi por um caminho bom, não dá pra ser errático mais como a gente foi até agora.
_ Credo, dá até medo de pensar.
_ Mas sério agora, eu acho que a gente deveria pensar mesmo em fazer alguma coisa com nossa saúde, vamos tentar fazer, agora que você está voltando pra São Paulo a gente pode tentar fazer alguma coisa junto, pode ser no estilo daquele lance do Tai Chi Chuan que a gente tentou na Unicamp, mas agora mais sério (risos), nem que seja pra fazer um alongamento, um pilates, uma ioga que seja...
_ O foda é a grana né? Mas eu topo, pelo menos a gente vence a preguiça junto, ou não né, a gente pode ser preguiçoso como a gente era com 20 e poucos. (risos)
_ Putz, não posso esquecer que agora eu trabalho no fim do mundo...
_ Ih, nem vem com conversinha não (risos).
_ Não, a gente vai fazer sim (risos), mas eu trabalho no fim do mundo mesmo!
_ Pára de reclamar, moleque!
_ Ei, vamos indo?
_ Vamos, pede a conta!
sábado, abril 10, 2010
Mr. America – Andy Warhol
Adorei a exposição do Andy Warhol na Estação Pinacoteca. Talvez ele tenha compreendido o espírito do capitalismo de uma maneira crítica, mas não hipócrita. Ao definir-se como americano por excelência, trouxe para si toda sua cultura, cultura real. Acabou levando o popular para a vanguarda. Quando igualou os ícones de Marilyn com a foice e o martelo, mostrou a massificação dos dois lados daquele mundo bipolar que viveu.
No entanto, o que mais gostei foram as cores, as oportunidades de representação, as experimentações e brincadeiras com coisas sérias. Representou todo o fascínio de Kennedy, criticou Nixon de uma maneira engraçada; seria interessante fazer um paralelo dele com Reagan, as poucas imagens de Reagan já permitiria esse caminho, afinal, Reagan foi um Warhol da política. (ok, tenho um fascínio por Reagan, confesso e não nego).
O mais marcante, porém, foi um vídeo chamado Boquete (Blow Job). È impossível assistir inteiro porque são mais de 40 minutos de repetição. A câmera fica parada no rosto de um cara que se presume está recebendo o boquete. No começo, a sensação de prazer é muito incômoda, tanto que passei pela sala e rapidamente saí. Fiquei olhando depois as outras pessoas e vi que a maioria fazia o mesmo. Mas, depois que você passa pela sala, vai até o fim da exposição, fica a vontade de rever a cena. Entrando na sala pela segunda vez, mesmo que o filme esteja no mesmo ponto que você viu quando passou pela primeira vez, o prazer do homem não é mais um incômodo, vira uma curiosidade em ver, e é incrível como o prazer tem horas que se parece com a dor, e como a câmera é fixa no rosto do cara, você fica vendo expressões gravadas que nos remetem tanto ao prazer e a dor e acaba imaginando seu rosto nisso. No fim, a cena fica meio hipnotizante, passei pela sala um monte de vezes. Não é pornografia, já que não é prazeroso ver o prazer daquele cara, sei lá o que é!
Como boa pop art, no fim, tive vontade de comprar alguma coisa, o catálogo era muito caro e desisti, comprei dois lápis, pus no meu estojo, e comprei algo que lembra o Andy Warhol. Ainda volto lá antes do fim da exposição.
terça-feira, abril 06, 2010
Cristianização de Mercadante
Esse é um termo que gosto muito em política, cristianizar: remete a candidatura de Cristiano Machado à presidência em 1950 pelo PSD, maior partido da época, e no meio da sua candidatura, o PSD apoiou Getúlio, que ganhou a eleição. A Cristiano Machado foi dada a embaixada no Vaticano como “serviço prestado”. O termo acabou sendo usado para os candidatos que são traídos por seus partidos (às vezes pelas bases, às vezes pelas cúpulas).
A candidatura Mercadante ao governo do Estado é mais um desmonte desta figura política. Já foi o formulador de políticas econômicas do PT e em 1994 resolveu atacar o Plano Real, sua certeza era tão grande que foi candidato a vice de Lula, perderam ambos. Em 1996 se lançou contra Erundina numa prévia para prefeito de São Paulo, perdeu as prévias e partiu para o tapetão fazendo com que o partido “cristianizasse” Erundina; o PT perdeu a eleição e a pressão sobre ela foi tão grande que Erundina deixou o partido. Em 1998 voltou para a câmara e em 2002 foi eleito o senador mais votado do País.
Em 2002 assisti uma palestra dele na Unicamp, não só ele, estavam também Luciano Coutinho e Maria da Conceição Tavares. Foi um festival desenvolvimentista: era preciso frear a política de FHC de desindustrialização do país, o agronegócio era um atentado a uma economia industrial como a nossa, era um absurdo um governo manter a balança comercial baseado na âncora verde. Paroles, paroles, paroles. Em 2002 Lula foi eleito, em 2003 aplicou as maiores ortodoxias existentes no país, trazendo até uma leve recessão que deve ter corado a todos aqueles que discursaram alegremente naquela sala frente à perspectiva da mudança, palavra doce que cabe na boca de qualquer oposicionista.
Mercadante foi líder do governo no Senado até 2006, líder mediano que como sua sucessora, não sabia se portar na tribuna, o não saber se portar o trouxe a disputa do governo de São Paulo, num embate de mágoas contra Marta Suplicy pela candidatura. A má educação do senador acabou com o caso dos Aloprados, onde tentara comprar um dossiê contra o governador José Serra. Calou-se, voltou ao Senado como presidente da CAE e líder da base governista, passando o cargo de líder do governo para Ideli Salvatti, senadora igualmente histérica e mal educada.
No caso Renan Calheiros, veio o eclipse de um homem. Votou contra a cassação de Renan e depois se arrependeu, parecia que o político perdera a vida própria e não mais controlava suas vontades, no caso Sarney, ameaçou renunciar à liderança devido à recusa de se investigar no conselho de ética o ex-presidente, segundo consta foi enquadrado de maneira violentíssima pelo partido e desistiu de desistir. Submergiu de cardeal e virou apenas baixo clero, mesmo sendo presidente da CAE e líder do governo. Não nos esqueçamos que como líder do governo viu a maioria parlamentar sumir e conduziu o governo à derrota na votação da CPMF (uma proposta que fora contra na oposição na câmara durante o governo FHC e que tivera que articular a favor no governo).
Pois bem, o senador mais votado da história não será candidato a reeleição, foi ungido pelo dedo presidencial candidato ao governo de São Paulo, enquanto sua inimiga no comando do partido no Estado, Marta Suplicy, será candidata à sua vaga. Vai ao sacrifício e não sabemos se é de livre vontade ou se pressão do governo. Se livre vontade, é um insensato, se por pressão, não é merecedor do Palácio dos Bandeirantes. São Paulo de qualquer maneira ganha ao perder um Senador tão opaco, tão sem brilho e sem vontades, tão arrependido de seus atos. Para a representação do Estado no Senado, antes uma histérica que um covarde!
quinta-feira, abril 01, 2010
O Bom Gerente
No entanto, após uma passagem marcante de Serra pelo governo do Estado, foram semeadas novas ideias e projetos que vão mudar radicalmente o Estado e estes projetos estão num ponto que ninguém, nem mesmo o Mercadante que é um insensato, pode mudar. Somente alguém muito inconsequente interromperia o plano de expansão do transporte metropolitano, de parceria com a iniciativa privada na saúde, a expansão do ensino técnico; projetos que estão fazendo com que surja a necessidade de uma autoridade metropolitana e a reafirmação do papel do Estado como coordenador, não lutando por protagonismo com os municípios.
Neste cenário, num panorama de um esquerdismo infantil que cresce, a austeridade de Alckmin e o liberalismo de Afif pode ser um contra-peso interessante tanto ao chavismo moreno de Dilma como a esquerda liberal (à la Partido Democrata) de Serra. De qualquer maneira, a eleição de Alckmin dará voz a uma minoria silenciosa que é bem mais conservadora que as siglas de nossos partidos e que a vanguarda acredita.
Chegou o momento de um bom gerente e de uma administração mais conservadora, os projetos estão traçados e é necessário certo conservadorismo em sua condução. Nunca estive tão convicto para votar em Alckmin.
domingo, março 07, 2010
Lugar de mulher é na Revolução!
sábado, março 06, 2010
Cada coisa em seu lugar e a seu tempo
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
Discussões no Congresso
terça-feira, fevereiro 23, 2010
O tempo de Maringá não é o tempo de São Paulo
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
Bons Costumes
Pelo que eu entendi do título original, o filme poderia se chamar “Virtudes Fáceis” e aí ele faria bem mais sentido. Há virtudes que não são fáceis de se ter, que levam você a situações difíceis, que em determinadas situações são até condenáveis pelos outros, mas não são vícios, são virtudes. No entanto, há virtudes fáceis, que provocam tanto orgulho que acabam sendo utilizadas como vício.
Acho que é isso que eu entendi do filme, achei bem interessante como uma virtude que sempre admirei como o bom convívio social, se utilizado em demasia pode encobrir muita maldade, hipocrisia, tudo envolvido nos Bons Costumes da tradução para o português.
O filme se passa nos anos 20/30, entre guerras, que por si só já é um motivo para me levar ao cinema. Conta a história de um rapaz inglês que conhece uma americana “moderna”, casa-se com ela e a leva para a casa de seus pais numa propriedade rural na Inglaterra. Ali a modernidade da moça (e da sua origem) se contrasta com o conservadorismo da sua sogra e da comunidade. Bem, o fato de uma mulher urbana e moderna se sujeitar, por amor, a uma vida no campo num ambiente totalmente deslocado, já mostra que esse amor que a levou até lá não é uma virtude fácil. No entanto, o desenrolar da história é que num ambiente onde se presa o bom costume, ou a virtude fácil, virtudes maiores não são vistas com muita simpatia e se tornam presa do bom costume agora travestido em vício.
O interessante é o papel do pai da família, que, veterano de guerra, tem um choque radical com o mundo tal qual a moça americana, e interessante ver que talvez o background de bons costumes no qual fora criado, ao se ver em contato com outro mundo, só lhe trouxe a apatia, enquanto à moça, a ousadia.
Nossa, relendo parece que o filme é bem chato, não é. É uma comédia muito interessante, um humor inglês e tem a cena de tango mais bonita que eu já vi (muito melhor que Perfume de Mulher).
sábado, janeiro 23, 2010
Droit
Ser Direita no Orkut
Não acredito que uma visão política possa ser definida em termos de extrema esquerda, esquerda, centro, direita, extrema direita, libertário, autoritário ou depende da situação como o orkut nos pede para definirmos. Embora não contemple todo o conjunto, considerando que é uma sinalização para outras pessoas, acaba dando uma ideia do que esta pessoa pensa; sendo assim, sempre tenho uma crise sobre o que pôr neste quadro.
Pois bem, nos primórdios, quando o orkut era mais norte-americano que brasileiro, havia uma classificação de esquerda-liberal e me encaixava bem nela. Embora tenha sido severamente contestado sobre este esquerda-liberal estar ali, o liberal tirava todo o autoritarismo da esquerda e considerando a máxima de valorizar o trabalho ao invés do capital, definição esquálida de socialdemocracia, conseguia responder pela esquerda.
Ao perder o liberal, o termo esquerda ficou associado à nossa esquerda, aquela que enche a boca para falar que é esquerda e para quem ser direita é um xingamento. Como isso é totalmente autoritário e como nossa esquerda que adora dizer que é esquerda tem seu lado chavista; se nas classes baixas, ao renunciar à livre iniciativa em troca de uma mão do Estado; se nas classes médias, como reflexo de sua culpa e para garantir sua eternização nas bocas do Estado, garantindo aos seus filhos o acesso exclusivo à universidade púbica e aos melhores cargos na burocracia; se nas altas, por um complexo de culpa tremendo e pela garantia que o papai-Estado lhe proverá, se não com sua intervenção para garantir seus negócios, quando não muito pela própria interferência neste.
Como não concordo com os que se dizem esquerda, não poderia mais ostentar o status de esquerda, afinal não sou como eles, causo estranhamento à eles quando vêem meu status como tal e me estranho de estar no mesmo clube que eles. Sendo assim, foi necessário um outro título.
A ideia de escrever sobre isso é tão absurda e só pode ocorrer em certos círculos cuja minha vida tangencia e num país patrulheiro como o nosso, onde votar na Marta e falar das celebridades tomando um Dry Martini é uma coisa comum. Assume-se a sociedade de consumo e se expia da culpa no voto.
No entanto, após um período longo de observações sobre mim e sobre o mundo que vivo, acho que está na hora de pôr o direita no campo de visão política. Não que isso queira dizer lá muita coisa, mas hoje, por exclusão é onde me encontro.
Fazendo um Credo nas coisas que acredito, posso ter criado um pensamento monstrengo que não cabe nas palavras de ordem dos esquerdinhas militantes que ainda não renunciaram ao Stalin e que não cabe na sua concepção de um conservadorismo extremo com que veem a direita.
Pois bem, creio na livre iniciativa das pessoas e que o Estado deve garanti-la como forma de proteger sua liberdade individual e que o trabalho prevaleça sobre o capital. Ao incentivar a livre iniciativa, humaniza-se o trabalho e diminuem-se as desigualdades econômicas. Acredito que o trabalho deva prevalecer sobre o capital e que o Estado deve garantir isso ao ser fiador dos direitos trabalhistas, de um piso salarial, de uma política econômica que não permita o arrouxo salarial, mas este mesmo Estado não pode tolher o capital e sim intermediar estes dois pólos dialéticos. O Estado deve ser laico e impessoal. Como forma de garantir que atenda a todos o Estado deve renunciar sua atuação ampla e ser mínimo, como forma de garantir que não haja apropriação da burocracia por parte alguma; no atual estágio somente o Estado-mínimo pode dar eficiência no trato da coisa pública e a fiscalização, função deste Estado-mínimo, pode ser feita por um conjunto amplo da sociedade enquanto a ação é dominada por aqueles que dominam a burocracia. Devem ser garantidas e estimuladas todas as formas de representação e pensamento, sejam difusas ou coletivas, garantindo uma participação universal da formulação das leis e na execução das ações do Estado e não se deve permitir jamais que uma vanguarda controle tudo isso e policie aqueles que discordam. Trabalhar para o Estado me deixou mais privatista.
Desta forma, acho que Direita é um bom termo para dar uma linha geral sobre meu pensamento político. Embora fundamentado num pensamento totalmente socialdemocrata de democracia e equilíbrio entre capital e trabalho, como a esquerda renunciou a estes em troca do chavismo, me defino assim, sem culpas nem arrependimentos.
sexta-feira, janeiro 22, 2010
O terçol e a modernidade
O único problema é que todos esses sistemas altamente especializados esbarram numa porta que, deveria segundo o Giddens, fazer com que nossa confiança nesses sistemas fosse construída. Assim a certeza de que o piloto de avião ou o corretor da bolsa sabem muito bem o que fazem nos daria confiança no avião e no mercado de ações.
terça-feira, janeiro 12, 2010
Foi o Dilúvio!
Quando se fala que houve uma catástrofe natural, naturalmente se naturaliza a catástrofe, esquecem-se as causas e todos se compadecem nas conseqüências, como se fosse a coisa mais natural, uma sina, a catástrofe natural. No entanto, não foi Deus que fez a cheia do Rio Paraitinga e puniu São Luiz pelo carnaval famoso da cidade. Talvez se perguntássemos ao índio que deu o nome de Paraitinga ao rio ou ao português que pôs São Luiz na garganta dele, ambos confirmariam que o rio enche. A única vez que fui a São Luiz do Paraitinga, no estio, vi uma rua inundada e marcas nas casas da inundação anterior, de tal forma que cheia não é uma ato divino e sim algo recorrente.
O que quero dizer é que ao invés da comoção, das promessas de reconstrução, da comunhão entristecida da vanguarda preocupada com a reconstrução do monumento histórico e do carnaval folclórico, não houve um jornal que se propôs a investigar a causa da tragédia. Foi a chuva, oras. Mas chuva, embora aleatória, não é um fenômeno desconhecido e o que não se conhece da chuva, se mede, se faz estatística e estudar chuva é uma ciência; prever enchentes, não quando, mas como, é o que faz os hidrólogos e que deveria fazer um comitê de bacias, ainda mais de uma bacia, como a do Rio Paraíba do Sul que tem praticamente todo seu potencial hidrelétrico explorado e o comitê de bacia mais bem estabelecido do país.
No mínimo se deveria fazer um inquérito e chamar o presidente do comitê de bacia e o chefe do DAEE para explicar como uma curva de remanso de uma hidrelétrica pode inundar uma cidade e chamar o chefe da Defesa Civil para explicar como numa cidade acostumada com cheias não houve nenhum alerta.
Estas tragédias de começo de ano são tão previsíveis que até dá preguiça em comentar. O problema é que o foco é sempre na solidariedade do povo comovido e na autoridade que viajou. Deste mal já padeceram tucanos como Eduardo Azeredo e petistas como a Marta Suplicy, padeceu este ano Sérgio Cabral e se eu fosse governador ou prefeito nunca tiraria férias no ano novo. No entanto, ninguém se pergunta do porquê das tragédias e fica tudo como se fosse uma tragédia que aconteceu para unir o povo, este ente que sem a participação das autoridades é capaz de se ajudar, já que somos brasileiros, povo bom que se une na adversidade, que não desiste nunca. Balela.
domingo, janeiro 10, 2010
Vida Peregrina
Dia de nostalgia. Como foi bom reler meu blog. Escrevo aqui desde o final de 2006, completando três anos e alguns meses de postagens constantes. Foi um olhar para trás para se preparar para caminhar mais uns bons anos.
Uma das coisas mais curiosas que percebi foi que não deixei um Dia Internacional das Mulheres e um Dia do Trabalho passar em branco. Nos três anos escrevi sobre estas duas datas que acho importantíssimas. Nos três anos escrevi sobre a igualdade de gênero e sobre a beleza da feminilidade. Foi uma constante também a discussão do capital versus o trabalho e da busca do trabalho como fonte de realização pessoal.
Achei inacreditável o quanto reclamava antigamente do trabalho via blog e como isso mudou bastante, não que eu ainda não tenha meus problemas com ele, mas encontrei outros meios e passei a encarar o trabalho de outras formas, ou tirar dele muitas obrigações. Ainda não está tão leve como deve ser, mas caminhou muito.
O Catolicismo apareceu em todos os períodos, como dúvida, como certeza, como fonte e culminou no Crisma de dezembro de 2009, talvez como um processo de retomada de influencias passadas que foram trabalhadas e resolvidas.
Reler o blog deu uma sensação tão gostosa de reviver momentos fantásticos como minha primeira visita ao Rio de Janeiro, a primeira vez que fui ao Ritz, meu primeiro Truffaut, a febre de Maria Antonieta causada pelo filme; foi ótimo sentir as mesmas sensações e principalmente pensar no porque elas foram tão marcantes. Para quem se considerava inconstante, foi bom constatar que minhas paixões são constantes, às vezes elas saem de cena, mas sempre voltam e estas idas e vindas foram bem registradas. No entanto Buenos Aires foi constante, passou por todos os anos como a minha maior ilusão, meu sonho feliz de cidade.
Como vi filmes e li livros! Como revi filmes e reli livros! Sempre achando coisas diferentes, criando ídolos e ondas, que vinham, voltavam e modificaram muito minha linguagem. Quanta vírgula deixei de usar, quanto erro de português encontrei!
No blog está o começo de alguns amores, o fim de outros, as diferenças marcantes e como me modifiquei com tudo isso chegando à discrição de diminuir a freqüência destas citações para viver um amor maduro, sem as dúvidas e oscilações presentes em todos os outros.
Ali no blog esteve toda a vontade de pertencer a um grupo e todo a percepção da inutilidade desta tentativa, e principalmente a felicidade de libertar-me de qualquer amarra que um grupo poderia me trazer, amarras implícitas em comentários nem sempre muito agradáveis, fogo amigo que foi muito mais fogo que amigo e que hoje nem é fogo nem amigo.
Politicamente me tornei muito mais liberal, mas muito coerente. Dentro de todas as contradições possíveis, meus princípios atravessaram três anos muito bem preservados e me orgulhei disso. Paulista, engenheiro, católico, liberal e intuitivo. Acho que caminhei para rótulos de uma maneira bem refletida, bem discutida.
Passaram três anos e as circunstâncias mudaram e eu também, continuo sendo produto delas, elas me moldam, me carregam; fantástico constatar que o núcleo passou incólume e as circunstâncias também foram produtos de mim.
sábado, janeiro 09, 2010
Da importância das pequenas metas
Devagar se vai ao longe. Uma grande caminhada começa no primeiro passo. O ótimo é inimigo do bom. Existem tantos ditados para dizer que a gente deve se preocupar em pequena escala para atingir a grande escala e, no entanto, sempre se vê um elogio a grandiloqüência, afinal parece que nossa sina é o sucesso. Sem fazer marolinha nem fazer uma apologia à revista Vida Simples, começo a acreditar muito nesta questão das pequenas metas.
Quando me Crismei no final do ano passado, além de todo o simbolismo religioso, não consigo não pensar na benção do bispo como uma sensação de dever cumprido, de algo que comecei e terminei. Embora esse ato em si pode não trazer grandes modificações no curso da minha vida (ou pode, agora considerando o simbolismo religioso), o fato de saber que comecei algo e levei até o fim me deixou muito bem, feliz.
Fui assistir Julie & Julia e a fiquei pensando na volta pra casa exatamente nisso. Uma pequena meta pode liberar sonhos suficientes para criar grandes saltos, e aqui não falo de sucesso, mas sim de auto-conhecimento, de felicidade pessoal, de encontrar significados e significantes.
Esse pragmatismo do executar algo com escopo e prazo definido (seria a definição de projeto?) ao permitir a sensação de fim, acaba deixando a vontade de se aprofundar. Um dia de cada vez a gente vai criando idéias e entre uma idéia e a execução existe um longo trecho e cada trecho com sua intensidade e vencido cada trecho a gente sempre pode refletir sobre a importância de continuar ou não, enquanto se pensarmos no trecho como uma coisa só pode-se chegar ao fim sem ter realmente querido estar lá e principalmente sem olhar a paisagem.
É preciso olhar a paisagem e é preciso terminar o que se começou.... vou tentar fazer isso este ano!
quinta-feira, janeiro 07, 2010
A Primeira Noite de um Homem
Não sou um crítico de cinema, definitivamente; não entendo nada de montagem, iluminação, continuidade, roteiro. Sou apenas capaz de tentar analisar o que o filme causa em mim e tentar compará-lo a outros que vi. Muitas vezes acho que assisto um monte de filmes para ter um cardápio de metáforas maior para expressar coisas que tenho vontade de dizer e outras que nem sei se tenho vontade de dizer, mas que talvez devam ser ditas; não sou nem crítico de cinema nem baseio minha vida em filmes.
Segundo um horóscopo que li, neste 2010 estarei sobre uma conjunção astral fantástica, regida por Júpiter e por Vênus que sinaliza a concretização de sonhos e algumas mudanças, segundo o mesmo horóscopo para que eu tivesse idéia do que essa conjunção significa, deveria lembrar-me de como foi meu biênio 1998/1999, exatamente a época em que assisti “A Primeira Noite de um Homem” pela primeira vez.
Entre a primeira vez que vi o filme e a segunda, que acabou de acontecer, me contaram, e depois pude vivenciar, dois conceitos que ainda hoje me intrigam. O primeiro é que sexo, embora seja vendido como libertador, é um reprodutor de padrões, mesmo que ele acabe sendo a base da transgressão, já que é nesta arena que hoje se combatem os padrões. O segundo é que o que a gente leva dos nossos pais é como se relacionar como casal, mas que isso também não é imutável. Talvez por isso o famigerado choque geracional sempre tem a ver com uma mudança nas formas das relações e com o sexo.
Se o choque geracional faz crescer, e se para crescer é necessário superar alguns desafios psicológicos e incluir no nosso arcabouço psíquico muitos elementos como o sexo e a forma de se relacionar como casal, talvez o ato de crescer assemelhe-se com a conjunção astral e não seja único e sim algo que ocorre algumas vezes na vida. Talvez aí a euforia causada pelas duas vezes que vi o filme.
Convenhamos, os cortes e as seqüências que dão o tom da passagem de tempo são fantásticos e a trilha sonora do Paul Simon é ótima, mas não há como não ficar pasmo frente à tomada da consciência do personagem principal, que passa da adolescência para juventude e depois para a vida adulta resgatando valores da primeira e recuperando experiências da segunda para viver uma terceira de maneira plena, no seu self.
Preocupa-me saber que alguém não se sinta eufórico ao ver este filme, talvez um homem mais que uma mulher, já que no fim se trata do desenvolvimento do homem. Mas sentir o filme é uma experiência única, mesmo que você o veja duas vezes. Comprei o filme e acho que esperarei uns dez anos para vê-lo novamente.
