segunda-feira, agosto 13, 2007

5+ Livros

Copiando idéias.

Tava fuçando no blog do Fernando e achei a idéia irresistível. Listar os 5 livros que mais me marcaram, na verdade nem vou pôr os que eu mais gostei, mas sim os 5 que tiveram alguma influência sobre mim:

Gente como a Gente (Ordinary People) – Judtih Guest

O livro conta a história de Conrad, que velejando junto com o irmão mais velho sofre um acidente que acaba causando a morte de seu irmão. Após um conflito interno ele tenta o suicídio. Depois da recuperação, volta para a casa onde enfrenta um conflito com sua mãe que é magnificamente contado através de passagens inesquecíveis. No fim, o livro cobre todo o processo de terapia de Conrad, onde este trata a questão da culpa, do sentimento de inferioridade em relação ao irmão morto. Crescer é transformar-se, abandonar alguns preceitos. Acho que o livro é sobre crescer.

Se eu pudesse dar uma trilha sonora para o livro seria Simon & Garfunkel. Acho o livro paradigmático, um tiro no peito da família a la Anos Incríveis que habitava a minha fantasia da família norte-americana. Sem contar que eu o li na minha transição Colégio-Unicamp.

Quarup – Antônio Callado

Também considero um livro sobre transformação, crescimento. Um jovem seminarista, amigo de um casal que se envolve na luta armada, se transcende no amigo revolucionário. Em alguns momentos se tem a sensação que esta transcendência se dá na própria imagem do Cristo. Nesta revolução interna experimenta um mundo em transformação. É fantástica a aproximação com o sexo e com o amor, que também não deixa de ser uma experiência transcendental.

Embora não o tenha lido muitas vezes como os outros, para mim, foi um dos mais prazerosos. É incrível como a gente acaba se influenciando por essas histórias. Até hoje, ainda lembro situações deste livro. Talvez foi a melhor influência de um grande amigo que eu tive na faculdade.

Suave é a noite (Tender is the night) – F. Scott Fitzgerald

Um jovem médico psiquiatra se casa com uma milionária doente, tendo como cenário a Riviera Francesa. Que imagem dos anos 20! Um savoir-vivre fantátisco. As aventuras destes exilados americanos milionários numa Europa sem tanto pudor. O mais incrível é que Dick Diver após uma experiência de bon vivant acaba retornando a seus valores ancestrais, de jovem pobre filho de pastor. Acho o envelhecimento deste personagem meio dialético, talvez ele prenunciasse o final da Era do Jazz, a grande depressão.

Tem uma passagem que eu sempre lembro. Dick afirma que mais vale uma camisa meio suja que mal passada. Lembro sempre disso porque minhas camisas são limpas, mas são muito mal passadas. Foi o primeiro livro da temporada joseense.

O Primo Basílio – Eça de Queirós

Fantástico. Que livro interessante. Um ótimo retrato de uma burguesia que embora distante habita em mim. Acho feminista na medida que mostra o quão perigoso é essa atmosfera idiotizante em que puseram Luisa. Não acho esse livro pessimista. Basílios e Jorges sempre haverá, infelizmente Luisas voltaram a ser de moda... Por fim, acho fantástico o desgaste de Luisa, o sofrimento de Jorge. E como toda aquela sociedade, que embora parecesse sólida, era permeável aos seus próprios valores.

Poucos povos experimentaram o regicidio, Portugal foi um deles. Acho que se pegarmos Os Maias, O Primo Basílio e A Relíquia; dá pra entender o fim trágico da monarquia portuguesa.

Vidas Secas – Graciliano Ramos

Não me lembro de outro livro em que eu chorei. Chorei com a morte da cachorrinha Baleia. Chorei com a pobreza.

Que história fascinante, arrepio-me de lembrar. Todo mundo tem que ler este livro. Traz em si uma angústia, uma depressão. Um retrato de uma pobreza que embora não seja nossa vizinha, é real, acontece, e sabemos que acontece. Parece um encontro com alguns valores, sem ser moralista. Graças a esse livro, acabei lendo Graciliano Ramos de batelada.


OBS.

1 – Só pus ficção. Acho que a beleza das grandes sabedorias está nas metáforas.

2 – De maneira nenhuma sou anti-americanista. F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway me deixaram com muita vontade de conhecer os Estados Unidos. Por eles, construí uma ilusão fantástica deste país, que deve ser tão contraditório como o nosso, mas com um senso de modernidade que me fascina.
3 – Bons tempos o do vestibular. Foi a época que mais li, e mais me impressionei com literatura.

2 comentários:

Fê Guimarães disse...

Ah, só livro-cabeça não vale! Queria ver você revelar aquela sub-literatura que mexe com seus princípios intelectuais...rs!!!

Brincadeira! Me lembro que você comentou comigo sobre "Gente como a gente". Ainda quero ler o livro e ver o filme...

Anônimo disse...

Adorei a mudança no layout! :D